Obras de Machado de Assis: principais produções do Realismo

As obras de Machado de Assis são umas das mais importantes da literatura brasileira, entre elas estão Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Primeiramente, nesta aula você irá entender melhor o que define o realismo de Machado de Assis e como o Bruxo do Cosme Velho revelou em sua obra comportamentos da elite do Segundo Reinado. Para isso, vamos conhecer as obras de Machado de Assis.

Contexto das obras de Machado de Assis

Nem preciso dizer que o Joaquim Maria Machado de Assis é um dos queridinhos do Enem e da maioria dos vestibulares por aí. Motivos não faltam, estudante, pois o cara foi um dos poucos daquela galera que teve o seu reconhecimento em vida.

O Brasil estava em crise

Na segunda metade do século XIX, o Brasil encara um cenário de crise. O fim do tráfico negreiro, em 1850, acelera a decadência da economia açucareira e anuncia a ruptura definitiva do regime escravocrata.

Nesse contexto, as discussões sobre a abolição dos escravos não atingem unicamente os grandes latifundiários, que dependiam dessa mão de obra para plantar e colher. As instituições políticas também são afetadas, pois a ala progressista ganha força para se opor à mentalidade conservadora dos escravocratas.

Assim, essa instabilidade institucional chega à economia, à política e ameaça até o imperador D. Pedro II, com o início da propaganda republicana. Depois a situação fica ainda mais grave quando o país se envolve na Guerra do Paraguai.

Dessa maneira, as bases sociais que sustentavam a ideologia romântica começam a ruir. Por fim, temos o pensamento burguês mais conservador, que assumira o poder econômico, entrando em confronto com os desejos de uma classe média cada vez mais numerosa.

A sociedade precisava de novos intérpretes para essa realidade

É Machado de Assis quem traz um novo olhar para a sociedade do Segundo Império, desenhando – ou escrevendo – de modo revelador e impiedoso seu retrato mais fiel. Assim, vamos conhecer mais sobre sua história.

Quem foi Machado de Assis?

“Eu gosto de catar o mínimo e o escondido. Onde ninguém mete o nariz, aí entra o meu, com a curiosidade estreita e aguda que descobre o encoberto.”

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) teve uma infância tão difícil quanto qualquer outro menino pobre e negro do Rio de Janeiro nos idos de 1840.

Além disso, Machado era também gago e epilético. Somente com muito esforço pessoal construiu uma sólida formação cultural. Aos 29 anos, casou-se com Carolina, a amada esposa imortalizada nos versos que criou para homenageá-la quando morreu, em 1904.

Mesmo com todas as dificuldades, Machado de Assis foi um intelectual respeitado e influente. Durante os seus 69 anos de vida, nunca se afastou mais do que 120 quilômetros do Rio de Janeiro.

No entanto, criou uma obra que retrata com maestria a sociedade brasileira do Segundo Reinado. Além disso, fundou a Academia Brasileira de Letras, da qual foi considerado presidente perpétuo.

Com Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis anuncia a construção de um Realismo diferente daquele que surgiu com Flaubert e chegou ao Brasil com os romances de Eca de Queirós.

Como já antecipou no prólogo, seu livro “é taça que pode ter lavores de igual escola, mas leva outro vinho”.

Influências nas obras de Machado de Assis

Além disso, Machado era um leitor apaixonado. Embora tenha, como outros romancistas de sua geração, lido os franceses – Victor Hugo, Chateaubriand, Stendhal, Xavier de Maistre etc. Sua prosa tem grande influência dos autores ingleses, como Laurence Sterne, Shakespeare, Thackeray, Jonathan Swift e Dickens.

Além da literatura estrangeira, muito em voga em sua época, Machado leu também muitos escritores brasileiros e portugueses do século XIX. Com eles, e Xavier de Maistre, Machado de Assis desenvolveu um fino senso de humor e uma visão marcada pelo pessimismo.

Como crítico literário, fez análises inteligentes de obras de Almeida Garrett, Eça de Queirós, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Bernardo Guimarães, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Castro Alves e outros, sempre evidenciando profundo conhecimento da literatura em língua portuguesa.

As primeiras obras de Machado de Assis

A vida de Machado como escritor costuma ser dividida em duas fases, com base na natureza dos romances que escreveu.

A primeira mostra um autor cuja genialidade já começa a aparecer. São parte dessa fase Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e laiá Garcia (1878).

Essas obras, mesmo sendo marcadas por traços claramente românticos, traduzem a preocupação do escritor com a questão da ascensão social.

Nesse sentido, são sempre narrativas de amor envolvem dinheiro, família e casamento e apresentam a estrutura das narrativas românticas, com princípio, meio e fim, construídas com o objetivo de provocar surpresa e emoção.

Essa estrutura possui uma intenção evidente de divertir e moralizar, muito presa à forma imposta pelo folhetim.

A fase Realista

A obra da segunda fase machadiana é constituída pelos romances:

  1. Memórias póstumas de Brás Cubas (1881),
  2. Quincas Borba (1891),
  3. Dom Casmurro (1899),
  4. Esaú e Jacó (1904),
  5. Memorial de Aires (1908).

A trama de todos desenvolve-se durante o Segundo Reinado, tendo como cenário a cidade do Rio de Janeiro, capital do Império. Assim, os romances da segunda fase machadiana estão centrados na falsidade da vida depois do casamento, marcado pela traição.

A insistência nesse tema parece ter origem no pessimismo do autor, que vê as relações humanas sempre motivadas por interesse.

E essa visão faz com que as personagens, reflexo das camadas elitizadas, busquem o proveito próprio, sem espaço para as ações desinteressadas.

O mais famoso defunto autor

Costuma-se dizer que o ano de 1881 marca o início do Realismo no Brasil, porque foi nessa data que Machado de Assis publicou Memórias póstumas de Brás Cubas. Esse abriu portas para outras obras de Machado de Assis com características do Realismo.

Memórias Póstumas promoveu uma ruptura radical com o “modelo” romântico de narrativa. O romance é a autobiografia de Brás Cubas, narrador protagonista que se apresenta, no primeiro capítulo, como um “defunto autor”.

O contexto narrativo aqui é, portanto, surpreendente: temos um morto que, cansado da vida eterna, resolve escrever suas memórias “póstumas”. O estilo machadiano vem bastante alterado nessa obra.

Machado de Assis não tem, nesse caso, nenhuma preocupação com o desenvolvimento de uma história central e trata de nos trazer uma série de cenas ilustrativas da vida de Brás Cubas.

A história não tem nada de excepcional. Na verdade, o que merece estudo e atenção é a composição detalhada e atenta das personagens.

O menino é pai do homem

[…]

Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso.

Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha Prudêncio, um moleque da casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, algumas vezes gemendo, – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia:

– “Cala a boca, besta!” […]

[…]

O que importa é a expressão geral do meio doméstico, e essa aí fica indicada, – vulgaridade de caracteres, amor das aparências rutilantes, do arruído, frouxidão da vontade, domínio do capricho, e o mais. Dessa terra e desse estrume é que nasceu esta flor.

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 87-90. (Fragmento).

Realismo em Memórias Póstumas

Você provavelmente, se ainda não tinha lido esta obra, ficou impressionado ao observar a arrogância e a prepotência que constituem os traços fundamentais do caráter de Brás Cubas.

Muito diferente do que se esperaria de um narrador protagonista, ele traz à tona os piores traços de sua personalidade, “liberado” das consequências por sua confortável posição: é um defunto autor. Dessa maneira, não tem mais nada a perder, pois já está morto.

A frase final explica o título “O menino é pai do homem”: sua personalidade se formou dentro de um contexto familiar que permitia comportamentos bem maldosos. O realismo machadiano é bem diferente dos outros, pois foge da crítica direta e fácil.

Muito bem construído, nos surpreende com uma pintura bem fiel e sem retoques de um integrante da elite brasileira. Ao apresentar Brás Cubas em toda a sua desfaçatez e arrogância, o que se percebe é que esse era o comportamento dos que estavam nas altas posições em nossa sociedade.

