Filo dos Platelmintos

Você conhece as características gerais do Filo dos Platelmintos? Não? Então, vem com a gente revisar o Filo dos Platelmintos para mandar bem no Enem!

Nas provas do Enem e dos vestibulares, você tem que conhecer um pouquinho de tudo para mandar bem nas questões de Biologia. Mas, se tem algo que o Enem ADORA cobrar são questões envolvendo saúde humana. É exatamente aí que entra o conteúdo dessa aula! Os Platelmintos, também conhecidos como vermes achatados, são em sua maior parte animais de vida livre.

Porém, há espécies que parasitam seres humanos, causando verminoses. Além disso, essas verminoses são transmitidas devido a condições ruins de saneamento básico, outra coisa que o Enem adora abordar. Sendo assim, não perca esta aula de Biologia para o Enem!

Características gerais dos Platelmintos

Os representantes mais lembrados desse grupo são as planárias, os esquistossomos e as tênias. São animais invertebrados, sem esqueleto, com o copo bem alongado e mole. Além disso, todos os vermes desse grupo têm o corpo achatado dorsoventralmente. E é justamente dessa característica que deriva seu nome: Platyelminthes (Platy – achatado, elminthes – vermes).

planária filo dos platemintos
Imagem 1: Planária da espécie Geoplana vaginuloides. É uma espécie de planária terrestre, encontrada na Mata Atlântica. Foi descrita por Charles Darwin, quando esteve no Rio de Janeiro, em uma das várias paradas da expedição a bordo do navio Beagle.

– Simetria dos Platelmintos: Como o corpo desses animais é alongado e eles possuem grande movimentação, sua simetria é bilateral. Ou seja, podemos dividir o corpo desses vermes em duas partes longitudinalmente (ao comprido do corpo) e obteremos duas partes iguais.

simetria bilateral dos platelmintos
Imagem 2: Desenho esquemático de uma planária e de uma pá. Ambas têm um plano em azul as atravessando para demonstrar a simetria bilateral.

– Desenvolvimento embrionário dos Platelmintos: Os Platelmintos são animais triblásticos (com três folhetos embrionários) e acelomados (não possuem formação de celoma, a cavidade interna presente na maioria dos animais que vai abrigar seus órgãos internos).

– Revestimento externo do organismo: Externamente o organismo dos platelmintos é revestido por uma epiderme derivada do folheto embrionário mais externo, a ectoderme. Em algumas espécies desse grupo, encontramos a formação de cílios na epiderme, como é o caso das planárias. Esses cílios estão presentes especialmente na região ventral do animal e têm função locomotora.

– Sistema digestório: A maioria dos platelmintos possui sistema digestório. Porém, o sistema digestório desses animais é incompleto. Isso quer dizer que possuem apenas boca, sem ânus. Sendo assim, a ingestão ocorre pela boca, assim como a liberação de resíduos da alimentação. Nos platelmintos, esse sistema será revestido internamente por um epitélio derivado do folheto embrionário mais interno do animal: a endoderme.

Dentro do grupo, há diversas adaptações do sistema digestório de acordo com os hábitos dos animais. As planárias, por exemplo, têm uma faringe que se prolonga para fora do animal. Na ponta dessa faringe está a boca que o animal usa para “sugar” alimentos do meio.

esquema de planária
Imagem 3: Desenho esquemático de uma planária onde podemos ver sua faringe.

Há animais desse grupo, como os da classe Cestoda, que não possuem sistema digestório por conta de especificidades do seu modo de vida: são endoparasitas. O grupo dos trematodas também possui adaptações no sistema digestório: ventosas na boca e no ventre. Essas ventosas são utilizadas para aderir no aparelho digestivo de seus hospedeiros.

esquistossomos
Imagem 4: Fotomicrografia produzida a partir de microscópio eletrônico de varredura. Na imagem vemos um casal de esquistossomos (macho com fêmea em seu canal ginecóforo). Podemos notar a presença de ventosas na boca e no ventre.

– Sistema nervoso dos Platelmintos: O sistema nervoso dos platelmintos é um pouco mais sofisticado que dos animais do Filo dos Cnidários. Enquanto os cnidários possuem um sistema nervoso que forma uma rede difusa de neurônios, nos platelmintos temos o estabelecimento de gânglios nervosos. Isso quer dizer que os neurônios se organizam em regiões centralizadas.

Há nesse grupo dois gânglios principais na região frontal do animal. Partindo desses dois gânglios seguem em direção ao corpo dois cordões nervosos localizados na região ventral desses animais. A partir desses dois cordões há a formação de inúmeras ramificações que enervam as diferentes partes do corpo desses animais.

Na região frontal das planárias podemos encontrar duas manchas escuras – os ocelos. Os ocelos são estruturas sensoriais capazes de perceber a ausência ou presença de luz. Além disso, as planárias possuem, próximas aos ocelos, células quimiorreceptoras que auxiliam na localização do alimento.

estrutura da planária platelmintos
Imagem 5: Fotografia de planária. Na imagem vemos que na parte frontal do animal há duas manchas semelhantes a olhinhos. São os ocelos do animal.

– Sistema respiratório: Os platelmintos também não possuem sistema digestório. Sendo assim, as trocas gasosas nos platelmintos de vida livre (que são aeróbios) são realizadas através da própria epiderme. Já os platelmintos parasitas são, em sua maioria, endoparasitas. Sendo assim, são animais que realizam respiração anaeróbia.

– Sistema circulatório: Os platelmintos não possuem um sistema específico para fazer o transporte de substâncias dentro de seus corpos. Sendo assim, o transporte de substâncias se dá por difusão e osmose, de célula a célula. Além disso, em algumas espécies, o sistema digestório pode ser extremamente ramificado, facilitando a chegada de substâncias em várias partes do corpo.

sistema digestório platelmintos
Imagem 6: Fotomicrografia feita com microscópio óptico. Na imagem vemos um exemplar de Fasciola hepatica. Observe que há uma série de ramificações avermelhadas. Essas ramificações pertencem ao sistema digestório e ajudam a transportar substâncias pelo corpo do animal.

Esses animais conseguem fazer isso tipo de transporte porque são bastante achatados. Além disso, seus corpos são constituídos de poucas camadas de células. Sendo assim, todas as suas células estão muito distantes do sistema digestório ou da superfície externa do corpo do animal.

– Sistema excretor: Os platelmintos possuem um sistema excretor formado por estruturas tubulares em cujas pontas há células especializadas, que variam de grupo para grupo.

Em algumas espécies, como nas planárias, essas estruturas recebem o nome de células-flama. Isso porque na extremidade da formação tubular (que permeia o parênquima) há uma célula com vários flagelos. O movimento dos flagelos dessas células se assemelha a uma pequena chama. Por isso, seu nome.

sistema excretor dos platelmintos
Imagem 7: Desenho esquemático demonstrando o sistema excretor de uma planária.

Em outros grupos de platelmintos, a célula encontrada nesse tubo possui apenas um flagelo e é chamada de solenócito.

Porém, mesmo que existam diferentes células, seu funcionamento é semelhante. O movimento realizado pelos flagelos faz com que os líquidos extracelulares contidos no parênquima sejam filtrados, retirando as excretas. Em seguida, o produto é empurrado para os túbulos. Esses túbulos se abrem para o meio externo em poros excretores presentes no dorso do animal.

– Musculatura dos Platelmintos: Entre o sistema digestório e a epiderme desses animais encontramos um tecido de preenchimento chamado de parênquima. Permeando esse tecido, encontramos células musculares que permitirão os movimentos do animal. Tanto o parênquima quanto as células musculares dos platelmintos são de origem mesodérmica (folheto embrionário intermediário).

– Reprodução: As gônadas dos Platelmintos se encontram dentro do parênquima do animal. Cada grupo de platelmintos se reproduz de uma maneira específica.

Os animais da Classe Turbelaria, como as planárias, podem realizar reprodução assexuada através de fissão transversal. Nesse caso, elas conseguem se dividir ao meio, formando dois novos indivíduos. Essa capacidade surpreendente se deve ao fato de que esses animais possuem um alto poder de regeneração.

Para ver como funciona essa característica, veja esse vídeo do canal “pontociencia” onde é demonstrado um experimento com uma planária:

Além da reprodução assexuada, os turbelários podem também fazer reprodução sexuada. Nesse caso há um processo de fecundação interna. Para que isso ocorra, um indivíduo introduz o pênis no poro genital do outro simultaneamente (esses animais são hermafroditas ou monoicos, ou seja, possuem ambos os sexos em um único animal). Assim, há uma troca de gametas que é seguida pela fecundação que formará vários zigotos.

Esses zigotos são envolvidos em cápsulas protetoras e depositadas no ambiente. Quando essas cápsulas se rompem, são liberadas planárias jovens. Como essas planárias jovens são muito semelhantes aos adultos, dizemos que seu desenvolvimento é direto ou ametábolo.

Já os indivíduos da classe Trematoda podem ser hermafroditas (como a Fasciola hepatica que pode parasitar nossos intestinos) ou dioicos (como o Schistosoma mansoni que causa a esquistossomose).

Esses vermes irão se reproduzir por fecundação interna e colocarão seus ovos no ambiente em que se encontram. Como são endoparasitas, geralmente seus zigotos são liberados juntamente com as fezes de seus hospedeiros. Além disso, a maioria dos vermes dessa classe tem desenvolvimento indireto, que ocorre no interior de hospedeiros intermediários.

Temos ainda os vermes da classe Cestoda. Nesse grupo, os vermes são todos hermafroditas. Porém, os representantes desse grupo são todos endoparasitas solitários. Sendo assim, eles são um dos poucos animais que realizam autofecundação. Após a fecundação, há a formação de ovos que são liberados no ambiente em conjunto, dentro de uma estrutura protetora chamada de proglótide.

foto de uma tênia
Imagem 8: Fotografia de um pedaço de uma tênia. Os segmentos são as proglótides.
Classes dos Platelmintos

Há várias classes de Platelmintos. Porém, para o Enem e para os vestibulares há três classes que você deve conhecer:

– Turbelaria: Composta por vermes de vida livre, conhecidos popularmente como planárias. São vermes achatados que habitam ambientes aquáticos ou terrestres úmidos.

– Trematoda: Nesta classe de platelmintos estão os vermes que possuem ventosa na boca e são endoparasitas. Como exemplo dessa classe temos os esquistossomos, que causam a esquistossomose em seres humanos.

– Cestoda: Neste grupo encontramos vermes cujos corpos são metamerizados e não possuem sistema digestório. Por tal motivo, são todos endoparasitas. Como exemplo clássico de cestoda temos as tênias, que causam teníase e cisticercose nos seres humanos.

Conseguiu aprender as principais características do Filo dos Platelmintos? Agora, que tal assistir uma videoaula para tirar suas dúvidas? Veja esta aula do canal AulaDe:

Agora, para finalizar sua revisão e testar seus conhecimentos, faça os exercícios que selecionei para você. Bons estudos!

Questão 01 – (Uni-FaceF SP/2017)    

A Taenia solium e a Schistosoma mansoni são espécies de animais pertencentes ao filo dos platelmintos. As características que compartilham em comum são:

a) tubo digestório completo e células-flama.

b) tubo digestório incompleto e túbulos de Malpighi.

c) simetria radial e presença de celoma.

d) simetria bilateral e ausência de celoma.

e) boca com ventosa e nefrídeos.

Questão 02 – (UEFS BA/2017)    

A estrutura a seguir é típica de um grupo de animais invertebrados e apresenta um conjunto de cílios que se movem promovendo o fluxo de fluido intersticial que é direcionado para uma rede de túbulos.

esquema de um plateminto
(https://biology-forums.com. Adaptado.)

Essa estrutura tem por função realizar

a) a excreção em platelmintos.

b) o fluxo de líquidos em equinodermos.

c) a digestão em poríferos.

d) a troca de gases em artrópodes.

e) a circulação da hemolinfa em artrópodes.

TEXTO: 1 – Comum à questão: 3    

Em um escaneamento, o neurocirurgião que atendeu o jovem detectou um verme vivo no cérebro. […] Ele foi imediatamente submetido a uma cirurgia de emergência. O verme tinha crescido e formado um cisto que obstruiu a circulação e o fluxo de água para o resto do cérebro. […] Os médicos localizaram e retiraram o verme em forma de larva, uma tênia. (EM UM escaneamento…, 2015).

Questão 03 – (Unifacs BA/2016)    

Quando comparados evolutivamente aos cnidários, os platelmintos apresentam duas grandes novidades expressas em

01) sistemas respiratório e circulatório indiferenciados.

02) tubo digestório incompleto e digestão extra e intracelular.

03) pseudoceloma e ausência de blastóporo no final da blástula.

04) simetria bilateral e o terceiro folheto germinativo, o mesoderma.

05) sistema excretor com células especiais, os néfrons, e reprodução assexuada.

GABARITO: 

1) Gab: D

2) Gab: A

3) Gab: 04

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.