Romantismo e suas características

Revise o Romantismo para se dar bem em Literatura no Exame Nacional do Ensino Médio! Estude com o Curso Enem Gratuito!

O Romantismo é um dos temas de Literatura que mais cai nos exames de vestibular e no Enem. Hoje você vai conhecer como surgiu esse movimento literário, tanto no Brasil como na Europa. Veja o resumo online, uma aula gratuita do cursinho Descomplica, e depois resolva o Simulado Enem Gratuito.

Para começo de conversa, o Romantismo nasceu na Europa no final século XVIII. Já no Brasil, ele começou a se desenvolver no século XIX. O movimento tinha como característica a oposição ao classicismo, ao racionalismo e ao Iluminismo. Sua influência não foi somente literária, pois se manifestou na pintura, na música, na arquitetura e na política da época.

O Romantismo foi a primeira escola a romper com os valores clássicos (séculos XV e XVI). Uma das primeiras tentativas de rompimento com o Classicismo foi o movimento Barroco (século XVII), que não obteve êxito.

A escola se definiu a tudo a que se opusesse ao clássico, assim as novas obras que surgiam com características diferentes ao Clássico eram consideradas como Românticas. Assim, surgem o “romance de cavalaria, romance sentimental, romance pastoral”, na Europa. O romance foi considerado o sucessor da epopeia, tão presente nas obras Clássicas.

Na prosa, o aspecto formal do Clássico passa a ser deixado de lado. O mesmo ocorre com a poesia, com os versos livres, sem métrica e sem estrofação. A poesia também é caracterizada pelo verso branco e sem rima. O estilo romântico revela-se inicialmente idealista e sonhador, depois, crítico e retórico, mas sempre sentimental e nacionalista.

Há também na poesia e prosa romântica um incentivo de exaltação à pátria, retorno ao passado histórico e heroísmo nacional. Na literatura europeia, os heróis nacionais são belos e valentes cavaleiros medievais. No Brasil, esse heroísmo e nacionalidade é visto na imagem do índio, eles são caracterizados como belos, valentes e civilizados, assim como acontece na literatura europeia.

O Romantismo, como podemos perceber, supervaloriza o sentimentalismo, com suas emoções pessoais e de certa forma egocêntrica. Quando os personagens, o eu lírico, não consegue atingir seus objetivos é tomado por grande frustração e tédio, pois se vê derrotado.

No Brasil, a poesia e a prova do movimento Romântico tinha como características principais: presença de um amor platônico com um sentimentalismo exacerbado; idealismo da mulher amada; subjetivo; indianista, que colocava o índio como tema; nacionalista e ufanista; cultismo à natureza; egocêntrico; liberdade formal e religiosidade.

Mas, como tudo começou?

Como arte literária, as principais bases do sentimentalismo romântico estão presentes no romance Werther, de Goethe, publicado na Alemanha em 1774. O movimento também esteve presente na Inglaterra, nos primeiros anos do século XIX, tendo como destaque a poesia ultra-romântica de Lord Byron e o romance histórico “Ivanhoé”, de Walter Scott. Outras obras como “Manon Lescut”, do árabe Prévost (1731), e a “História de Tom Joses”, de Henry Fielding (1749), também foram marcas da literatura romântica na Europa.

No Brasil, duas publicações marcam o início do Romantismo no país. São a revista Niterói e o livro de poesias “Suspiros poéticos e saudades”, de Gonçalves de Magalhães. As obras foram lançadas em Paris, no ano de 1836. No contexto histórico da época, o desenvolvimento da literatura brasileira acontece a partir da vinda da Família Real para o Rio de Janeiro, gerando um forte desenvolvimento artístico e cultural na colônia, afinado com a produção literária europeia.

Nesse mesmo período, também surge a insatisfação das classes dominantes com o Império e as tentativas de independência da metrópole, produzindo um sentimento de nacionalismo que culminaria com a Declaração da Independência, em 1822, por Dom Pedro I. O nacionalismo é uma das marcas do Romantismo brasileiro, presente na figura do índio.

Em Portugal, o movimento surge com a publicação, em 1825, do poema “Camões”, escrito por Almeida Garrett. A obra foi escrita durante seu exílio de Garrett em Paris. A época de surgimento do movimento condiz com as lutas civis entre liberais e conservadores. A renúncia de Dom Pedro ao trono brasileiro e sua luta pelo trono de Portugal ao lado dos liberais veio intensificar essas lutas.