Por meio do nosso protagonista, você é obrigado a dar de cara, de maneira muito crua, com o retrato de sua própria miséria humana.

Dom Casmurro

Dom Casmurro: Aí vindes outra vez, inquietas sombras

Vivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Matacavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que desapareceu.

Construtor e pintor entenderam bem as indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e salas. […] O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha, flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro. Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.

O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde, mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.

O que aqui está é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o interno não aguenta tinta. […]

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. 32. ed. São Paulo: Ática, 1997. p. 14. (Fragmento).

contracapa de dom casmurro obra de machado de assis
Figura 1: Fotografia da contracapa da primeira edição de Dom Casmurro, obra realista de Machado de Assis. Fonte da imagem: https://www1.folha.uol.com.br/paywall/login.shtml?https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/08/1668788-sebo-carioca-vende-edicao-autografada-de-dom-casmurro-por-r-24-mil.shtml
Quem é Bentinho

O texto que você acabou de ler faz parte do segundo capítulo do romance Dom Casmurro. É bem provável que você já deve ter lido – ou lerá. Nele, o narrador, Bento Santiago, tenta explicar a seus leitores o motivo de ter decidido escrever um livro sobre sua vida.

Nesse sentido, Bento confessa ter tentado reconstituir a adolescência na velhice por meio da construção de uma réplica perfeita da casa onde viveu sua infância.

A estratégia deu em nada: Bentinho não é mais a mesma pessoa que viveu seus dias felizes na casa de Matacavalos. Releia:

Se só me faltassem os outros, vá; […] mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.

Essas palavras iniciais do narrador são indícios valiosos para a compreensão do projeto narrativo que Bento Santiago quer assumir: provar para o leitor do romance que sua felicidade foi destruída pela traição cometida pela esposa Capitu e pelo amigo Escobar.

Sua personalidade começa a transparecer nas primeiras revelações que faz sobre a vida que leva: solitário, sem amigos, em meio às recordações de um passado que busca reconstituir.

O isolamento em que vive e a postura com um quê de arrogância lhe deram o apelido de “Dom Casmurro”, como ele mesmo esclarece ao explicar o título da obra.

Dom Casmurro e o ciúmes

De modo bastante resumido, estudante: Dom Casmurro é a história de um homem completamente perturbado por um sentimento mesquinho, o ciúme.

A questão básica é simples: até que ponto o relato de um homem certo de ter sido traído pela esposa é confiável? Como podemos saber o que de fato aconteceu entre Capitu e Escobar – se é que houve mesmo um lance amoroso entre eles?

Apenas e tão somente Bento Santiago, amargurado e sozinho, decide o que deve ou não ser tratado ao leitor. Assim, a grande questão do livro deixa de ser se Capitu cometeu ou não adultério.

Todavia, o que importa é tentar notar como Machado retrata, de modo extraordinário, o comportamento de um homem completamente consumido pelo ciúme.

As digressões de Machado de Assis

A ficção de Machado é caracterizada por um diálogo constante com o leitor. A digressão é uma característica marcante nas obras de Machado de Assis.

Mas um romance, por exemplo, pode ter duas maneiras mais tranquilas de se construir, que tornam mais fácil a crítica do próprio trabalho. São eles: digressão e comentário.

Muito comum, estudantes, confundirmos essas duas ferramentas. No entanto, não são a mesma coisa. Eis aqui a diferença: na digressão, o narrador toma uma distância do foco central; no comentário, o mesmo narrador não fala de outra coisa.

E não precisamos dizer que escrever uma digressão não é tão simples assim.

No entanto, percebe-se logo de cara que a digressão pode e – deve – ser usada quando for necessário conquistar ainda mais o seu leitor. Ainda mais em se tratando de enredos ou com relação das transições de enredo, ou técnicas um pouco mais sofisticadas.

Nas obras de Machado de Assis, o autor mostra que era mestre nisso. Como já dissemos, ele foi um grande leitor e aprendeu as técnicas da digressão com Lawrence Sterne.

Ao contrário do que faziam os românticos, o narrador machadiano provoca, insulta, desafia e ironiza seu público-leitor, transformado em alvo de piadas e deboches.

Exemplo de digressão

O senão do livro

[…] Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…

[…]

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial. p. 172. (Fragmento)

Essa mudança sinaliza uma importante característica da prosa realista: o objetivo é manter a atenção do leitor, e não convencê-lo a se comportar dessa ou daquela maneira, como queriam os românticos.

Portanto, a proposta do narrador é divertir e, ao fazer isso, seduzir de tal modo que o leitor aceite as caracterizações mais duras e cruéis de personagens cujo perfil é muito semelhante ao dele.

Os contos machadianos: o exercício crítico em narrativas curtas

Além das famosas obras de Machado de Assis citadas acima, os seus contos são, sem dúvidas, pequenas obras-primas da literatura brasileira.

Das inúmeras coletâneas das obras de Machado de Assis, quatro se destacam: Papéis avulsos (1882), Histórias sem data (1884), Várias histórias (1896) e Relíquias de casa velha (1906).

“Missa do Galo”, por exemplo, gira em torno da sedução de um jovem por uma mulher mais velha. Nesse conto, Machado revela toda a sua capacidade de tratar do erotismo sem apelar para descrições de natureza sexual, algo que criticava ferozmente nos romances de Eça de Queirós.

Outro exemplo de maestria é “O alienista”, narrativa que obriga o lento a olhar de modo crítico para o fervor científico que dominou a sociedade na segunda metade do século XIX.

Resumo sobre as obras de Machado de Assis no Realismo

Resumo sobre Dom Casmurro

Por fim, resolva os exercícios sobre as obras de Machado de Assis:

Exercícios
Questão 01 – (PUCCamp SP)

Ao contrário dos autores realistas mais ortodoxos, para quem uma obra seria essencialmente uma transposição da realidade, Machado de Assis impôs-se como um prosador essencialmente crítico, para quem

a) o subterfúgio de se valer de um defunto-autor, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, foi um meio irônico para expressar no todo a vida de seu caprichoso narrador-protagonista.

b) as memórias de Bento Santiago, em Dom Casmurro, serviriam para desmistificar teses ultrarromânticas que começavam a se impor no final do século XIX.

c) a imaginação individual sempre se impõe sobre a realidade social, razão pela qual esta se torna um reflexo coletivo de aspirações pessoais.

d) os cronistas da época deveriam inspirar-se na literatura fantástica e alegórica, que melhor podem servir para representar as violências da História.

e) uma obra deveria modelar-se a partir dos ensinamentos da psicanálise, nos quais encontrou e pelos quais elaborou seu estilo, voltado para expressar a sublimidade íntima.

Gab: A

Questão 02 – (PUC GO)

Leia o fragmento do primeiro capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas, Óbito do autor:

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

(ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998, p. 69. [Clássicos para o Vestibular]. Adaptado.)

Marque a alternativa que corretamente apresenta a diferença básica entre autor defunto e defunto autor destacada por Machado de Assis nesse trecho de seu primeiro romance:

a) A narrativa é contada por um narrador já morto.

b) A narrativa é publicada após a morte do autor.

c) A história vai do nascimento à morte do autor.

d) A história é narrada pelo seu começo pelo autor.

Gab: A

TEXTO: 1 – Comum à questão: 3

Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coubeme a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, acheime com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

Não sei por que até hoje todo o mundo diz que tinha pena dos escravos. Eu não penso assim. Acho que se fosse obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz. Ser obrigada a ficar à toa é que seria castigo para mim. Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu fique preguiçosa; a minha esperteza é que a amofina. Eu então respondo: “Se eu fosse preguiçosa não sei o que seria da senhora, meu pai e meus irmãos, sem uma empregada em casa”.

Helena Morley, Minha vida de menina.

Questão 03 – (FUVEST SP)

São características dos narradores Brás Cubas e Helena, respectivamente,

a) malícia e ingenuidade.

b) solidariedade e egoísmo.

c) apatia e determinação.

d) rebeldia e conformismo.

e) otimismo e pessimismo.

Gab: C

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

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