O que é arte, quais suas funções e mudanças ao longo do tempo

A percepção sobre o que é arte e quais são suas funções são diferentes em cada época e lugar. Conheça algumas definições e reflexões importantes sobre o assunto!

Muito se fala sobre a arte e artistas de diversas linguagens que ganham lugar de destaque na sociedade atual. Mas, afinal, o que é arte? E, ainda, qual sua função? Vamos juntos entender o motivo de estudarmos esta maneira de pensar e porque ela é tão importante.

A arte ao longo da história

Atualmente presenciamos a abertura cada vez mais frequente de museus e inúmeras galerias. Talvez isso demonstre o apreço pela arte que a modernidade vivencia. Seja pela apreciação ou pelo mercado, a verdade é que esta atividade cognitiva e de criação agrada a (quase) todos!

Diversos estudos comprovam que a arte (ou o ato de criar) acompanha a história. Registros de períodos como Paleolítico e Neolítico nos mostram que os seres humanos se comunicavam também pelo desenho, pela dança, pelo teatro (a imitação era uma linguagem muito utilizada) e através da música.

Diante de fatos como esses, é perceptível que os humanos e a criação têm uma relação muito próxima. Neste viés de pensamento, a arte apresenta-se como uma necessidade, tendo em vista que existem registros artísticos dos mais diversos povoados e civilizações. Ou seja, a criação acompanha-nos desde os primórdios.

A arte para Leonardo Da Vinci

Leonardo da Vinci nos deixou relevantes apontamentos acerca do que é arte. O artista e estudioso viveu no período do Renascimento. Esse momento foi marcado por uma sociedade bastante antropocêntrica em que o racionalismo e o cientificismo eram privilegiados. Da Vinci, inserido nesse contexto, afirmou que a “arte é coisa mental”.

Essa frase de Da Vinci – bem como os seus estudos – representa um divisor de águas sobre a compreensão do que é arte. Ela sustenta a ideia de que enxergamos a obra especialmente com o intelecto, e não apenas com os olhos. Revisitando rapidamente o Renascimento, é importante salientar que o clássico grego, a simetria perfeita e perspectiva eram muito valorizadas, endossando a racionalidade de sua forma de entender a arte.

Sendo assim, a teoria de Da Vinci flerta, em alguns momentos, com a preocupação de artistas contemporâneos: o entendimento de que o que sustenta uma obra é a ideia, o conceito e o processo em si, e não o produto final. Dessa forma, é possível compreendermos que a arte é uma importante ferramenta de conhecimento.

O significado de arte

O professor austríaco Ernst Gombrich, importante estudioso da história da arte, apresenta em seus textos a reflexão de que podemos chamar de “arte” as pinturas rupestres e outras intervenções no ambiente que datam desde os primórdios. Mas, para o autor, é importante salientar que essa palavrinha de quatro letras pode ter significados muito diferentes no transcorrer dos anos e em lugares distintos. A produção artística e sua função na sociedade se modificam ao longo do tempo.

Para deixar mais claro, podemos usar o exemplo do gravador, pintor, matemático e ilustrador alemão Albrecht Dürer. Ele produzia obras com verossimilhança aos objetos reais que impressionavam. Observe a obra a seguir, que consiste no retrato da mãe de Dürer e foi concebida em 1514:

Albrecht Dürer - O que é arte
Imagem: Retrato feito por Albrecht Durer em 1514 utilizando carvão vegetal. A obra está exposta no Staatliche Museen, em Berlim, na Alemanha. Fonte: https://bit.ly/2Bdu8EZ

E então? Que impressão ela te causa? É muito possível que, à primeira vista, ela cause espanto, indiferença ou incômodo por causa da similaridade ao real e da fisionomia detalhada da velhice. Porém, se ultrapassarmos a barreira do choque inicial, nos deparamos com uma grande obra, rica em representatividade e semelhança com a realidade.

A arte e a beleza

Uma característica a ser constatada a partir desse exemplo é que a arte não precisa, necessariamente, ser bela. Ela também não precisa representar o que se considera belo para uma determinada época ou cultura. Ela pode fugir – e geralmente foge – dos padrões sociais impostos pela ditadura da beleza, pelos padrões estabelecidos.

Parafraseando o escritor Gombrich em seu livro “A história da arte”, “(…) de fato, a beleza de um quadro não corresponde à beleza de seu tema”.

Esse fenômeno pode ocorrer em todas as linguagens artísticas. Você já viu algum filme sombrio, melancólico, mas profundamente belo? Esta é uma função muito marcante da arte. Ela nos proporciona as mais diversas sensações e nos transporta para lugares inimagináveis.

A arte como questionadora

Cabe aqui lembrarmos do ato do artista Marcel Duchamp, que enviou um mictório para a seleção de uma exposição com diversos artistas. Duchamp assinou como R. Mutt, pois queria manter o anonimato. Com esse ato, o artista levanta a reflexão sobre o que é arte, questionando as noções de valor material.

Marcel Duchamp - O que é arte
Imagem: Fotografia da obra “A fonte”, de Marcell Duchamp.

Assim, o pensamento de Duchamp e sua crítica, muito bem colocada, vai ao encontro com o pensamento de Da Vinci e de Gombrich: o resultado em si não é o que tem mais valor. Também é importante conhecer o processo e o contexto pelo qual determinada criação percorreu.

Mas, a arte vai além disso, pois é através da produção artística que conhecemos as características e até costumes de civilizações antepassadas. Também é a ela que nos permite entender e nos aproximar de costumes e valores da nossa e de outras sociedades.

Ampliação da visão de mundo

Através da arte, somos inseridos e nos tornamos capazes de compreender outras visões de mundo, organização e valores sociais, possibilitando uma imersão no que é diferente aos nossos olhos. Esse exercício é capaz de nos tornar mais empáticos e conscientes do tempo-espaço que ocupamos e que dividimos com milhões de outras pessoas.

Vendo por outra perspectiva, se somos nós os que criam a arte, abre-se um novo modo de enxergar o mundo e de se relacionar com ele. Lev Vigotsky, psicólogo e estudioso da relação da psicologia com a arte, defende que a psique humana encontra um terreno fértil para se desenvolver quando em contato com a arte.

Para ele, quando adquirimos um novo repertório, seja ele visual ou auditivo, expandimos nossa consciência e funções mentais, como percepção e atenção. Além disso, ampliamos a memória, a sensibilidade, a reflexão e, claro, a imaginação.

Dessa forma, é importante salientar que a aceitação de algo como “arte” varia de acordo com o contexto em que está inserido o objeto. E, talvez, o que é tido como arte em outras épocas, não seja visto como tal nos dias de hoje.

Por fim, veja o vídeo do Canal Vivieuvi sobre o que é arte:

Exercícios:

1- Dentre as funções da arte, está:

a) uma forma de expressividade de transmitir algum tipo de mensagem ao espectador;

b) pode ser considerado um meio de autoconhecimento;

c) é algo inútil, não precisamos de arte;

d) é também um viés terapêutico;

e) somente a alternativa C está incorreta.

2- Diante dos apontamentos do texto acima e de suas pesquisas, como podemos entender um objeto artístico?

a) o que agrada os meus olhos é considerado arte;

b) um objeto de decoração, como um tapete de crochê, é considerado arte;

c) somente o que entra em galerias e museus é arte;

d) um objeto confeccionado a partir de um conceito, acompanhado de uma ideia;

e) D.A

GABARITO:

1.E, 2.D

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