Hidrografia: conceitos gerais

Você já parou para pensar em como a água se renova e em como ela está disponível na natureza? São os estudos de hidrografia que buscam responder a perguntas assim. Leia a aula a seguir e aprenda um pouco mais sobre esse assunto!

Hidrografia é uma parte da geografia física que possui como objeto de estudo a água do planeta Terra. Abrangendo, portanto, a água em suas diferentes formas de manifestação na natureza, como oceanos, mares, rios, geleiras, lagos, além das águas subterrâneas e da atmosfera.

Para estudar a hidrografia, devemos nos apropriar de uma série de conceitos e nomenclaturas. Conceitos esses que nos auxiliam na compreensão dos processos pelos quais a água passa em nosso planeta e nas distintas maneiras como ela se apresenta no espaço geográfico. Abordaremos a seguir o que se destaca dentro desse importante conteúdo de geografia.

O ciclo da água: onde tudo começa e recomeça

A água é um recurso renovável que possui um ciclo contínuo, incluindo transpiração e evaporação, condensação, precipitação, escoamento e infiltração.

Ser renovável não significa, cabe destacar, que sua disponibilidade é infinita e abundante para a crescente população mundial. A poluição é um problema que pode trazer grandes limitações do acesso a esse recurso futuramente.

Por isso é tão importante fazer o tratamento do esgoto antes que águas contaminadas cheguem a rios e lagos. A água que abastece estes últimos é proveniente da evaporação de águas oceânicas, da transpiração das plantas e de nascentes por onde escoam as águas subterrâneas.

O vapor d’água resultante de parte desses processos se condensa em elevadas altitudes, precipitando em forma de chuva, granizo ou neve. Essa água que cai do céu escoa pelos rios ou infiltra para debaixo da terra preenchendo lençóis freáticos e aquíferos.

Parte dessa água retorna aos oceanos para recomeçar o ciclo da água (também chamado de ciclo hidrológico), e outra parte acaba sendo absorvida pela vegetação. Vejamos um esquema, na figura 1, que ilustra bem o que acaba de ser explicado.

ciclo da água - hidrografia
Figura 1: Esquema simplificado de representação do ciclo hidrológico na superfície terrestre. Fonte: https://bit.ly/3ahaCUg

É importante observar que a evaporação nos oceanos é maior que nos continentes. Porém, são duas as fontes que alimentam as águas do mar: precipitações e deságue dos rios. Desse modo, há um equilíbrio no ciclo na medida em que a água evaporada dos oceanos é transportada para os continentes.

As águas oceânicas

Você sabia que mais da metade da população mundial vive numa faixa litorânea de aproximadamente 100 km de largura? Pois é! Embora a água salgada não seja própria para o nosso consumo, é dos mares e oceanos que retiramos muitos recursos (pescados e frutos do mar em geral, sal marinho, petróleo, etc.). É também onde exercemos diversas atividades (turismo, lazer, transporte de pessoas e mercadorias, entre outros).

Além disso, os ecossistemas marinhos também têm grande relevância, uma vez que possuem uma biodiversidade praticamente equivalente aos ecossistemas terrestres.

De toda a superfície terrestre, cerca de 70% é coberta por água (a hidrosfera). A maior parte da água está concentrada em oceanos e mares, com um volume de aproximadamente 1.380.000.000 km³. Esse número corresponde a algo próximo de 97,5% da reserva hídrica do planeta. Por ser salgada, toda essa água é inadequada ao consumo humano.

As águas dos oceanos e mares são salgadas devido ao processo de deposição de minerais oriundos de rochas e solos de regiões continentais do planeta. Apesar de as águas dos rios não serem salgadas, ocorre um transporte contínuo de minerais por meio deles. Esse material acaba chegando às águas oceânicas, o que amplia a sua salinidade.

Cabe observar que, embora existam processos físico-químicos para a remoção de sal das águas dos mares e oceanos (como a destilação, congelamento e osmose reversa), são procedimentos caros e economicamente inviáveis.

Existe uma área específica que é responsável pelos estudos das diferentes características físicas, químicas e biológicas das águas oceânicas, que é a oceanografia. E não para por aí, porque ela ainda trata da dinâmica geológica da litosfera oceânica, do relevo submarino, da exploração mineral, da ecologia marinha e por aí vai. Por isso recorreremos a esse campo da ciência para tratar de alguns importantes conceitos.

Relevo submarino

O relevo submarino também faz parte dos estudos de hidrografia. Como é modelado pela água, possui contornos mais suaves que o relevo continental. Divide-se em plataforma continental, talude continental, bacia oceânica, dorsal (montanhas oceânicas) e fossa (ou planície) abissal. Veja na figura 2 a localização de cada elemento do relevo oceânico.

relevo oceânico - hidrografia
Figura 2: Representação do relevo oceânico (submarino)

Correntes marinhas

Também conhecidas como marítimas ou oceânicas, funcionam como espécies de rios de água salgada, quentes ou frios, que circulam por uma massa oceânica com a temperatura diferente da sua.

Essas correntes se movimentam com uma velocidade própria, por conta da diferença de temperatura e salinidade em relação à água ao seu redor, o que altera sua densidade. Por conta de sua densidade, além da velocidade também possuem movimentos em direções regulares e praticamente precisas.

