Briófitas: características, ciclo de vida e reprodução

As Briófitas são pequenos vegetais encontrados em grande número formando uma espécie de “tapete” sobre superfícies úmidas, como rochas e troncos.

Características do Reino Plantae

Dentro do Reino Plantae são encontrados os organismos fotossintetizantes que conhecemos como plantas. Portanto, nesse Reino encontramos desde organismos muito complexos e gigantescos, como as sequoias, até organismo simples e diminutos como os vegetais que estudaremos nessa aula: as Briófitas.

Todos os organismos do Reino Vegetal são seres eucariontes e pluricelulares. Além disso, suas células possuem paredes celulares de celulose e organelas membranosas que conhecemos como cloroplastos.

No interior dos cloroplastos encontramos o pigmento chamado de clorofila (tipos a e b), responsável pela captação da energia luminosa durante a fotossíntese.

Caramujo num musgo
Fotografia de um caramujo sobre um aglomerado de briófitas. As briófitas costumam crescer em ambientes sombreados e úmidos. Fonte: PhotoMix Ltd.

Representantes das Briófitas

Tradicionalmente, os vegetais conhecidos como Briófitas compunham um único filo dividido em três classes. Contudo, as briófitas foram recentemente divididas em três filos:

  • Filo Bryophyta: são conhecidos como musgos. Esses organismos, anteriormente, eram classificados dentro da classe Musci.
Musgos - Briófitas
Fotografia de musgos, representantes do Filo Bryophyta. Fonte da imagem: Leung Cho Pan.
  • Filo Hepatophyta: os organismos desse grupo são conhecidos como hepáticas. Na classificação mais antiga, no entanto, as hepáticas estavam dentro da classe Hepaticae.
Hepáticas
Fotografia de hepáticas, representantes do Filo Hepatophyta. Fonte da imagem: Wikipedia.
  • Filo Anthocerophyta: os seres vivos desse Filo são chamados de antóceros. Os antóceros eram antes classificados dentro da classe Anthocerotae.
Antóceros
Fotografia de antóceros. As partes alongadas são os esporófitos desses representantes do Filo Anthocerophyta. Fonte: https://bit.ly/3fKOzrS

Apesar de, como você viu acima, apenas os musgos fazerem parte do grupo das Briófitas, as características vistas nesta aula são pertinentes aos três Filos acima.

Características das Briófitas

As Briófitas são os primeiros vegetais a colonizarem o ambiente terrestre. Por isso elas possuem algumas características bastante primitivas e ainda dependem diretamente da água em seus ciclos vitais. Sendo assim, como vimos acima, são sempre encontradas em ambiente úmido, onde não há iluminação direta do Sol.

Os organismos mais conhecidos do grupo das Briófitas são os musgos, pequenos vegetais geralmente encontrados em grande número formando uma espécie de “tapete” sobre superfícies úmidas, como rochas e troncos de árvores. Portanto, os organismos desse grupo de plantas geralmente são de pequeno porte, tendo em média 2cm de altura.

Plantas avasculares

As Briófitas são consideradas plantas avasculares. Assim, não possuem tecidos especializados na condução de substâncias em seu organismo. Esses tecidos, presentes nos demais grupos vegetais, são chamados de vasos condutores, mais especificamente de xilema e floema.

Dessa forma, o transporte de substâncias nas Briófitas é feito por difusão e osmose, de célula para célula. Sendo assim, o transporte de substâncias é lento, não possibilitando que os vegetais avasculares tenham grande porte. Por isso que esses vegetais possuem um tamanho diminuto.

Morfologia das briófitas

Dizemos que no ciclo de vida das Briófitas há uma alternância de gerações. Isso porque ao longo de seu ciclo vital uma briófita apresentará duas diferentes formas corpóreas: o gametófito e o esporófito.

Gametófito

O gametófito é a forma de perene de uma briófita. Isso quer dizer que ela é a fase duradoura da planta. É o gametófito que vemos comumente formando os “tapetes verdinhos” que citei acima.

Essa fase perene da via das Briófitas é haploide (n cromossomos). Sendo assim, essas pequenas plantinhas possuem em suas células o número mínimo de cromossomos da espécie.

Os gametófitos possuem estruturas vegetativas que se assemelham às das plantas em suas funções. No entanto, como não possuem vasos, não chamamos seus órgãos vegetativos de raízes, caules e folhas.

No lugar chamamos de rizoide (responsável pela fixação da briófita ao substrato e absorção de águas e nutrientes), cauloide (delicada haste que sustenta os filoides) e filoide (responsáveis pela fotossíntese).

Gametófitos - Briófitas
Desenho esquemático mostrando as partes dos gametófitos das briófitas.

Nos gametófitos encontramos ainda estruturas chamadas de gametângios. Os gametângios são responsáveis pela produção de gametas através de mitoses.

Os gametângios femininos são chamados de arquegônios. Eles são responsáveis pela produção dos gametas femininos, as oogônias. Já os gametângios masculinos são chamados de anterídios. Os anterídios produzem o gameta masculino, chamado de anterozoide. Os anterozoides são gametas flagelados.

A maior parte das espécies de briófitas é dioica. Ou seja, possui sexos separados, tendo plantas femininas e plantas masculinas.

Como a estrutura do gametófito permite sua fixação sobre um substrato e a realização de fotossíntese, dizemos que o gametófito é uma fase independente da planta.

Esporófito

O esporófito é a fase efêmera das Briófitas. Isso significa que o esporófito é uma fase passageira, que surge nas Briófitas somente em períodos reprodutivos.

Os esporófitos são plantas dependentes dos gametófitos. Isso porque eles brotam sobre os gametófitos femininos e dependem desses para se nutrirem, já que não realizam fotossíntese. Logo após cumprirem seu papel reprodutivo, os esporófitos murcham e morrem.

Musgos com esporófitos - Briófitas
Fotografia de musgos, mostrando detalhadamente os esporófitos. Fonte Getty Images.

Como os esporófitos são formados a partir da fecundação, como veremos em seguida, eles são plantas diploides (2n cromossomos).

A morfologia de um esporófito é bastante simples. Ele possui uma haste que parte do gametófito feminino e, em sua extremidade, há uma região mais dilatada, chamada de esporângio.

No interior do esporângio há células-mãe que realizam meioses e serão responsáveis pela produção de esporos.

Esporófito - Briófitas
Desenho esquemático demonstrando a estrutura do esporófito.

Ciclo de vida de uma briófita

Para que o ciclo vital de uma briófita ocorra é essencial que haja a formação de uma película de água sobre/entre os gametófitos. Daí a importância de formações aglomeradas dessas plantas: a proximidade entre elas ajuda a reter água.

Essa característica primitiva, que remonta o ambiente aquático, é necessária para que ocorra a fase sexuada do ciclo de vida das briófitas. Isso porque os gametófitos masculinos (n) produzem gametas flagelados, os anterozoides (n), que precisam se deslocar até o arquegônio “nadando”.

Quando o anterozoide encontra a oosfera (n) presente dentro do arquegônio, ocorre a fecundação e então é formado um zigoto (2n). Esse zigoto, por sua vez, sofre uma série de mitoses, formando o esporófito (2n). O desenvolvimento do esporófito, como você viu acima, ocorre sobre o gametófito feminino, do qual ele é dependente nutricionalmente.

Na ponta do esporófito há o esporângio (2n). No interior dessa estrutura, há várias células-mãe. Essas células realizam meioses e formam os esporos (n). Em seguida esses esporos são dispersados no ambiente pelo vento e pela chuva. Por fim, quando encontram condições favoráveis, eles germinam, dando origem a novos gametófitos.

Ciclo de vida de uma briófita
Desenho esquemático do ciclo de vida de uma briófita.

Como vimos acima, no ciclo de vida de uma briófita há alternância de gerações, uma vez que há formas de vida haploides e diploides. Há também alternância de fases sexuadas e assexuadas. Por isso, dizemos que as briófitas possuem um ciclo de vida haplodiplobiôntico.

Ciclo de vida haplodiplobiôntico - Briófitas
Desenho esquemático demonstrando resumidamente as etapas do ciclo haplodiplobiôntico.

Para aprofundar seus conhecimentos, veja esta aula do canal Biologia Prof. Guilherme e, em seguida, resolva os exercícios:

Exercícios:
1 – (FCM MG/2020)    

Os musgos são encontrados recobrindo o tronco de muitas árvores, em quase todas as partes do mundo, até mesmo em regiões congeladas.

É CORRETO afirmar que os musgos são seres com:

a) Células haploides na maior parte de suas vidas.

b) Tecidos de conduções: o xilema e o floema.

c) Folhas grandes, longas e finas.

d) Presença de lignina.

2 – (UECE/2017)    

As briófitas, os vegetais mais antigos do mundo, são plantas pequenas e delicadas que vivem, geralmente, em ambientes úmidos e sombreados. Em relação à reprodução das briófitas, escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma nos itens abaixo.

(   )   O arquegônio é a estrutura reprodutora feminina em forma de frasco, com uma base alargada da qual parte um longo tubo, que produz a oosfera.

(   )   O anterídio, estrutura reprodutora masculina, é o local onde os anterozoides, cada um com dois flagelos, são produzidos.

(   )   As briófitas se reproduzem sexuadamente por fragmentação, processo em que partes de um indivíduo ou colônia geram novos gametófitos.

(   )   O anterídio cresce durante o desenvolvimento do embrião e o jovem esporófito emergente continua em sua base recebendo alimento.

Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:

a) V, F, V, F.

b) F, V, F, V.

c) F, F, V, V.

d) V, V, F, F.

3 – (UNITAU SP/2016)    

O diagrama abaixo representa o ciclo reprodutivo dos musgos. Com o auxílio do diagrama e dos conhecimentos sobre a biologia desses organismos, assinale a alternativa INCORRETA com relação à reprodução das briófitas.

a) O esporófito jovem e o adulto são diploides (2n).

b) A formação dos esporos ocorre por sucessivas mitoses do esporângio maduro.

c) Os gametófitos, masculino e feminino, são haploides (n).

d) Anterídio e arquegônio têm característica haploide (n).

e) O protonema haploide (n) é resultado de divisões mitóticas dos esporos.

GABARITO: 

  1. A
  2. D
  3. B

Sobre o(a) autor(a):

Juliana Evelyn dos Santos é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito.