Reprodução vegetal: polinização e dispersão de sementes

A polinização e a dispersão de sementes são 2 tipos de reprodução vegetal das angiospermas e gimnospermas. Elas podem ocorrer por meio do vento ou com auxílio de animais.

O pólen e as sementes são estruturas que permitiram que as gimnospermas e as angiospermas não dependessem mais da água em seus ciclos reprodutivos, como nas plantas mais primitivas. E, para espalhar essas estruturas reprodutivas, as plantas passaram a apresentar diferentes estratégias, especialmente na enorme diversidade das angiospermas. Uma das mais comuns é a polinização.

Polinização

Os grãos de pólen são estruturas reprodutivas masculinas. Em seu interior, eles carregam os gametas masculinos que irão se juntar à oosfera, dando origem ao embrião vegetal.

O surgimento dessas estruturas no Reino Vegetal permitiu que as Gimnospermas e Angiospermas não mais necessitassem da água para que os gametas masculinos chegassem (nadando) até os gametas femininos. Isso porque a estrutura dos grãos de pólen permite que eles sejam carregados pelo vento ou por animais de uma planta à outra.

Mix de pólen - polinização
Imagem 1: Fotomicrografia de grãos de pólen de diferentes espécies feita com microscópio óptico. Os formatos dos grãos de pólen estão relacionados com o tipo de polinização do qual participam. Fonte da imagem: Comstock Photo Images.

Esse processo, necessário para que ocorra a fecundação, é chamado de polinização.

Nas gimnospermas, onde surgiu inicialmente, o pólen é transportado de uma planta a outra através do vento. Sendo assim, os grãos de pólen desse grupo frequentemente têm estruturas que permitem que eles planem ao serem empurrados pelas correntes de ar.

A esse transporte de pólen através do vento damos o nome de polinização anemófila. Como é um transporte errante (não direcionado), a produção de pólen em plantas anemófilas é muito grande. Assim, elas garantem que pelo menos parte do pólen atinja seus objetivos.

Entretanto, há maneiras mais sofisticadas de fazer esse transporte de pólen nas angiospermas.

Polinização nas angiospermas

Grande parte das angiospermas têm polinização realizada através de animais, aos quais damos o nome de polinizadores.

Para atraírem esses animais, as plantas dispõem de diferentes estratégias. Como a produção de odores atrativos e cores chamativas nas pétalas das suas flores, por exemplo. Além disso, a maior parte das flores que dependem de polinizadores para a polinização, possuem um nectário. O nectário é uma estrutura que secreta um líquido nutritivo – o néctar.

Observe, então, que o grande gasto de energia para a produção das estruturas florais não é ao acaso e não é só para “alimentar” animais. As plantas têm todo esse trabalho de produzir suas florações, pois a polinização por animais é muito eficiente.

Abelha - Polinização
Figura 2: Macro fotografia de uma abelha com inúmeros grãos de pólen aderidos à suas cerdas. As abelhas são essenciais à reprodução das plantas, figurando entre os principais polinizadores. Fonte da imagem: https://bit.ly/3bduTeI

Os animais que vêm até as flores estão buscando se nutrir. Contudo, sem querer, acabam participando da reprodução das plantas. Ao entrarem nas flores para capturarem o néctar, acabam batendo nas anteras (parte masculina da flor) e ficam com vários grãos de pólen aderidos em seu corpo.

Ao irem para outras flores, acabam carregando esse pólen que, ao entrar em contato com o estigma do gineceu dessa outra flor, começará o processo de fecundação.

Através desse mecanismo de polinização em que há a atuação dos polinizadores, as plantas conseguem fazer uma reprodução mais direcionada. Assim, nas angiospermas onde os polinizadores atuam, a produção de pólen é menor, já que é mais provável que ele atingirá o seu objetivo com a ajuda do polinizador.

Classificação da polinização

Todas as plantas gimnospermas e angiospermas têm estróbilos ou flores adaptadas ao seu tipo de polinização. O conjunto de características e adaptações que essas estruturas apresentam para facilitar a dispersão do pólen é chamada de síndrome floral.

Como você já viu acima, podemos classificar a polinização de acordo com o agente que transporta o pólen.

Inicialmente, classificamos os tipos de polinização em dois grandes grupos: polinização biótica, realizada por seres vivos, e polinização abiótica, que ocorre com o auxílio de fatores ambientais.

Além disso, podemos ainda fazer classificações ainda mais específicas:

Polinização anemófila

Como vimos há pouco, a polinização anemófila é aquela que ocorre com a ajuda do vento.  Sendo assim, é uma polinização abiótica. Ela é a típica polinização das gimnospermas. Além das gimnospermas, há também algumas angiospermas que utilizam esse tipo de polinização, como o trigo.

É característico desse tipo de polinização uma grande produção de pólen. Além disso, as estruturas reprodutivas (estróbilos e flores) não têm cores chamativas, odores e nectários, uma vez que não precisam atrair polinizadores e a ação do vento é errante.

Polinização hidrófila

É a polinização realizada pela água. Assim como a polinização anemófila, esse tipo também é uma polinização abiótica.

Polinização entomófila

É uma polinização biótica feita por insetos. Borboletas (psicofilia), mariposas (esfingofilia e falenofilia), besouros (cantarofilia), formigas (mirmecofilia), moscas (miofilia) e, especialmente, abelhas (melitofilia) são os responsáveis por esse tipo de polinização.

Nesse tipo de polinização, como é necessário atrair animais, há a formação de flores com características atrativas, como vimos acima.

Para complementar o que você está aprendendo até aqui, vejam o lindo vídeo abaixo, onde há várias imagens de polinizadores:

Polinização ornitófila

Esta é a polinização realizada por aves. Várias são as aves que realizam essa polinização. Mas, na fauna brasileira, podemos dar destaque especial aos beija-flores e às cambacicas.

Assim como na polinização entomófila, aqui também há a formação de flores atrativas adaptadas à atração das aves polinizadoras.

Polinização quiropterófila

É a polinização realizada por morcegos. É também um tipo de polinização biótica. Como os morcegos possuem hábitos noturnos, muitas plantas adaptadas à esse tipo de polinização costuma se abrir à noite e possuem odores pungentes, como é o caso da flor conhecida como dama-da-noite.

A seguir você pode observar um pequeno vídeo que fiz no quintal da minha casa, capturando alguns momentos em que morcegos visitavam o bebedouro dos beija-flores:

Dispersão das sementes

Nas gimnospermas, as sementes são nuas, ou seja, não possuem frutos. No entanto, algumas espécies possuem sementes com endospermas altamente nutritivos que atraem animais.

Muitas vezes esses animais comem as sementes. Contudo, em muitos outros casos, acabam carregando-as de uma região para a outra, visando armazená-las. Frequentemente esses animais se esquecem de onde armazenaram as sementes e, em vez de praticarem a herbivoria, acabam atuando como dispersores das sementes.

Dessa maneira, ajudam a espalhar a espécie, diminuindo a competição entre a planta mãe e as plantas jovens e ampliando a área de ocorrência da espécie.

Gralha azul
Figura 3: A gralha azul é uma ave comum nas matas de araucária da região sul. Ela costuma se alimentar do pinhão, semente da araucária. Frequentemente ela enterra os pinhões para comer posteriormente, mas acaba se esquecendo de voltar para comê-los. Sendo assim, atua como dispersora de sementes e é conhecida popularmente como plantadora de pinhões. Fonte da imagem: http://www.ninha.bio.br/biologia/gralhas.html

Já nas angiospermas, as sementes são envolvidas por frutos. Esses frutos são extremamente variados, apresentando adaptações à diferentes estratégias de dispersão das sementes. Veja a seguir:

Anemocoria

As plantas que apresentam anemocoria são aquelas cujos frutos possuem adaptações para serem dispersados pelo vento. O dente-de-leão, por exemplo, é um fruto anemocórico.

Dente-de-leão
Figura 4: Fotografia dos frutos de um dente-de-leão. Cada um dos pequenos “paras-quedas” que se soltam da estrutura quando são atingidos pelo vento é um fruto adaptado à dispersão pelo vento, a anemocoria. Fonte da imagem: Getty Images.

Zoocoria

As plantas que apresentam dispersão por zoocoria são aquelas cujos frutos possuem características que facilitam sua dispersão por animais.

As estratégias na zoocoria podem ser extremamente variadas. Frequentemente as angiospermas apresentam frutos carnosos e altamente nutritivos que atraem animais em busca de alimento.

Assim, ao comerem os frutos, frequentemente os animais os carregam para longe da planta mãe, deixando suas sementes caírem. Além disso, podem também ingerir as sementes juntamente com o pericarpo carnoso. Entretanto, ao defecarem, liberam sementes viáveis, dispersando-as.

Macaco - Polinização
Figura 5: Fotografia de um macaco comendo uma fruta. Os frutos são fontes nutritivas de alimentos. Eles atraem animais que, ao comê-los, auxiliam na dispersão das sementes. Fonte da imagem: Getty Images.

Outro tipo de zoocoria ocorre através de frutos que se grudam em animais, como o carrapicho. Esses frutos possuem em sua superfície tricomas na forma de pequenos ganchos que se aderem nos animais que encostam neles. Ao ficarem secos, esses frutos se desgrudam dos animais que lhes deram “carona” e assim, liberam suas sementes bem longe da planta mãe.

Dispersão de sementes
Figura 6: Fotografia dos meias e tênis de uma pessoa com vários frutos aderidos. Esses frutos possuem estruturas na forma de ganchos que aderem à superfícies e facilitam a sua dispersão.

Hidrocória

Na hidrocória, por fim, os frutos possuem características que facilitam a sua dispersão pela água. Um exemplo de fruto hidrocórico é o amendoim. A casquinha dele é o fruto e funciona como um barquinho, dispersando a semente.

Para complementar o que você aprendeu nesta aula, veja este pequeno documentário chamado “A vida das plantas” e, em seguida, responda aos exercícios:

Exercícios

1- (UNIRG TO/2018)    

A polinização de plantas é um processo essencial para a manutenção de populações no ambiente natural e pode ocorrer através de vários agentes. A polinização realizada por morcegos é conhecida como (marque abaixo a alternativa correta):

a) Anemofilia.

b) Entomofilia.

c) Quiropterofilia.

d) Ornitofilia.

2- (ENEM/2018)    

A polinização, que viabiliza o transporte do grão de pólen de uma planta até o estigma de outra, pode ser realizada biótica ou abioticamente. Nos processos abióticos, as plantas dependem de fatores como o vento e a água.

A estratégia evolutiva que resulta em polinização mais eficiente quando esta depende do vento é o(a)

a) diminuição do cálice.

b) alongamento do ovário.

c) disponibilização do néctar.

d) intensificação da cor das pétalas.

e) aumento do número de estames.

3- (UEFS BA/2018)    

Existem espécies de pássaros que se alimentam dos frutos das coníferas, como o cruza-bico, que, como o nome já diz, tira os frutos dos galhos com a ponta do bico forte e cruzado nas extremidades e come as sementes. Como poucos animais gostam de usar as sementes das coníferas como reserva nutritiva para o inverno, esses vegetais soltam suas sementes, que contam com mecanismos que as permitem cair devagar e ser levadas pelo vento. As coníferas liberam uma quantidade imensa de grão de pólen. Esse volume é tão grande que a menor brisa levanta nuvens de grãos de pólen colossais sobre as florestas de coníferas.

(Peter Wohlleben. A vida secreta das árvores, 2017. Adaptado.)

No texto existe um equívoco biológico. Esse equívoco é a afirmação de que as coníferas

a) produzem frutos comestíveis.

b) produzem sementes com reserva nutritiva.

c) produzem uma grande quantidade de pólen.

d) podem ter suas sementes dispersadas por alguns animais.

e) dependem do vento para a polinização.

4- (UDESC SC/2017)    

Flores desprovidas de pétalas coloridas, sem nectários com grande produção de grãos de pólen, os quais são pequenos e leves, caracterizam plantas com polinização do tipo:

a) entomófila

b) ornitófila

c) artificial

d) anemófila

e) hidrófila

GABARITO:  

  1. C
  2. E
  3. A
  4. D

Sobre o(a) autor(a):

Juliana Evelyn dos Santos é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito.