Como escrever uma carta para o vestibular: estrutura e exemplos

Muitos vestibulares cobram a redação em forma de carta. Por isso, aprenda como escrever uma carta para o vestibular e domine a estrutura de uma carta com vários exemplos de textos.

Muitos vestibulares cobram como gênero textual na prova de redação a carta. Ela aparece como carta pessoal, carta aberta, carta ao leitor, carta argumentativa, entre tantas outras possibilidades. Por isso, nesta aula, você vai aprender como escrever uma carta para o vestibular independentemente do seu tipo.

Como escrever uma carta

A primeira preocupação que temos que ter ao escrever uma carta para o vestibular é o seu contexto de produção. Ou seja, para definir o estilo e conteúdo da sua carta é preciso que você compreenda em qual o contexto que ela irá circular e, mais importante, qual a sua função.

Isso diferenciará os tipos de carta. Por exemplo, uma carta aberta tem como função manifestar as ideias de um coletivo para um outro conjunto de pessoas. Por sua vez, uma carta pessoal tem como finalidade comunicar-se com apenas um indivíduo e o faz de uma forma muito mais próxima e, por vezes, afetiva.

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Para saber como identificar o contexto de produção, você precisa interpretar e retirar todas as informações possíveis do enunciado da proposta. Ao ler o enunciado, pergunte-se: quem é o emissor desta carta? Quem é o destinatário desta carta?

Frente a esses “personagens” que enviarão e receberão o texto, qual a função desta carta? A respostas dessas perguntas farão com que você passe a projetar o estilo e conteúdo do que irá escrever.

Como identificar o tipo de carta

O vestibular da Unicamp é um dos que volta e meia exige a redação em forma de carta. Vejamos como exemplo o enunciado da prova de redação do vestibular da Unicamp em 2017:

carta no vestibular da unicamp
A carta no vestibular: prova de redação Unicamp 2017. Fonte: Comvest

Repare que todas as perguntas que pontuamos acima são facilmente respondidas neste enunciado:

Quem é o emissor desta carta? Um aluno de ensino médio que mostra um olhar crítico aos textos lidos (os quais eram apresentados na proposta, abaixo desse enunciado);

Quem é o destinatário desta carta? A seção do leitor da revista Rio Pesquisa;

Qual a função desta carta? Discutir com os editores da revista e com os seus leitores o texto publicado, apresentando um ponto de vista.

De maneira geral, de forma mais ou menos explícita, os enunciados dos vestibulares nos trazem essas informações, assim como no exemplo analisado, pois elas que irão elaborar as especificidades que serão corrigidas no seu texto.

No caso acima, a carta precisaria necessariamente apresentar um ponto de vista e, para isso, como de costume em textos com posicionamento marcado, deveria também apresentar argumentos que sustentassem esse posicionamento.

Além disso, a carta precisaria dialogar com o texto apresentado na proposta e para isso, deveria trazer menções – diretas ou indiretas – a ele.

Por fim, os elementos apresentados também moldam a linguagem do texto que será escrito, pois, por se tratar de uma publicação formal – a revista – esse deve utilizar uma linguagem coerente e, portanto, também formal.

As perguntas que vimos acima, então, nos mostram como delimitar o conteúdo da carta que será escrita, mas ainda é preciso determinar a estrutura da carta, que possui uma forma bastante característica.

A estrutura de uma carta

A estrutura de uma carta consiste na presença de três elementos:

  • Elementos pré-textuais,
  • Texto;
  • Elementos pós textuais.

Aqui, apresentaremos as opções para uma carta completa estruturalmente, mas é importante que você veja se há alguma especificidade do gênero textual no edital do seu vestibular.

De maneira geral, as cartas se organizam da seguinte maneira:

estrutura de uma carta para o vestibular
A estrutura de uma carta para o vestibular

Antes do texto da sua carta propriamente dito, você deve iniciar com os elementos pré-textuais.

Elementos pré-textuais da carta

Primeiramente, você utilizará uma linha para escrever o cabeçalho apresentando o local e data em que essa carta supostamente seria escrita. Essas informações podem estar no próprio enunciado ou, se não estiverem, podem ser inventadas.

Na linha logo abaixo (em nenhum momento você precisará pular linhas), você deverá escrever o vocativo, ou seja, o “chamamento” de quem vai receber sua carta.

Nesse momento, é importante lembrar dos pronomes de tratamento para, caso seja necessário, utilizá-los para fazer uma boa referência ao seu destinatário.

O texto

Depois desses elementos que antecedem o texto, você começará a escrever sua carta efetivamente e seu conteúdo vai depender muito daquelas perguntinhas que comentamos no início desta aula.

A quantidade de parágrafos, por sua vez, vai depender muito da prova que você está realizando. Isso ocorre pois há vestibulares, por exemplo, que cobram cartas de 30 linhas e outros cobram uma de 15 linhas. Dessa forma, você deverá adequar os parágrafos à especificidade do que lhe foi pedido.

Todavia, mesmo que o número de parágrafos possa variar, o início (primeiro parágrafo) e fim (último parágrafo) das cartas tendem a ter um padrão: as cartas normalmente iniciam com um parágrafo de apresentação em que o emissor se apresenta e mostra o que o motivou a escrever.

No fim, é comum que esses textos terminem com um pedido que pode ser muito prático, como uma reivindicação para melhorias em uma cidade, ou mais amplo, como a discussão de um tema ou a união da população em prol do que foi discutido.

Esse pedido vai depender muito do tom que você abordou no decorrer da escrita e, mais uma vez, do que foi solicitado pelo enunciado.

Elementos pós-textuais da carta

Para terminar sua carta, você vai para a linha abaixo da última palavra do texto da carta e apresenta a saudação e assinatura.

A saudação trata-se de uma despedida. É comum que se utilizem expressões como “atenciosamente”, “respeitosamente” ou, em caso de cartas pessoais, “com carinho”, “carinhosamente”. É a relação entre o emissor e o destinatário que definirá qual a saudação ideal a depender do grau de proximidade e formalidade exigidos.

Já a assinatura, que fechará sua carta, muitas vezes é apresentada pelo enunciado, mas, caso não seja, nunca deve identificar o candidato. Para assinar, utilize siglas ou assinaturas genéricas, como “aluno do Ensino Médio”, “Cidadão indignado”.

Exemplo de carta para o vestibular

Visto como elaborar o conteúdo e a estrutura da carta na redação, vejamos um exemplo de carta exemplar – segundo a própria comissão avaliadora do vestibular da Unicamp – escrita para a proposta que apresentamos nesta aula.

exemplo de carta vestibular
Redação exemplar do vestibular UNICAMP 2017.

O exemplo de carta para o vestibular acima mostra bem como o candidato seguiu o que abordamos nesta aula tanto pelo conteúdo apresentado como pela sua estrutura.

E aí, aprendeu como escrever uma carta? Utilize nossas dicas e treine esse gênero textual para também se sair muito bem quando lhe exigirem uma redação em forma de carta no vestibular!

Videoaula sobre redação em forma de carta

 

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Daniela Cristina Garcia para o Curso Enem Gratuito. Daniela é formada em Letras (Língua portuguesa e literaturas) pela Universidade Federal de Santa Catarina e é mestre em Linguística (também pela UFSC). Dá aulas de Língua Portuguesa, com ênfase em redação, em escolas e cursos pré-vestibular de Florianópolis e possui experiência em correção de redação de vestibulares e exames.

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