Os problemas ambientais enfrentados no espaço urbano

O processo acelerado de urbanização acarretou diversos problemas ambientais. Vamos analisar quais são estes problemas para arrasar na prova do Enem?

Com o êxodo rural, iniciado com o processo de industrialização das cidades, o aumento populacional do espaço urbano aconteceu (e ainda acontece) de forma bastante acelerada. Este crescimento, desencadeou diversos problemas ambientais, que vão desde o descarte incorreto do lixo, até os problemas de planejamento urbano.

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Figura 1: Ocupação em encosta na cidade de Florianópolis – SC

Muitos problemas sociais e de planejamento urbano relacionados a cidade são grandes causadores de problemas ambientais. A periferização de pessoas de classes mais baixas que não possuem acesso a moradias de qualidade resultam na ocupação de áreas impróprias. Porém a ocupação de áreas impróprias ocorre também por parte das classes de maior poder aquisitivo.

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Figura 2: Casa de festas construída em área de restinga na cidade de Florianópolis – SC.

Estas áreas impróprias são caracterizadas por áreas de vegetação nativa destinadas à preservação, encostas de morros, margens de rios, entre muitas outras. Estas áreas podem ser classificadas como áreas não só impróprias por, ao serem habitadas causarem prejuízos ao meio ambiente, mas também por serem áreas de risco para a própria população.

A ocupação destas áreas pode causar estragos por conta de deslizamentos, movimentos de massa, inundações, entre outros. Esses fatores podem resultar em catástrofes ambientais, acarretando na destruição das moradias e colocando em risco a vida da população residentes destas áreas de risco.

Ranking de municípios com população em áreas de risco

Municípios Pessoas em área de risco
1 Salvador (BA) 1 217 527
2 São Paulo (SP)  674 329
3 Rio de Janeiro (RJ)  444 893
4 Belo Horizonte (MG)  389 218
5 Recife (PE)  206 761
6 Jaboatão dos Guararapes (PE)  188 026
7 Ribeirão das Neves (MG)  179 314
8 Serra (ES)  132 433
9 Juiz de Fora (MG)  128 946
10 São Bernardo do Campo (SP)  127 648
11 Natal (RN)  104 433
12 Fortaleza (CE)  102 836
13 Santo André (SP)  96 062
14 Guarulhos (SP)  94 720
15 Vitória (ES)  87 084
16 São João de Meriti (RJ)  86 185
17 Blumenau (SC)  78 371
18 Petrópolis (RJ)  72 070
19 Maceió (AL)  70 343
20 Igarassu (PE)  69 801

Fonte: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br

Problemas Ambientais e o lixo

Um grande problema presente no espaço urbano são as grandes quantidades de resíduos gerados pela população. Com o aumento populacional, temos o aumento desenfreado da produção de lixo, o que em conjunto com o descarte incorreto, faz com que os serviços de coleta e de tratamento tornem-se debilitados.

Em muitas áreas urbanas, o tratamento do lixo não é feito de forma correta, sendo despejado em lixões. Os lixões são áreas onde o lixo é despejado ao ar livre e abandonado, sem tratamento, aumentando as chances de dispersão de doenças e promovendo a contaminação dos lençóis freáticos e claro, do próprio solo.

Algumas áreas do espaço urbano não possuem coleta de lixo, agravando ainda mais o problema. Esse lixo acaba sendo queimado, descartado em terrenos abandonados ou permanecendo nas ruas.

Além do problema dos resíduos sólidos, o saneamento básico é outro grande problema no espaço urbano. O tratamento do esgoto muitas vezes não é realizado da forma correta, ou até mesmo, não acontece em determinadas áreas, acarretando na poluição dos corpos d’água e também do solo.

As áreas do espaço urbano que mais sofrem com a falta de saneamento são as periferias, pois como a ocupação geralmente é irregular no parâmetro legislativo, não há um controle por parte dos municípios em relação ao tratamento de esgoto nessas áreas. Apesar de as periferias serem um grande foco deste problema, ele se faz presente em todas as demais áreas do espaço urbano.

A poluição visual e a poluição sonora também são grandes causadores de transtornos para a população urbana. Acontecem respectivamente, devido à grande quantidade de equipamentos de comunicação e divulgação e aos ruídos frequentes nestes espaços.

