Civilizações pré-colombianas: maias, astecas e incas

Aprenda sobre as civilizações mais ricas em cultura e desenvolvimento na América antes da chegada dos colonizadores europeus. Revise História para o Enem!

Você sabia que antes dos europeus chegarem nas Américas havia por aqui grandes civilizações com desenvolvimento tecnológica e culturas ricas e complexas? Estima-se que viviam no continente americano mais de 5 milhões de pessoas. Nesse post entenderemos mais sobre as três principais civilizações pré-colombianas: os Astecas, os Maias e os Incas.

Quando os europeus aportaram ao continente americano pela primeira vez encontraram aqui civilizações com culturas riquíssimas, cidades complexas, povoados que haviam desenvolvido conhecimentos de matemática, astronomia, arquitetura e agricultura, com seus próprios sistemas de escrita, produziram calendários precisos que os ajudaram em seu desenvolvimento e prosperidade.

É importante destacar que a diversidade dos povos que viviam em nosso continente era muito mais rica do que os três povos que aprofundaremos nesse texto. Só no Brasil se estima que haviam mais de 20 povos indígenas diferentes antes da chegada de Pedro Alvares Cabral, que falavam mais de 180 línguas, com práticas culturais distintas entre eles.

Astecas, Maias e Incas se destacaram por serem sociedades com produção agrícola excedente, ou seja, o desenvolvimento agrícola desses povos propiciou a eles a possibilidade de se dedicarem a outras atividades, levando à construção de grandes centros urbanos com sociedades complexas, divisão do trabalho hierarquizada e produção de conhecimento.

Os Maias

Os Maias são mais conhecidos pelo seu calendário que teria determinado o fim do mundo, como retratado no filme “2012” do diretor Roland Emmerick. Como o mundo não acabou, vamos aprender mais sobre esse povo que viveu na Península de Yucatán, no sul do atual México, assim como os territórios dos países da América Central, Belize e Guatemala.

Os maias se organizaram através de uma estrutura política descentralizada, tendo suas cidades autonomia na organização.

Eles surgiram por volta do ano 1000 a.C., mas seu auge foi entre os anos de 200 d.C. e 900 d.C. Na agricultura desenvolveram sistema rotativo de culturas, o que possibilitava que produzissem diversos cultivos com melhor aproveitamento do solo, entre eles estavam o milho, base da sua alimentação, o algodão, o cacau e o agave, planta que era utilizada para alimentação, mas também na produção de sisal.

Curiosidade: o Agave tem 183 espécies diferentes, sendo algumas delas usadas na produção de bebidas alcoólicas como a Tequila e o Mescal.

Os maias construíram conhecimentos matemáticos e astronômicos avançados, seu sistema de contagem numérica era baseado em unidades vigesimais e utilizavam o número “zero” nas suas contas matemáticas. A observação dos astros foi importante para criarem um calendário anual bastante próximos dos utilizados atualmente.

A ideia que deu origem ao mito do fim do mundo no ano de 2012, se baseia no calendário cíclico criado pelos maias. Na crença deles, a cada 52 anos haveria uma renovação orquestrada por seus deuses, o que coincidia com o reinicio na contagem de seu calendário.

Eles eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. Sua arquitetura é cheia de monumentos e construções erguidos para fins religiosos, como os sacrifícios, cerimônia que tinha por objetivo agradar os deuses.

Por algum motivo, que não foi possível ser determinado por arqueólogos e estudiosos da área, a civilização maia entrou em colapso por volta do séc. XIII levando ao desaparecimento deste povo.

Os Astecas

Os astecas foram um povo que construiu um império na Mesoamérica, conquistou e assimilou a cultura de diversos povos como os Mexicas, Olmecas, Zapotecas, entre outros.

Edificaram a cidade mais esplendorosa da América Pré-colombiana, a cidade de Tenochtitlán, em uma ilha no lago Texcoco, na atual Cidade do México. A escolha do local onde eles se estabeleceram envolve um mito representado na bandeira do México.

Segundo o mito, ao chegarem no lago Texcoco, os astecas viram uma águia comendo uma serpente em cima de um cacto, o que representava que eles teriam um grande futuro naquele lugar.

Bandeira do México; Mito fundador; Cidade de Tenochtitlán. Fonte imagem: http://mexicoeja4.blogspot.com.br/2012/02/o-que-significa-as-cores-da-bandeira-do.html

No auge de sua história, os astecas dominavam mais de 500 cidades e seu império abrigava mais de 15 milhões de habitantes. Em uma sociedade hierarquizada onde o conflito tem um papel importante, a elite era composta por militares, sendo seu líder o chefe maior dos exércitos. Tinham conhecimento de metalurgia, o que os ajudou a desenvolverem armas e ferramentas que auxiliaram no crescimento do império.

Outra atividade de extrema importância era a agricultura. Sua alimentação era baseada no consumo do milho e produtos derivados, mas eles cultivavam também cacau, tabaco, algodão, abóbora, feijão, pimenta e tomate.

Com o crescimento de Tenochtitlán e a indisponibilidade de terras para o plantio dos alimentos necessários, os astecas desenvolveram o sistema de chinampas. Eles construíram ilhas artificiais, as chinampas, nas terras alagadas, aproveitando a lama fértil do fundo do lago para aumentar a área de cultivo de seus produtos agrícolas.

Assim como os maias, eles criaram sistema de escrita, um calendário próprio e tinham rituais religiosos de sacrifício aos deuses, incluindo o sacrifício humano.

Os astecas deixaram de existir após a chegada dos espanhóis, que fizeram acordo com os povos dominados pelos astecas para atacar Tenochtitlán e acabar com o Império Asteca.

Para saber mais sobre o Império Asteca, assista o episódio sobre eles da série Grandes Civilizações no Youtube:

Os Incas

Os incas construíram império na cordilheira dos Andes na América do Sul. Se estabeleceram primeiro na região de Cuzco devido às condições geográficas e por volta do século XV expandiram seus domínios entre os planaltos das montanhas dos Andes e o litoral do pacífico.

Machu Picchu. Fonte da imagem: https://guimendesthomaz.com/tag/cusco/#jp-carousel-380

Seu líder era conhecido como “Sapa Inca”, tido como descendente do deus sol Inti Raymi. As terras do império eram divididas em três espaços distintos: as terras do Inca, destinadas ao rei; as terras do deus-sol, controladas pelos sacerdotes; e as terras da população.

A agricultura tinha técnicas avançadas para conseguir cultivar diversos alimentos em um território tão acidentado. Plantavam amendoim, milho, batata, feijão, tomate, abóbora, mandioca, algodão, cacau e pimenta. Os camponeses eram organizados em grupos familiares conhecidos como ayllu, onde cada ayllu tinha um líder conhecido como curaca, que organizava o trabalho agrícola e o serviço militar.

A religião inca tinha nos elementos da natureza objetos de adoração, como o sol, a lua, o raio e a terra. Assim como maias e astecas, o sacrifício era ritual religioso necessário para que os deuses presenteassem o povo com boas colheitas e vitórias em batalhas.

O mais impressionante de seu legado foram as construções. Em território acidentado os Incas construíram templos, palácios, fortificações e estradas que interligavam as cidades em cima da cordilheira do Andes. Suas ruínas hoje são pontos turísticos visitados por pessoas do mundo todo.

No século XVI, quando os espanhóis chegaram a região, o Império Inca sofria com diversos conflitos internos. Aproveitando-se dessa instabilidade, os colonizadores espanhóis empreenderam uma violenta dominação que subordinou o povo inca. O último líder Inca Tupac Amaru I é lembrado na história peruana como símbolo da resistência indígena.

Para saber mais sobre a cultura e história Inca assista outro episódio da série Grandes Civilizações no Youtube:

Exercícios sobre civilizações pré-colombianas:

.

Sobre o(a) autor(a):

Pedro Cristiano de Azevedo é formadoa em História pela Universidade Federal de Santa Catarina e Mestrado pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Atua como professor de História em escolas da Grande Florianópolis desde 2010.

Compartilhe: