Algas pluricelulares: tipos, características e classificação

Algas pluricelulares são organismos aquáticos que pertencem ao Filo Protoctista. Apesar de não serem consideradas plantas, também realizam fotossíntese. Entenda!

As algas pluricelulares são extremamente importantes nos ecossistemas marinhos e também na indústria de alimentos. Vem comigo nesta aula de Biologia para aprender mais sobre esse grupo de Protoctistas!

Algas pluricelulares são plantas?

As algas pluricelulares são organismos atualmente classificados dentro do Reino Protoctista. Entretanto, há pouco tempo, essas algas eram classificadas dentro do Reino Plantae. Isso porque, além de se parecerem visualmente aos vegetais e serem pluricelulares fotossintetizantes, elas possuem cloroplastos e parede celular.

Contudo, apesar de sua semelhança com os vegetais, algumas diferenças importantes fizeram com que elas fossem reclassificadas dentro do Reino Protoctista. Entre os fatores, podemos citar o fato de que nessas algas as células não se diferenciam como nas plantas. Sendo assim, elas não formam o que chamamos de tecidos verdadeiros. Por isso, são chamadas de talófitas.

Para compreender melhor esse grupo de seres vivos, em seguida vamos estudar suas principais características e classificação.

Algas pluricelulares
Fotografia de algas pluricelulares embaixo d’água. Fonte: Getty Images Pro.

Características das algas pluricelulares

Células

Assim como os demais organismos do Reino Protista, as algas pluricelulares são organismos eucariontes. Ou seja, possuem núcleo organizado e organelas celulares membranosas. As células das algas pluricelulares apresentam parede celular de celulose e também cloroplastos, o que as aproximam bastante das células dos vegetais.

No entanto, há uma diferença importante nessas células. A maior parte das algas que vamos ver nesta aula não possui clorofila b como os organismo do Reino Plantae. Em vez disso, possuem somente clorofila a e c.

Além disso, como não há diferenciação entre as células que as constituem, consideramos que as algas não possuem tecidos verdadeiros. Assim, como não há estruturas específicas para o transporte de substâncias (como o xilema e o floema nos vegetais superiores), o transporte de substâncias nas algas se dá de célula para célula, por difusão e osmose.

Nutrição

As algas pluricelulares são seres vivos autotróficos fotossintetizantes.

Habitat

As algas pluricelulares são organismos aquáticos, sendo encontradas tanto em ambientes dulcícolas (de água doce) quanto marinhos. Como são organismos fotossintetizantes, em geral, as encontramos em menores profundidades, onde a luz alcança.

Geralmente, as algas pluricelulares são seres vivos sésseis, vivendo fixas sobre o substrato ou sobre rochas. No entanto, há espécies que podem viver à deriva, sendo empurradas pelas correntes, como as algas do gênero Sargassum.

Respiração

Todos as algas pluricelulares são organismo aeróbios. Ou seja, utilizam oxigênio como aceptor final de elétrons no processo da respiração celular.

Reprodução

As algas pluricelulares, por se tratarem de organismos bastante simples, podem fazer reprodução assexuada por brotamento ou até mesmo por fragmentação.

Além disso, essas algas também realizam reprodução sexuada. Nesse caso, os ciclos reprodutivos das algas pluricelulares podem ser extremamente complexos.

Há algumas espécies de algas que realizam ciclos de vida diplonte, como o que ocorre nos animais. Nesses casos, algas diploides realizam meioses para produzir gametas com n cromossomos. Esses gametas se unem, formando, portanto, um organismo diploide.

Ciclo de vida diplonte - Algas pluricelulares
Diagrama resumindo o ciclo de vida diplonte descrito acima. Imagem produzida pela autora.

Outras espécies de algas realizam ciclos vitais semelhantes aos dos vegetais do Reino Plantae, cujos ciclos reprodutivos acontecem com alternância de gerações. Nesses ciclos, também chamados de haplodiplobiontes, há alternância de gerações haploides (n cromossomos) e diploides (2n cromossomos).

Nesses casos, os indivíduos diploides são chamados de esporófitos. Esses indivíduos produzem através de meioses células n cromossomos chamadas de esporos (meiose espórica). Esses esporos, por sua vez, formam indivíduos haploides.

Assim, esses indivíduos haploides, chamados de gametófitos, produzem gametas através de mitoses. Esses gametas se unem por fecundação formando um zigoto e, assim, um novo indivíduo diploide.

Ciclo de vida haplodiplobiôntico - Algas pluricelulares
Diagrama resumindo o ciclo de vida haplodiplobiôntico descrito acima. Imagem produzida pela autora.

Por fim, há ainda algas que possuem ciclos de vida haplontes. Nestes ciclos, um indivíduo n cromossomos produz através de mitoses vários gametas. Esses gametas se unem formando um zigoto 2n cromossomos. Logo após a formação do zigoto, ocorre uma meiose, originando esporos que dão origem a indivíduos haploides.

Ciclo de vida haplonte - Algas pluricelulares
Diagrama resumindo o ciclo de vida haplonte, descrito acima. Imagem produzida pela autora.

Classificação das algas pluricelulares

Clorofíceas – Divisão Clorophyta

As algas clorofíceas também são chamadas de algas verdes. Isso porque, apesar de possuírem outros pigmentos além da clorofila, como os carotenoides, a cor verde predomina sobre os demais pigmentos.

Dentre as algas pluricelulares, as clorofíceas são as que têm características celulares que mais se aproximam dos organismos do Reino Plantae. Isso porque possuem clorofila a e b, como as plantas. Contudo, assim como as demais algas, as clorofíceas não têm tecidos verdadeiros.

Além disso, suas paredes celulares são compostas de celulose. E a reserva de energia nas clorofíceas é feita em grãos de amido, que podem estar acumulados próximos aos grãos proteicos, chamados de pirenoides.

Apesar de estarmos estudando-as dentro do grupo das algas protistas pluricelulares, as clorofíceas possuem grande variedade anatômica. Dentro da Divisão Clorophyta encontramos desde algas unicelulares microscópicas, de vida livre ou coloniais, até espécies pluricelulares de formatos variáveis.

Clorofíceas unicelulares coloniais
Fotomicrografia feita através de microscópio óptico. Fonte da imagem: Getty Images.

Em geral, as clorófitas são organismos aquáticos, e em sua maioria de água doce. No entanto, há formas que podem habitar ambientes terrestres úmidos e até mesmo estabelecer relações mutualísticas com outros organismos, como as algas nos líquens.

Reprodução das clorofíceas

A reprodução dessas algas pode ser maneira assexuada, por bipartição (algas unicelulares) ou fragmentação. Já a reprodução sexuada pode ser por conjugação (troca de material genético entre células de algas diferentes) ou por singamia (união de gametas).

Dentre a variedade de algas clorófitas, encontramos diferentes espécies realizando cada um dos três tipos de ciclos vitais que vimos anteriormente. Mas, o exemplo de ciclo vital mais explorado entre as clorofíceas é o das algas do gênero Ulva, conhecidas popularmente como alfaces-do-mar.

Alface-do-mar - algas pluricelulares
Fotografia subaquática de um exemplar de alga Ulva lactuca, conhecida popularmente como alface-do-mar. Fonte: http://www.seaweed.ie/algae/ulva.php

Nas ulvas, o organismo diploide produz, através de meiose, células haploides. Essas células possuem um flagelo e são chamadas de zoósporo. Estas, por sua vez, originam através de mitoses um gametófito (indivíduo haploide). Por fim, os gametófitos produzem gametas que, ao se fecundarem, formam um novo indivíduo diploide.

Feofíceas – Divisão Phaeophyta

As algas feofíceas são também conhecidas como algas pardas. Isso porque, além das clorofilas a e c encontradas em seus cloroplastos, as feofíceas possuem grande quantidade de carotenoides. Especialmente a fucoxantina, pigmento responsável pela cor amarronzada dessas algas.

No grupo das feofíceas, a maior parte das espécies é pluricelular e macroscópica e habita o ambiente marinho. De maneira geral, as feofíceas são algas de grande porte.

Há, inclusive, algas conhecidas como kelps, que podem atingir vários metros de comprimento. Para você ter uma ideia, algumas espécies do gênero Macrocystis, são conhecidas como sequoias do mar, pois chegam a medir mais de cem metros de comprimento.

Kelps - Algas pluricelulares
Fotografia subaquática de algas conhecidas como kelps. Fonte: IPTC Photo Metadata.

Essas algas possuem parede celular de celulose enriquecida com outras substâncias, como alginato e galactano. Essas últimas substâncias, inclusive, são muito utilizadas industrialmente como espessantes, na produção de gelatinas e sorvetes.

Nessas algas, o açúcar de reserva é a laminarina. Elas podem também armazenar energia em gotas de óleo em seus citoplasmas.

Anatomicamente, essas algas podem ter desde estruturas filamentosas muitos simples até estruturas mais complexas, que se assemelham a folhas e caules. Entretanto, como não possuem células especializadas e tecidos, dizemos que essas estruturas são cauloides e filoides.

Dentro do grupo das algas feofíceas encontramos exemplares que possuem ciclo de vida haplodiplobionte, assim como as algas do gênero Laminaria. E também espécies com ciclo de vida diplonte, como as algas do gênero Sargassum.

Alga do gênero Sargassum
Fotografia subaquática de uma alga do gênero Sargassum. É comum que as algas desse gênero tenham essas “bolinhas” que funcionam como flutuadores. Isso faz com essas espécies não se fixem sobre o substrato e sejam arrastadas pelas correntes. Fonte: Oxford Scientific Photo Images.

Rodofíceas – Divisão Rodophyta

As algas do grupo das Rodofíceas são também conhecidas como algas vermelhas. Isso porque, além da clorofila a presente em seus cloroplastos, essas algas possuem um outro pigmento em grande quantidade: a ficoeritrina.

Quase todas as espécies de rodofíceas são pluricelulares e marinhas. O tamanho dessas algas pode variar bastante: de formas microscópicas até espécies que podem alcançar mais de 3 metros de comprimento.

Em relação à reprodução, podemos dizer que todas as algas vermelhas possuem ciclo vital haplodiplobiôntico.

Curiosamente, essas algas armazenam energia em um açúcar semelhante ao glicogênio (carboidrato de reserva em animais), chamado de amido das florídeas.  Além disso, em suas paredes celulares, além da celulose, encontramos um polissacarídeo chamado de carragenina. Esse açúcar é também muito utilizado na indústria de alimentos como estabilizante de sorvetes e cremes.

 

Alga nori
Fotografia de lâminas de alga nori. As algas nori são algas rodofíceas utilizadas na culinária japonesa para a produção de sushi. Fonte da imagem: Getty Images.

Além disso, da parede celular dessas algas também é produzida a substância conhecida como ágar. O ágar é uma espécie de pasta utilizada para dar consistência em meios de cultura utilizados para cultivar microrganismos em laboratórios.

Recentemente o ágar também tem sido utilizado na culinária para dar consistência a certos alimentos industrializados. Por fim, o ágar também entra na composição das cápsulas de medicamentos, em cosméticos e na produção de moldes dentários.

Para finalizar sua revisão, veja esta aula do canal Biologia com Lobo e, em seguida, resolva os exercícios:

Exercícios:
1- (UFCG PB/2009)    

As algas são organismos, desde procariotos a eucariotos, unicelulares ou multicelulares, que ocupam variados ambientes (aquático doce ou marinho ou ambiente terrestre úmido), apresentando ciclo de vida com alternância de gerações diplóides e haplóides, que lhes conferem importantes interações com o meio ambiente e aplicações, inclusive, na indústria, como fonte de produtos utilizados em geléia, sorvetes, doces, a partir da extração do ágar e carragenina de suas células.

Analise as afirmativas abaixo:

I. Filos de algas eucarióticas possuem, ao menos, um tipo de clorofila, além da clorofila a.

II. Tipo de clorofila b, c e d ocorrem em algas verdes, pardas e vermelhas, respectivamente.

III. Algas verdes, por possuírem clorofila a e clorofila b, são as mais relacionadas às plantas angiospermas.

IV. As algas que compõem o fitoplâncton são os maiores produtores do oxigênio liberado no ar.

V. O sargaço, tipo de alga, recorrente na costa brasileira, tem sido uma das causas naturais de poluição praieira.

Está(ão) CORRETA(S) a(s) assertiva(s):

a) I, II, III, IV.

b) I, II, III, IV e V.

c) I, II e III.

d) I e II.

e) I

2 – (UFG/1994)     

Os líquens resultam da associação simbiótica entre fungos e algas. Estes organismos são considerados bioindicadores de poluição. Considerando as características morfólogicas e fisiológicas dos fungos e das algas, é correto afirmar que:

01. nos fungos a reserva nutritiva energética é feita na forma de glicogênio e não amido;

02. os sargaços são constituídos por algas marrons e ricos em sais minerais;

03. os fungos realizam a purificação do ar através da fotossíntese;

04. as algas vermelhas ou rodofíceas são adaptadas ao ambiente marinho e produzem pigmentos denominados ficoeritrina e substâncias de reservas conhecidas como amido das rodofíceas;

05. diversos fungos apresentam quitina na composição química da parede celular;

06. certos basídiomicetos envolvem espécies fermentativas como as leveduras e alguns ascomicetos envolvem cogumelos comestíveis como Amanita muscaria;

07. certas cianofíceas se reproduzem por hormogonia, que corresponde à fragmentação de seu talo.

3- (UPE/2008)    

As algas habitam os oceanos há mais de dois bilhões de anos, presentes, também, em ambiente dulcícola e terrestre úmido. Além dessa versatilidade em habitats, apresentam grande heterogeneidade em sua estrutura e pigmentação.

As afirmativas a seguir fazem referências a esses organismos. Analise-as e conclua.

01. O termo algas não tem valor taxonômico. Na verdade, as algas são protistas, eucariontes, fotossintetizantes. Apenas as algas verdes utilizam a clorofila como pigmento fotossintetizante; as demais utilizam pigmentos acessórios de colorações diferentes.

02. As cianobactérias já foram denominadas algas azuis, devido ao seu pigmento verde-azulado ficobilina. Não apresentam clorofila e representam organismos muito frágeis de difícil adaptação em ambientes inóspitos.

03. As clorofíceas são verdes, unicelulares e marinhas, grandes responsáveis pela fotossíntese do planeta. Quando mantidas no escuro, passam à condição heterotrófica.

04. O Sargassum, comum em nosso litoral, é uma alga multicelular, com pigmento pardo (fucoxantina), do Filo Phaeophyta.

05. Devido ao pigmento ficoeritrina, as rodofíceas apresentam coloração vermelha. São usadas na culinária japonesa na preparação do sushi e na fabricação de gelatinas.

GABARITO: 

1) Gab: B

2) Gab: VVFVVFV

3) Gab: FFFVV

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