Substantivos

O assunto da aula de português de hoje é Substantivo. Vamos entender o que caracteriza os Substantivos e compreender suas funções morfológicas e sintáticas.

Para começarmos a estudar os substantivos, leia a tirinha a seguir:

substantivo-tirinha

Estudante atento/a que é, você já notou que o efeito de humor, nessa tira, é criado a partir da nomeação do resultado de um processo fisiológico: a transpiração.

A fala obviamente irônica do Sargento Tainha chama a atenção para a função que define a classe dos substantivos: a nomeação.

Definição

Substantivos são as palavras que nomeiam os seres em geral, reais ou imaginários. Simples assim.

De maneira mais formal, os substantivos possuem flexão de gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (aumentativo e diminutivo).

Os substantivos podem ser precedidos por artigos ou pronomes adjetivos, formando, assim, um sintagma nominal: a guitarra, uma geladeira, meu primo, estas canetas, muitos vestibulares.

Os adjetivos também podem acompanhar um substantivo: casa amarela, música bonita.

Opa! Sintagma? O que é isso?

Sintagma é a unidade mínima entre a qual se estabelece uma relação de determinação.

Em uma relação sintagmática, um dos elementos modifica ou determina o outro, especificando-o de alguma maneira.

Por exemplo:

Violão lindo.

Determinado: elemento que sofre modificação.

Determinante: elemento que modifica o outro termo do sintagma.

São nominais os sintagmas que têm por núcleo um substantivo (caso que vimos acima) e verbais os que têm por núcleo um verbo (estudei gramática).

Sob o aspecto funcional – que será estudado mais detalhadamente em outras revisões -, os substantivos caracterizam-se por trabalharem como núcleos dos sintagmas nominais:

  • sujeitos: Esta música tem um problema harmônico.
  • objetos diretos: Compus a música.
  • objetos indiretos: Dei um novo arranjo à música.
  • predicativos do sujeito: Isto é música.
  • predicativos do objeto: Considero isto música.
  • complementos nominais: A alegria da música está nos arranjos.
  • adjuntos adnominais: Isto é rascunho de música.
  • adjuntos adverbiais: Entrei com a música.
  • agentes da passiva: Minha personalidade foi moldada por aquela música.
  • apostos: Minha vida, uma música, tem acordes dissonantes.
  • vocativos: Música, és a musa que me ajuda e criar!

Classificação

Além disso, é importante observar que os substantivos são classificados de acordo com àquilo a que fazem referência no mundo.

Podem ser próprios ou comuns, concretos ou abstratos. Dentre os comuns, estão os coletivos.

Com relação à forma, os substantivos podem ser simples ou compostos, primitivos ou derivados.

Substantivos simples e compostos

Ao consideramos a formação dos substantivos, podemos perceber que há uma diferença entre termos como menino e pé de moleque.

No primeiro caso, é fácil notar que a ocorrência de um único radical na formação da palavra. No segundo, há mais de um radical.

Sendo assim, podemos dizer que os substantivos formados por um único radical são chamados simples. Exemplos: guitarra, palco, festa, ingresso, refrão.

Por outro lado, os substantivos formados por mais de um radical são considerados compostos. Exemplos: flor-de-lis, perna-de-pau, ervilha-de-cheiro.

Substantivos primitivos e derivados

Observando a forma dos substantivos, podemos notar que existem alguns que não derivam de qualquer outra palavra da língua.

Todavia, podem dar origem a novos termos por meio dos processos tradicionais de formação de palavras (derivação e composição).

Os substantivos que não se originam de qualquer outro radical da língua são considerados primitivos. Exemplos clássicos: casa, flor, pedra.

Os substantivos que são formados a partir de um radical preexistente são considerados derivados.

Exemplos: casario, casebre, floricultura, florista, pedreira, pedregulho, etc.

Substantivos próprios e comuns

tirinha-laerte-substantivos-proprios-e-comuns

Na tira acima, o alarme do carro é personalizado porque chama seu dono pelo nome – Lucídio Coqueiro Louzada.

O humor dessa tira existe no fato da particularização criada pelo alarme ser tão indiscreto.

O proprietário se sente envergonhado por ouvir seu nome repetido várias vezes em um volume muito alto, o que atrai a atenção de várias pessoas da rua.

A partir desse exemplo, podemos entender que os substantivos que dão nome aos seres particulares, únicos, dentre os demais de uma mesma espécie, são chamados de próprios.

Temos como exemplos de substantivos próprios os nomes das pessoas (antropônimos) e os nomes de lugares (topônimos).

São também próprios todos os substantivos que nomeiam algo que se quer particularizar: títulos de obras, nomes de jornais e revistas, nomes de acidentes geográficos, nome de doenças, etc.

Todavia, existe um grande número de substantivos utilizados que servem para nomear seres de uma mesma espécie, conceitos abstratos ou os sentimentos humanos. Esses são os substantivos comuns.

Curiosidade: pela sua essência, os substantivos comuns estão presentes mais frequentemente nos textos que os substantivos próprios.

Leia com atenção:

Foi no final dos anos sessenta. Tenho certeza absoluta porque lembro de todo mundo amontoado na sala de visitas de nosso apartamento, a mãe estourando pipocas na cozinha, a tela da Philips tinindo em preto e branco e lá, na imagem em monocromo, o homem pisando na lua pela primeiríssima vez. A conquista do espaço tivera início, preconizava meu pai, e a mãe, parada na porta com o bacião cheiroso apoiado sobre a barriga, boquiaberta de ver o futuro acontecendo na própria sala, sequer atinava que as pipocas esfriavam. Nós, os filhos e as visitas, tampouco atinamos. Ver as coisas que ainda não eram sempre havia sido, e sempre seria, prerrogativa de meu pai. Naquela noite, eu, meus dois irmãos, os gêmeos do muitos, celebrando as coisas que haveriam de ser e que nós nem sabíamos quais seriam. […]

MOSCOVICH, Cíntia. Sheine meidale. O reino das cebolas. Porto Alegre: L&PM, 2002. p. 48. (Fragmento adaptado).

Note, estudante, que os substantivos destacados em negrito no texto dão nome a qualquer ser com as mesmas características.

Embora a autora tenha imaginado uma sala de visitas, um apartamento, uma mãe e um pai específicos, todos os outros seres com as mesmas características recebem denominação idêntica.

Dessa forma, pode-se afirmar que os substantivos comuns são designações generalizantes.

Existe, ainda, um tipo peculiar de substantivos comuns, os chamados substantivos coletivos.

Eles fazem parte de uma categoria bem específica, pois se apresentam no singular, mas sempre fazem referência a uma ideia plural.

Saca só:

substantivos coletivos

Na tira, temos vários substantivos coletivos representados: rebanho, matilha, alcateia, bando, manada.

O coletivo de abelhas é enxame. É claro que muitas abelhas juntas trazem muitas picadas, então, o autor da tira sugere, de maneira humorística, que o seu coletivo deveria ser “enrascada”.

São chamados de substantivos coletivos aqueles que, no singular, fazem referência a um conjunto de seres de uma mesma espécie, ou a corporações sociais e religiosas agrupadas para determinado fim.

Substantivos concretos e abstratos

Outra classificação dos substantivos baseia-se na natureza dos seres por eles designados.

Podemos definir que os substantivos concretos são aqueles que nomeiam os seres que têm uma existência independente, real ou imaginária.

Exemplos de substantivos concretos: carro, casa, Luíza, Santa Catarina.

Esses exemplos se enquadram perfeitamente na definição apresentada e, portanto, sua classificação não apresentaria qualquer dificuldade, não é mesmo?

Ok, mas o que dizer de outros substantivos, como fada, Deus, bruxa, unicórnio ou saci-pererê? Achou entranho considerá-los concretos?

Todavia, é importante lembrar que, com base na definição dada, todos eles podem ser imaginados como tendo uma existência autônoma, independente de algum outro ser.

Por essa razão, estudante, são classificados também como substantivos concretos.

Além de seres imaginários ou reais, temos também a necessidade de nomear ações, comportamentos, estados, qualidades, sentimentos.

Veja:

substantivos abstratos

Podemos notar que, na tira, o autor busca representações que sejam cabíveis com os sentimentos nomeados.

A ideia de ressentimento é associada à de alguém isolado em si, que vê o mundo através de uma pequena abertura.

A mágoa, por sua vez, é representada por uma pessoa chorosa, isolada no alto de uma montanha gelada.

Já o rancor é representado por uma pessoa que vira as costas, evitando qualquer tipo de contato, enquanto olha, com olhar de ira, o mundo à sua volta.

Assim, através dos exemplos presentes nessa tirinha, podemos perceber que os substantivos abstratos são aqueles que nomeiam conceitos como ações, estados, qualidades, sentimentos, sensações, que não possuem uma existência independente.

Sua manifestação está sempre ligada a um ser do qual depende a sua existência. São, nesse sentido, abstrações.

Ressentimento, inveja, rancor, saudade, vida, alegria, doença, atração, beijo, abraço, são todos exemplos de substantivos abstratos.

Essa classificação pode até parecer estranha no caso de alguns deles (vida, beijo e abraço, por exemplo).

Todavia, é preciso lembrar que o critério utilizado para defini-los como abstratos é o fato de darem nome a algo que não tem existência autônoma.

Estudante, espero que tenha gostado dessa revisão sobre Substantivos. Temos ainda mais um assunto para tratar, mas ficará para outro momento.

Para fixar ainda mais o conteúdo, assista à aula a seguir:

Por fim, resolva os exercícios que separei para você:

TEXTO: 1 – Comum à questão: 1

Leia a seguir a Canção de Geraldo Roca e Paulo Simões.

Trem do Pantanal

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal

As estrelas do cruzeiro fazem um sinal

De que este é o melhor caminho

Pra quem é como eu, mais um fugitivo da guerra

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal

O povo lá em casa espera que eu mande um postal

Dizendo que eu estou muito bem vivo

Rumo a Santa Cruz de La Sierra

 

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal

Só meu coração está batendo desigual

Ele agora sabe que o medo viaja também

Sobre todos os trilhos da terra

(Disponível em: https://www.cifrasdeviola.com.br/musica/trem-do-pantanal.
Acesso em: 28 de set. 2018.)

 

01) Assinale a alternativa que apresenta APENAS substantivos.

a) trem – pantanal – estrelas – melhor.

b) caminho – velho – guerra – muito.

c) espera – muito – trilhos – viaja.

d) trem – guerra – trilhos – estrelas.

e) pantanal – estrelas – dizendo – caminho.

 

TEXTO: 2 – Comum à questão: 2

notícia de jornal
Fonte: Folha de São Paulo – 27/10/2016 – Turismo.
02) Aponte a alternativa em que todas as palavras são substantivos.

a) museu, objetivo, vai

b) opções, visitantes, uma

c) novembro, dezembro, abril

d) cidade, turistas, fica

e) funcionar, horário, eventos

TEXTO: 3 – Comum à questão: 3

“Não havia um segundo a perder. Tirou o machado de sob o capote, levantando-o com as duas mãos e, com um gesto seco, quase mecânico, deixou-o cair na cabeça da velha. Suas mãos pareciam-lhe não ter mais forças. Entretanto, readquiriu-as assim que vibrou o primeiro golpe.

A velha estava com a cabeça descoberta, como de hábito. Os cabelos claros, grisalhos e escassos, abundantemente oleados, formavam uma pequena trança, presa à nuca por um fragmento de pente. Como era baixa, o golpe atingiu-a nas têmporas. Deu um grito fraco e caiu, tendo tido, no entanto, tempo de levar as mãos à cabeça.”

(DOSTOIEVSKI, F. Crime e Castigo.
São Paulo: Abril, 2010. p.111.)

03) Na passagem “Entretanto, readquiriu-as assim que vibrou o primeiro golpe.”, a palavra as

a) é objeto indireto do verbo readquirir, sendo o resultado da junção do artigo a e da preposição a.

b) diz respeito ao machado, pois sua vibração mostrou as forças necessárias para o assassinato.

c) rege o substantivo golpe, visto que ele exige esforço anterior para se consolidar.

d) substitui o substantivo forças, a fim de evitar a repetição no texto.

e) refere-se às têmporas, pois foi o local atingido pelo golpe.

Gabarito: 1. D; 2. C; 3. D.

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.