Migrações

Estude os fluxos migratórios e como este tema tão atual pode cair no Enem!

Quem nunca teve vontade de conhecer ou morar em outros lugares do mundo? Essa vontade é cada vez maior e mais possível nos dias de hoje, mas os processos migratórios sempre ocorreram durante a história da humanidade. Os conceitos de migração, imigração e emigração são comumente confundidos. Então, para falar sobre migrações é preciso que você os domine.

Migração, imigração e emigração: qual a diferença?

  • Migração é o movimento de entrada ou saída de indivíduos em países diferentes ou dentro de um mesmo país (de um estado para o outro, de uma cidade para a outra etc).
  • Imigração é a entrada de estrangeiros em um país; estabelecimento de indivíduos em cidade, estado ou região do seu próprio país, que não é de sua origem ou país que também não é de sua origem.
  • Emigração é a saída espontânea de um país; movimentação de uma para outra região dentro de um mesmo país; sair de um país ou lugar onde se vive para viver em outro, provisória ou definitivamente.

Fluxos migratórios mundiais

Com frequência, a imprensa noticia a entrada ilegal de pessoas em países ricos, bem como a reação dos governos desses países no sentido de conter a imigração.

No mapa da figura a seguir é possível observar os principais fluxos migratórios mundiais ocorridos no século XXI.

migrações
Fonte: http://cartotheque.sciences-po.fr/media/Migrations_2013/238/

Segundo relatório das migrações do mundo, realizado em 2011, os meios de comunicação noticiaram com frequência o aumento da entrada ilegal de africanos na Europa, em decorrência da crise que abalou a África setentrional.

No entanto, apenas uma pequena parte dos deslocados buscou refúgio na Europa; a maior parte deles migrou para países vizinhos, reforçando, assim, os fluxos intrarregionais.

Esses dados constam que a migração dentro de uma mesma região é maior do que a migração entre regiões menos desenvolvidas para outras mais desenvolvidas. Mesmo assim, os conflitos mais intensos ocorrem quando migrantes de países pobres tentam cruzar as fronteiras de países ricos.

O fluxo anual de migrantes no mundo ganhou força a partir dos anos 1980. As catástrofes naturais, a busca de oportunidade de emprego, as perseguições por motivos etnorreligiosos ou as guerras motivaram a emigração (saída) de um grande número de pessoas de diversos países.

Entre 1950 e 1970, esses fluxos migratórios eram bem-vindos, principalmente na Europa, em virtude dos esforços necessários para a reconstrução do continente após a Segunda Guerra Mundial. Os europeus necessitavam de mão de obra menos qualificada para atividades como a construção civil.

De acordo com relatório da ONU, apesar das persistências dos efeitos da crise econômica mundial que se instalou a partir de 2008, houve apenas uma ligeira retração no número de migrações para as regiões mais ricas do planeta. Os Estados Unidos, por exemplo, receberam certa de 1.150 mil imigrantes (em 2009) e esse número recuou somente para 1.142 mil (em 2010).

fluxos migratórios

Na análise dos dados dos últimos cinco anos, as migrações ainda ocorrem de forma significativa no mundo. Em 2005, o total de imigrantes no mundo foi de 191 milhões, e em 2010, esse número saltou para 240 milhões. Porém, o número de migrantes internos foi muito mais acentuado, chegando a 740 milhões em 2010. Essa situação demonstra que 1 em cada 7 habitantes da população mundial é emigrante.

Migrações, globalização e xenofobia

A imigração é responsável por um grande fluxo de recursos financeiros de países ricos para países pobres. As remessas de dinheiro de trabalhadores imigrantes para suas famílias, que continuam residindo em seus países de origem, são muito relevantes para as economias de países menos desenvolvidos. Só em 2010, as remessas enviadas para os países da América Latina foram de mais de 58 milhões de dólares.

O fato é que a questão do livre trânsito de pessoas sempre foi um aspecto frágil da globalização. O desenvolvimento tecnológico dos últimos anos proporcionou enormes avanços nos meios de transporte, o que ajudou a intensificar os movimentos migratórios em diversas partes do mundo. O desenvolvimento das telecomunicações, por sua vez, facilitou as transferências bancárias, permitindo a um imigrante africano que mora na Europa enviar parte de seu salário mensalmente para ajudar os familiares que vivem em sua terra natal.

Mas, enquanto o fluxo de capitais e mercadorias sempre foi estimulado pelos defensores do mundo globalizado a imigração foi e continua sendo um tema polêmico, principalmente nos países economicamente desenvolvidos. No pós-guerra, quando havia necessidade de mão de obra nos principais países europeus, como Reino Unido, Alemanha e França, a entrada de imigrantes de países pobres até era facilitada, e eles chegaram em peso ao continente.

Contudo, a integração desse contingente à nova situação nem sempre foi tranquila. Muito argelinos que vivem na França, turcos moradores da Alemanha ou jamaicanos residentes da Inglaterra sentem-se marginalizados, vivendo nas periferias das grandes cidades e com acesso restrito ao mercado de trabalho. Esse é um dos fatores que explicam as revoltas de adolescentes em subúrbios franceses, frequentes nos últimos anos.

Em uma situação de crise, os anônimos nacionalistas tendem a se aflorar. Muitos britânicos, por exemplo, não aceitam que uma pessoa que veio de outro país possa compartilhar os mesmos direitos de quem nasceu ali. E esse nacionalismo pode desencadear a xenofobia.

O termo, derivado do grego, significa literalmente “medo do estrangeiro” e é usado para definir o receito e a hostilidade que muitas pessoas sentem em relação a cidadãos de outras nacionalidades que vivem em uma mesma cidade ou país. Além da questão econômica, principalmente relacionada ao mercado de trabalho, o estranhamento em relação a hábitos culturais ou costumes religiosos diferentes pode acirrar esses sentimentos xenófobos. Muitas vezes terminando em ódio e violência.

No entanto, a imigração e a exposição a diferentes hábitos e culturas fazem parte da história da humanidade. Muitas nações construíram suas identidades a partir do contato com outras culturas e cresceram economicamente com o esforço do trabalhador imigrante. Mesmo na Europa atual, com as taxas de natalidade em declínio, projeções apontam que faltará mão de obra no futuro para sustentar o crescimento econômico

Conseguiu compreender um pouco melhor sobre o processo de migrações? Para terminar, assista à revisão em vídeo no nosso canal, gravada pelo prof. Carrieri:

Uma dica de filme sobre migrações: Dheepan (2015)

Vencedor da Palma de Ouro em 2015, “Dheepan” é um longa francês protagonizado por um guerrilheiro do Sri Lanka (mesmo país de origem dos atores). Ao final da Guerra Civil no seu país, ele decide fugir ao lado de uma mulher e uma criança desconhecidas (na esperança de que isso facilite sua imigração) e se refugia em Paris. Lá, ele luta para encontrar trabalho e proteger sua nova “família”.

Exercícios sobre migrações

1- (Enem 2011) As migrações transnacionais, intensificadas e generalizadas nas últimas décadas do século XX, expressam aspectos particularmente importantes da problemática racial, visto como dilema também mundial. Deslocam-se indivíduos, famílias e coletividades para lugares próximos e distantes, envolvendo mudanças mais ou menos drásticas nas condições de vida e trabalho, em padrões e valores socioculturais. Deslocam-se para sociedades semelhantes ou radicalmente distintas, algumas vezes compreendendo culturas ou mesmo civilizações totalmente diversas.

IANNI, O. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

A mobilidade populacional da segunda metade do século XX teve um papel importante na formação social e econômica de diversos estados nacionais. Uma razão para os movimentos migratórios nas últimas décadas e uma política migratória atual dos países desenvolvidos são

a) a busca de oportunidades de trabalho e o aumento de barreiras contra a imigração.

b) a necessidade de qualificação profissional e a abertura das fronteiras para os imigrantes.

c) o desenvolvimento de projetos de pesquisa e o acautelamento dos bens dos imigrantes.

d) a expansão da fronteira agrícola e a expulsão dos imigrantes qualificados.

e) a fuga decorrente de conflitos políticos e o fortalecimento de políticas sociais.

2- (ENEM 2006)

Tendências nas migrações internacionais

O relatório anual (2002) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela transformações na origem dos fluxos migratórios. Observa-se aumento das migrações de chineses, filipinos, russos e ucranianos com destino aos países-membros da OCDE. Também foi registrado aumento de fluxos migratórios provenientes da América latina.

Trends in International migration – 2002. Internet: www.ocde.org (com adaptações).

No mapa seguinte, estão destacados, com a cor preta, os países que mais receberam esses fluxos migratórios em 2002.

As migrações citadas estão relacionadas, principalmente, à

a) ameaça de terrorismo em países pertencentes à OCDE.

b) política dos países mais ricos de incentivo à migração.

c) perseguição religiosa em países muçulmanos.

d) repressão política em países do Leste Europeu.

e) busca de oportunidades de emprego.

Gabarito

1- A

Resolução: A questão nos pede uma razão de migração, então a primeira parte de todas as alternativas estão corretas. Mas ela também pede uma política migratória dos países desenvolvidos. A abertura de fronteiras não é uma política observável hoje em dia, nesses países desenvolvidos, nem as políticas sociais para com eles. Contudo, embora em geral os imigrantes sejam indesejados, imigrantes altamente qualificados não o são (basta lembrar da intensa imigração de PHD’s para os Estados Unidos, por exemplo). Assim sendo, somente a alternativa “a” nos contempla com o que foi pedido na questão.

2- E

Resolução: A questão nos coloca um mapa, que evidencia os países que mais receberam migrantes em 2002. Ao interpretarmos o mapa, vemos que são países com grande desenvolvimento econômico. A questão nos pede uma razão para migração, mas relacionadas a atração não a expulsão. Isso nos leva a letra “e”.

Sobre o(a) autor(a):

Priscila é formada em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina.