Reino Protista

Você conhece os organismos que fazem parte do Reino Protoctista? Não? Então revise estes organismos nesta aula de Biologia para o Enem!

O Reino Protista ou Protoctista é um “balaio de gato”. Nele encontramos organismos eucariontes cujas características não permitem que se encaixem em nenhum dos outros Reinos dos seres vivos. Sendo assim, dizemos que o Reino dos Protistas contém organismos de origem polifilética. Ou seja, dentro desse grupo, temos seres vivos de origem variada, diferentemente de outros Reinos, cujos membros compartilham um ancestral/ancestrais em comum.

Dentro desse Reino heterogêneo, encontramos cerca de 20 mil espécies de seres vivos. Esses seres vivos variam desde seres unicelulares microscópicos até algas com mais de 100 metros de comprimento. Popularmente podemos agrupar os seres vivos do Reino Protista em dois grandes grupos (não filéticos, sem valor taxonômico): os protozoários (seres heterótrofos) e as algas (autótrofas fotossintetizantes ou mixotróficas).

reino protista
Imagem 1: Desenho representando a enorme variedade de organismos existentes dentro do Reino Protoctista.
Um pouco da história do Reino Protista

Inicialmente os protozoários pertenciam a um filo dentro do Reino dos Animais. Isso porque suas células possuem características semelhantes às células animais (como o fato de não terem parede celular). Além disso, são heterótrofos e muitas vezes possuem estruturas locomotoras, como cílios e flagelos. Dessa maneira, os cientistas consideravam que os protozoários eram animais microscópicos, unicelulares e primitivos.

Por isso seu nome: Proto, do grego “primeiro”, e zoa, que significa “animal”. Já as algas (uni e pluricelulares) eram todas classificadas dentro do Reino dos vegetais por conta da presença de cloroplasto e parede celular.

Justamente por serem polifiléticos, muitas foram as idas e vindas desse grupo. Mas, em 1969, o taxonomista Whittaker criou o sistema de cinco Reinos dos seres vivos, utilizado até hoje como principal sistema taxonômico. Assim, foram colocados dentro do Filo dos Protistas todos os seres unicelulares e eucariontes que não tinham características que se encaixavam em outros Reinos. Dessa maneira, dizemos que a classificação desse Reino não é natural. Ou seja, o agrupamento dos Protistas é artificial, para fins didáticos.

Mas, por que Whitaker colocou esses seres vivos tão diversos dentro desse único Reino? O que eles têm em comum? Basicamente, o fato de eles seres os primeiros eucariontes a surgirem na Terra. Os protistas conservam características mais primitivas que os demais eucariontes.

Nas classificações mais atuais tivemos a inclusão de outros seres vivos dentro do Reino dos Protistas. Além das algas unicelulares, que já constavam dentro desse Reino na classificação de Whittaker, foram incluídas também as demais algas (pluricelulares).

Sendo assim, as algas pluricelulares até então colocadas dentro do Reino das Plantas, passaram a fazer parte do Reino Protoctista. Isso se deve principalmente ao fato de que, apesar de serem pluricelulares, não têm tecidos verdadeiros (talófitas). Isso quer dizer que suas células não se diferenciam e se especializam tão diversificadamente quanto o que ocorre nos seres do Reino Plantae.

Características celulares do Reino Protista

Como você já viu ao longo dessa aula, as células dos protoctistas são eucariontes. Isso quer dizer que as células desses seres vivos possuem o DNA delimitado por uma membrana (carioteca) formando o núcleo. Além disso, as células eucariontes como as que encontramos nos Protoctistas possuem organelas celulares delimitadas por membranas que desempenham diferentes funções dentro das células.

células eucariontes
Imagem 2: Fotomicrografia feita a partir de microscópio óptico de um paramécio. No interior desse protozoário de água doce podemos observar várias “bolhas” membranosas chamadas de vacúolos. Os vacúolos são um dos tipos de organelas membranosas que encontramos no interior das células eucariontes.

Dentro desse Reino é comum que encontremos células com estruturas locomotoras, como cílios e flagelos. Tanto protozoários quanto as algas unicelulares podem ter estas estruturas locomotoras.

reino protista aula
Imagem 3: Fotomicrografia de uma alga euglenófita. Observe no canto inferior direito uma espécie de fio. Esse fio é, na verdade, a estrutura locomotora dessa alga unicelular, chamada de flagelo.

Algumas espécies de protoctistas podem apresentar também uma espécie de carapaça protetora em volta de suas células. Essas carapaças têm a função de proteger as células e podem ser constituídas de carbonato de cálcio ou de sílica.

Imagem 4: Amostra de plâncton onde podemos observar as diferentes carapaças das algas diatomáceas.

Como acabamos de ver, dentro desse Reino podemos encontrar tanto seres vivos unicelulares quanto pluricelulares. Os protozoários são todos unicelulares, em sua maioria microscópicos. Já as algas podem ser tanto uni quanto pluricelulares. Porém, apesar de pluricelulares, lembre-se que não formam tecidos verdadeiros. Suas células são todas semelhantes, com poucas diferenciações.

Nutrição dos protoctistas

Em um Reino onde encontramos seres vivos tão diversos, é claro que também encontraremos uma grande diversidade de tipos de nutrição.

Porém, podemos dizer que, em geral, os protozoários são heterótrofos. A maioria dos protozoários são de vida livre, atuando como “predadores” ou apenas absorvendo matéria orgânica. Muitas espécies podem também ser parasitas, causando doenças, inclusive, nos seres humanos.

Já as algas, tanto as unicelulares quanto as pluricelulares, são autótrofas fotossintetizantes. Elas têm cloroplastos onde encontramos clorofila que, além de darem cor à essas algas, são responsáveis pela captação da energia solar.

Há ainda protoctistas que desenvolveram hábitos extremamente oportunistas, como as algas unicelulares do gênero Euglena. Essas algas flageladas são consideradas mixotróficas, um tipo de nutrição que mescla nutrição heterotrófica e autotrófica. Quando elas têm acesso à energia luminosa realizam fotossíntese. Porém, quando não há a presença de luz, podem se alimentar de outros seres vivos, agindo como heterótrofas.

Hábitos dos seres do Reino Protista

Por serem, em geral, constituídos de uma única célula, são facilmente suscetíveis à desidratação. Sendo assim, a enorme maioria das espécies de Protistas é aquática, habitando mares, rios, lagos e lama.  Muitas dessas espécies aquáticas fazem parte do zooplâncton (parte do plâncton composto por seres vivos heterótrofos, como os protozoários e larvas de peixes e crustáceos) e do fitoplâncton (seres fotossintetizantes, como as algas). Encontramos também vários protoctistas que habitam ambientes terrestres úmidos.

Há ainda uma grande variedade de espécies que são consideradas mutualísticas. Isso quer dizer que são seres vivos que desenvolvem uma relação de interdependência com outras espécies. Como, por exemplo, os protozoários do gênero Triconympha. Esses protozoários vivem no sistema digestório de cupins, ajudando o organismo desses insetos a processar a celulose ingerida.

protozoário
Imagem 4: Fotomicrografia do protozoário Triconympha.

Como dito anteriormente temos também espécies de protozoários parasitas, causando doenças a vários seres vivos. Podemos destacar entre essas espécies os protozoários do gênero Plasmodium, que causam a malária.

Reprodução dos protoctistas

Como temos muitas espécies de unicelulares dentro do Reino dos Protoctistas, o tipo de reprodução mais frequente é a bipartição ou cissiparidade. Nesse tipo de reprodução, a célula copia seu material genético e em seguida se divide em duas, formando duas novas células geneticamente iguais à célula-mãe.

Porém, algumas espécies de protoctistas unicelulares podem também fazer reprodução sexuada. Como por exemplo os plasmódios, que produzem gametas e misturam material genético ao longo de seu ciclo vital.

Por fim, as algas pluricelulares possuem ciclos reprodutivos bastante complexos que chamamos de haplobiônticos.

E aí? Conseguiu aprender um pouco mais sobre o Reino Protista? Beleza! Então, para tirar todas as suas dúvidas, veja esta aula do canal MundoEdu:

Para finalizar sua revisão, que tal testar seus conhecimentos com as questões que eu selecionei para você? Bons estudos!

Questão 01 – (FGV/2017)    

A taxonomia dos seres vivos denominados de protoctistas é bastante complexa devido à diversidade apresentada pelos seus integrantes e cuja explicação está nas diferentes origens evolutivas existentes dentro desse grupo.

Os seres vivos classificados artificialmente como protoctistas se caracterizam por serem

a) unicelulares, heterótrofos e eucariontes, apenas.

b) uni ou pluricelulares, heterótrofos e eucariontes, apenas.

c) uni ou pluricelulares, autótrofos ou heterótrofos e eucariontes, apenas.

d) uni ou pluricelulares, autótrofos ou heterótrofos e procariontes ou eucariontes.

e) unicelulares, autótrofos ou heterótrofos e procariontes, apenas.

Gab: C

Questão 02 – (Fac. Direito de Sorocaba SP/2016)    

Existem algumas teorias de classificação dos seres vivos. Entre elas, está a tradicional classificação em cinco reinos e a mais recente classificação em três domínios.

Segue uma simplificação dos agrupamentos dos seres vivos de acordo com as duas diferentes teorias.

Um ser autótrofo e pluricelular poderia pertencer a que reinos e a que domínios?

a) Reino Plantae e domínios Archaea ou Eukarya.

b) Reinos Plantae e Fungi e domínios Bacteria e Eukarya.

c) Reinos Protista, Plantae e Fungi e domínio Eukarya.

d) Reinos Protista ou Plantae e domínios Archaea ou Eukarya.

e) Reinos Protista ou Plantae e domínio Eukarya.

Gab: E

Questão 03 – (PUC RJ/2014)    

Protistas e bactérias são seres vivos que podem ser classificados em diferentes domínios, pois:

a) protistas se alimentam de bactérias.

b) bactérias não são constituídas de células.

c) protistas têm um núcleo envolto por membranas, do qual as células bacterianas carecem.

d) bactérias decompõem protistas.

e) protistas são fotossintéticos.

Gab: C

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.