Globalização, economia neoliberal e economia solidária

Saiba mais sobre as diferentes perspectivas sobre a globalização e as concepções da economia neoliberal e da economia solidária.

Falar em globalização nos dias atuais parece algo corriqueiro. Mas por trás desta palavra existem diferentes discussões que vão desde uma visão positiva à interpretações que apontem a globalização como uma das principais causadoras dos problemas contemporâneos. Nesta aula veremos as principais questões sobre globalização, economia neoliberal e economia solidária.

Você já parou pra pensar em como é fácil ter acesso nos dias atuais a uma notícia sobre algo que aconteceu do outro lado do mundo em questão de poucos minutos? Ou sobre como comemos, vestimos, ouvimos e consumimos diversos produtos que vêm de outros países, muitas vezes localizados bem longe de onde moramos? Você já notou como, nas últimas décadas, tem sido cada vez mais acessível viajar para outros países e locais do mundo?

ilustração globalização
Imagem 1: Mapa mundi em tons de azul. Sobre o mapa, vários desenhos de pessoas dentro de cícrulos interligados por linhas curvas tracejadas. A imagem epresenta a globalização através das tecnologias, como a internet.

 

Globalização

Quando paramos para refletir sobre perguntas como estas, logo chegamos as questões acerca da globalização. Esse termo é bastante recorrente no dia-a-dia e nas mídias de comunicação. Mas, afinal, você sabe exatamente o que significa globalização?

Talvez a dificuldade de encontrar uma definição exata ao termo deva-se ao fato de a globalização ser considerada um fenômeno que ocorre e interfere em diversos âmbitos, tais como o econômico, o social, o político e o cultural.

No entanto, pode-se considerar que falar sobre a globalização significa falar, também, sobre o capitalismo. Tanto sua organização quanto suas consequências, já que o fenômeno da globalização é diretamente relacionado ao processo de internacionalização do capital.

O início da globalização é vinculado ao início do mercantilismo, quando as chamadas grandes navegações saíram em buscas de terras e riquezas, por volta do século XVI. Neste momento essas expedições estabeleceram relações culturais e comerciais em níveis sem precedentes com o colonialismo. Já nos dias atuais, a Globalização é fortemente associada ao acesso tecnológico – com destaque para a internet -, ao consumo de bens e ao mercado internacional.

O estudo sobre a globalização diz respeito, portanto, ao estudo, em escala global, de questões como relações de poder, organização da produção, apropriação de padrões culturais e ideológicos, dentre outros. Bem como de seus respectivos efeitos em todo o mundo. Importante destacar, no entanto, que este processo ocorre em diferentes níveis nos diferentes locais e, portanto, possui consequências distintas em cada um deles.

As discussões acerca do funcionamento e das possibilidades da globalização são amplas e, muitas vezes, divergentes dentre os estudiosos e teóricos sobre o assunto.

Aldeia global

Por um lado, há quem considere a globalização como um fenômeno natural e benéfico para a humanidade. Uma vez que esse processo representaria o caminho para a transformação do mundo em uma grande e única aldeia global através de um grande mercado global e com o auxílio da tecnologia.

Através do consumo e da tecnologia, portanto, a população teria fácil acesso às diferentes informações e estaria sempre bem informada sobre os acontecimentos mundiais. Além de as viagens, cada vez mais rápidas, darem mais acesso às diferentes localidades. Assim, haveria a homogeneização dos diferentes locais do mundo em direção a uma identidade universal e à cidadania global, sendo a globalização, deste ponto de vista, um processo de aperfeiçoamento do mundo.

Problemas da globalização

Por outro lado, há quem defenda que esta é uma visão um tanto romantizada da globalização. Uma vez que existe uma grande desigualdade social e econômica oriundas deste fenômeno – tanto no âmbito local quanto global.

Neste sentido, para este ponto de vista, é necessário aprofundar em questões como a distribuição de riqueza e de poder nos diversos níveis em que o capitalismo atua. Isso seria importante para que, então, seja revelado seu caráter fortemente ideológico.

Assim, ficariam explícitas a ignorância, a pobreza, o desemprego, as disputas étnicas, a incapacidade de exercer a cidadania, dentre outros aspectos negativos observados em diversos locais do planeta em detrimento do consumismo e da tecnologia proporcionados pela globalização.

Sendo assim, a temática da globalização abre discussões tanto sobre seus problemas, como sobre suas transformações e possibilidades de estabelecer-se um modelo mais humanizado. Ou seja, ao mesmo tempo em que o avanço da tecnologia promove desigualdades e violências, esta poderia favorecer, também, ideais como a igualdade, a liberdade e a fraternidade em âmbito global. Tudo depende, no entanto, dos meios pelos quais são empregados e utilizados os recursos tecnológicos e culturais existentes em prol da humanidade.

A globalização e o neoliberalismo

Pode-se afirmar que, nos dias atuais, a globalização de orientação neoliberal é a que possui maior vigor. O neoliberalismo tem início na década de 1980 durante os governos de Margaret Thatcher na Inglaterra e Ronald Reagan nos Estados Unidos a partir de grandes alterações nos modelos econômicos vigentes nesses países até então.

A partir de ideais como o livre mercado e a livre iniciativa, visavam uma menor intervenção do Estado na economia e a redução dos gastos públicos almejando, principalmente, o consumo e o estabelecimento da riqueza. Para tal, houve a diminuição progressiva da participação do Estado em questões econômicas – rumo ao Estado Mínimo – através da diminuição de investimentos em áreas sociais como educação, saúde, previdência social, habitação, além da flexibilização das leis trabalhistas e privatização de empresas estatais.

Este modelo econômico e político foi levado aos chamados países em desenvolvimento e subdesenvolvidos através do Consenso de Washington em 1989 com o objetivo de conter a dívida externa, a inflação e a estagnação da economia.

Por outro lado, a ação governamental e a autonomia destes países foi comprometida já que o acordo firmado incluía a fiscalização e o direcionamento da aplicação dos recursos por parte dos agentes econômicos e financiadores internacionais tais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

O modelo neoliberal é fortemente criticado pelo fato de colocar a economia à frente das diretrizes e decisões políticas, gerando desigualdades econômicas e sociais em detrimento da primazia das grandes corporações econômicas e dos grandes empresários. Por este motivo, este modelo é, cada vez mais, questionado e contestado bem como novos modelos são propostos.

Economia solidária

A economia solidária é um destes modelos e, partindo da ideia de solidariedade no sistema produtivo, surge no final do século XX como alternativa ao individualismo competitivo suscitado pelo neoliberalismo.

Enquanto alternativa aos problemas do capitalismo, a economia solidária almeja cooperação no lugar da concorrência e solidariedade e autogestão no lugar da lógica do lucro. Isto é, baseia-se na autogestão através de princípios democráticos e igualitários com o objetivo de promover a solidariedade e a justiça para todas as pessoas envolvidas no sistema produtivo, sejam elas produtores, prestadores de serviço ou consumidores, por exemplo.

Enquanto um “novo modelo de sociedade” a economia solidária visa o comércio justo e o consumo consciente para uma vida comunitária sustentável na qual vigore a igualdade, a liberdade e a segurança para todas e todos.

Veja agora a esta videoaula e aprimore seus conhecimentos sobre o tema da globalização:

Questões:

01 – UEPG PR/2019  

A respeito da globalização, assinale o que for correto.

01) O uso do termo globalização ganhou força após a queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria. Porém, existem estudos que afirmam que esse processo teve início a partir das grandes navegações do século XV, ou seja, no momento em que o capitalismo iniciou sua expansão pelo mundo.

02) Uma característica marcante da globalização é o respeito aos valores culturais locais/regionais. Apesar de provocar mudanças estruturais nas práticas econômicas e de propiciar o avanço de tecnologias para todas as partes do mundo, a globalização não impôs um padrão hegemônico de cultura em nível mundial.

04) O aumento da desigualdade social é apontado como um dos efeitos negativos produzidos pela globalização. De acordo com estudiosos do tema, a essência capitalista da globalização propiciou uma maior concentração de renda nas mãos de minorias.

08) Um dos efeitos da globalização foi a formação de blocos econômicos e de acordos regionais que permitem o aumento das trocas comerciais e econômicas entre diferentes países, bem como propiciam a adoção de ações conjunturais em grupos.

16) Avanços científico-tecnológicos e dos sistemas de informação e transportes, ocorridos especialmente no século XX, são fatores fundamentais para explicar a consolidação da globalização no mundo atual.

Gab: 29

02 – Fac. Santo Agostinho BA/2016  

As políticas neoliberais da maioria dos Estados da América Latina, na atualidade, orientam-se pelo chamado “Consenso de Washington” (1989), articulado pelo Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Interamericano de Desenvolvimento e pelo governo dos Estados Unidos da América (EUA).

BRAICK, Patrícia R.; MOTA, Myriam B. História das cavernas ao
terceiro milênio. São Paulo: Moderna, v. 3, 2006.

Uma característica das políticas neoliberais está indicada na alternativa

01) Estímulo à presença do Estado na economia.

02) Economia conduzida pelas leis do mercado.

03) Criação de barreiras ao investimento estrangeiro.

04) Regulamentação rigorosa do mercado de trabalho.

05) Aumento dos subsídios e dos gastos sociais do governo.

Gab: 02

03 – UFMG/2004   

Considerando-se o chamado “Consenso de Washington”, programa proposto na década de 80 do século XX para a recuperação da economia latino-americana, é CORRETO afirmar que ele defende, entre outros pontos, a:

a) regulação do mercado de trabalho como forma de levar as classes trabalhadoras a apoiar uma política de estabilização monetária.

b) adoção do processo de substituição de importações, como estratégia crucial para a entrada de tecnologia de ponta nas indústrias.

c) implementação de indústrias estatais de transformação, necessárias para a efetiva consolidação dos parques industriais da região.

d) redução dos salários dos trabalhadores e dos encargos sociais para garantir o aumento da competitividade econômica no mercado internacional.

Gab: D

04 – ENEM/2009  

A economia solidária foi criada por operários, no início do capitalismo industrial, como resposta à pobreza e ao desemprego que resultavam da utilização das máquinas, no início do século XIX. Com a criação de cooperativas (de produção, de prestação de serviços, de comercialização ou de crédito), os trabalhadores buscavam independência econômica e capacidade de controlar as novas tecnologias, colocando-as a serviço de todos os membros da empresa. Essa ideia persistiu e se espalhou: da reciclagem ao microcrédito, já existem milhares de empreendimentos desse tipo hoje em dia, em várias partes do mundo. Na economia solidária, todos os que trabalham são proprietários da empresa. Trata-se da possibilidade de uma empresa sem divisão entre patrão e empregados, sem busca exclusiva pelo lucro e mais apoiada na qualidade do que na quantidade de trabalho, em convivência com a economia de mercado.

SINGER, Paul. A recente ressurreição da economia solidária no Brasil.
Disponível em: <http://www.cultura.ufpa.br/itcpes/documentos/ecosolv2.pdf>.
Acesso em: 23 mar. 2009. (com adaptações).

A economia solidária, no âmbito da sociedade capitalista, institui complexas relações sociais, demonstrando que

a) a fraternidade entre patrões e empregados, comum no cooperativismo, tem gerado soluções criativas para o desemprego desde o início do capitalismo.

b) a rejeição ao uso de novas tecnologias torna a empresa solidária mais ecologicamente sustentável que os empreendimentos capitalistas tradicionais.

c) a prosperidade do cooperativismo, assim como a da pirataria e das formas de economia informal, resulta dos benefícios do não pagamento de impostos.

d) as contradições inerentes ao sistema podem resultar em formas alternativas de produção.

e) o modelo de cooperativismo dos regimes comunistas e socialistas representa uma alternativa econômica adequada ao capitalismo.

Gab: D

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi escrito por Natália Lima para o Curso Enem Gratuito. Natália é formada em Ciência Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina, e mestre em Sociologia Política pela mesma instituição. Atualmente, trabalha como professora de Sociologia na rede estadual de educação.