A estrutura da redação do Enem: como fazer o texto dissertativo-argumentativo

O Enem sempre exige que os candidatos escrevam um texto dissertativo-argumentativo. Por isso, é importante conhecer esse estilo e compreender como fazer a estrutura da redação do Enem. Veja abaixo como escrever um ótimo texto dissertativo-argumentativo!

A redação talvez seja uma das etapas mais temidas da prova do Enem e dos vestibulares. É o seu caso? Se for, você está no lugar certo, pois vamos mostrar como fazer a estrutura da redação do Enem. No caso do Enem, sempre é exigido que os candidatos elaborem um texto dissertativo-argumentativo. E, acredite, não é nenhum bicho de sete cabeças!

A prova de redação é cercada de mitos, previsões de tema e “fórmulas mágicas” sobre sua elaboração, aplicação e avaliação.

Mas ela é, na verdade, só mais uma disciplina que possui critérios de correção bastante específicos sobre o tipo de texto solicitado para que o candidato ou candidata obtenha sucesso.

Você vai aprender a montar a estrutura da redação de acordo com esse tipo de texto. Confira um resumo com a professora Dani, do canal Curso Enem Gratuito, e depois siga na aula completa.

Veja como escrever a Redação do Enem:

Gostou das dicas da professora Dani? Muito boas. Agora, vamos em frente.

O caminho para você obter uma boa nota na redação do Enem, é, então, uma clara compreensão do texto dissertativo-argumentativo, a qual criaremos nesta aula.

A estrutura do texto dissertativo-argumentativo

O texto dissertativo-argumentativo, como o nome propõe, tem como finalidade a argumentação com base em comentários e explicações sobre determinada temática. Ou seja, o foco principal do seu texto será defender um ponto de vista e é essa defesa que norteará a sua escrita.

O posicionamento, na dissertação, é chamado de tese. A tese deverá ser a protagonista do seu texto, pois além de esclarecer para o seu leitor o que será defendido, ela também organizará a estruturação da sua escrita.

Por isso, quando receber a temática de redação, a primeira ação a ser feita é delimitar o que você irá, de maneira geral, defender. Para isso, pergunte-se “O que eu acho/o que eu penso sobre esta temática?”. A pergunta anterior delimitará o que chamaremos de “tese central” ou “tese principal” e será responsável por delimitar o objetivo geral do seu texto.

Mas, essa tese que você estabelece na Introdução da Redação, por ainda ser muito ampla, precisa ser dividida em ideias menores que determinem os objetivos de cada um dos parágrafos de desenvolvimento. Para isso, pergunte-se “Por quê?” você optou por esta tese central.

Considerando a quantidade de linhas disponibilizadas pela prova do Enem, sugiro que você divida sua tese em apenas duas ideias, pois, dessa forma, terá espaço suficiente para uma discussão efetiva de cada uma delas. Veja como elaborar a Introdução da Redação.

Veja no quadro abaixo o movimento proposto e um exemplo com base na prova do Enem de 2017 (Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil):

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Como delimitar a tese do texto dissertativo-argumentativo.

A estrutura acima, como dito anteriormente, além de delimitar o posicionamento a ser defendido, encaminha a escrita da candidata. Vamos então ver como fazer a redação do Enem a partir de um exemplo. O texto a seguir foi escrito por Thaís Fonseca Lopes de Oliveira e foi avaliado com nota máxima no Enem 2017.

Repare no texto como os elementos delimitados na figura anterior aparecem durante todo o desenvolvimento e sustentam o objetivo geral do texto e os objetivos específicos dos parágrafos.

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos deficientes auditivos brasileiros, os quais buscam ultrapassar as barreiras as quais os separam do direito à educação.

Nesse contexto, não há dúvidas de que a formação educacional de surdos é um desafio no Brasil o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade.

A Constituição cidadã de 1988 garante educação inclusiva de qualidade aos deficientes, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta não apenas da educação inclusiva, como também da preparação do número suficiente de professores especializados no cuidado com surdos não está presente em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.

Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos deficientes auditivos nas escolas. Tristemente, a existência da discriminação contra surdos é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva.

No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras à formação educacional de surdos.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos surdos. – uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador – a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral – por conseguinte – conscientizem-se. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.

Como você deve ter percebido, para convencer o leitor e conseguir sustentar a tese elaborada, a autora utiliza uma argumentação baseada no agenciamento do seu conhecimento de mundo (a forma como ela interpreta a realidade ao seu redor) e elementos de repertório sociocultural.

Essa relação entre o que é do cotidiano do candidato ou candidata e o que é conhecimento relevante socio-historicamente é a outra grande característica do texto dissertativo- argumentativo para a redação do Enem. Veja como fazer o desenvolvimento da Redação do Enem.

Por fim, com base na tese elaborada e nos argumentos utilizados para defendê-la, você deverá criar a sua proposta de intervenção. Nela, de maneira geral, você deverá mostrar de maneira detalhada como algum órgão pode intervir na problemática apresentada pela temática, mostrando como isso deverá ser feito e com qual finalidade.

Resumindo o que vimos nesta aula, então, no texto dissertativo-argumentativo para o Enem, você deverá elaborar um ponto de vista (uma tese) com base na temática oferecida pela prova, trazer argumentos convincentes que mostrem para o seu leitor que o seu posicionamento é correto para, com base nisso, propor como intervir no problema.

Viu como fazer a redação do Enem não é tão difícil? Seguindo essa estrutura com atenção e trazendo bons argumentos para comprovar a sua tese, escrever uma Redação Enem Nota 1000 pode ser mais simples do que você imagina. Veja como criar a Proposta de Intervenção.

Aqui vão mais algumas dicas úteis para a sua redação:

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