O “trabalho” nas teorias de Marx, Weber e Durkheim

Entenda como Marx, Weber e Durkhein estudam o trabalho. Revise Sociologia para arrebentar nas questões de Ciências Humanas do Enem!

Como você já deve saber, as contribuições de Marx, Weber e Durkheim influenciaram profundamente a consolidação do pensamento sociológico na Europa e no mundo. Por isso, muitos os chamam de “três porquinhos da sociologia”. Um tema sobre o qual os três autores escreveram foi o trabalho e as relações que o envolvem.

Embora Durkheim fosse de origem francesa e Marx e Weber de origem alemã, estes três pensadores foram influenciados pela Revolução Industrial e pela Revolução Francesa, marcos de um novo modo de vida no ocidente. Esta influência irá marcar a escolha do trabalho como objeto científico de seus estudos.

Neste post você vai descobrir como Marx, Weber e Durkheim abordaram as questões relativas ao trabalho e qual a importância de suas análises para o mundo do trabalho hoje. Vamos lá?

Durkheim e a divisão social do trabalho

Émile Durkheim, pensador francês, considerado um dos pais da sociologia, concentra sua atenção na divisão social do trabalho – inclusive, ele escreveu um livro com este título. Ao analisar a emergente sociedade moderna, que se desenvolve a partir de movimentos migratórios do campo para cidade e da incorporação desta nova população como mão de obra nas fábricas e indústrias, Durkheim percebe que o trabalho começa a se especializar; ele se dá conta que quanto mais especializado é o trabalho, mais laços de dependência se formam.

Marx, Weber e Durkheim - indústria e a exploração
A indústria e a exploração do/da trabalhador/trabalhadora

Por exemplo: numa fábrica de sapatos, há quem só trate o couro, há quem faça e monte os cadarços, há quem cole as solas dos sapatos, há quem faça a pintura, etc. Assim, quanto mais desenvolvida for a divisão do trabalho, maior será a teia de relações de dependência entre os indivíduos e isso levará, por consequência, a uma maior coesão social.

Para Durkheim, o trabalho é um fato social presente em todos os tipos de sociedade, ou seja, o trabalho é algo que se impõe a nós indivíduos, independente da nossa vontade. A divisão social do trabalho, para este autor, promove a coesão social e, por isso, deve ser preservada.

Marx e a exploração do trabalho

Karl Marx, diferente de Durkheim, percebe a divisão do trabalho como fator de exploração e alienação do trabalhador e da trabalhadora na sociedade capitalista. Este autor vai dizer que quanto mais específico e repetitivo for o ofício de um trabalhador, mais alienado este trabalhador estará da sua atividade e da sua condição como trabalhador, ou seja, mais desconectado ele estará do valor do seu trabalho e menos consciente da exploração que sofre ao vender sua força de trabalho para o patrão. A charge abaixo ajudará você a entender o conceito de alienação:

Marx, Weber e Durkheim - exploração do trabalho e alienação
Charge exploração do trabalho e alienação

Marx, que a vê a sociedade dividida em duas grandes classes – burguesia e proletariado –, toma o trabalho assalariado como base da exploração na sociedade capitalista. Ou seja, o trabalho assalariado torna-se uma atividade central para a perpetuação das relações sociais entre capitalistas e trabalhadores e, por consequência, da exploração e dominação do trabalhador pelo capitalista.

Para entender melhor a teoria de Marx sobre como a divisão do trabalho acaba por gerar a exploração do trabalhador, assista o vídeo a seguir (trecho do filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin):

Max Weber e o trabalho como atividade fundamental

Weber, assim como Marx, via o trabalho de um ponto de vista histórico. Para Weber, cada sociedade se forma e opera a partir de condições históricas específicas e, na sociedade capitalista, o trabalho acabou por se tornar uma atividade fundamental.

Marx, Weber e Durkheim - relação entre lucro e religião
A relação entre lucro e religião na obra de Max Weber. Fonte: https://socializandocmm.wordpress.com/2016/06/21/etica-do-trabalho-etica-protestante-max-weber/

Este autor defende que o desenvolvimento do capitalismo só foi possível por conta do encontro entre a sede de lucro e uma ética religiosa, cujo fundamento é uma vida regrada, de autocontrole, que tem na poupança uma característica central.

Assim se forma o “espírito do capitalismo”, e nele o trabalho árduo e disciplinado aparece como virtude, como caminho para o sucesso profissional e para a salvação espiritual.

Weber nos mostra que a sociedade capitalista se desenvolve a partir de uma lógica racional, na qual a vida material ganha grande importância e a dignidade do homem passa a estar diretamente relacionada ao seu trabalho e à escolha de uma vida próxima s Deus.

Neste post, você aprendeu que Marx, Weber e Durkheim, ao estudar o trabalho, trouxeram importantes contribuições para a sociologia. Para saber mais sobre este tema, assista a esta a vídeo aula:
Exercícios

1- (ENEM-2016)

TEXTO I

Cidadão

Tá vendo aquele edifício, moço?

Ajudei a levantar

Foi um tempo de aflição

Eram quatro condução

Duas pra ir, duas pra voltar

Hoje depois dele pronto

Olho pra cima e fico tonto

Mas me vem um cidadão

E me diz desconfiado

“Tu tá aí admirado

Ou tá querendo roubar?”

Meu domingo tá perdido

Vou pra casa entristecido

Dá vontade de beber

E pra aumentar meu tédio

Eu nem posso olhar pro prédio

Que eu ajudei a fazer.

BARBOSA, L. In: ZÉ RAMALHO. 20 Super Sucessos.

Rio de Janeiro: Sony Music, 1999 (fragmento).

TEXTO II

O mais trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. Esse fato simplesmente subentende que o objeto produzido pelo trabalho, o seu produto, agora se lhe opõe como um ser estranho, como uma força independente do produtor.

MARX, K. Manuscritos econômicos(Primeiro manuscrito).

São Paulo: Boitempo Editorial, 2004 (adaptado).

Com base nos textos, a relação entre trabalho e modo de

produção capitalista é:

a)baseada na desvalorização do trabalho especializado e no aumento da demanda social por novos postos de emprego.

b)fundada no crescimento proporcional entre o número de trabalhadores e o aumento da produção de bens e serviços.

c)estruturada na distribuição equânime de renda e no declínio do capitalismo industrial e tecnocrata.

d)instaurada a partir do fortalecimento da luta de classes e da criação da economia solidária.

e) derivada do aumento da riqueza e da ampliação da exploração do trabalhador.

2- (ENEM-2015) O impulso para o ganho, a perseguição do lucro, do dinheiro, da maior quantidade possível de dinheiro não tem, em si mesma, nada que ver com o capitalismo.
Tal impulso existe e sempre existiu. Pode-se dizer que tem sido comum a toda sorte e condição humanas em todos os tempos e em todos os países, sempre que se tenha apresentada a possibilidade objetiva para tanto. O capitalismo, porém, identifica-se com a busca do lucro, do lucro sempre renovado por meio da empresa permanente, capitalista e racional. Pois assim deve ser: numa ordem completamente capitalista da sociedade, uma empresa individual que não tirasse vantagem das oportunidades de obter lucros estaria condenada à extinção.

WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2001 (adaptado).

O capitalismo moderno, segundo Max Weber, apresenta como característica fundamental a

a)competitividade decorrente da acumulação de capital.

b)implementação da flexibilidade produtiva e comercial.

c)ação calculada e planejada para obter rentabilidade.

d)socialização das condições de produção

e) mercantilização da força de trabalho.

3- (ENEM-2013)

Na produção social que os homens realizam, eles entram em determinadas relações indispensáveis e independentes de sua vontade; tais relações de produção correspondem a um estágio definido de desenvolvimento das suas forças materiais de produção. A totalidade dessas relações constitui a estrutura econômica da sociedade fundamento real, sobre o qual se erguem as superestruturas política e jurídica, e ao qual correspondem determinadas formas de consciência social.
MARX, K. Prefácio à Critica da economia política, In: MARX, K.: ENGELS, F.
Textos 3. São Paulo: Edições Sociais, 1977 (adaptado).

Para o autor, a relação entre economia e política estabelecida no sistema capitalista faz com que

a)o proletariado seja contemplado pelo processo de mais-valia.

b)o trabalho se constitua como o fundamento real da produção material.

c)a consolidação das forças produtivas seja compatível com o progresso humano.

d)a autonomia da sociedade civil seja proporcional ao desenvolvimento econômico.

e) a burguesia revolucione o processo social de formação da consciência de classe.

Gabarito:

1) e; 2) c; 3) b

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Juliana Ben para o Blog do Enem. Juliana é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em Ensino de Sociologia para o Ensino Médio pela mesma universidade. Atua como professora de sociologia no RS e em SC desde 2010. Facebook: https://www.facebook.com/juliana.ben.brizola