Imperialismo na China: características principais do domínio

Antes mesmo do século XIX a China já era alvo de grandes colonizadores da época. O imperialismo na China foi marcado por batalhas e revoltas contra o domínio Japonês e inglês.

O contexto do imperialismo na china acontece na segunda-fase da revolução industrial, onde a aceleração da produção significava maiores buscas por matérias primas e mercados consumidores.

Em resumo, a partir da segunda metade do século XIX, os continentes africano e asiático tornaram-se alvo da ocupação europeia. O Japão, desde meados daquele século, foi obrigado pelos Estados Unidos a abrir seus portos para a entrada de produtos ocidentais.

Após isso, os japoneses da Era Meiji, centralizaram seu governo e buscaram ampliar seu poder tentando firmar-se como Império do Oriente. A China, por sua vez, encontrava-se no meio desta disputa de interesses imperiais.

Como foi o imperialismo no mundo?

O colonizador, político e magnata britânico, Cecil Rodhes (1853-1902), certa vez fez a seguinte afirmação: “O mundo está quase todo parcelado, e o que dele resta está sendo dividido, conquistado, colonizado. Eu anexaria os planetas, se pudesse; penso sempre nisso. Entristece-me vê-los tão claramente, e ao mesmo tempo tão distantes”.

O sentimento expressado por Rodhes, enquanto um membro da elite colonial britânica, sintetiza o espírito imperialista das potências europeias do século XIX. A terra, os territórios, os recursos, as riquezas estão esperando serem explorados pelos ricos industriais europeus.

Charge: A partilha da China pelas potências europeias e pelo Japão.

Charge intitulada “O bolo dos reis e dos imperadores”, representando a partilha da China pelas potências europeias e pelo Japão. Imagem disponível em < https://bityli.com/Z6jxu>, acessada em 18 de Junho de 2020.

Na imagem estão caricaturados os principais líderes dessas nações (Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e Japão) dividindo, com facas na mão, um grande pão ou bolo onde está escrito China. Ao fundo, uma caricatura do imperador Chinês ergue as mãos em protesto.

A história da China antes do imperialismo

A China é milenar e remonta a quase 3 mil anos antes de Cristo. As bases de sua sociedade foram assentadas ao redor dos rios, assim como as grandes civilizações da crescente fértil: Mesopotâmia, Egito e Hebreus. Antes da era do imperialismo ela era uma sociedade hídrica cuja cultura predominante foi do arroz. Os principais rios da China eram o rio Amarelo (Huang He) e o rio Azul (Yangtzé).

Ao pensar nos primórdios da China é comum imaginar um grande império, com grandes exércitos e um poder a perder de vista. Porém, boa parte da história ocorrida naquela região do mundo diz respeito a diversas sociedades. Apenas em 221 a.C. a China foi unificada sob a dinastia Qin.

De lá para cá, diversas outras dinastias governaram os vastos territórios asiáticos, sendo as principais Han, Tang, Song, Yuan, Ming e Qing. Esta última encontrou seu fim em 1912, quando foi instituída a república como forma de governo na China.

A presença imperialista no território chinês

Desde muito tempo a China viu a presença estrangeira em suas terras, mas no século XIX o cenário seria diferente. A Europa anunciava uma corrida entre nações pelo poder de ditar as regras sobre os outros países. Estes concorrentes viam no gigante asiático oportunidades de aumentar suas riquezas e poderio, buscando matéria-prima barata e vendendo seus produtos industrializados.

A princípio, a postura chinesa foi de reclusão e impedimento da entrada dos produtos industrializados em seus portos. Porém, posteriormente com o uso da força, nações como Inglaterra, França, Alemanha, Japão e Estados Unidos conseguiram acessar o grande mercado chinês. Era o imperialismo no sentido mais representativo do termo.

Pintura representando um bombardeio britânico aos domínios chineses durante a Guerra do Ópio.

Pintura representando um bombardeio britânico aos domínios chineses durante a Guerra do Ópio. Disponível em < https://bityli.com/MRDy4>, acessado em 18 de Junho de 2020.

Na imagem acima é representada a explosão de uma embarcação por bombardeio no meio da pintura, além de vários navios e outras embarcações em conflito. Quadro de Edward Duncan.

Diplomacia feita com muita pólvora

No século XIX uma das drogas mais conhecidas talvez fosse o ópio. Utilizada por pessoas de diversas nações acabou virando produto de exportação. O Reino Unido obteve muito dinheiro com o ópio, que era obtido em suas colônias na Índia. Um grande consumidor do ópio vendido pelos britânicos era a China, mesmo o produto sendo proibido naquele império.

O aumento do consumo de ópio pelos chineses provocou diversos problemas sociais relacionados a dependência química que causava. Como reação, o governo chinês endureceu o combate à comercialização e consumo de ópio. Após tomar posse dos estoques de ópio dos britânicos o governo destruiu os produtos. A reação dos ingleses veio com navios de guerra em 1839 e culminou com a rendição da China em 1842. Esta foi a primeira Guerra do Ópio.

O tratado de Nanquim

O Tratado de Nanquim pôs fim ao conflito. Em seus termos, trazia como consequência para a China a abertura de cinco portos, pagamento de indenização aos comerciantes britânicos e a entrega da ilha de Hong Kong por um século para os britânicos. Este último ponto marca a origem dos conflitos entre China e Hong Kong pelo controle daquela região até os dias de hoje.

Outras nações que fizeram parte da guerra imperialista

Entre 1856 e 1860 ocorreu a Segunda Guerra do Ópio. A origem do conflito remonta a tentativa dos chineses de impedir os britânicos de revisarem o Tratado de Nanquim. Querendo ampliar ainda mais seu controle sobre o mercado chinês, os ingleses buscavam maior liberdade para seus comerciantes e a legalização do ópio no país.

A França aproveitou o conflito para conseguir ampliar sua influência na economia da China. O fim da guerra ocorreu quando tropas inglesas e francesas invadiram Benjing (pequim). O palácio de verão do imperador chegou a ser saqueado e destruído pelos invasores.

Um agravante dessa situação aconteceu entre 1894 e 1895, quando a China entra em confronto com o Japão pelo controle da Coréia e acaba perdendo para a pequena nação expansionista. Como consequência o país asiático perde para os japoneses o controle da ilha de Taiwan, a abertura de mais portos, pagamento de indenizações e permitiu a instalação de fábricas japonesas em seu território.

A Ampliação do imperialismo na China

Diante da ampliação do domínio estrangeiro no país, chineses insatisfeitos, iniciaram uma rebelião em 1900 que ficou conhecida como a Revolta dos Boxers. As representações estrangeiras em Pequim foram cercadas pelos revoltosos chineses, que ganharam apoio do governo.

Contudo, uma invasão com soldados britânicos, japoneses, russos, franceses, alemães, italianos, estadunidenses e austro-húngaros pôs fim ao conflito. Milhares de chineses foram mortos. Depois da batalha o país teve de pagar indenizações aos outros países, sofreu sanções econômicas e teve de tolerar a presença de tropas estrangeiras em seu território.

A soberania chinesa só seria significativamente recuperada após a Revolução Chinesa, na década de 1950.

Video-aula

Conheça um pouco mais sobre o conflito entre China e Hong Kong que tem suas origens lá na Guerra do Ópio com este vídeo do Nerdologia:

Exercício

1 – (Fac. Santo Agostinho BA/2020)

Observe a imagem.

Exercício Imperialismo na China

As Guerras do Ópio foram conflitos armados ocorridos entre o Reino Unido e o Império Qing (atual China) que duraram dois anos (1840-1842) e que terminaram com a derrota chinesa. Assim a China foi obrigada a assinar o Tratado de Nanquim, que, entre outras medidas, estabelecia o(a)

a) indivisibilidade da China continental.
b) manutenção da soberania chinesa em seu território.
c) possessão da ilha de Hong Kong aos ingleses.
d) exclusividade do comércio do ópio aos países Imperialistas.
e) fechamento dos portos chineses ao comércio internacional.

2 – (UniRV GO/2019)

A política de expansão e o domínio territorial, cultural ou econômico de uma nação sobre as outras é denominado Imperialismo, que quando contemporâneo pode ser chamado também de neocolonialismo, já que apresenta muitas semelhanças com o regime do colonialismo, em vigor entre os séculos XV e XIX. Muitos povos de muitas regiões do mundo foram dominados pelos países imperialistas, mas os mais significativos foram os continentes asiático e africano. O etnocentrismo baseava-se na ideia de que alguns povos eram superiores, como os europeus superiores aos asiáticos, africanos e indígenas, por exemplo, e o racismo e o darwinismo que viam a teoria da evolução como algo questionável e discutível, considerando a seleção natural relacionada à ideia de dominação.

O texto acima escreve sobre o Imperialismo no século XIX. Sobre o Imperialismo no século XIX, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as alternativas.

a) Na primeira metade do século XIX, a Ásia Oriental era um importante mercado consumidor de produtos europeus e fonte de fornecimento de matérias-primas. Tal expansão imperialista foi concretizada mediante o estabelecimento de tratados comerciais, pressão política e expedições armadas.
b) Na China, a destruição de um carregamento inglês de ópio em 1840 foi seguida de uma expedição naval que, após bombardear Nanquim, impôs um tratado pelo qual a Inglaterra obteve, entre outras vantagens, o controle de Hong Kong e a abertura de vários portos ao comércio.
c) A ocupação europeia beneficiou o continente africano, pois possibilitou a inserção da África na economia capitalista mundial. Antes da colonização europeia, a economia africana restringia-se a suprir as necessidades básicas de sua população; assim, os africanos viviam sob condições de vida bastante atrasadas.
d) A Primeira Guerra Mundial teve entre suas principais causas as disputas imperialistas entre as grandes nações europeias, principalmente pelo controle de territórios na Ásia e na África. Um exemplo dessas tensões foi a famosa Questão Marroquina, que acirrou as rivalidades entre França e Alemanha.

3 – (UNIT AL/2019)

Charge guerra do opio

Charge da guerra do ópio - imperialismo na china

A charge caracteriza um tipo de política externa desenvolvida pelos países capitalistas do século XIX, que pode ser identificada

a) na Doutrina Monroe, formulada pelos Estados Unidos para impedir a ação do imperialismo britânico sobre as áreas de influência estadunidense na Ásia e América.
b) no combate ao narcotráfico na América Latina, como justificativa para a intervenção dos Estados Unidos na Bolívia e o controle estadunidense sobre o canal do Panamá.
c) no estabelecimento da Lei Seca, nos Estados Unidos, que contribuiu para o surgimento de grupos mafiosos que dominavam o tráfico de drogas, cujos lucros financiavam movimentos armados marxistas.
d) no processo de dominação inglesa sobre a Índia, baseado na imposição de costumes ocidentais, como o uso de opiáceos, e na aliança com a minoria muçulmana contra os hindus liderados por Mahatma Gandhi.
e) na política britânica na Ásia, que provocou a partilha da China entre as nações imperialistas ocidentais e a abertura ao capital estrangeiro, através da Guerra do Ópio.

GABARITO

1- C – Resolução: O conflito terminou em 1842 com a assinatura do Tratado de Nanquim, o primeiro dos chamados “Tratados Desiguais”, pelo qual a China aceitou suprir tudo que a Inglaterra queria, abrindo cinco portos ao comércio britânico, pagar uma grande indenização de guerra e entregar a ilha de Hong Kong, que ficaria sob domínio Inglês por 100 anos, sendo devolvida no ano de 1997 à China.
2 – VVFV
3 – E

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

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