Tecido muscular

O tecido muscular é o tecido responsável pelos movimentos realizados nos animais. No corpo humano, além dos movimentos voluntários, como andar, o tecido muscular também desempenha funções involuntárias, como os batimentos cardíacos. Acompanhe esta aula de Biologia para conhecer mais sobre o Tecido Muscular.

Neste momento vários músculos estão ativos em seu corpo. Há os músculos do seu braço que podem estar segurando o smartphone para que você leia este texto. Os músculos em volta dos seus globos oculares também estão trabalhando para que você consiga mover os olhos para ler esta aula. Ao mesmo tempo, os músculos do seu sistema digestório estão empurrando o alimento que você comeu mais cedo em direção ao seu ânus. Já o seu coração bate ritmicamente devido aos movimentos do músculo cardíaco. Venha comigo nesta aula conhecer a estrutura e os diferentes tipos de tecido muscular que estão atuando no seu corpo. Revise biologia para o Enem!

Tecido muscular

Como você já deve ter percebido, o corpo humano possui diferentes tipos de tecido muscular. Basicamente, dividimos nossos tecidos musculares em três tipos: tecido muscular estriado esquelético, tecido muscular liso e tecido muscular estriado cardíaco.

Essa classificação leva em consideração o formato das células e sua função. Mas, todos possuem uma característica em comum: a capacidade de suas células se contraírem, produzindo os movimentos.

Para entendermos melhor as funções e características do tecido muscular, vamos revisar separadamente cada tipo de tecido. Vamos lá?

Tecido muscular estriado esquelético

O nome desse tecido já nos dá uma boa pista de sua localização, não é mesmo? Ele recebe o nome de “esquelético” porque se encontra, em geral, ligado ao esqueleto. Sendo assim, este tecido será responsável pela movimentação dos nossos membros, tronco e rosto.

tecido muscular humano
Imagem 1: Corpo humano preservado pela técnica de plastinação na exposição Human Bodies. Na imagem podemos notar diversos dos músculos estriados esqueléticos encontrados no corpo humano.

Para que esse tecido consiga desempenhar suas funções, suas células irão se contrair de maneira rápida e voluntária. Isso quer dizer que você comanda a contração das células desse tecido conscientemente, por vontade própria.

As células do tecido muscular esquelético são chamadas de “estriadas” porque apresentam risquinhos (estrias) ao longo de sua estrutura. Essas estrias são, na verdade, unidades de contração. Nessas regiões são encontradas proteínas que, em conjunto, formam uma espécie de grade deslizante que chamamos de miofibrilas.

Ao observarmos essas unidades de contração ao microscópio óptico, vemos faixas claras (discos ou bandas claros, I ou J) e escuras (discos escuros, A ou Q) transversais. Há duas proteínas agindo nessas faixas: filamentos grossos de miosina e fininhos de actina.

Nas regiões mais escuras, é possível ver uma faixa clara, formada por miosina, chamada de linha ou zona H. Por sua vez, nos discos claros há uma zona Z, que é escura. O espaço entre duas linhas Z é chamado de sarcômero ou miômero – a unidade de contração da fibra muscular.

Isso quer dizer que a linha Z corresponde ao espaço que a célula pode diminuir, contraindo-se, ou aumentar de tamanho, distendendo-se. A contração muscular se dá pelo deslizamento dos filamentos grossos em relação aos fininhos, como em uma grade. Como consequência, a faixa H desaparece e a distâncias entre as linhas Z diminui consideravelmente. Para compreender melhor, veja a imagem a seguir:

células musculares
Imagem 2: desenho esquemático demonstrando as características das células musculares e de suas miofibrilas.

Se você ainda está com dificuldade de entender essas estruturas da célula muscular e como se dá a contração de uma dessas células, dá uma olhada no vídeo esquemático a seguir. Ele está em inglês, mas, como os nomes das bandas são bem parecidos, tenho certeza que você vai conseguir compreender mesmo que não mande bem no inglês:

Outra característica bem importante que você deve lembrar sobre esse tecido muscular, é o fato de que as células dele são polinucleadas. Isso quer dizer que encontramos vários núcleos (até centenas) no interior de apenas uma célula do tecido muscular estriado esquelético. Essas células possuem todos esses núcleos porque se originam a partir da fusão de várias células embrionárias. Dessa maneira, ficam muito compridas e possuem um aspecto cilíndrico.

tecido muscular estriado
Imagem 3: Na imagem vemos à esquerda uma fotomicrografia de tecido muscular estriado cardíaco colorido artificialmente e observada a partir de um microscópio óptico. No lado direito, vemos um desenho esquemático desse tecido juntamente com uma representação de grupos de músculos dos membros inferiores.

As células musculares do tecido estriado esquelético, organizam-se em feixes que são envolvidos por tecido conjuntivo propriamente dito. Esse conjunto é chamado de fibra muscular.

músculo

Imagem 4: A figura da esquerda é uma fotomicrografia produzida a partir de um microscópio eletrônico. Nela podemos ver um músculo e as fibras musculares que o compõem. A direita temos uma representação esquemática de um músculo. O endomísio é um invólucro de tecido conjuntivo propriamente dito que envolve os feixes musculares. Já o perimísio, também de tecido conjuntivo, envolve todo o músculo.

Curiosidade: Exercícios de musculação, que exigem esforço do tecido muscular estriado esquelético para mover pesos ou romper resistências, fazem com que o número de miofibrilas aumente. Isso aumentará o diâmetro das fibras musculares e também sua força. Já os movimentos aeróbios, como correr ou nadar, aumentam o número de mitocôndrias das células musculares. Isso faz com que o músculo aproveite mais a oxigenação e resista mais à fadiga.

Tecido muscular estriado cardíaco

Assim como no tecido anterior, o nome desse tecido também nos dá uma boa pista de onde pode ser encontrado. Como seu próprio nome já diz, ele é encontrado no coração. Mais precisamente, compondo o músculo cardíaco, que recebe o nome de miocárdio.

coração humano e tecido muscular
Imagem 5: Coração humano preservado pela técnica de plastinação. A parte vermelha é composta de tecido estriado esquelético.

As células encontradas no tecido muscular cardíaco são células cilíndricas, consideravelmente menores que as do músculo esquelético. Em geral, possuem apenas um núcleo (algumas podem ter dois npucleos) e frequentemente têm ramificações.

tecido muscular estriado cardíaco
Imagem 6: A figura da esquerda é uma fotomicrografia feita a partir de microscópio óptico de um corte de tecido muscular estriado cardíaco colorido artificialmente. Note que é possível observar, assim como no T.M.E. esquelético, as estrias de contração. Ao lado, vemos um desenho esquemático deste tecido, mostrando como as células se ramificam e se interligam.

Assim como no tecido muscular estriado esquelético, vemos também no tecido cardíaco estrias transversais em suas células quando as observamos ao microscópio óptico. Seu esquema de bandas é semelhante ao que vimos anteriormente.

Porém, nesse tecido temos contrações celulares involuntárias. Ou seja, não controlamos os movimentos realizados pelo tecido muscular estriado cardíaco. Os rápidos movimentos realizados por essas células são comandados pela parte autônoma do sistema nervoso.

Tecido muscular liso

O tecido muscular liso recebe esse nome porque, ao observarmos suas células ao microscópio óptico, não conseguimos ver as estrias transversais que podemos observar nos demais tecidos musculares. Nas células desse tecido há uma menor concentração de actina e miosina, o que faz com que não apresentem estrias visíveis. Por conta dessa característica, a contração realizada pelo tecido muscular liso é bem menos rápida e intensa que a realizada pelas células dos tecidos musculares que acabamos de ver.

Outra característica importante do tecido muscular liso são as células fusiformes curtinhas e mononucleadas.

tecido muscular liso
Imagem 7: A figura a esquerda é uma fotomicrografia feita com microscópio óptico de um corte de tecido muscular liso colorido artificialmente. Observe que neste tecido não conseguimos visualizar estrias aparentes. No lado direito, vemos um desenho esquemático demonstrando o formato das células desse tecido.

Encontramos o tecido muscular liso em diferentes órgãos do corpo humano, especialmente naqueles que são ocos, como os do sistema digestório. Podemos encontrar esse tecido também no útero e na bexiga. Há ainda músculo liso na base dos pelos (músculos eretores de pelos), nos vasos sanguíneos e ao redor das glândulas, ajudando a eliminar suas secreções.

corpo humano
Imagem 8: Várias estruturas internas do corpo humano preservadas pela técnica da plastinação e expostas na exposição Human Bodies. Abaixo da caixa torácica vemos parte do tubo digestório, composto principalmente por músculo liso.

Dependendo do órgão em que encontramos esse tecido, ele irá desempenhar diferentes funções. Veja:

– No sistema digestório, por exemplo, o músculo liso é responsável por realizar os movimentos peristálticos. Esses movimentos auxiliam na digestão, uma vez que empurram o alimento ao longo do tubo digestório.

– No útero, esse músculo terá a missão de contrair o órgão para a eliminação do endométrio durante a menstruação ou expelir o bebê no trabalho de parto.

– Na bexiga, ajuda a eliminar a urina. Há ainda os músculos lisos que controlam a largura dos brônquios e bronquíolos, regulando a entrada de ar nos pulmões.

– Nos olhos, os músculos lisos em volta da pupila controlam seu diâmetro, regulando a quantidade de luz que entra em nossos olhos.

– Regula o fluxo de sangue nos vasos sanguíneos, aumentando ou diminuindo a luz dos vasos.

Como você pode notar pelas funções do tecido muscular liso citadas acima, a contração desse tipo de musculatura é involuntária, ou seja, ocorre independentemente da nossa vontade.

E aí? Conseguiu relembrar as características dos tecidos musculares? Para aumentar ainda mais a fixação deste conteúdo, veja esta videoaula do professor Rubens Oda, do canal Descomplica:

Agora, que tal testar o que você aprendeu resolvendo os exercícios de tecido muscular que selecionei para você?

Questão 01 – (PUCCamp/SP/2019)    

Nos mamíferos os movimentos ocorrem a partir de contrações e relaxamentos musculares. O tecido muscular

a) cardíaco é formado por fibras lisas e estriadas que se alternam.

b) liso apresenta células com filamentos apenas de actina.

c) estriado é composto por fibras longas com um único núcleo.

d) estriado ocorre nas paredes dos vasos sanguíneos.

e) liso é controlado pelo sistema nervoso autônomo.

Questão 02 – (UNIOESTE PR/2017)    

Durante uma prova de Biologia, Joana recebeu uma lâmina histológica para analisar em microscópio. As seguintes características foram observadas e anotadas por Joana: presença de células cilíndricas, ramificadas, com 1 ou 2 núcleos centrais, com estriações transversais e presença de discos intercalares. A partir destas observações, pode-se dizer que o tecido presente na lâmina está

a) no fígado.

b) no bíceps.

c) no coração.

d) no intestino.

e) no estômago.

Questão 03 – (IFPE/2017)    

Ao longo das décadas, os velocistas ficaram mais altos. O jamaicano Usain Bolt, recordista mundial, com o tempo de 9,58s, reúne qualidades que o favorecem nas corridas de velocidade, entre elas: altura de 1,95m, pois quanto mais alto o atleta, mais elevado é o seu centro de gravidade, o que favorece a corrida; e maior prevalência de fibras musculares rápidas, que são mais eficientes para realizar esforço intenso e de curta duração. Em relação ao tecido muscular, é CORRETO dizer que

a) todo tecido muscular estriado tem contração voluntária.

b) a actina aparece sob a forma de filamentos grossos e a miosina é representada por filamentos finos.

c) somente o tecido muscular liso não apresenta actina, por isso é o único denominado tecido muscular não estriado.

d) toda célula muscular contém filamentos proteicos contráteis de dois tipos: actina e miosina.

e) toda célula muscular lisa conecta com a sua vizinha por meio do disco intercalar.

GABARITO: 

1) Gab: E

2) Gab: C

3) Gab: D

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.