Hidrografia

Saiba onde se situam os recursos hídricos do planeta e como acontece o ciclo da água!

Sem a água não haveria vida na Terra. Essa afirmação pode parecer exagerada, mas é absolutamente verdadeira. A partir dela, podemos compreender a importância que a água tem para o planeta e, em especial, para nós seres humanos. Nesta aula de hidrografia, vamos estudar a distribuição dos recursos hídricos no planeta, o ciclo da água e os principais aspectos da recente crise hídrica brasileira.

Desde a Antiguidade, cidades surgiram à beira de rios e suas águas vêm sendo usadas para o consumo, na agricultura ou como meio de transporte.

Ao logo do tempo, seu uso foi sendo ampliado para mover moinhos, hidrelétricas etc. Hoje temos a capacidade de buscar água para consumo em locais distantes, dessalinizar água do mar para torna-la potável, tratar esgoto, entre outros.

A água dos oceanos exerce um papel fundamental na regulação da temperatura do planeta, bem como na formação e deslocamento de massas de ar. Aquecimentos ou resfriamentos em determinadas áreas dos oceanos provocam alterações e fenômenos climáticos como furacões de maior intensidade no mar do Caribe, por exemplo.

A porção líquida do planeta – chamada Hidrosfera – compreende os oceanos, os rios, os lagos, as geleiras, as águas subterrâneas e a umidade presente na atmosfera.

Dessa porção, 97,5% estão nos oceanos e são, portanto, água salgada. Apenas 2.5% dos recursos hídricos do planeta são compostos de água doce, destes, apenas 0,4% está na superfície terrestre. O restante está retido em geleiras ou em locais subterrâneos, armazenada em solos e rochas, os chamados Aquíferos.

Hidrografia - distribuição dos recursos hídricos

A distribuição da água no planeta

A distribuição dos recursos hídricos não é igual em todo o planeta. Há regiões áridas e semiáridas, nas quais a quantidade de chuva é muito pequena, dificulta a absorção de umidade e a formação de rios.

Em outras, o elevado número de habitantes aumenta a demanda de água, provocando racionamento, e, em outras, a utilização inadequada desses recursos coloca em risco o abastecimento mundial.

Disponibilidade hidrica

O ciclo hidrológico

Outro tema importante a ser abordado no estudo da hidrografia é o ciclo hidrológico.

A água se movimenta entre a superfície e a atmosfera num sistema fechado, transferindo-se permanentemente de um lugar para outro – a esse processo dá-se o nome de ciclo hidrológico.

O vapor de água da atmosfera precipita-se, de forma constante, sobre os oceanos e os continentes. Em movimento inverso, essa água é transportada novamente á atmosfera pela evaporação ou pela evapotranspiração – processo que consiste na perda de água pela evaporação do solo e pela transpiração das plantas.

A água oriunda das precipitações aflora em superfície, nas nascentes, alimentando os rios, ou ainda infiltra-se formando os lençóis freáticos – estes são reservatórios de águas subterrâneas denominado como aquífero. O ciclo recomeça no momento em que a água retorna ao oceano, seja pela precipitação, seja pela vazão dos rios.

ciclo hidrológico hidrografia
Fonte: http://www.pucminastempoclima.com.br/apresentacao/tempoEnsina

De acordo com o tipo do solo, a vegetação e o clima, o tempo de ocorrência das etapas do ciclo hidrológico pode variar. Por exemplo, em regiões desérticas a evaporação é mais rápida; já em áreas de vegetação mais densa a evapotranspiração é mais intensa; por sua vez, solos rasos e pedregosos retêm água por menos tempo.

A água como recurso

A água dos rios tem sido utilizada em regiões com desnível de relevo nas hidrelétricas. Barragens são construídas, e a queda da água movimenta as turbinas que geram energia elétrica. Essa é uma forma pouco poluente de geração de energia, embora a criação do lago, ou represa, inunde uma extensa área, criando problemas ambientais e para a população que, porventura, habite nessa região.

