Obesidade: como ocorre e a contribuição dos exercícios físicos

A obesidade é uma doença crônica caracterizada por excesso de peso. Dados de 2016 apontam que cerca de 1,9 milhão de pessoas sofrem com a doença. Saiba mais!

A obesidade já é considerada uma pandemia mundial. Pode ser evitada e tratada com exercícios físicos e uma alimentação balanceada. Na aula de hoje, entenda mais sobre essa doença crônica.

A obesidade é considerada uma pandemia no momento atual. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que em 2016 mais de 1,9 milhão de adultos, com 18 anos ou mais, tinham excesso de peso. Hoje, entenderemos um pouco mais sobre essa doença e como o exercício físico pode ser usado para prevenir ou tratar essa condição.

O que é obesidade

A obesidade é uma doença crônica caracterizada por excesso de peso, ou seja, um peso acima do recomendado para o gênero, idade e altura de um indivíduo.

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Em 2016, de acordo com a OMS, 13% da população adulta mundial era obesa, sendo 39% homens e 40% mulheres. Muita coisa, né?

Essa condição epidemiológica é justificada pelos moldes de nossa sociedade atual. Nossos antepassados, por exemplo, utilizavam o exercício físico como forma de sobrevivência. Por isso, não desenvolviam sobrepeso em sua maioria.

Precisava-se caçar, lutar, fugir e procurar ambientes seguros. Os primórdios da humanidade nos mostram o quanto éramos ativos e o quanto nosso corpo foi adaptado a essa demanda.

Portanto, principalmente após a Revolução Industrial, esse cenário muda. Trabalha-se geralmente sentado, sem precisar de muito esforço físico. A oferta de alimentos é imensa e de fácil acesso para boa parte da população.

Além disso, os mercados estão com prateleiras lotadas de alimentos processados industrialmente, contendo grandes quantidades de gordura e açúcar, sem contar aromatizantes, corantes, conservantes, etc.

Sendo assim, a sociedade vem se moldando cada vez mais sedentária e com uma oferta de alimentos extremamente calóricos à disposição e a um preço acessível.

Algumas consequências disso são o aumento da incidência de sobrepeso, obesidade e inúmeras outras doenças crônicas, como as cardiopatias.

Causas da obesidade

A principal causa da obesidade é a diferença entre o gasto calórico e o consumo calórico. Ou seja: se consome mais do que gasta, formando estoques de gordura no organismo.

A obesidade é geralmente classificada através de uma avaliação física corporal que faz o uso do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC).

Esse índice é calculado pela fórmula PESO (kg) / ALTURA(m)2. A partir disso temos uma tabela de valores referenciais. O valor resultante da fórmula deve ser comparado aos valores de referência para gerar a classificação. Observe:

Tabela de IMC - ObesidadeTabela geral do IMC.

Vale lembrar que para crianças e adolescentes utiliza-se outro índice. O chamado “Cartão Criança”, que todos já devem ter visto no consultório médico, apresenta valores referenciais de composição corporal para essa faixa etária.

A obesidade, portanto, pode ter origem nas mudanças dos padrões alimentares. E isso envolve não somente aspectos comportamentais pessoais, mas também o ambiente em que o indivíduo está inserido e a sua genética. Portanto, é uma doença multifatorial.

Uma das variáveis que interfere diretamente na composição corporal, além dos já citados anteriormente, é a genética, que interfere diretamente em fatores metabólicos e endócrinos.

Isso explica o fato de muitas pessoas comerem muito e não apresentarem sobrepeso, e outras comerem pouco ou normalmente e apresentarem sobrepeso.

Os fatores genéticos interferem na regulação do gasto energético, no metabolismo lipídico, na termogênese, na sensibilidade à insulina e no metabolismo energético e, consequentemente, na composição corporal.

Algumas pessoas possuem variáveis genéticas que atribuem a elas uma predisposição ao ganho de peso. Dados apontam que 40% do equilíbrio energético depende da genética.

O tecido adiposo

O tecido adiposo é composto por células chamadas adipócitos. Os adipócitos armazenam os triglicerídeos (gordura), que podem ocupar até 90% do citoplasma da célula.

Os triglicerídeos contêm o dobro de energia que os outros substratos energéticos, os carboidratos e as proteínas.

O tecido adiposo pode ser dividido em duas classificações: tecido adiposo marrom (TAM) e tecido adiposo brando (TAB).

O tecido adiposo marrom é quase inexistente nos adultos. Ele está presente em grandes quantidades nos bebês. A função do tecido adiposo marrom é a termogênese (produção de calor), regulando assim a temperatura corporal.

Esse processo ocorre pela grande quantidade de mitocôndrias presente nesse tecido. Contudo, as mitocôndrias do TAM não possuem as enzimas necessárias para a síntese de ATP. Sendo assim, elas utilizam energia liberada pela oxidação de ácidos graxos, principalmente.

Isso ocorre devido à termogenina, uma membrana mitocondrial que permite que a energia estocada pela mitocôndria seja liberada na forma de calor.

Já o tecido adiposo branco tem como função fornecer isolamento térmico, proteger os órgãos internos de impactos e fornecer energia principalmente em momentos de jejum ou exercícios prolongados.

O tecido adiposo branco também é responsável pelo metabolismo de lipídeos. Ou seja, os processos de lipogênese (síntese) e lipólise (degradação).

Obesidade e doenças crônicas

Há pouco  tempo descobriu-se que o tecido adiposo possui uma importante função metabólica e endócrina. Ele é responsável pela liberação de diversas substâncias, dentre elas: hormônios, proteínas do sistema imune, fatores de crescimento, reguladores da pressão arterial e da homeostase vascular.

Muitas das adipocinas liberadas por esse tecido são de caráter pró-inflamatório. Isso justifica a ligação entre a obesidade e o desenvolvimento de doenças crônicas.

Logo, quanto mais tecido adiposo, mais adipocinas liberadas e mais processos inflamatórios se desenvolvem, o que abre uma janela para doenças crônicas.

Obesidade e exercício físico

Para começar, precisamos entender que para a manutenção da composição corporal, é necessário ter um comportamento saudável entre o gasto energético e o consumo energético. É a simples matemática: se você precisa emagrecer, é necessário consumir menos do que se gasta, e vice-versa.

O exercício contribui para isso porque ele aumenta o gasto calórico e o metabolismo basal. Com uma sessão de treino, você pode perder de 200 a 800 calorias, em média. Isso é somado no seu gasto diário.

O ganho de massa magra também é um fator que contribui. O tecido muscular exige mais energia do corpo por si só. Mas é também com uma maior quantidade de massa magra que o metabolismo basal aumenta.

Para relembrar, o metabolismo basal é o mínimo de energia que o organismo necessita para se manter vivo.

Então, basicamente, se você manter uma quantidade boa de massa magra e pratica exercícios físicos, você gastará mais energia estando parado. Legal, né?

O exercício físico, além de ajudar a regular a composição corporal, também previne o desenvolvimento de inúmeras doenças crônicas que podem vir a ser consequências da obesidade.

Dentre essas doenças estão: aterosclerose, diabetes, hipertensão arterial, entre outras. Lembrando que as doenças crônicas não transmissíveis estão entre as principais causas de morte no Brasil.

Nutrição e exercícios físicos

Uma nutrição adequada também se faz absolutamente necessária. Além das calorias totais precisarem ser adequadas a cada indivíduo, a qualidade dos alimentos também deve ser levada em consideração.

Para resultados benéficos para a saúde, é necessário acumular 150 minutos de atividades físicas moderadas por semana, podendo ser dividido em sessões (OMS).

Uma alimentação baseada em alimentos naturais, como frutas e legumes, e a diminuição do consumo de industrializados se faz indispensável para a manutenção da composição corporal e da saúde em geral.

Portanto, exercícios físicos regulares e uma nutrição balanceada, tanto previnem quando tratam o sobrepeso e a obesidade. E com certeza são os pilares da saúde corporal.

Para complementar o conteúdo, assista o vídeo a seguir disponibilizado pelo Ministério da Saúde sobre o sedentarismo e como ele contribui para aquisição de doenças como obesidade e diabetes.

Exercícios

1- (IFGO – 2020)

A obesidade é uma doença multifatorial que acomete uma quantidade cada vez maior de pessoas pelo mundo todo. Um estudo extenso realizado por cientistas da Universidade de Birmingham, entre 1995 e 2015, com 3,5 milhões de pessoas, demostra que obesos metabolicamente saudáveis tem um risco maior de ter problemas cardíacos, infartos e derrames do que pacientes com peso dentro dos parâmetros normais. Outro estudo, realizado por cientistas da Universidade Estadual de Campinas, sugere que pacientes obesos podem ter uma disfunção digestiva causada pela morte de um grupo de neurônios, responsáveis por avisar o corpo a hora de parar de comer.

As preocupações a respeito das consequências da obesidade se justificam, pois:

a) o tecido adiposo é constituído por adipócitos, células que podem ter até 90% do seu conteúdo preenchido por moléculas de triglicerídeos.

b) os lipídios representam nossa primeira fonte de energia, uma vez que 1 grama de lipídio, ao ser metabolizado, oferece mais que o dobro de energia fornecido por 1 grama de glicose.

c) ela provoca problemas mecânicos, como sobrecarga e alterações nas articulações, e problemas fisiológicos, como disfunções no metabolismo da glicose.

d) alimentos ricos em óleos poli-insaturados podem contribuir para obesidade, pois essas moléculas são armazenadas no organismo na forma de triglicerídeos.

2- (ACAFE SC – 2019)

A prevalência de obesidade no Brasil se intensificou nos anos 2000 e mudanças no padrão alimentar da população contribuem para a escalada do problema.

De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20,8% da população adulta brasileira – 26 milhões – está obesa. A prevalência desse problema de saúde tem sido registrada em todas as faixas etárias e níveis de renda e em maior proporção em mulheres do que em homens.

Fonte: Exame, 23/08/2018. Disponível em: https://exame.abril.com.br

Acerca das informações contidas no texto e dos conhecimentos relacionados ao tema, é correto afirmar, exceto:

a) Assim como a obesidade, evidências sugerem que a desnutrição também é um problema de saúde pública, pois em idades mais baixas, afeta o crescimento físico, o desenvolvimento cognitivo, favorece o aparecimento de doenças infectocontagiosas, limita a capacidade física e, no início da idade adulta, eleva os riscos predisponentes para inúmeras doenças degenerativas.

b) A gordura é um lipídeo glicerídeo. Entre as diversas funções desempenhadas pelos lipídeos no organismo, podemos citar: fornecimento de energia, isolante térmico e físico, impermeabilização de superfícies.

c) O sobrepeso e a obesidade estão relacionados ao desenvolvimento de várias doenças como: diabetes, cardiopatias, osteoartrite e alguns tipos de câncer, entre outras doenças.

d) A obesidade é decorrente do acúmulo de gordura no organismo e está associada a riscos para saúde, devido a sua relação com várias complicações metabólicas. Está relacionada exclusivamente a fatores econômicos e sociais, expressos nos hábitos alimentares.

3-(UNIFOR – 2018)

“Quem nota o calçadão da Avenida Beira-Mar lotado de corredores todas as manhãs, as centenas de bikes verdes do Bicicletar cruzando a cidade e a popularização das corridas de rua em Fortaleza pode não estar a par de um dado alarmante: 20% dos fortalezenses estão obesos e 56,5% vivem com sobrepeso conforme pesquisa realizada pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2016, divulgada em 2017 pelo Ministério da Saúde”.

(Diário do Nordeste, 11.10.2017).

A progressão dessa pandemia da obesidade deve-se ao fato de que:

a) os fatores hereditários têm revelado estar em primeiro lugar no aumento da obesidade das futuras gerações.

b) a descoberta da leptina, hormônio que regula o apetite em humanos, é geralmente alta em obesos.

c) Ultimamente os hábitos de vida, como o sedentarismo e a alimentação industrializada, estejam entre os principais contribuintes.

d) a maior capacidade de detecção das síndromes genéticas, antigamente desconhecidas pela sociedade científica.

Gabarito:

  1. C
  2. D
  3. C

Sobre o(a) autor(a):

O texto foi escrito pela professora Milena Boeng, Bacharela em Educação Física pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

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