O que determina esses movimentos são: ventos regulares, movimento de rotação da Terra e contornos continentais. Vejamos quais são elas na figura 3.

Correntes marinhas - hidrografia
Figura 3: Correntes marinhas (ou oceânicas). Fonte: <https://www.iguiecologia.com/>
Tipos de mares

Abertos: são completamente ligados aos oceanos, mas conectados a uma porção de terra. Um exemplo é o Mar do Norte, que banha a Europa boreal.

Interiores: têm uma pequena ligação com os oceanos, em geral por um estreito. O Mar Mediterrâneo é o principal exemplo.

Fechados: são totalmente cercados por terras continentais, sem se conectarem às águas dos oceanos ou outros mares. O Mar Morto, Mar de Aral e o Mar Cáspio se enquadram nessa classificação.

As águas continentais

Depois de estudar as águas oceânicas, vamos para a segunda parte dos nossos estudos de hidrografia: as águas continentais. Os rios e lagos das diferentes bacias hidrográficas da Terra concentram a água doce mais acessível para o consumo humano e dos demais seres vivos.  Isso porque o restante da água doce está nas geleiras e no subsolo.

As águas continentais possuem um volume aproximado de 38.000.000 km³, valor que representa 2,5% da água do planeta. A maior parte, 68,9%, é de difícil acesso por estar concentrada nas geleiras. 30,8% são águas subterrâneas (armazenadas em aquíferos) e solos encharcados. Apenas 0,3% encontra-se nos rios e lagos.

É por isso que tanto se fala acerca do tema da preservação e uso mais sustentável da água. Esse recurso, inacessível para muitas pessoas, pode gerar – ou ampliar – conflitos geopolíticos e problemas sociais complexos em um futuro talvez não muito distante.

Primeiramente: corpos d’água e cursos d’água, o que são?

Corpo d’água é uma denominação genérica para qualquer manancial hídrico, como curso d’água, trecho de rio, reservatório artificial ou natural, lago, lagoa ou mesmo um aquífero subterrâneo. Cursos d’água, por sua vez, remetem a água em movimento, ou seja, fluxos de água em canal natural de drenagem de uma bacia, tais como rio, riacho, ribeirão, córrego, etc.

Mas o que são rios?

Na hidrografia, os rios são classificados como cursos d’água geralmente caudalosos. Quando possuem menores dimensões, podem receber outras denominações como córregos, riachos ou ribeirões. Quando um rio, riacho ou córrego despeja suas águas em outro maior, podemos chamá-lo de afluente.

Os rios podem ser perenes, que não “secam”, ou intermitentes, rios temporários que somem na estiagem.

O ponto onde termina o curso de um rio se chama foz, e ela pode ter a forma de estuário (sem acúmulo de sedimentos) ou de delta (o acúmulo de sedimentos cria pequenas ilhas).

O que são e o que diferencia uma rede hidrográfica de uma bacia hidrográfica?

A rede hidrográfica nada mais é que o conjunto de rios de uma bacia. Já a bacia hidrográfica é a união da rede hidrográfica e toda a sua área de captação de água. O principal modo de classifica-las é entre:

Exorreica: com a sua drenagem voltada para o oceano.

Endorreica: a drenagem se faz dentro do continente, desaguando num lago, por exemplo.

Lago e lagoa: tem diferença?

Os lagos e lagoas são depressões no solo que retêm e acumulam água. Diferenciá-los não é tarefa tão simples, pois o único consenso que existe é a partir do critério do tamanho: lago é maior que lagoa. Porém, não há medidas mínimas e máximas para uma definição mais apurada.

E as lagunas?

As lagunas também são definidas na hidrografia como ambientes de águas paradas, mas têm algum tipo de conexão com o mar. Essa conexão se dá por uma ou mais entradas que se dão entre formações rochosas, barreiras de areia, recifes, entre outros. As lagunas são alimentadas por água doce da chuva e dos rios e água salgada, quando as marés sobem.

Para terminar sua revisão sobre hidrografia, assista ao vídeo do prof. Carrieri!

Exercícios sobre hidrografia

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Referências:

Agência Nacional de Águas. Água no mundo. Disponível em: <https://www.ana.gov.br/panorama-das-aguas/agua-no-mundo>. Acesso em: 15/03/2020.

iGUi Ecologia. Lago, lagoa ou laguna? Disponível em: <https://www.iguiecologia.com/>. Acesso em: 15/03/2020.

JESUS, Fernando S. Diferença entre mar aberto, interior e fechado. Disponível em: < https://www.geografiaopinativa.com.br/2013/08/diferenca-entre-mar-aberto-interior-e.html>. Acesso em: 15/03/2020.

LUCCI, Elian Alabi; BRANCO, Anselmo Lazaro; MENDONÇA, Cláudio. Território e sociedade no mundo globalizado, Geografia geral e do Brasil, volume único. São Paulo: Saraiva, 2014.

OLIVEIRA, Cêurio de. Dicionário cartográfico I Cêurio de Oliveira •. 4. ed. – Rio de Janeiro : IBGE, 1993. 646p.

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi preparado pelo professor João Marcelo Vela para o Curso Enem Gratuito. João é licenciado e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dá aulas de Geografia e Filosofia em escolas da Grande Florianópolis desde 2015, além de atuar como articulador de Ciências Humanas. E-mail para contato: [email protected]

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