Entenda o que foi a Revolução Chinesa de 1949

A Revolução Chinesa ocorreu em 1949 após uma série de conflitos entre o império, o Kuomintang (Partido Nacional do Povo) e o Partido Comunista Chinês. O resultado foi a formação de uma república comunista sob a liderança de Mao Tsé-Tung. Saiba mais!

De império, a China virou República e tornou-se uma potência comunista em um processo que levou menos de cem anos! Entenda um pouco mais sobre a trajetória da Revolução Chinesa com esta aula de História!

Para um melhor aproveitamento desta leitura recomendamos nossos textos sobre Guerra Fria e Imperialismo na África e na Ásia.

Antecedentes da Revolução Chinesa

Quando pensamos na China nos veem à cabeça uma série de coisas: fábricas, tecnologia, dragões, palácios, monges, pandas, comidas típicas, imperadores e império. Muitos desses elementos e outros tantos acabaram compondo nosso imaginário ocidental sobre aquela nação.

No entanto, a verdade é que a China é muito mais diversificada do que os estereótipos do nosso senso comum. Mas também é verdade que, por muitos séculos, a China viveu sob o regime imperial.

Assim como no Brasil, com ressalva à todas as particularidades, o Império Chinês foi sucedido por uma República. Isso ocorreu no ano de 1911, quando o Império vivia uma profunda crise marcada por revoltas e ataques de nações imperialistas, como a Grã-Bretanha e o Japão, por exemplo.

Mas acontece que a proclamação da República não significou a pacificação e o fim das disputas de projetos de nação para a China.

O que ficou conhecido na história como Revolução Chinesa foi o processo de ascensão dos comunistas ao poder. Isso ocorreu em 1949, após longas décadas de disputas entre nacionalistas e comunistas que se configuraram em uma verdadeira Guerra Civil.

Mao Tsé-Tung, o principal líder da China comunista, irá governar o país até sua morte, em 1976. Veremos neste texto mais detalhes deste longo e intricado processo histórico.

O fim do Império

A primeira dinastia a unificar o que podemos chamar de China foram os Qin, que tiveram Qin Shi Huangdi como seu primeiro imperador, isso em 221 a.C. O período anterior é denominado dinastia Zhou, surgida em 1046 a.C. Contudo, o território não era unificado e havia uma diversidade de Estados.

Antes dos Zhou, vigorou desde 1600 a.C. a dinastia Shang, que foi a primeira a produzir registros históricos. O termo “China” é oriundo do nome da primeira dinastia chinesa unificada.

Durante muito tempo, mais precisamente até o fim do Império, vigorou na política e na cultura chinesas uma concepção circular da história, com a alternância de imperadores e dinastias. Acreditava-se que o poder era outorgado aos imperadores pelos céus, e assim seria até que outro ocupasse seu lugar. Dessa forma, muitas dinastias sucederam-se até 1911, sendo a dinastia Qing a última delas e tendo Puyi, ainda uma criança, como o último imperador da China.

Sun Yat-semRetrato de Sun Yat-sem, líder republicano que participou da derrubada do governo imperial. Imagem e informações retiradas do livro “Os Chineses”, escrito por Claudia Trevisan.

Revolução republicana

A China adentra o século XX como uma nação majoritariamente rural, explorada por potências estrangeiras e mergulhada em revoltas internas. As revoltas de Taiping, Nain e dos Boxers são alguns dos maiores conflitos vividos no século XIX. A partir desse cenário de crise surgem grupos com diferentes projetos de governo. Isso porque a imagem do Império era de atraso, e cada vez mais os movimentos nacionalistas e republicanos, inspirados em ideais ocidentais, ganhavam força.

O principal líder da revolução republicana, que contribuiu para fim ao governo imperial e para a proclamação da República, foi Sun Yat-sen (1866-1925). Tendo sido criado na cultura ocidental, Sun é considerado o pai da China moderna e idealizador dos “Três Princípios do Povo”: República, democracia e “equalização” da terra. Ele chegou a ser eleito presidente temporário em 1912, quando a República foi instaurada após uma apressada revolução, mas abdicou no mesmo ano.

Nacionalistas e Comunistas

Apesar da instauração da República, a China continuou sendo governada por líderes militares que disputavam seu poder em diferentes regiões. O cenário muda a partir de 1919, quando nacionalistas chineses cansados das intervenções estrangeiras em seu país, principalmente com relação ao Japão, se rebelam.

A partir daquele ano a influência estrangeira passa a ser atacada com mais força e surgem diversos grupos com projetos políticos. Entretanto, todos eram unidos pela soberania nacional. As organizações mais importantes que surgem naquele contexto são o Kuomintang, em 1919, e o Partido Nacionalista e o Partido Comunista da China (PCC), em 1920.

Mao Tsé-tung - Revolução ChinesaFoto de Mao Tsé-Tung, ou Mao Zedong, discursando no portão de entrada da Cidade Proibida, de onde anunciou a fundação da República Popular da China, em 1º de outubro de 1949. Imagem e informações retiradas do livro “Os Chineses”, escrito por Claudia Trevisan.

Guerra Civil Chinesa

Apesar de terem atuado em conjunto contra a invasão e influência estrangeira no país, os dois partidos acabaram entrando em um grande conflito a partir de 1927. Naquele ano, Chiang Kai-shek, líder do Kuomintang, iniciou uma ofensiva com vistas a unificar a China. Logo após conquistar Xangai, Chiang iniciou uma perseguição aos sindicatos e aos comunistas, instaurando uma verdadeira Guerra Civil no país.

Os comunistas acabam se refugiando nas zonas rurais e buscaram formar alianças com os camponeses. A fim de acabar com a influência dos comunistas, o Kuomintang realiza campanhas militares contra eles no sul do país.

Dessa forma, como estava em desvantagem militar, o partido inicia um deslocamento de pessoas de proporções gigantescas em 1934, processo que ficou conhecido como “A Grande Marcha”. Quase 90 mil chineses percorreram quase 10 mil quilômetros em um ano.

A maioria dos que iniciaram a empreitada morreram no caminho. Apesar das perdas, ao fim da marcha o partido comunista viu sua popularidade aumentar vertiginosamente e Mao Tsé-Tung se consolidou como seu principal líder.

Por algum tempo os comunistas e nacionalistas agiram em cooperação contra os avanços e massacres do Japão imperialista em seu território. No entanto, com o fim da guerra em 1945, a cooperação chega ao fim. O Kuomintang vivia uma grande crise econômica e passou a ser sucessivamente derrotado pelas tropas comunistas no norte do país.

Por fim, em 1948 os comunistas tomam Pequim e Chiang Kai-shek se refugia em Taiwan, arquipélago onde fundará uma nova China. O fim da guerra ocorre em 1949, quando o partido Comunista se consolida no poder, personificado na figura de Mao Tsé-Tung.

Conflito entre China e Taiwan

Você já deve ter visto em algum noticiário os conflitos que ocorrem entre o governo de Taiwan e o governo da República Popular da China. O primeiro país tenta ter sua autonomia reconhecida na comunidade internacional. Enquanto isso, para a China, Taiwan é uma província rebelde. Entenda mais sobre esta história e o impacto da Revolução Chinesa neste assunto com este vídeo do Nerdologia:

O Grande Salto Adiante e a Grande Fome

Com a vitória, Mao e o partido comunista dão início ao seu projeto político de nação. O país encontrava-se destruído pela sucessão de conflitos e crises que havia vivido por mais de um século. A atenção de Mao voltava-se para o campo, de onde havia obtido o maior apoio desde o começo das perseguições do Kuomintang.

Além da realização da reforma agrária, houve uma coletivização da terra e dos meios de produção para a criação de cooperativas de trabalho no campo. Era o Grande Salto Adiante, projeto de Mao que visava ao aumento da produção rural para subsidiar a industrialização do país.

Todavia, o resultado do projeto foi trágico: cerca de 30 milhões de chineses morreram de fome. A Grande Fome foi a terrível consequência do Grande Salto, causada, entre outros fatores, pela inflação dos números da produção pelas lideranças regionais.

Os efeitos só começaram a ser amenizados a partir de 1959 através de reformas implementadas por Deng Xiaoping, que sucedeu Mao na presidência do país. Dessa forma, Mao viu sua influência ser diminuída com o passar do tempo.

Revolução cultural

A fim de reverter a situação, com o apoio de Lin Bao, ele lançou o Livro Vermelho. A publicação continha diversas citações de Mao com vistas a fortalecer o culto à sua personalidade e os ideais da revolução. Era o início da Revolução Cultural.

Revolução cultural - Revolução ChinesaPôster da Revolução cultural representando militares e a população chinesa segurando exemplares do livro vermelho e ao fundo, em escala maior, o busto de Mao Tsé-Tung trajando vestimentas militares ligadas à revolução. Fonte: https://cutt.ly/AfwQIoC.

Nesse processo os jovens eram o público alvo de Mao que buscou mobilizá-los contra seus adversários políticos. A Revolução Cultural era baseada em 16 pontos de combate ideológico aos supostos “traidores”, que incluíam professores, artistas e intelectuais. Seu fim só ocorreu em 1976, com a morte de Mao.

Videoaula

Por fim, assista a este vídeo do canal Leitura ObrigaHistória, apresentado pelo historiador Icles Rodrigues, sobre o livro “A Grande Fome de Mao”, do autor Frank Dikötter. No vídeo são apresentadas algumas das principais características sobre esse trágico momento da história chinesa.

Exercícios sobre a Revolução Chinesa

1- (UEM PR/2016)

Sobre a revolução chinesa e a China atual, é correto afirmar que:

01. A Revolução Cultural foi um movimento artístico comandado pela mulher de Mao Tsé-Tung, que se destacou pela construção do monumento dos guerreiros de terracota do Xi’an.

02. A economia socialista de mercado, adotada nas últimas duas décadas do século XX, se caracterizou pela abertura de investimentos estrangeiros na China e pelo incentivo à propriedade privada no campo.

04. O massacre na praça Paz Celestial, ocorrido em 1989 na cidade de Pequim, foi uma ação do exército chinês contra um grupo de estudantes e intelectuais que exigiam reformas democráticas, liberdade de imprensa e de manifestação.

08. As primeiras ações dos comunistas na China tiveram grande impacto na economia, com a expropriação dos bens das burguesias industrial e comercial urbanas e a instalação de um movimento de cooperativas coletivas no campo.

16. Blitzkrieg (guerra relâmpago) foi a forma adotada por Mao Tsé-Tung para conquistar o poder na China.

2- (UCB DF/2016)

A vitória da revolução comunista em 1949 na China, que não era esperada pelos Estados Unidos, desequilibrou a conjuntura da Guerra Fria. A revolução resultou da retomada das lutas entre comunistas e nacionalistas chineses após o final da Segunda Guerra Mundial. Tinha também fundamentos históricos, como as relações entre camponeses e grandes proprietários rurais e a luta pela unificação do país contra o invasor estrangeiro.

VAINFAS, Ronaldo et alli. História – o mundo por um fio: do século XX ao XXI. Vol. 3. São Paulo: Saraiva, 2010.

Em relação às disputas internas, pelo poder na China, assinale a alternativa correta.

a) O partido Kuomintang, também chamado de Partido Nacional do Povo, foi liderado por Mao Tsé-Tung e conquistou o poder em 1945.

b) A revolução chinesa mantém, até os dias atuais, o respectivo ideal socialista inalterado. O país segue isolado do capitalismo global.

c) O grupo denominado Kuomintang, após sofrer a derrota para o Partido Comunista Chinês, em 1949, refugiou-se na ilha de Formosa (Taiwan), na República Popular da China, de orientação socialista.

d) A revolução chinesa levou o país a adotar o socialismo soviético. Tropas soviéticas enviadas ao país foram determinantes para a vitória dos comunistas chineses contra Chiang-Kai-Chek.

e) Durante o período da Segunda Guerra Mundial, quando o Japão invadiu a China, os partidos chineses adversários – Kuomintang e PCC – foram aliados contra a invasão estrangeira.

3- (UFJF MG/2017)

Observe as imagens abaixo que correspondem ao período da Revolução Cultural da China e responda à questão solicitada:

Leitura do Livro Vermelho - Revolução ChinesaLeitura do Livro Vermelho. Disponível em: http://dev.epochtimes.com.br/wpcontent/ uploads/2004/12/ch-nove-comentarios-pcch8.jpg. Acesso em 22/10/2016

Execração pública de dissidentes - Revolução ChinesaExecração pública de dissidentes. Disponível em: http://acervo.oglobo.globo.com/incoming/0212564-bf5- ec8/imagemHorizontalFotogaleria/foto2.jpg. Acesso em 22/09/2016

Sobre a “Revolução Cultural Chinesa”, que teve início em 1966, sob a condução de Mao Tsé-Tung, é CORRETO afirmar que, entre outros aspectos, ela buscou:

a) centrar esforços no sentido de difundir a educação superior na China de modo a formar um capital humano mais qualificado no país.

b) impulsionar a democratização das instituições políticas chinesas para combater ações orientadas para a centralização burocrática.

c) incentivar a publicação de livros e a constituição de bibliotecas pelo território chinês de modo a contribuir com o combate às altas taxas de analfabetismo.

d) promover a perseguição a vários intelectuais considerados como inimigos do processo revolucionário em curso na China.

e) valorizar o debate público em locais abertos e o pensamento divergente como forma de incentivar a pluralidade de visões sobre o regime chinês.

Gabarito:

  1. 14
  2. E
  3. D

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

Compartilhe: