História da China: da antiguidade ao século XXI

Entenda como a China tornou-se uma das maiores potências econômicas do mundo no século XXI neste resumo de Geografia para o Enem e vestibulares!

A China representa uma experiente vanguarda ao longo do cenário histórico e econômico mundial. E sua expansão próspera atual respeita e dialoga com seu passado de aprendizados. Seu crescimento acelerado coloca cada vez mais a China em posição de poder. Isso vem atraindo preocupações por parte das potências econômicas mandatárias no cenário global. Conheça a história da China e entenda sua trajetória de crescimento econômico!

O surgimento da civilização chinesa

Uma das mais antigas civilizações, a China tem sua história e cultura construídas e firmadas há milhares de anos. Mais precisamente, segundo estudos recentes, data de 5.800 anos os primeiros sinais de civilização chinesa. Essa descoberta foi possível através de estudos arqueológicos que se iniciaram na China a partir de 1920.

Esses estudos tiveram o intuito de buscar por melhores evidências materiais históricas. Isso porque a maioria das teorias do início da história da China foram baseadas em critérios diferentes na determinação do nascimento da civilização. Assim, foi possível compreender a formação cultural, econômica, ambiental e religiosa dos primeiros povos.

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A conclusão dos pesquisadores em relação a essa formação foi a existência de diversidade. Entretanto, ao mesmo tempo, também havia uma “unicidade na diversidade”. Isso porque a civilização se formou em torno de um núcleo comum cultural. Esse núcleo comum foi apontado tendo como referência as culturas formadas durante as dinastias Xia, Shang e Zhou.

A civilização Xia remonta, aproximadamente, dos anos de 2100 a 1600 a.C., e descende dos povos neolíticos. Já a civilização Shang perdurou de 1600 a 1100 a.C. Por fim, a dinastia Zhou foi de 1100 a 256 a.C.

Esses povos ocupavam essencialmente a região do rio Huang-Ho ou Rio Amarelo. O Rio Amarelo é o segundo maior rio da China, com sua nascente localizada no planalto do Tibete. Foi a partir dele que os povos à época puderam desenvolver suas atividades econômicas, como a agricultura.

Mapa da ChinaMapa de localização do Rio Amarelo na China.

Desenvolvimento econômico da China

A China, assim como outras civilizações milenares, também foi historicamente uma potência econômica. Durante os últimos 2 mil anos, até o século XV, o império chinês foi dominante na conjuntura mundial.

Isso porque ele deteve os maiores valores de renda per capita mundial, além de liderar o desenvolvimento de avanços tecnológicos. Mesmo após o crescimento per capita europeu, a China se manteve à frente com seu produto nacional até o século XIX.

Segundo dados compilados por Paul Bairoch, em 1750 a China apresentava 32,8% da produção manufatureira mundial. Para se ter um comparativo, a Rússia apresentava 5%, a França 4%, o Japão 3,8%, o Reino Unido 1,9% e os EUA (colônia) 0,1%.

Contudo, em 1900, esse quadro se alterou. O declínio da supremacia chinesa também pode ser visto através dos dados. Quanto à manufatura, passou para 6,2% da produção mundial, contra 23,6% dos EUA, 18,5% do Reino Unido, 13,2% da Alemanha, 8,8% da Rússia e 6,8% da França.

Segundo historiadores, várias causas estiveram associadas, como o fim da dinastia Qing (1644 a 1912 d.C.) e a Guerra do Ópio. Outro ponto é que a China não se mostrava mais o mesmo país de antes, que buscava o caminho do desenvolvimento tecnológico e científico.

Ao contrário, tornou-se uma sutil produtora e consumidora. Dessa forma, os reflexos desse momento da história da China foram uma grande instabilidade política e econômica.

República Popular da China

Em 1949, a República Popular da China é fundada, permanecendo até os dias de hoje. A partir do novo regime político com Mao Tsé-Tung, a China priorizou olhar em direção à industrialização. Pensando nisso, em 1953 o primeiro plano quinquenal da história da China foi criado (1953-1957).

O plano quinquenal é um modelo de política de ações e metas que visam o desenvolvimento social e econômico do país a médio prazo. Com o primeiro plano quase finalizado, em 1957 a China já contava com grandes avanços industriais. Suas indústrias foram voltadas a produção de aço, metal, aviões, automóveis além de máquinas de alta precisão.

Durante os anos de 1956 a 1976, os planos subsequentes abarcaram também outras profundas transformações. Podemos citar, segundo estudiosos, a transformação das relações de trabalho e propriedade privada.

No entanto, novos desafios foram colocados à China de 1950 até a morte de Mao Tsé-Tung, em 1976. Vale destacar o isolamento do país com o mundo, como efeito catastrófico da Revolução Cultural. Apenas com o reconhecimento da ONU e o apoio dos Estados Unidos pelo regime político foi possível acessar o mercado internacional e superar o embargo comercial que esteve submetido até 1970

Apoiadores da República Popular da ChinaApoiadores da República Popular da China.

China depois de Mao Tsé-Tung

Mesmo com as tentativas de Mao Tsé-Tung para que o país avançasse, a China apresentava aspectos de grande pobreza. A sua tecnologia e educação não eram passíveis de comparação com os países mais desenvolvidos, por exemplo.

Em busca de uma solução para reverter essa situação, a China se apoiou na ideia das quatro modernizações. Essa ideia era pautada em quatro eixos principais: agricultura, indústria, defesa nacional e ciência e tecnologia.

O projeto da modernização foi idealizado e executado por Deng Xiaoping, sucessor de Mao Tsé-Tung. Sua fórmula fomentou mudanças como no sistema da economia rural, incentivando a produtividade. Também favoreceu a migração da mão de obra rural para os centros urbanos. Além disso, incentivou investimentos estrangeiros no país.

Deng Xiaoping buscou inspiração em modelos econômicos ocidentais. Um exemplo foi a criação das zonas econômicas especiais. Assim, a cidade de Shenzhen foi transformada na reconhecida cidade “Vale do Silício Chinês”.

Portanto, podemos perceber que a abertura da China para o mundo trouxe novas possibilidades para o crescimento chinês. Todavia, tal ambição não esteve dissociada de seus dois principais objetivos do centenário.

Objetivos do Centenário

O Programa “Dois Objetivos do Centenário” foi estabelecido pelo Partido Comunista Chinês a partir da sua posse ao poder em 1949. De forma objetiva, o programa estabelecia metas para serem atingidas a longo prazo.

Essas metas se referem a construção de uma “sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos”. A meta é de que ela seja alcançada até 2021, ano que se completa o centenário do Partido.

Outra meta está relacionada em transformar a China em uma “sociedade socialista harmoniosa”. Tal meta também possui prazo definido, o qual deverá ser cumprido até o ano do centenário da Revolução Popular Socialista, em 2049.

A China do século XXI

Em 2020, a China já pôde comemorar alguns feitos significativos da agenda centenária. Um dos grandes objetivos dentro da primeira meta era a superação da extrema pobreza. Assim, através de vários projetos a longo prazo, a China se dedicou na eliminação da pobreza especialmente a partir de 1990.

A população rural – que ainda vive abaixo da linha da miséria – diminuiu de 770 milhões em 1978 para 16,6 milhões em 2018. Ademais, a incidência da pobreza rural na China caiu de 97,5% para 1,7% em 2020, de acordo com o LE MONDE.

Outro dado importante é o aumento da expectativa de vida chinesa: subiu de 44 anos para 73 anos de 1960 a 2009. Atualmente, a expectativa de vida na China é de 77,3 anos, o que coloca o país acima da média mundial, que está em torno de 72 anos.

Houve também um grande investimento do país em criar novos postos de trabalho. Isso porque a quantidade de força de trabalho inserida no mercado é de mais de 700 milhões de pessoas.

Todas essas investidas propiciaram aos chineses criar um grande mercado consumidor. Para se ter uma ideia, a China representa aproximadamente 30% do consumo global.

O crescimento chinês não parou por aí. A participação do PIB chinês em paridade de poder de compra (PPC) já ultrapassou o estadunidense. Mesmo em meio à crise  sanitária global, o país ultrapassou os Estados Unidos e se consagrou como a maior economia segundo o critério de PIB. O valor alcançado pela China em 2020 foi de US$ 24,7 trilhões, enquanto os Estados Unidos obtiveram US$ 20,8 trilhões.

Videoaula

Para complementar a aula sobre história da China, assista ao vídeo a seguir do Nexo Jornal e, em seguida, responda aos exercícios:

Exercícios sobre a história da China

1- (UFPR 2019)

Com respeito à globalização e a seus impactos sobre o setor industrial, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:

(  ) Os investimentos e inovações no setor de transportes e as políticas de abertura comercial, praticadas dos anos 1990 em diante, impulsionaram processos de realocação das indústrias em escala internacional.

( ) Desde 1978, quando retornou à economia de mercado, a China vem experimentando processos de industrialização, urbanização e de aumento da desigualdade de renda.

(  ) A industrialização chinesa representa um desafio para o Brasil, porque a China está deixando de importar produtos industriais brasileiros e deverá se tornar um competidor internacional na indústria automobilística e em outros setores importantes para o Brasil. |

(  ) Nas últimas décadas, os investimentos industriais atraídos pelo custo da mão de obra na China e na Índia agravaram a pobreza de largas parcelas da população desses países, o que implicou o aumento do número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza em escala mundial.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo:

a) F-V-F-V

b) F-V-V-V

c) V-F-F-V

d) V-F-V-F

e) V-V-V-F

2- (UEM – 2006)

“Em 1976, esgotava-se na China o fôlego da Revolução Cultural, iniciada em 1966. Nesse ano morria Mao Tsé-tung, seu principal idealizador. Em 1978, sob a liderança de Deng Xiaoping, o país começaria a flexibilizar o regime socialista. Buscava-se então uma difícil conciliação entre a abertura econômica em direção à economia de mercado e à preservação do regime político autoritário sob a hegemonia do Partido Comunista Chinês.”

(ARRUDA, J. J. de A. e PILETTI, N. Toda a História. São Paulo: Ática, 2003. p. 465.)

A respeito da História da China, assinale a alternativa correta.

a) Mao Tsé-Tung chegou ao poder por meio da revolução armada de orientação socialista que ficou conhecida como revolução cultural.

b) O denominado Grande Salto para a Frente, realizado pela Revolução Chinesa ocorreu quando Mao-Tsé Tung conduziu a China ao capitalismo.

c) A abertura econômica iniciada a partir de 1978 com Deng Xiaoping promoveu um intenso desenvolvimento da China que a coloca, hoje, entre as maiores economias do planeta.

d) A abertura econômica iniciada por Deng Xiaoping estendeu-se também à política e, hoje, a China vive uma democracia semelhante aos países do Ocidente europeu.

e) Mesmo tendo uma população superior a 1,3 bilhão de habitantes, a China constituiu-se no maior exportador de alimentos do planeta.

3- (UNIFENAS-MG 2020)

O investimento chinês no mundo tem crescido consideravelmente nos últimos anos. Segundo o importante thinktank estadunidense American Enterprise Institute for Public Policy Research, entre 2005 e 2018, a China esteve presente nos cinco continentes e investiu cerca de US$ 1,9 trilhão. Isso equivale, por exemplo, a 13 vezes o valor do Plano Marshall, utilizado pelos Estados Unidos na reconstrução da Europa durante a Guerra Fria. Para crescer ainda mais e ampliar sua influência como um dos principais atores internacionais, o governo chinês, comandado por Xi Jinping, lançou um ambicioso plano de infraestrutura regional e global.(…).

Esta iniciativa foi apresentada primeiramente em 2013. Ela consiste na ideia de uma série de investimentos, sobretudo nas áreas de transporte e infraestrutura. Esses investimentos deverão ser tanto terrestres (Cinturão), conectando a Europa, o Oriente Médio, a Ásia e a África — regiões de extrema importância geopolítica — quanto marítimos (Rota), passando pelo Oceano Pacífico, atravessando o Oceano Índico e alcançando o mar Mediterrâneo. Além disso, a ideia é que o projeto se conecte com as obras chinesas que já estão sendo feitas no continente africano e abra portas a um modelo semelhante em outras regiões. (…).

Disponível em: https://www.politize.com.br. Acesso em 25.jul.2019. Com adaptação.

Qual das alternativas aponta corretamente o plano de investimentos globais chineses relacionado às informações contidas no texto?

a) Shanghai (Xangai) Belt.

b) Manufacturing Belt.

c) Sun Belt de Nanjing (Nanquim).

d) Beltand Road Initiative (Iniciativa do Cinturão e Rota), ou, mais popularmente, a Nova Rota da Seda chinesa.

e) RustBelt de Sinkiang

Gabarito:

  1. E
  2. C
  3. D

Sobre o(a) autor(a):

Este texto foi escrito por Rebeka Lehner para o Curso Enem Gratuito. Rebeka possui graduação em Engenharia de Aquicultura pela Universidade Federal de Santa Catarina, MBA em Gestão Ágil de Projetos (SENAI-SC) e atualmente é estudante de Geografia (bacharelado) na Universidade do Estado de Santa Catarina.

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