Aprenda como fazer a flexão dos adjetivos em gênero, número e grau

Assim como os substantivos, os adjetivos também mudam de acordo com o gênero, grau e número. Entenda como fazer a flexão dos adjetivos nesta aula de Português para o Enem!

Assim como os substantivos, os adjetivos admitem flexões. Nesta aula sobre flexão dos adjetivos você estudará esse assunto e mais: como a flexão de grau pode assumir determinados valores semânticos.

O que são adjetivos

Antes de falarmos dos modos como os adjetivos podem ser flexionados, é importante sabermos o conceito dessa classe gramatical. Um adjetivo é uma palavra que tem o poder de modificar o substantivo, atribuindo qualidade ou estado. Por isso essas palavras são chamadas de determinantes do substantivo, concordando com eles em gênero e número.

E, para que os substantivos possam concordar com os substantivos, é necessário que eles sofram flexão, como veremos ao longo dessa aula.

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Meme - Flexão dos adjetivosFigura 1: Meme “lindíssima falou tudo” que viralizou nas redes sociais.

Talvez você tenha compartilhado o meme acima nas redes sociais ou já tenha ouvido alguém usar esta expressão: lindíssima. O adjetivo lindíssima é, por vezes, utilizado para descrever a aparência física de uma mulher ou algo que o valha. É comum aparecer como vocativo, ou seja, sendo usado para chamar alguém de forma apelativa.

A escolha desse adjetivo no meme não foi à toa. Ela foi feita para informar de maneira exagerada e para chamar atenção comicamente para o fato de que não se tratava somente de uma mulher apenas bonita: ela era muito linda. Assim, a intensificação do sentido foi obtida pela flexão de grau do adjetivo linda.

Isso porque, do mesmo modo que os substantivos, os adjetivos apresentam flexões de gênero, número e grau.

A relação morfossintática entre adjetivos e substantivos

A morfossintaxe da língua portuguesa rege que os adjetivos concordem em gênero e número com os substantivos que eles modificam. Isso quer dizer que eles devem assumir o mesmo gênero e o mesmo número que o substantivo.

Então, vale dizer que, se o substantivo é masculino, o adjetivo deve ser também masculino. Da mesma maneira, se o substantivo é feminino, o adjetivo deve ser feminino. Por exemplo: enfermeiro cuidadoso, enfermeira cuidadosa.

A mesma regra também vale para a noção gramatical de número. Substantivos no plural exigem adjetivos no plural do mesmo modo que substantivos no singular exigem adjetivos no singular. Por exemplo: assunto complicado, assuntos complicados; matéria complicada, matérias complicadas.

A flexão de gênero dos adjetivos

Morfologicamente, os adjetivos não possuem um gênero definido, mas assumem o gênero dos substantivos que modificam. Dessa maneira, quanto ao gênero, os adjetivos podem ser biformes ou uniformes.

Adjetivos uniformes

São uniformes aqueles adjetivos que possuem uma mesma forma, tanto no masculino como no feminino, ou seja, não admitem flexão morfológica. Seu gênero será determinado pelo gênero que está dentro do substantivo que modificam. Saca só alguns exemplos:

O assunto fácil – a prova fácil.

O comportamento insuportável – a semana insuportável.

Um quadro espetacular – uma pintura espetacular.

Adjetivos biformes

Já os adjetivos biformes são aqueles que podem apresentar-se sob duas formas:

  • uma para o masculino
  • outra para o feminino

Ou seja, podem flexionar-se morfologicamente.

As formas do masculino não são marcadas como nos substantivos. Entretanto, as formas do feminino são marcadas por meio do acréscimo, ao radical, do sufixo -a (que aponta, na língua portuguesa, a ideia de feminino). Por exemplo:

O escritor português → a escritora portuguesa.

O submarino amarelo → a canoa amarela.

Flexão dos adjetivos compostos

No caso dos adjetivos compostos, formados, na maioria dos casos, por dois adjetivos, somente o segundo recebe a flexão do feminino, se ele for biforme. Observe:

Consultório médico-dentário, clínica médico-dentária.

Acordo luso-brasileiro, união luso-brasileira.

As exceções são as seguintes:

  • Azul-marinho e azul-celeste, que são uniformes. Por exemplo: o terno azul-marinho/azul-celeste, a capa azul-marinho/azul-celeste;
  • Surdo-mudo, que tem os dois elementos flexionados no feminino. Por exemplo: menino surdo-mudo, menina surda-muda.

A flexão de número dos adjetivos

Estudante, como já foi visto aqui, os adjetivos devem concordar em número com o substantivo que modificam, assumindo, assim, a forma singular ou plural desse substantivo. Saca só os exemplos de flexão de adjetivos a seguir:

Acontecimento terrível → acontecimentos terríveis.

Mulher cortês → mulheres corteses.

Dor atroz → dores atrozes

Homem cordial → homens cordiais

Flexão dos adjetivos compostos

Caso você se depare com adjetivos compostos por dois adjetivos, somente o segundo sofre a flexão de número. A regra, aqui, estudante, é a mesma que vimos para a flexão de gênero dos adjetivos compostos:

  • Clínica médico-dentária, clínicas médico-dentárias; acordo luso-brasileiro, acordos luso-brasileiros.

No entanto, existem as seguintes exceções:

  • Azul-marinho e azul-celeste, que são invariáveis. Por exemplo: automóvel azul-marinho, automóveis azul-marinho.
  • Surdo-mudo, cujos dois radicais vão para o plural. Por exemplo: o menino surdo-mudo, os meninos surdos-mudos.

Outro detalhe que você não pode esquecer é que são invariáveis quanto ao número os adjetivos compostos referentes a nomes de cores que têm um substantivo como segundo radical:

Farda verde-oliva, fardas verde-oliva; tinta amarelo-canário, tintas amarelo-canário.

A flexão de grau dos adjetivos

A flexão de grau dos adjetivos acontece sempre que se quer comparar ou intensificar as características que atribuem aos substantivos. No primeiro caso, tem-se o grau comparativo, e no segundo, o grau superlativo.

Os adjetivos de relação – hospital infantil, clínica cardiológica, exame mensal, entre outros – não admitem flexão de grau, pois sua intensidade não pode variar. Ora, há de concordar comigo que não faz sentido dizer algo como: “A clínica dos médicos estrangeiros é mais cardiológica do que a dos brasileiros”, ou “Hoje fiz um exame mensalíssimo”.

Quanto à posição, os adjetivos de relação sempre vêm depois do substantivo que modificam. Além disso, é importante ressaltar que a variação de grau manifesta-se morfologicamente pela flexão – as chamadas formas sintéticas – ou, sintaticamente, pelo uso de outras palavras, em estruturas comparativas ou superlativas – as chamadas formas analíticas.

Grau comparativo

Observe que no grau comparativo, como o nome sugere, confronta-se a maneira como determinada qualidade ou estado manifesta-se em mais de um ser, ou a maneira como duas ou mais qualidades ou estados manifestam-se em um mesmo ser.

Se liga nessa tirinha em seguida:

Tirinha - Flexão dos adjetivosFigura 2: Tirinha do Garfield.

Quando Garfield diz que “não existe ninguém tão esquisito quanto você, o gato confronta uma característica do cão – sua esquisitice – a essa mesma característica que pode estar presente em todos os outros seres. Essa comparação leva-o a concluir que Odie é o ser mais esquisito que existe. Dessa forma, o efeito de humor é alcançado pelo adjetivo escolhido: não se espera que alguém se sinta “especial” por ter sua esquisitice afirmada como uma qualidade.

Grau comparativo de igualdade, superioridade e inferioridade

A partir desse exemplo e de suas experiências, você pode concluir que o grau comparativo pode ser de igualdade, de superioridade e de inferioridade, e forma-se, na maioria absoluta dos casos, por expressões analíticas que incluem advérbios e conjunções.

  1. Grau comparativo de igualdade: Este candidato é tão honesto quanto os demais candidatos do seu partido. Aquele aluno é tão desatento quanto nervoso.
  2. Grau comparativo de superioridade: Seu candidato é mais desonesto (do) que o meu. Aquele aluno é mais desatento do que nervoso.
  3. Grau comparativo de inferioridade: Meu candidato é menos desonesto do que o seu. Aquele aluno é menos desatento do que nervoso.

Alguns adjetivos possuem uma forma sintética para a expressão do grau comparativo de superioridade. São eles: bom, mau, grande e pequeno, que apresentam as formas melhor, pior, maior e menor.

Existe um contexto, no entanto, em que as formas analíticas precisam ser usadas para expressar o grau comparativo desses quatro adjetivos. Isso ocorre nos casos em que o que se compara são duas qualidades de um mesmo ser:

  • Esta sala é mais grande do que confortável.
  • Este seu amigo é mais bom do que
  • Eles são mais maus do que
  • Estas cadeiras parecem mais pequenas do que estreitas.

Grau superlativo

No grau superlativo, intensifica-se uma determinada qualidade ou estado em termos relativos ou absolutos. Por esse motivo, o superlativo pode ser classificado como relativo ou absoluto.

Superlativo relativo

O grau superlativo relativo indica que determinado ser, com relação a todos os demais seres de um conjunto que apresentam uma certa qualidade, destaca-se por apresentá-la em grau maior ou menor. É sempre expresso de forma analítica, por meio do uso de advérbios, e pode ser de superioridade ou de inferioridade. Por exemplo:

Ele é o menos egoísta de todos (superlativo relativo de inferioridade).

Este é o mais interessante dos livros que li (superlativo relativo de superioridade).

Superlativo absoluto

Por fim, o superlativo absoluto indica que determinado ser apresenta certa qualidade em um alto grau; expressa a ideia de excesso. Pode assumir forma sintética ou analítica.

O superlativo absoluto é sintético se for formado pelo acréscimo de determinados sufixos ao radical do adjetivo. O mais comum desses sufixos é -íssimo(a), mas formam-se também superlativos por meio dos sufixos -ílimo(a) e -érrimo(a). Veja aí:

Este é um piloto velocíssimo.

A prova de hoje estava dificílima.

Aquele homem é paupérrimo.

Então, por hoje, é isso, estudante. Espero que tenha ficado mais claro esse assunto: flexão dos adjetivos. Agora, você já sabe, né? Resolva este simulado e assista a esta videoaula sobre o assunto.

Videoaula

Para reforçar seus estudos, assista à videoaula sobre flexão dos adjetivos e, em seguida, responda aos exercícios.

Exercícios

1- (FGV )

CAPÍTULO IV / UM DEVER AMARÍSSIMO! 

José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às ideias; não as havendo, servia a prolongar as frases. Levantou-se para ir buscar o gamão, que estava no interior da casa. Cosi-me muito à parede, e vi-o passar com as suas calças brancas engomadas, presilhas, rodaque e gravata de mola. Foi dos últimos que usaram presilhas no Rio de Janeiro, e talvez neste mundo. Trazia as calças curtas para que lhe ficassem bem esticadas. A gravata de cetim preto, com um aro de aço por dentro, imobilizava-lhe o pescoço; era então moda.

O rodaque de chita, veste caseira e leve, parecia nele uma casaca de cerimônia. Era magro, chupado, com um princípio de calva; teria os seus cinquenta e cinco anos. Levantou-se com o passo vagaroso do costume, não aquele vagar arrastado dos preguiçosos, mas um vagar calculado e deduzido, um silogismo completo, a premissa antes da consequência, a consequência antes da conclusão. Um dever amaríssimo!

Machado de Assis, Dom Casmurro.

Das afirmações abaixo sobre a expressão sublinhada nos seguintes trechos destacados do texto, a única que NÃO está correta é:

a) “imobilizava-lhe o pescoço”: é um pronome pessoal com valor possessivo.

b) “Um dever amaríssimo!”: trata-se de um superlativo que enfatiza qualificação de sentido positivo.

c) “era então moda”: assume valor temporal.

d) “não as havendo”: pode ser substituída pela frase “quando não as havia”, sem prejuízo para o sentido ou para a correção gramatical.

e) “servia a prolongar as frases”: é uma preposição que estabelece uma relação de finalidade.

2- (IBMEC SP Insper)

O diminutivo que aumenta

O diminutivo virou uma espécie de divisor de águas para o brasileiro. Em Portugal, onde a ambiguidade linguística tem menor voltagem e toda conversa arrisca-se a seguir o pé da letra, as pessoas tendem a flexionar o grau do substantivo com a consciência de que pão é pão, queijo é queijo – posto que um diminutivo serve é para diminuir e um aumentativo, para aumentar. Além-mar a ênfase é outra. Quando convém, o diminutivo funciona como aumentativo no Brasil, porque exploramos, como ninguém, o uso dos adjetivos com flexão típica do diminutivo, mas com função superlativa. (…)

Disponível no nosso armazém de secos e molhados que é a língua, o adjetivo superlativo ficou reservado para ocasiões propícias. Comparado ao brasileiro, o português usa o recurso com imenso recato.

(Adaptado, Revista Língua, n.º 1)

Segundo o texto, o diminutivo com função superlativa é uma construção tipicamente brasileira, diferentemente do que ocorre em Portugal. Identifique a alternativa que apresenta essa construção.

a) Aguarde só mais um minutinho, por favor.

b) Para as moças, esconder a verdade era apenas uma brincadeirinha.

c) Nada melhor do que um café quentinho no meio de uma tarde fria.

d) É apenas um presentinho, você merece muito mais.

e) Esperava ver um jardim bonitinho e encontrou uma aula de paisagismo.

3- (ESPM SP)

CAPÍTULO IV / UM DEVER AMARÍSSIMO

José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às idéias; não as havendo, servir a prolongar as frases.

(Machado de Assis, Dom Casmurro)

José Dias, caracterizado como o homem dos superlativos, é uma paródia, uma caricatura da expressão verbal pomposa e oca, da subliteratura dos salões. Sua retórica exagerada configura um discurso redundante, reduto de clichês, lugares comuns, adjetivos e advérbios inexpressivos (Fernando Teixeira). Das frases proferidas pela personagem, assinale a que NÃO necessariamente se enquadra na definição acima:

a) “Sua mãe é uma santa, seu tio é um cavalheiro perfeitíssimo.” (XXV)

b) “… e vale sempre entrar no mundo ungido com os santos óleos da teologia…” (LXI)

c) “A viagem à Europa é o que é preciso, mas pode fazer-se daqui a um ou dois anos…” (LXI)

d) “… que vai pedir para sua mãe terníssima e dulcíssima a dispensa de Deus.” (XCV)

e) “… uma grande alma, espírito ativo, coração reto, amigo, bom amigo, digno da esposa amantíssima que Deus lhe dera…” (CXXVI)

Gabarito:

  1. B
  2. C
  3. C

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

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