Movimentos sociais do século XX

Os movimentos sociais influenciaram não somente as relações sociais, mas também as artes. Os quadrinhos, em especial, refletiram a efervescência dos movimentos sociais do século XX. Veja como os quadrinhos podem te ajudar a revisar História para o Enem!

O século XX foi certamente o mais agitado da história da humanidade. Tivemos duas grandes guerras mundiais, um período tenso de Guerra Fria e o medo de um apocalipse nuclear. Somado a isso, os movimentos sociais efervesceram pelo mundo todo.

Surgiram conflitos internacionais no oriente médio, nasceram diferentes movimentos artísticos, tivemos um grande o salto tecnológico, consolidamos os direitos naturais e do ser humano entre diversas outras coisas. Sendo assim, o século XX desperta a atenção de diversos estudiosos, e com razão.

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O espetacular homem aranha número 69, publicada em janeiro de 1969. A capa mostra diversas pessoas com cartazes de protesto. Retirado de: https://goo.gl/nSnzGD

Os conflitos sociais e políticos do período acabam sendo refletidos nas expressões artísticas, como os quadrinhos. Embora estudiosos tracem históricos do surgimento das histórias em quadrinhos para antes de 1900, o século XX mostrou ao mundo o potencial desta mídia. Mas o que movimentos sociais e as HQs têm a ver?

Super-heróis e movimentos sociais

Primeiro, vamos ao epicentro da história. Nos Estados Unidos, durante as décadas de 60 e 70, os conflitos sociais tomaram grandes proporções. Movimentos como o feminista, o negro e de contracultura hippie se manifestaram tão intensamente que ganharam destaque internacional.

Muitos jovens se uniam a estes ideais revolucionários na intenção de contradizer a geração de seus pais e mudar sua sociedade.

Estas manifestações eram representadas nas HQs por meio de personagens que incorporavam alguma dessas ideias, como o personagem Luke Cage, Pantera Negra, Falcão, no que se refere ao movimento negro, Miss Marvel e Mulher Hulk, na questão da representatividade feminina e, por fim, o grupo de heróis X-Men que aglutinava toda a questão da luta das minorias.

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Luke Cage: o herói de aluguel número 1, publicada em junho de 1972. O icônico herói negro fruto de um experimento científico do período em que foi preso injustamente. Retirado de: https://goo.gl/fDcrZY

O Movimento Negro

A discriminação com base étnico-racial nos EUA tem uma base sólida construída através de vários séculos de dominação. A partir do século XX os movimentos sociais que combatiam isto passaram a crescer e se acentuaram na década de 1950. Surgiu então o Movimento pelos Direitos Civis, em paralelo aos movimentos de emancipação na África e Ásia que lutavam pela descolonização europeia.

O personagem Luke Cage é um grande ícone desta geração de mobilização social. Um personagem negro, preso injustamente e a prova de balas. Grandes representações significativas, já que o povo negro sofria no contexto estadunidense com a perda de direitos civis básicos, marginalização dos guetos e violência policial.

As lideranças religiosas tiveram grande importância neste processo. O pastor batista Martin Luther King tornou-se um grande ícone pacifista do período, organizou diversas manifestações, marchas e protestos, articulando as lutas sociais para além dos tribunais.

Em paralelo aos movimentos pacifistas do período, o movimento “Black Power” ou, traduzindo literalmente, Poder Negro, apresentava outra abordagem. Esta vertente pregava um combate mais violento ao racismo institucionalizado nos EUA.

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Luke Cage “Power Man” número 17, publicada em 1972. Tradução livre: [Balão canto esquerdo superior] O primeiro e o melhor super-herói negro de todos! [Balão canto esquerdo inferior] Cuidado! Aí vem ele e balas não vão impedi-lo! Retirado de: https://goo.gl/jQG5mi
Os Panteras Negras, por exemplo, faziam vigílias em bairros negros ostentando armamento pesado no intuito de proteger estas regiões marginalizadas. Esta abordagem teve o muçulmano Malcolm X como grande ícone de liderança. Mesmo com abordagens diferentes, os dois líderes acabaram sendo assassinatos. Nos quadrinhos, suas ideias são transpostas nas figuras de Magneto e Professor Charles Xavier, do grupo de heróis X-Men.

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Professor X, líder dos X-Men e Martin Luther King. Retirado de: https://goo.gl/e8XTRB
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Malcolm X e Magneto. Retirado de: https://goo.gl/ot4Gmh
Assista essa live do canal MundoEdu para turbinar seu conhecimento sobre movimentos sociais:

Movimento Feminista

O movimento feminista do século XX passou por diversos momentos importantes. Chamamos estes momentos de “ondas”, pois, assim como o movimento marítimo, essas mudanças surgem rapidamente, causam grande impacto e retrocedem deixando alguns resultados. Imagine uma grande onda surgindo, estourando e recuando para o mar deixando algumas espumas na areia.

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Gráfico representando as diversas realidades de uma mulher e como o feminismo pode agir de acordo. Retirado de: https://goo.gl/5D7UR4

As ideias pré-feministas surgiram no século XIX, entretanto não eram organizadas o suficiente para serem aglutinadas em movimentos sociais. Apenas no início do século XX, com a primeira onda feminista, que o movimento tomou mais forma.

Neste momento as mulheres lutavam para participar de espaços completamente utilizados por homens, principalmente o político. Lutavam pelo direito ao voto e participação nas decisões políticas e questionavam alguns papeis impostos às mulheres, como submissão e passividade.

Já no feminismo de segunda onda alguns debates começaram a se desenvolver. Nas décadas de 60 e 70, algumas questões como controle sobre o próprio corpo em termos sexuais e reprodutivos passam a ser pauta.

Além disto, considerando a grande efervescência étnico-racial citada anteriormente, o debate sobre raça, sexualidade e classe social também incorporam o movimento. Neste período surge o feminismo identitário que considera o recorte de classe para analisar as origens da discriminação de gênero.

Já na década de 90 vemos o que se pode considerar o feminismo de terceira onda. Um movimento que denota uma negação acentuada da economia neoliberal capitalista, especialmente no que se refere ao consumismo, como o movimento punk e o “faça você mesmo”, o qual incentiva que as pessoas façam os itens de sua necessidade, evitando estimular a indústria. Neste período o debate sobre gênero se acentua, principalmente nas questões das diversas identidades de gênero.

Nos quadrinhos é possível identificar algumas personagens oriundas da época do feminismo de segunda onda. Geralmente mulheres independentes, solteiras e em profissões estáveis, como a Mulher Aranha, uma secretária, a Mulher Hulk, uma advogada e a Miss Marvel, membro das forças aéreas.

Em meio a tantas personagens utilizadas apenas como ferramenta de roteiro para os personagens masculinos, personagens feministas fortes como a Jim Grey e Tempestade, dos X-Men, e as citadas anteriormente, acendiam uma fagulha para uma utilização mais positiva de personagens femininas.

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Jim Grey, a Fênix, dos filmes e dos quadrinhos. Retirado de: https://goo.gl/vmpSkM

Estes movimentos e tantos outros que surgiram no século XX, como movimento hippie de contracultura, marcado pelas reivindicações anti-guerra, marcam um grande aspecto humano que é a construção da cidadania.

A luta coletiva e progressiva por uma sociedade melhor, mais justa e igualitária é o que define a nossa inquietação perante o que consideramos errado no mundo que vivemos, portanto todos podemos exercer a cidadania, assim como as pessoas que compunham os movimentos sociais do século XX fizeram. Esta inquietação garante nosso papel como agentes de nossa história, participando do processo histórico de nosso tempo.

Para finalizar sua revisão, veja esta videoaula do Professor Leandro Vieira, do canal ProEnem:

Quer saber um pouco mais sobre como podemos exercer a cidadania? Ouça este podcast do UcroniaCast:

UcroniaCast #12 – História, sociedade e a tal da cidadania

Questões spbre os movimentos sociais:

1- (ENEM 2012) Nos anos que se seguiram à segunda Guerra, movimentos como o Maio de 1968 ou a campanha contra a Guerra do Vietna culminaram no estabelecimento de diferentes formas de participação. Seus slogans, tais como o “Quando penso em revolução quero fazer amor”, se tornaram símbolos da agitação cultural dos anos 1960, cuja a invocação relacionava-se.

a) à contestação da crise econômica europeia, que fora provocada pela manutenção das guerras coloniais.
b) à organização partidária da juventude comunista, visando o estabelecimento da ditadura do proletariado.
c) à unificação das noções de liberdade social e libertação individual, fornecendo um significado político ao uso do corpo.
d) à defesa do amor cristão e monogâmico, com fins à reprodução que era tomado como solução para os conflitos sociais.
e) ao reconhecimento da cultura da gerações passadas que conviveram com a emergência do rock e outras mudanças de costumes.

Gabarito: C

2- (ENEM 2016)

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TEXTO II Metade da nova equipe da Nasa é composta por mulheres. Até hoje, cerca de 350 astronautas americanos já estiveram no espaço, enquanto as mulheres não chegam a ser um terço desse número. Após o anúncio da turma composta 50% por mulheres, alguns internautas escreveram comentários machistas e desrespeitosos sobre a escolha nas redes sociais.

Disponível em: https://catracalivre.com.br. Acesso em: 10 mar. 2016. A comparação entre o anúncio publicitário de 1968 e a repercussão da notícia de 2016 mostra a

a) elitização da carreira científica.
b) qualificação da atividade doméstica.
c) ambição de indústrias patrocinadoras.
d) manutenção de estereótipos de gênero.
e) equiparação de papéis nas relações familiares.

Gabarito: D

3- (ENEM 2015) “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino. ” (BEAUVOIR, S. O Segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980)

Na década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar um movimento social que teve como marca o:

a) a ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual.
b) pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de trabalho.
c) organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero.
d) oposição de grupos religiosos para impedir os casamentos homoafetivos.
e) estabelecimento de políticas governamentais para promover ações afirmativas.

Gabarito: C

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Sobre o(a) autor(a):

Guilherme Silva é formado em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de História em escolas da Grande Florianópolis desde 2016.