O artigo de opinião como gênero textual

Jornais, revistas, portais da internet são espaços para a veiculação de um gênero argumentativo conhecido como artigo de opinião. Vamos revisar as principais características do artigo de opinião como gênero textual e a sua finalidade.

Ao lado de textos jornalísticos de cunho mais expositivo, como a notícia e a reportagem, jornais e revistas também mantém um espaço garantido para o artigo de opinião como gênero textual. 

O artigo de opinião

O artigo de opinião como gênero textual é um gênero discursivoargumentativo que tem como finalidade expressar o ponto de vista do autor – o articulista – que o assina acerca de algum ponto – tema – relevante, geralmente controverso, de natureza social, política, cultural, entre outros.

Então, o caráter argumentativo do texto de opinião é facilmente notado pelas justificativas de posições pautadas pelo autor para persuadir os leitores da validade da análise que faz no texto. Dessa forma, uma vez que os jornais e as revistas delegam a maior parte de suas páginas para textos informativos, é muito importante que existam alguns textos em que as notícias mais relevantes possam ser analisadas. Assim, estudante, temos a principal função do artigo de opinião como gênero textual.

Então, é nos artigos de opinião que jornalistas e pessoas que são destaques em seus campos de atuação (médicos, políticos, advogados, professores universitários, entre outros) selecionam acontecimentos já conhecidos pela grande mídia para submetê-los a um processo analítico. Sendo assim, esse processo permite revelar suas consequências, discutir suas causas e, por vezes, defender uma posição a seu respeito.

Sendo assim, quem lê esses textos encontra um espaço de reflexão mais detalhada. Reflexão essa que, por vezes, o auxilia a entender melhor o mundo em que se vive. Além disso, o artigo pode servir como base para ajudar ao leitor a formar – melhor – a sua própria opinião.

Por onde andam os artigos de opinião como gênero textual

Como já foi dito, tradicionalmente, o espaço para a veiculação dos artigos de opinião como gênero textual são as colunas assinadas dos jornais diários e das revistas semanais – virtuais ou impressas – que, por costume, contam com um quadro fixo de articulistas.

Assim, estudante, sempre que você reservar um tempo para estudar os gêneros do discurso é bem importante que você procure ler um texto deste gênero, certo? Por exemplo, esta revisão é sobre artigo de opinião, então, você deve buscar ler alguns artigos com o tema de sua preferência. 

Essas colunas aparecem em diferentes cadernos (geral, política, economia, cultura, esporte, entre outros) e a capacidade analítico-argumentativa de seus articulistas costuma conquistar leitores fiéis para as revistas que os publicam.

Sendo assim, é muito comum encontramos vários casos de articulistas que têm seus textos publicados em diferentes veículos, como Élio Gaspari e Joelmir Betting; ou cuja coluna já se tornou “figurinha carimbada” de certas revistas, caso do caderno “Ensaio”, assinada por Roberto Pompeu de Toledo, na revista Veja.

Além da Veja, na página on-line da Folha de São Paulo existe a seção “Opinião: Tendências/Debates” com vários artigos. Lá, você encontrará um assunto que lhe agrade. Contudo, frisamos a importância de ler artigo de opinião de várias fontes diferentes.

Os leitores de artigo de opinião como gênero textual

Além de estudantes que querem se dar bem na redação do Enem, pois os artigos servem de fontes para enriquecer a argumentação desenvolvida na dissertação, o público do artigo de opinião como gênero textual varia muito dependendo do tema, assim como a notícia e a reportagem.

Porém, o estilo de alguns colunistas pode ser um fator determinante para conquistar um público fiel. Então se você, estudante, pensou em temas polêmicos, acertou! São muitos os colunistas que têm opinião “bem polêmicas” sobre os mais variados assuntos.

Eis um fragmento de um artigo com uma boa – e generosa – pitada de treta, como dizem vocês, jovens:

Diogo Mainardi tem opiniões muito “fortes” e controversas sobre vários temas. Tanto que em um dos seus programas, chegou a afirmar que “a bossa nova brasileira é medíocre, previsível, dissonante, simplória, cafajeste e pobre de espírito”. 

Mas, agora, leia esse artigo sobre o barroco brasileiro escrito por Mainardi para a revista Veja em junho de 2001.

Santos ridículos

O barroco brasileiro nunca foi arte. É apenas a expressão de uma sociedade retrógrada.

“O Brasil trouxe alguns santos e oratórios barrocos para a Bienal de Veneza. As obras ficam expostas até 4 de novembro na Igreja de San Giacomo dall’Orio. Pode parecer estranho que alguém tenha pensado em mostrar santos e oratórios barrocos numa feira internacional de arte contemporânea, mas os organizadores do evento acham necessário contextualizar nossa arte. Ou seja, para compreender a arte contemporânea brasileira, os estrangeiros precisam antes conhecer o que fizemos no passado. O mesmo raciocínio vale para a retrospectiva de arte brasileira que o Museu Guggenheim, de Nova York, marcou para setembro. O ponto de partida para a visita será um altar barroco do século XVIII.

É uma iniciativa suicida [grifo nosso], claro. Arte barroca, na Itália, é associada a Bernini e Borromini, à Fontana di Trevi e ao Jardim de Boboli. Trazer nossos santos para cá significa expô-los ao mais absoluto ridículo. O barroco brasileiro nunca foi nem nunca será arte [grifo nosso]. É artesanato. De fato, o contraste entre os toscos santos brasileiros e a igreja veneziana em que foram colocados é impiedoso. [grifo nosso] Basta ver os nomes. San Giacomo dall’Orio tem um afresco e um quadro de Veronese. Tem também um quadro de Lorenzo Lotto. Um quadro menor, mas sempre um Lorenzo Lotto. Tem um ciclo completo de Palma, o Jovem, tem um crucifixo gótico de Paolo Veneziano, tem um dos mais elaborados tetos de madeira da arquitetura italiana, do século XIII. Os pobrezinhos dos santos brasileiros, desproporcionais, inexpressivos, rudimentares, banais, destoam nesse ambiente elevado.[grifo nosso]

Texto na íntegra

Estrutura do artigo de opinião como gênero textual

Devemos sempre lembrar que estamos tratando de um gênero discursivo cujo objetivo é persuadir o leitor. Então, o artigo de opinião como gênero textual não apresenta uma estrutura fixa, mas precisa contar com partes que desempenham essa função de convencimento.

Olhando o texto do Mainardi com mais “calma” – peço mais calma ainda aos amantes da nossa arte barroca – podemos, sim, perceber a presença de alguns pontos que “se repetem” em outros artigos de opinião.

Título

É sempre o nome do texto e já antecipa ao leitor o tema que será discutido.

Olho

Traz a perspectiva analítica que será defendida pelo autor. No caso, o barroco brasileiro nunca foi arte. Geralmente, o olho é um fragmento do texto escolhido pelo editor do jornal.

Primeiro parágrafo

Sempre vem com uma contextualização do autor acompanhada de uma pergunta retórica, mas não é obrigatório. Contudo, é bastante frequente.

Segundo parágrafo

Temos o início da análise do autor, onde já aparece o juízo de valor.

O artigo de opinião não tem um número fixo de parágrafos, então, entre o terceiro e o último, que é o de conclusão, o articulista oscila entre trazer as respostar para possíveis perguntas dos leitores e mais argumentos para sustentar a tese.

No último parágrafo – pode ser a partir do penúltimo -, o autor começa a fechar a sua análise trazendo as conclusões, explicando a tese já antecipada no primeiro parágrafo e, caso tenha, antes ainda no olho do texto.

Então, galera, sempre bom lembrar: não se trata de uma estrutura fixa, mas podemos observar que o parágrafo inicial costuma trazer a contextualização do acerca do tema.

Assim, durante o desenvolvimento (parágrafos 2 até o penúltimo), o que temos são os argumentos para a defesa da tese, que, claro, caminham para o encerramento no último parágrafo, sempre retomando o tema de forma coerente.

Então, estudante, essa foi a nossa revisão sobre o artigo de opinião como gênero textual. Precisamos continuar nossos estudos sobre esse gênero do discurso, então bora resolver exercícios e assistir a videoaula sobre o assunto.

Até logo, fera!

 

TEXTO: 1 – Comum à questão: 1 
Em três anos, total de domésticas com carteira cai 15%

Nos últimos três anos, mais de 300 mil empregados domésticos perderam o registro na carteira de trabalho, mesmo após a regulamentação dos direitos da categoria. No fim do ano passado, o número de profissionais registrados foi impactado pela crise e teve seu pior resultado desde 2015. Esse contingente caiu 15% no período, de 2,1 milhões para 1,78 milhão.

Enquanto o total de empregados domésticos registrados caiu, a quantidade de trabalhadores sem carteira assinada cresceu 7,2%, indo de 4,2 milhões no fim de 2015 para 4,5 milhões em dezembro do ano passado, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, separados pela consultoria LCA.

Em 2013, os benefícios para a categoria passaram a ser previstos na Constituição, com a aprovação da chamada PEC das Domésticas. Essas medidas foram regulamentadas dois anos mais tarde, garantindo para esses trabalhadores direitos como jornada de trabalho, horas extras e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

(Douglas Gavras. https://economia.estadao.com.br, 06.04.2019. Adaptado.)

Questão 01)
A análise do tema e da forma como as informações são organizadas permite concluir que o texto pertence ao gênero

a) artigo de opinião, pois tem o objetivo de analisar a queda na contratação de empregados domésticos como efeito da crise econômica.

b) notícia, pois tem o objetivo de mostrar a situação dos empregados domésticos, agravada com a crise econômica que afeta o país.

c) reportagem, pois tem o objetivo de mostrar como os empregados domésticos têm driblado a crise econômica e conseguido emprego.

d) resumo, pois tem o objetivo de apresentar de forma sintética dados referentes aos empregados domésticos registrados e aos sem carteira assinada.

e) editorial, pois tem o objetivo de confrontar dados oficiais a dados de fontes variadas para explicar o desemprego dos empregados domésticos.

Gabarito: B

Questão 02)   

Numa entrevista ao jornal El País em 26 de agosto de 2016, o jornalista Caco Barcellos comenta uma afirmação sua anterior, feita em um congresso de jornalistas investigativos, de que novos profissionais não deveriam “atuar como porta-vozes de autoridades”.

“Tenho o maior encanto e admiração e respeito pelo jornalismo de opinião. O que critiquei lá é quando isso vai para a reportagem. Não acho legítimo. O repórter tem o dever de ser preciso. Pode ser até analítico, mas não emitir juízo. Na reportagem de rua, fico imbuído, inclusive, de melhor informar o meu colega de opinião. Se eu não fizer isso de modo preciso e correto, ele vai emitir um juízo errado sobre aquele universo que estou retratando. E não só ele, mas também o advogado, o sociólogo, o antropólogo e mais para frente o historiador (…)

Por exemplo, essa matança que a polícia militar provoca no cotidiano das grandes cidades brasileiras – isso é muito mal reportado pela mídia no seu conjunto. Quem sabe, lá no futuro, o historiador não passe em branco por esse momento da história. Não vai poder dizer ‘olha, os negros pobres do estado mais rico da federação estão sendo eliminados com a frequência de três por dia, um a cada oito horas’. Se o repórter não fizer esse registro preciso e contundente, a cadeia toda pode falhar, a começar pelo jornalista de opinião.”

Caco Barcelos: Erros históricos nascem da
imprecisão jornalística”. El País. 26/08/2016.

De acordo com a posição defendida por Caco Barcellos com relação a seus leitores, uma reportagem exige do jornalista

a) conhecimento preciso do assunto, uma vez que seu objetivo é convencer o leitor a concordar com o que escreve para evitar que ele cometa erros.

b) investigação e precisão no tratamento do assunto, porque ela vai servir de base a outros artigos, permitindo que o leitor tire suas próprias conclusões.

c) investigação e precisão na abordagem dos fatos, já que ele também emite seu juízo sobre o assunto, conduzindo o leitor a aceitar a história que narra.

d) conhecimento preciso dos fatos tratados, para que, no futuro, o leitor seja levado a crer que o repórter registrou sua opinião de forma equilibrada.

Gabarito: B

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

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