Aula Gratuita

Veja um resumo das Características Básicas com o professor Rolo, do canal Curso Enem Gratuito, e depois continue na aula para ver as diferenças entre o Classicismo e o Romantismo.

As Diferenças entre o Classicismo e Romantismo:

Classicismo Romantismo
Inteligência

Razão

Objetividade

Impessoalidade

Cultivo da Antiguidade greco-romana (mitologia pagã)

Equilíbrio

Disciplina

Clareza

Ordem

O homem equilibrado, saudável, moralista e disciplinado.

A mulher inatingível, deusa, reflexo do amor divino.

Versificação e métrica regulares (preferencialmente o soneto), com linguagem selecionada e acessível

Preferência pela descrição de locais abertos e as paisagens bucólicas.

 

Estrutura de texto em prosa, longo

Desenvolvimento de um núcleo central

Narrativa ampla refletindo uma sequência de tempo

O indivíduo passa a ser o centro das atenções

Influencia a pintura, a música e a arquitetura

Surgimento de um público consumidor (folhetim)

Versos livres

Versos brancos

Exaltação do nacionalismo, da natureza e da pátria

Criação de um herói nacional

Sentimentalismo

Supervalorização das emoções pessoais

Subjetivismo

Egocentrismo

Saudades da infância

Idealização da sociedade, do amor e da mulher

Fuga da realidade

 

 

Gerações Românticas no Brasil

No Brasil, o Romantismo surgiu no século XIX como disse, ou seja, em 1836, permanecendo até 1881. Na época, o Brasil passava pelo período de colonização europeia (portuguesa) e também de escravidão. A escola romântica foi dividida em três fases no país e teve quatro tendências de prosa ficcional, contando com obras de teatro, incluindo a de Martins Pena, com comédias de costume.

As gerações românticas são:

Primeira Geração  Segunda Geração Terceira Geração
Características:

Contexto pós independência do país, a primeira geração esteve marcada pelo binômio “nacionalismo-indianismo”.

Busca da identidade Nacional (nacionalismo)

Índio como herói brasileiro (indianismo)

Exaltação da natureza

Retorno ao passado

 

Autores:

Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Teixeira e Souza e Araújo Porto Alegre, José de Alencar

 

 

Características:

É chamada de “Mal do Século” ou “Ultrarromantismo” e recebeu grande influência do poeta inglês Lord Byron.

Individualismo e egocentrismo

Eu-lirico pessimista

Temas de amor, morte, medo.

Fuga da realidade

 

 

Autores:

 

Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.

Características:

Conhecida como “Condoreirismo” ou “Geração Condoreira”, essa fase foi influenciada pela poesia social do poeta francês Victor Hugo.

Poesia social e libertária

Erotismo e pecado

Negação do amor platônico

 

 

Autores:

Castro Alves e Sousândrade.

A prosa romântica brasileira nasceu de um projeto literário que tinha o intuito de traçar um panorama da história e da cultura do país. Seu principal romancista foi o cearense José de Alencar (1829 – 1877), autor de romances históricos, indianistas, regionalistas e urbanos, como Iracema.

Além dele, outros autores se destacaram na prosa como Joaquim Manoel de Macedo (1820 – 1882), autor de A Moreninha, e Manuel Antônio de Almeida (1831 – 1861), autor de Memórias de um Sargento de Milícias, com narrativas que retratavam os costumes da época.

Para finalizar, assista aos vídeos do nosso canal sobre o Romantismo:

Agora resolva os exercícios abaixo e, ao final, teste seus conhecimentos com o simulado!
  1. (UEL – PR) Graças a Gonçalves de Magalhães, a majestosa mangueira substituiu os carvalhos, o sabiá desentronizou o rouxinol da Europa, e algumas das belezas americanas vieram, por fim, a ser cantadas com a mais pura e autêntica poesia.

Essa “mais pura e autêntica poesia” a que se refere o texto acima é a que está, também,

  1. a) nos poemas nacionalistas de Gonçalves Dias.
  2. b) na lírica amorosa de Gregório de Matos.
  3. c) nos sermões de Antônio Vieira.
  4. d) nos textos simbolistas de Alphonsus de Guimaraens.
  5. e) no nacionalismo crítico de Oswald de Andrade.

 

2 –  (Mackenzie -SP) É uma característica da obra de Camilo Castelo Branco:

  1. a) a influência rica em sua poesia de símbolos, imagens alegóricas e construções.
  2. b) a oscilação entre o lirismo e o sarcasmo, deixando páginas de autêntica dramaticidade, vibrando com personagens que comumente intervêm no enredo, tecendo comentários piedosos, indignados ou sarcásticos.
  3. c) a busca de uma forma adequada para conter o sentimentalismo do passado e das formas românticas.
  4. d) o fato de deixar ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civilização moderna e industrializada.
  5. e) o apego ao conto como principal realização literária, através do qual se tornou um dos autores mais respeitados na literatura portuguesa.

 

3 –  (ENEM) Leia o soneto abaixo:

“Já da morte o palor me cobre o rosto,

Nos lábios meus o alento desfalece,

Surda agonia o coração fenece,

E devora meu ser mortal desgosto!

 

Do leito embalde no macio encosto

Tento o sono reter!… já esmorece

O corpo exausto que o repouso esquece…

Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

 

O adeus, o teu adeus, minha saudade,

Fazem que insano do viver me prive

E tenha os olhos meus na escuridade.

 

Dá-me a esperança com que o ser mantive!

Volve ao amante os olhos por piedade,

Olhos por quem viveu quem já não vive!”

 

(AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000)

 

O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é:

  1. a) a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte.
  2. b) a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda.
  3. c) o descontrole das emoções provocado pela auto piedade.
  4. d) o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa.
  5. e) o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.

 

  1. Leia o poema abaixo:

MOCIDADE E MORTE

“Oh! eu quero viver, beber perfumes

Na flor silvestre, que embalsama os ares;

Ver minh’alma adejar pelo infinito,

Qual branca vela n’amplidão dos mares.

No seio da mulher há tanto aroma…

Nos seus beijos de fogo há tanta vida…

– Árabe errante, vou dormir à tarde

À sombra fresca da palmeira erguida.”

No trecho acima, de Castro Alves, reúnem-se vários dos temas e aspectos mais característicos de sua poesia. São eles:

  1. a) identificação com a natureza, condoreirismo, erotismo.
  2. b) aspiração de amor e morte, sensualismo, exotismo.
  3. c) sensualismo, aspiração de absoluto, nacionalismo, orientalismo.
  4. d) personificação da natureza, hipérboles, sensualismo velado, exotismo.
  5. e) aspiração de amor e morte, condoreirismo, hipérboles.

 

  1. (ENEM) No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o Romantismo.

“Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.” (ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson,1957.)

A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao romantismo está transcrita na alternativa:

  1. a) “… o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas …”
  2. b) “… era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça …”
  3. c) “Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, …”
  4. d) “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos … “
  5. e) “… o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.”

 

GABARITO

  1. Resposta correta: A

Comentário: Antônio Gonçalves Dias é o principal representante da tendência nacionalista da primeira geração romântica brasileira, que tinha como programa estético o indianismo e a valorização da natureza pátria.

2 – Resposta correta: B

Comentário: O tom dramático e passional das novelas e romances de Camilo, muitas vezes é acompanhado de certo desengano, do qual resulta uma visão sarcástica e contundente.

3 – Alternativa B. O sentimento de melancolia do eu lírico e a aproximação com a morte, são características perceptíveis ao longo do poema. Portanto, por mais que o desejo de morrer, a auto piedade e a angústia sejam características da 2ª Geração, não englobam com o que foi pedido no enunciado, que busca avaliar o lirismo para além de seu momento específico. Nesse caso, os versos ” O corpo exausto que o repouso esquece…/Eis o estado em que a mágoa me tem posto!” confirmam a alternativa B.

4 – Alternativa A. Castro Alves é o principal autor da 3ª Geração Romântica. Em sua poesia lírica, percebemos a sensualização feminina, afastando-se da idealização amorosa e que coloca a amada como um elemento inatingível. Os versos “No seio da mulher há tanto aroma…/Nos seus beijos de fogo há tanta vida…” confirmam esse nova posição da mulher, descrita pelo eu lírico. Ademais, o autor relaciona o cenário natural com o seu envolvimento amoroso.

 

5 – Alternativa A. Machado de Assis ironiza o movimento romântico, anterior à escola realista. No verso “… o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas …”, percebemos que o autor critica a idealização amorosa do eu lírico com a amada, como também, a fuga à realidade; aspectos característicos do Romantismo.