Dos mares e rios, populações e mesmo países tiram grande parte de seu sustento com a pesca artesanal ou industrial. Porém, a pesca predatória vem ameaçando a existência de várias espécies, bem como a poluição. Um exemplo disso ocorreu no Japão, que já ocupou o 1º lugar na produção de pescados no mundo e, em 2010 ocupava a 5ª posição no ranking.

Crise hídrica no Brasil

Durante muito tempo nós só ouvimos falar da falta de água na região Nordeste brasileira, mas atualmente vimos que este problema pode se estender para outras regiões do Brasil.

Sabemos que no planeta Terra temos uma grande porção de água: mais precisamente 70% da superfície terrestre é composta por recursos hídricos, porém, como vimos, apenas 3% dessa água é potável.

Dentro da disponibilidade de água potável o Brasil possui 11% da água doce do mundo, sendo considerada uma das maiores estancias hídricas do mundo. Muito disso se deve aos rios amazônicos. Mas, então, por que que no Brasil ainda temos crise hídrica? Isso é oque vamos ver agora.

Apesar de possuir uma das maiores reserva de água doce do mundo, nos anos de 2014 e 2015, o Brasil viveu um momento crítico em relação à disponibilidade hídrica nos grandes centros urbanos.

Estes anos foram muito atípicos em termos pluviométricos (chuvas) na região Sudeste, em especial nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Este cenário desencadeou uma crise hídrica nesta região, amplamente noticiada em jornais e revistas.

Soma-se a isto a escassez continuada e histórica nos estados do Nordeste e as enchentes no Norte e no Sul do Brasil e se tem um cenário crítico generalizado, trazendo à tona discussões sobre a gestão de riscos hídricos em todo o país.

No início de 2014 ocorreram chuvas a cima do esperado para a média pluviométrica já conhecida, gerando assim muitas enchentes e deslizamentos como podemos ver abaixo:

Recursos hídricos 6

Assim como ocorreu um alto nível pluviométrico, também ocorreu após e consequentemente um alto nível de estiagem (seca).

Essa seca atingiu não só o Nordeste, como de costume, mas também e principalmente a região Sudeste onde se encontra a maior concentração de população, indústrias e agricultura. Devido à alta concentração dessas regiões a seca atingiu os reservatórios de água que abastecem a cidade abalando assim a distribuição de água para o consumo humano.

Mas não são só os fenômenos climáticos que são apontados como causa da falta de água dessa região. Uma última causa para a falta de água, mais especificamente em São Paulo, está relacionada com problemas de gestão pública e planejamento de infraestrutura.

Em 2004, na renovação de sua concessão, a SABESP já sabia que a quantidade limitada de água existente, bem como a grande dependência em relação ao sistema Cantareira – o maior da região –, seria um grave problema nos anos posteriores. Por isso, se obras de abastecimento tivessem sido realizadas, talvez o problema pudesse ter sido evitado.

Recursos hídricos 7
Fonte: Sistema Cantareira – SP
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/26/politica/1411739708_069324.html

Atualmente, os sistemas de abastecimento de São Paulo sofrem baixas históricas, com destaque para o próprio sistema Cantareira, que já teve de liberar suas reservas do primeiro e do segundo volume morto.

Com isso, um racionamento de água parece ser a única solução a curto prazo, além da construção de novas barragens e realização de obras de transposição local.

Acrescenta-se a este cenário o atual estado de degradação de ecossistemas naturais, o desmatamento em regiões de mananciais e em áreas de recarga dos aquíferos, as mudanças no uso do solo e a urbanização intensa, o que prejudica a disponibilidade hídrica em termos qualitativos e quantitativos.

Verifica-se, igualmente, a necessidade de fortalecimento do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, notadamente através da valorização dos Comitês de Bacias.

Por tudo isso, é possível afirmar que a crise poderia ser minimizada, e talvez até evitada, se houvesse planejamento de longo prazo e gestão da demanda. É importante que todos, juntos, busquemos solucionar este problema, através de ações de gerenciamento dos riscos hídricos em todas as esferas da sociedade.

Este é um tema que pode cair na sua prova de geografia assim como na sua redação, então fique atento e assista ao vídeo abaixo para se aprofundar no assunto.

Para terminar sua revisão sobre hidrografia, assista ao vídeo do prof. Carrieri!

Exercícios sobre hidrografia

Questão 1

As crises com o abastecimento de água representam grandes oportunidades para se mudar velhos hábitos e ensinar a todos como viver de maneira mais sustentável. As medidas de economia e reutilização da água devem ser mudanças no estilo de vida que devem permanecer para sempre. No entanto, falta conhecimento sobre a distribuição de água no mundo e sobre a realidade brasileira.
Com relação aos conhecimentos que contribuem adequadamente para o enfrentamento da questão hídrica, assinale a alternativa INCORRETA.

a) Graças à Bacia Amazônica e ao Pantanal, o Brasil conta com grandes reservas de água doce, provocando a falsa impressão de que o recurso é inesgotável.
b) A escassez de água ao redor do planeta indica que a preservação do recurso deve ser praticada e disseminada em alguns países, dependendo da reserva que possuem.
c) No mundo nem todos têm acesso à água. Em regiões da África, do Brasil e do Oriente Médio, por exemplo, há quem não encontre água potável e tenha de recorrer à compra em locais distantes de onde moram.
d) Cerca de 97% da água que existe no planeta é salgada; do restante, 2% está congelada e somente 1% encontra-se disponível para nada menos que 7 bilhões de pessoas, população aproximada da Terra.
Resposta: B

Questão 2

Observe a imagem:

Recursos hídricos 8
Fonte: http://noticias.uol.com.br/album/2015/01/29/chargesretratam- a-crise-hidrica-do-pais.htm

Nela percebe-se o fornecimento d’água, com restrições a um cidadão na maior capital do país. Como resposta ao rápido crescimento populacional e a outros fatores humanos, o município de São Paulo passou a ser abastecido pelo Sistema Cantareira, um conjunto de represas criado nos anos de 1970. As represas ficam nas nascentes da bacia do Rio Piracicaba, a cerca de 70 quilômetros da capital. Para manter os reservatórios cheios, o sistema depende das chuvas de verão. Acontece que, em 2014 e 2015, choveu menos que o esperado para o período. A estiagem não foi de uma hora para a outra. Desde 2013, a chuva já estava abaixo da média na região. E olha que, dois anos antes, choveu tanto que o sistema operava com um nível superior a 100%. A Califórnia vive uma crise de água parecida com a de São Paulo. Ao longo de 2013, choveu por lá um terço da água que caiu em São Paulo nos seis primeiros meses de 2014. Chegou a um ponto em que o governo declarou estado de emergência e começou a tomar medidas para preservar os recursos e evitar desperdício. Os cidadãos entraram num regime de economia de água parecido com o racionamento de energia que o Brasil viveu em 2001.

(Fonte:http://super.abril.com.br/crise-agua/ofundodopoco.shtml).

Além das alterações climáticas, outros fatores contribuem para a crise de abastecimento d’água em São Paulo e de energia no Brasil. Marque a alternativa que melhor apresenta alguns deles.

a) Aumento populacional, urbanização, poluição dos rios, impermeabilização do solo, falta de planejamento para a gestão dos reservatórios de água e de investimentos no setor elétrico.
b) Atividade da pecuária, prática agrícola monocultora, corrupção e violência urbana.
c) Processo de desertificação de grandes áreas, invernos rigorosos, desinteresse político e sedentarização.
d) Esgotamento dos Aquíferos Guarani e Bauru, poluição do rio Tietê, favelização e baixa densidade demográfica.
e) Desmatamento, crise financeira, poluição do solo, industrialização e diminuição das fontes termais no Norte do país.

Resposta: A

Sobre o(a) autor(a):

Priscila é formada em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina.