Imperialismo europeu – Exploração e dominação na África e na Ásia

Dos diamantes nas joias da elite mundial ao chocolate suíço: entenda como o imperialismo europeu proporcionou um alto nível de consumo para as potências globais. E, ao mesmo tempo, provocou a miséria nos continentes africano e asiático. Estude história com o Curso Enem Gratuito!

Contextualizando

Com as independências no continente americano e a estratégica ameaça estadunidense às nações europeias que ousassem voltar a dominar territórios na América, a ordem mundial sofria modificações. O imperialismo europeu, que exploraria a Ásia e a África, passaria a determinar a geopolítica mundial.

O poder dos magnatas e políticos europeus, assim como o padrão de vida das classes médias do continente, sustentavam-se pela economia colonial. Não mais havendo domínios coloniais para explorar restavam duas opções àquelas nações: crescer através de relações diplomáticas ou passar a controlar outras regiões. A segunda opção foi a escolhida. E, assim, as potências europeias passaram a alimentar suas indústrias e fortalecer sua economia extraindo riquezas e impedindo o desenvolvimento de regiões na África e na Ásia.

Darwinismo social e Cristianismo como justificativas do imperialismo europeu
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Figura 1: O fardo do homem branco, charge de F. Victor Gillam, onde ilustra o pensamento disseminado de que as nações ocidentais estariam fazendo um favor às nações não brancas interferindo em sua política.

Como, no século XIX, um rico francês poderia dormir em paz após provar um chocolate enquanto viaja de trem pela Europa sabendo que muito sangue havia sido derramado para ele andar sobre aqueles trilhos e poder degustar seu doce? Se ele fosse um industrial, provavelmente estaria contando com a presença de sua nação na África para que sua fortuna continuasse a crescer. Mas, se trocássemos o magnata por um sujeito menos abastado, ainda assim com boa qualidade de vida, provavelmente ele iria sentir-se orgulhoso de como a França estaria ensinando os pobres Argelinos ou Senegalenses a crescer.

Isso poderia ser explicado pelo ponto de vista do Darwinismo Social e do Cristianismo, diferentes justificativas para a presença europeia na África e na Ásia. O primeiro, inspirado (mas não concebido) na teoria evolucionista de Charles Darwin, afirmava que havia uma diferença biológica entre diferentes etnias que permitiria separar indivíduos entre superiores e inferiores. Sendo assim, o “sucesso econômico e intelectual” dos homens brancos ocidentais seria um reflexo do que afirmava aquela tese.  Dessa maneira, aos “superiores” restava a “missão humanitária” de civilizar os outros povos do mundo. Isso justificaria o domínio de franceses, ingleses, alemães, belgas e tantos outros países sobre outros continentes.

No caso do Cristianismo, mesmo que perdendo espaço para as explicações supostamente empíricas, a justificativa também se pautava na civilização, mas através da fé. Desta forma, sustentou-se pelo período de um século o fato de europeus escravizarem povos africanos e asiáticos utilizando sua força de trabalho para extrair riquezas naturais dos seus continentes. Esta situação de tutela, na prática, retirava o poder de decisão dos povos e os deixava a cargo dos invasores.

As fronteiras retilíneas no mapa da África, assim como o subdesenvolvimento de diversos países do continente, são heranças de uma verdadeira partilha realizada pelas nações europeias. Tal repartição foi muito bem representada pela Conferência de Berlim, em 1885, apesar de franceses e ingleses já dominarem extensas regiões décadas antes.

O imperialismo europeu na África

Figura 2: Domínios europeus no continente africano entre os séculos XIX e XX. Fonte: http://twixar.me/vsf1

Além de ser o berço da humanidade, a África é um continente repleto de riquezas naturais, sobretudo minerais. Desde a Antiguidade esse território é conhecido pelas jazidas de ouro e pedras preciosas. E se havia uma coisa que os imperialistas europeus ansiavam era por minérios a baixo custo, fosse para decorar pescoços e orelhas, fosse para construir trens e armas. Essas riquezas são extraídas até os dias de hoje. Atualmente, existem trens carregando minério de ferro através de países inteiros.

Além de minérios, produtos como borracha, cacau, petróleo e carvão também estavam na lista de interesses europeus naquele continente. O que era visto como uma balela para os donos de indústrias tinha um alto custo para as populações locais, que eram pagas com o mínimo possível para sobreviver e estavam sujeitas a violências desmedidas. Dentre os casos mais emblemáticos de violência do imperialismo europeu estão as execuções de crianças no Congo pelos belgas e a segregação racial promovida por ingleses e holandeses na África do sul, política conhecida como Apartheid.

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Figura 3: Pai olhando para mão e pé decepados de sua filha, punição aplicada por não ter atingido a cota da produção de borracha, no Congo dominado pela Bélgica. Fonte: http://twixar.me/9sf1

Na partilha da África, Alemanha e Itália foram as potências do período com mais dificuldade em obter domínios. Isso ocorreu por sua unificação territorial tardia, já que enquanto estabilizavam seus países, outras nações já consolidadas estabeleciam domínio no território africano. Tal situação está entre as principais motivações para aqueles países formarem, junto com o Império Austro-Húngaro, a Tríplice Aliança. O bloco de auxílio mútuo também estaria no centro dos conflitos durante a Primeira Guerra Mundial, que teve como uma de suas principais motivações o imperialismo europeu.

Imperialismo na Ásia e na Oceania

No Oriente, os europeus estenderam seus domínios desde o Afeganistão até a Austrália, passando por Índia, China, Camboja e diversos outros territórios. Assim como na África, as populações locais executavam trabalhos compulsórios e recebiam uma educação imperialista que buscava justificar a presença europeia em suas terras. Foi por alegar motivos cientificistas e religiosos para aquelas populações que o imperialismo europeu pôde se sustentar por tanto tempo. É também por isso que indianos e cingapurianos têm o inglês como idioma oficial.

Deve-se dar destaque naquela parte do mundo à Guerra do Ópio, uma série de conflitos comerciais e militares entre China e Grã-Bretanha desencadeada pela proibição de venda da substância entorpecente. O imenso território e população da China eram vistos, respectivamente, como fontes de recursos e mercado consumidor para os europeus. Mas o país mantinha-se firme blindando sua economia.

Porém, é com a dependência química do ópio que os britânicos irão enriquecer sobre a população chinesa. Ao proibir o comércio da substância e apreender grande quantidade do produto vendido em seu território, os chineses desencadearam um conflito militar com a Grã-Bretanha.

Na primeira e na segunda guerras do ópio, os chineses foram derrotados. Como consequência, assinaram o Tratado de Nanquim e o Tratado de Tientsin. Esses acordos obrigaram a China a abrir seus portos, extinguir as taxas sobre o ópio, conceder o controle de Hong Kong aos britânicos por 100 anos e permitir a entrada de missionários cristãos.

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Figura 4: Britânico sendo servido por indianos. Fonte: http://abre.ai/2Yl

Um caso particular do neocolonialismo asiático foi a ascensão do Japão em meio às interferências europeias. Quando os japoneses – que até o século XIX mantinha-se reclusa – abriram suas portas, seus governantes decidiram implementar um projeto imperialista sobre as regiões periféricas. A meta do Japão era tornar-se a grande potência imperialista do Oriente.

Os japoneses se fizeram presentes no Vietnã, China, Coréia e outras regiões da Ásia e até derrotaram a Rússia czarista de Nicolau II na disputa por territórios. Sua expansão colonial foi fortemente abalada com a Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos, que também disputavam mercados no Oriente, impuseram sucessivas derrotas ao Japão.

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A Europa e o Japão não foram os únicos imperialistas dos séculos XIX e XX. Assista a este vídeo do canal Leitura Obrigahistória e aprenda um pouco mais sobre o imperialismo estadunidense:

Exercícios:

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Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

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