Conheça as diferentes espécies de hominídeos e a evolução humana

Conheça as características de hominídeos como o Australopithecus afarensis, o Homo habilis, o Homo erectus e o Homo sapiens, e entenda como ocorreu a evolução humana.

De Lucy à Luzia, o quanto você sabe sobre as outras espécies de hominídeos que vagaram sobre a terra, inclusive na companhia dos sapiens? Nesta aula você vai ver um resumo das principais espécies de hominídeos e como ocorreu a evolução da humanidade.

O surgimento dos seres humanos

O historiador israelense Yuval Noah Harari, autor de best-sellers como “Sapiens” e outros livros, provoca seus leitores com algumas observações incômodas. Entre elas, está a de que por muito tempo nos compreendemos como a única espécie humana que já viveu neste planeta. Tal ideia pode provocar um sentimento de exclusividade, proeminência e até nos fazer esquecer, por algum momento, que também somos animais.

Em uma perspectiva científica, os seres humanos são resultados de mutações genéticas e da seleção natural. Isso significa que não nascemos prontos em um momento específico. Por milhões de anos, nossa espécie foi se modificando de acordo com mutações genéticas e com os desafios que a natureza impunha à nossa sobrevivência.

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Atualmente, novas espécies humanas não têm surgido, pois conseguimos disseminar amplamente nossos genes pelo mundo. Contudo, antes dos sapiens atingirem esta proeza, muitas outras espécies vagavam por aí buscando sobreviver. Eram espécies diferentes, mas que compartilhavam conosco um ascendente em comum.

Crânios de hominídeosPerfis de crânios de diferentes espécies de hominídeos. Fonte: https://bityli.com/srPch

Homo sapiens e outras espécies

É realmente estranho pensar que em algum momento dividimos o mundo com outras espécies que possuíam muitas semelhanças conosco, não? Isso acontece porque os últimos indivíduos do gênero Homo desapareceram da Terra há aproximadamente de 10 mil anos. Entretanto, é importante ressaltar essa noção para que abandonemos a ideia de uma evolução linear.

Até hoje conhecemos muito pouco sobre esses outros indivíduos. Dependemos de vestígios arqueológicos, investigações genéticas e estudos antropológicos para produzir conhecimento sobre eles. Contudo, novas descobertas vêm sendo feitas com o passar dos anos, inclusive de novas espécies que ainda não haviam sido catalogadas. Aqui comentaremos brevemente sobre algumas das mais conhecidas espécies de hominídeos.

Australopithecus afarensis

A palavra “Australopithecus” significa “macaco do sul” (austral = sul; pithecus = macaco). Esta espécie ficou muito conhecida com a descoberta de Lucy, um fóssil de 3,2 milhões de anos. Ele foi encontrado pelos cientistas estadunidenses Donald Johanson e Tom Gray em uma escavação na Etiópia em 1974. Contudo, é importante perceber que os australopitecos não pertencem ao gênero Homo. Eles fazem parte de um gênero anterior que deu origem ao nosso.

Neste vídeo, o Walter Neves explica um pouco mais sobre o Australopithecus afarensis Ele é um dos mais reconhecidos paleoantropólogos brasileiros da atualidade. Neves ficou muito conhecido pela sua pesquisa com o fóssil da Luzia, o esqueleto mais antigo das Américas.

Homo habilis

O Homo habilis recebe esse nome pelo fato de já produzir ferramentas com pedras. Sua origem está localizada entre o sul e leste da África, e ocorreu entre 1,9 e 1,6 milhões de anos atrás. Outro destaque que esta espécie merece é pela grande proximidade que possui conosco em relação aos hominídeos anteriores.

Homo erectus

Este hominídeo foi o primeiro a migrar da África para a Ásia e para a Europa. Seu fenótipo se aproxima ainda mais dos nossos. Além disso, ele produzia ferramentas e possuía uma postura mais ereta, mais adaptado ao bipedismo. Sua origem remonta há 1,8 milhões de anos e acredita-se que tenha existido por quase 1,5 milhão de anos, sendo a espécie mais duradoura até então.

Homo neanderthalensis

Esta espécie teve sua origem fora da África, na Eurásia, há cerca de 400 mil anos. Seu nome advém do fato dos seus fósseis terem sidos descobertos no Vale do Neander, na atual Alemanha. O Homo neanderthalensis possuía um cérebro maior que o nosso, produzia armas, manipulava fogo, era mais robusta, cuidava de seus semelhantes e realizava rituais funerários.

Ao que tudo indica, ainda viviam como caçadores-coletores. As razões do seu desaparecimento não são conclusivas e ainda são debatidas entre pesquisadores.

Homo sapiens

O “homem que sabe” surgiu por volta de 170 mil anos atrás na África. Nesse mesmo período, outras espécies do gênero Homo ainda habitavam o planeta, inclusive os neandertais, com quem podem ter gerado descendentes, segundo estudos genéticos.

Os sapiens se distinguem  no seu fenótipo e no seu esqueleto em relação aos outros hominídeos. Todavia, sua principal distinção foi em relação à sua linguagem e organização entre seus semelhantes. Isso possibilitou que dominassem outras espécies, desenvolvessem a agropecuária e se multiplicassem como nenhum outro hominídeo conseguiu antes.

Mapa da migração dos hominídeosMapa-múndi apresentando a origem de diversos hominídeos e suas rotas de migração. Fonte: HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2019, p. 18.

A sedentarização dos seres humanos

Acredita-se que a principal causa da dispersão dos hominídeos pelo mundo foi a vida nômade que levavam. Era necessário mudar de local para encontrar novos animais para caçar e frutos e sementes para coletar. As mudanças climáticas e outras ameaças também poderiam ser razões para deslocamentos. Assim, as condições naturais impostas pelo meio decidiam quais características sobreviviam nos indivíduos, produzindo diferentes espécies.

Devido à sua alta capacidade de comunicação e organização, os Homo sapiens foram sobrevivendo por milhares de anos. Nesse caminho, nossa espécie começou, aos poucos, a cultivar plantas comestíveis, como trigo, batata, milho e arroz. Esta prática passou a obrigar a nossa espécie a permanecer em um mesmo espaço por mais tempo e foi a principal causa da nossa sedentarização.

Ao se aproximarem de alguns outros animais que não ameaçavam tanto sua integridade, nossos ancestrais também perceberam que em vez de caçá-los poderiam multiplicá-los. Assim ocorreu o início da dominação dos outros animais, o que chamamos hoje de pecuária. É neste momento, no período neolítico, que começam a surgir as bases para os seres humanos se multiplicarem amplamente pelo mundo e fundarem o que ficaram conhecidas como as primeiras civilizações.

Em seguida, aprenda um pouco mais sobre as diferenças dos hominídeos com este vídeo do Nerdologia, apresentado pelo Átila Iamarino:

Exercícios

1- (UDESC SC)

Em 1972, a equipe do arqueólogo Richard Leakey encontrou, nas imediações do Lago Turkana, o crânio e os ossos de um Homo rudolfensis de 1,9 milhões de anos. Esta espécie teria coabitado o território africano ao mesmo tempo em que três outras; o Homo habilis, o Homo erectus e o Paranthropus boisei. Em 1974, pesquisadores descobriram, na Etiópia, um fóssil de 3,2 milhões de anos, ao qual apelidaram de Lucy. Em 2017, foram publicadas pesquisas a respeito de fósseis de Homo sapiens encontrados no Marrocos, os quais contariam com cerca de 300 mil anos.

Disponível em www.bbc.com, acessado em 15 de março de 2018.

Estas descobertas foram essenciais para o desenvolvimento de pesquisas, a respeito da evolução de espécies, pois elas poderiam ser referentes aos antepassados diretos da espécie humana. A este respeito, é correto afirmar:

a) A descoberta de 2017 refuta a teoria de que a origem da vida humana seria na África, deslocando-a para a península arábica.

b) Os seres humanos que habitam a África, a América e a Europa não fazem parte da mesma espécie.

c) É consensual, para a comunidade científica, a afirmação de que a espécie humana é originária do Continente Africano.

d) Não existem consensos a respeito de qual continente teria se originado a espécie humana.

e) O Homo sapiens é, evidentemente, anterior ao Homo rudolfensis.

2- (UECE)

Analise as seguintes afirmações a respeito do homem de Neandertal — Homo sapiens neanderthalensis.

I. Representa uma forma humana que viveu há aproximadamente 100.000 anos e foi extinta há cerca de 35.000 anos.

II. Pertencia ao maior grupo de antropoides que, apesar de terem cérebros menos volumosos, eram caçadores e coletores.

III. Utilizava o fogo, construía cabanas e utensílios de pedra, e sabia fazer roupas a partir das peles de animais mortos.

IV. Pertencia à mesma espécie do homem de Cro- Magnon, e enquadrava-se perfeitamente na forma hominídea.

É correto o que se afirma apenas em

a) I, II e IV.

b) II, III e IV.

c) III e IV.

d) I e III.

3- (UFSM RS)

“Esses nossos parentes antigos, durante boa parte do tempo, viveram da caça e da coleta, antes de começar a semear o chão e cultivar a terra. Nas caminhadas que fizeram atrás dos rebanhos, ao longo das estações do ano, cobriam planícies, cruzadas montanhas e rios. E, certamente, em momentos diferentes, levas inteiras avançaram territórios cada vez mais distantes, o que fez com que, ao longo do tempo, cobrissem enormes distâncias no espaço”.

(Revista Scientific American Brasil – ano 6, nº75 – Agosto de 2008, p.6.)

Hoje sabemos que, __________________________, o mais antigo fóssil de ancestral humano até hoje encontrado (7 milhões de anos), ao __________________________ (cerca de 200.000 anos), o processo de hominização (o conjunto de transformações desde o mais antigo ancestral bípede até a conformação do ser humano moderno) acorreu fundamentalmente no território da ______________________________________.

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.

a) do Homem de Pequim – Homo erectus – Àsia

b) de Lucy – Homo habilis – Austrália

c) do Homem do milênio – Homo ergaster – Europa

d) de toumai – Homo sapiens – Àfrica

e) do Menin de Altamira – Homem de Neandertal – Eurásia

Gabarito:

  1. C
  2. D
  3. D

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

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