Nas grandes áreas urbanas, acontecem fenômenos como a inversão térmica, as ilhas de calor, as chuvas ácidas, entre outros. Estes problemas são ocasionados pela grande emissão de gases poluentes por parte das indústrias e do trânsito excessivo de automóveis.

Os problemas acarretados pela emissão de gases poluentes acabam causando alterações no clima destes espaços urbanos, porém é importante ressaltar que as mudanças ocorrem somente em escala local.  Estas mudanças ocorrem devido ao aumento da quantidade de gases poluentes presentes no ar de determinada localidade e podem ainda, causar danos à saúde da população.

Estes citados aqui são somente alguns dos problemas ambientais urbanos, que trazem efeitos catastróficos para este espaço. Algumas medidas como reeducação ambiental da população e reestruturação do planejamento urbano para a realidade brasileira, são algumas das saídas para estes problemas.

Para aprender mais sobre o assunto, indicamos as videoaulas a seguir e a resolução dos exercícios. Nos vemos na próxima aula!

Aulas sobre problemas ambientais nas áreas urbanas

Questões sobre problemas ambientais

Questão 01 – (UEG GO/2018)

Sobre os atuais problemas ambientais, tem-se que

a) as Ilhas de Calor (IC) são áreas urbanas que apresentam temperatura mais elevada que as áreas em seu entorno.

b) as chuvas ácidas constituem fenômenos naturais que ocorrem nas regiões florestais da Amazônia e no sul do Brasil.

c) o Efeito Estufa é um fenômeno natural que impede a entrada da luz solar na atmosfera, provocando seu aquecimento.

d) a inversão térmica caracteriza-se pelo resfriamento da temperatura na baixa atmosfera e é decorrente do aquecimento global.

e) o El Niño é resultante do processo de aquecimento global e se caracteriza pela elevação anormal das águas do oceano Atlântico.

Gab: A

Questão 02 – (UNESP SP/2018)

A organização do espaço nas cidades promove modificações na superfície e na atmosfera, afetando as condições de funcionamento dos componentes do sistema climático, conforme ilustram as figuras 1 e 2.

 

a) Identifique o fenômeno representado na figura 1 e explique a sua formação com base na análise das informações da figura 2.

b) Indique duas estratégias de mitigação das anomalias microclimáticas associadas aos centros urbanos.

Gab:

a) O fenômeno representado é a ilha de calor, ou seja, o aumento da temperatura na área urbana, mensurado pelo albedo, que é o índice de reflexão da superfície. As causas são: impermeabilização do solo; verticalização das edificações; falta de vegetação ou de verde.

b) A mitigação (neutralização ou anulação) dessas anomalias climáticas em grandes centros urbanos pode ocorrer mediante algumas providências, tais como maior arborização; redução na emissão de poluentes e de material particulado; edificações com vidros espelhados, que atuariam no sentido de reduzir a reflexão no solo; maior fiscalização das emissões, por parte do poder público.

Questão 03 – (UERJ/2018)

As favelas do Rio de Janeiro se encontram associadas a duas localizações típicas: encostas de morros e margens de rios e canais. A razão para a localização em encostas é econômica: trata-se de locais que, via de regra, foram desprezados pelos privilegiados urbanos como área de residência. Quanto às margens de rios e canais, trata-se de áreas onde é proibida qualquer construção e que por isso igualmente se apresentaram como alternativas para a ocupação por parte da população pobre.

Adaptado de SOUZA, M. L. O
desafio metropolitano
. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

 

Alguns impactos ambientais vêm sendo observados nas áreas onde ocorrem as ocupações mencionadas no texto.

São impactos ambientais resultantes da ocupação de encostas e de margens de rios e canais, respectivamente:

a) queimada e arenização

b) deslizamento e inundação

c) intemperismo e eutrofização

d) desmatamento e desassoreamento

Gab: B

Sobre o(a) autor(a):

Este texto foi elaborado pelo geógrafo e professor de Geografia Marcelo de Araújo para o Curso Enem Gratuito. Marcelo é formado em Geografia (licenciatura) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atualmente trabalha como autônomo. https://www.facebook.com/mdearaujo22