Rascunho na redação do Enem: fazer ou não fazer?

Há quem o ignore, mas há também aqueles que só produzem um texto formidável a partir do bom e velho rascunho. E você, é adepto do rascunho? Vem com a gente refletir um pouquinho sobre a importância do rascunho para a produção do texto dissertativo-argumentativo do Enem e de gêneros textuais diversos solicitados em diferentes vestibulares brasileiros.

Esta aula tem o objetivo de discutir a importância do rascunho nas produções textuais, especialmente na redação do Enem e de outros vestibulares brasileiros. Ao longo do texto serão apresentadas algumas técnicas para a elaboração da versão inicial do texto, passíveis de aplicação em qualquer produção textual, seja no vestibular ou no exame que for.

O dito e polêmico rascunho… Para algumas pessoas, elaborar a versão preliminar do texto dissertativo-argumentativo é desnecessário, é desperdiçar um tempo valioso em uma tarefa inútil. Por isso, muitos estudantes o dispensam nas práticas de produção textual realizadas nas aulas de redação. E isso, na maioria dos casos, acaba comprometendo a qualidade do texto e, consequentemente, impacta na avaliação efetuada pelo professor. Em outras palavras, a dispensa do rascunho geralmente resulta em uma nota baixa.

Desde pequenos, nos anos iniciais, somos incentivados por nossos professores a utilizarmos o rascunho nas atividades de produção textual. O mesmo acontece nos anos finais do ensino fundamental e, com maior apelo, no ensino médio. Isso porque os professores de Língua Portuguesa e ou Redação querem prepará-lo ao Enem e ao vestibular da melhor maneira possível.

Nós, professores, sabemos que um texto primoroso, com qualidade, estética e estrutura elogiáveis, e as legendárias e cada vez mais raras redações de nota 1000, passam pela folha de rascunho até chegar em sua versão final.

Então já deixamos claro aqui que… trabalhamos sim com rascunho na produção das redações! Trata-se de um elemento valioso, o qual poderá ser determinante para a conquista da tão sonhada nota 1000! Entretanto, o poder de escolha quanto a utilizá-lo ou não é seu. Embasados pelas experiências de sucesso (a nota máxima) obtidas por quem o utilizou na redação do Enem e de outros vestibulares, sugerimos que você o utilize.

Confira um pequeno vídeo do Canal Futura com sugestões de como elaborar um bom rascunho. O conteúdo está disponível em

O rascunho é a primeira versão do texto e deve ser feito na folha indicada. Tanto o Enem quanto outras propostas de redação de diferentes vestibulares do Brasil oferecem uma folha específica que serve a tal finalidade. É no rascunho que você verá as suas ideias tomando forma e, no caso da redação do Enem, constituindo o texto dissertativo-argumentativo. É certo que, antes de produzir o rascunho da redação, há outros passos importantes a serem realizados.

rascunho

Pré-rascunho

Diríamos que esse momento configura uma espécie de pré-rascunho, uma vez que algumas informações, dados, palavras-chaves, ideias e esquemas iniciais acabam sendo traçados de forma aleatória, como se fosse uma tempestade de ideias.

O momento do pré-rascunho é quando acontece o jorro de criatividade, onde várias ideias surgem e podem (devem!) ser anotadas. Trata-se de um momento importantíssimo, pois você também conseguirá estabelecer links e esquemas entre as ideias que surgiram.

É verdade que cada redator possui um método e um tempo para o seu processo criativo. Entretanto, na redação do Enem, o tempo é ouro e não pode ser desperdiçado. Por isso que a fase do pré-rascunho é tão importante, pois ela é a organização inicial do seu texto, onde leitura, pensamento e escrita são poderosos aliados. O momento do pré-rascunho contempla os seguintes passos:

  • Ler com atenção a proposta de redação e os textos motivadores disponibilizados, compreendendo-os no contexto dessa proposta;
  • Identificar o tema sobre o qual você deverá escrever e compreender a sua relevância social;
  • Buscar informações diversas no seu repertório de ideias e no seu conhecimento de mundo, as quais poderão ser transformadas em argumentos preciosos;
  • Elaborar a tese que você defenderá ao longo do texto;
  • Pensar (e anotar) os possíveis argumentos que sustentarão a tese do seu texto dissertativo-argumentativo;
  • Esboçar o “esqueleto” do texto que você produzirá, isto é, o que será discutido/apresentado em cada uma das partes do texto (introdução [tema e tese], desenvolvimento [argumentos] e conclusão [síntese e propostas de intervenção]), já estabelecendo uma previsão de quantos parágrafos serão textualizados;
  • Formular as possíveis propostas de intervenção ao problema apresentado, anotando-as também, visando à solução desse problema;
  • E, sim, anotar algumas possibilidades de títulos para o seu texto (o título não é obrigatório na redação do Enem, mas o professor que vos fala sugere sempre dar um título ao texto que você produzirá).
Dúvidas de como gerenciar o tempo para a realização da redação do Enem? Veja as dicas no nosso canal:

Fazendo o rascunho

Realizado o que batizamos de pré-rascunho, vamos para o rascunho propriamente dito. O rascunho é muito importante para ver o texto como um todo, analisar se a estrutura do texto dissertativo-argumentativo foi respeitada, se houve a defesa do ponto de vista, se todas as exigências foram cumpridas e para fazer as mudanças necessárias antes de se passar o texto para a folha oficial.

A elaboração do rascunho também funciona como um momento de correção do texto por você mesmo, em que você irá conseguir identificar e eliminar os problemas encontrados.

rascunho

É o rascunho que possibilita, por exemplo, você substituir uma palavra que fora repetida por outra; corrigir um vocábulo que gerou dúvida quando o escreveu; deslocar uma ideia de um parágrafo para o outro, seja reescrevendo-a ou simplesmente sinalizando essa alteração com uma seta, um asterisco, um rabisco; inserir uma nova ideia que surgiu no momento de escrita, e pode ser utilizada como um argumento válido em defesa da sua tese; fazer outras alterações que contribuirão para o a versão final de seu texto, etc.

Por isso, logo após produzir o seu rascunho, leia com atenção o que foi escrito, observe se há alguma incoerência, se todas as suas ideias ficaram claras, se há algum desvio gramatical, etc. Somente depois dessa análise minuciosa você passa ‘a limpo’ o rascunho, ou seja, depois disso, você copia o texto para a folha oficial com as modificações feitas.

Lembrando que na redação do Enem e da maioria dos vestibulares brasileiros é permitido somente o uso de caneta esferográfica. Sem lápis, sem borracha, sem corretivo. Portanto, habitue-se a produzir os rascunhos de seus textos a caneta.

Pode parecer algo sem relevância, mas muitos estudantes textualizam seus rascunhos a lápis, apagando, reescrevendo, apagando novamente… Um rascunho escrito a caneta pressupõe, de certo modo, outra dinâmica: você não pode apagar ideias ou fazer alterações como se fosse um texto escrito a lápis.

Você pode ficar com a impressão de que irá perder muito tempo fazendo todo esse processo, mas fazendo disso um hábito de sua escrita, tudo ficará mais prático, rápido e te ajudará muito a produzir um texto dentro daquilo que avaliadores esperam e, consequentemente, te ajudará a alcançar uma excelente nota na prova de Redação do Enem.

Aproveite para ver o que você pode e não pode fazer na folha de redação!

https://youtu.be/jVE75FkYIIo