Sucessão ecológica

Você já sabe que o Enem adora cobrar questões relacionadas à ecologia, certo? Então, estude um assunto que pode aparecer na sua prova: a sucessão ecológica.

Vamos explicar o que é a sucessão ecológica e como ela acontece recapitulando também alguns conceitos ligados à ecologia.

Todos os seres vivos presentes em um determinado ambiente são chamados de “componentes bióticos”. Estes componentes apresentam adaptações às condições ambientais do local onde se encontram e também às relações que estabelecem com outros seres vivos.

Porém, ao longo do tempo as condições abióticas de um local (como luminosidade, temperatura, umidade) podem se modificar por conta de alterações climáticas ou por modificações promovidas pelos seres humanos.

Ou ainda, os próprios seres vivos ali presentes podem com o tempo alterar as condições ambientais que ali existem, possibilitando o aparecimento de novos seres vivos.

Dessa maneira, as comunidades presentes em determinado ambiente podem ser alteradas em sucessivas transformações, até que em determinado momento consigam estabelecer uma comunidade estável, que se autorregula e não sofre alterações significativas. O conjunto dessas alterações sofridas ao longo do tempo são chamadas de sucessão ecológica.

Muitas são as alterações que podem ocorrer em um ambiente. Mas, para que possamos considerar que seja uma sucessão ecológica, é necessário que essas mudanças obedeçam três características básicas.

Características da sucessão ecológica

  • Continuidade

Uma sucessão ecológica é um processo contínuo, não sazonal.

Por exemplo: no ambiente da Caatinga, em localidades em que já há uma comunidade de seres vivos estável, no período da seca sobrevivem apenas poucas plantas (como os cactos e algumas árvores de caules grossos e folhas enceradas), cujas adaptações permitem a sobrevivência em um ambiente com baixa quantidade de água. Porém, quando há chuvas, a Caatinga floresce e surge uma grande variedade de vegetais que deixam a paisagem verde.

Observe que neste caso novas condições ambientais surgiram (presença de água) e permitiram o surgimento de novos seres vivos. Porém, logo que chega a estação seca, a paisagem volta a ser como era antes. Ou seja, estas mudanças são sazonais, ocorrem de acordo com as estações.

Uma sucessão ecológica não ocorre dessa maneira. Uma sucessão irá continuar ocorrendo, independentemente da estação do ano!

  • Resposta às modificações realizadas pelos componentes bióticos

Uma sucessão ecológica sempre vai acontecer em resposta às mudanças provocadas por seres vivos. O seu início pode até ter sido provocado por um outro motivo (como o desmatamento de uma determinada área), mas a sucessão de eventos e seres vivos que seguirão irá ocorrer devido à “preparação” do ambiente por comunidades preexistentes.

  • As sucessões ecológicas terminam quando as comunidades atingem seu clímax.

Ou seja, a sucessão ecológica termina quando as relações estabelecidas em um ambiente ficam equilibradas e autossuficientes, realizando sua própria autorregulação (a não ser que as características macroclimáticas sejam modificadas).

Fases de uma sucessão ecológica

A conquista de um novo ambiente por seres vivos ocorre de maneira lenta e gradual.

Durante este processo, seres vivos mais simples (e que também precisam de menos recursos do ambiente para sobreviverem) conseguem colonizar ambientes inóspitos. Seu metabolismo modifica o ambiente, possibilitando a fixação de comunidades cada vez mais complexas e que, consequentemente, exigem cada vez mais recursos.

Nas sucessões ecológicas podemos observar três fases distintas:

Organismos pioneiros ou eceses

Imagine uma ilha rochosa recém-formada no meio do oceano por conta de uma erupção vulcânica. O substrato rochoso praticamente não oferece recursos, sua superfície dificulta a fixação e oferece pouca proteção. É um lugar bem inóspito para a maioria das formas de vida. Os organismos que ali se instalarão precisarão ser de pequeno porte e bastante resistentes, principalmente à grande iluminação ao longo de todo o dia. Estes organismos mais simples, adaptados às condições de difícil sobrevivência, são chamados de organismos pioneiros ou eceses.

Neste ambiente terrestre que imaginamos incialmente os organismos pioneiros geralmente são bactérias, fungos, líquens, musgos, gramíneas e pequenos insetos. Os organismos autótrofos pioneiros possuem uma grande produção líquida, ou seja, sua taxa de fotossíntese é muito superior à taxa de respiração.

Dessa maneira, o saldo positivo de energia permite que estas plantas produzam grande quantidade de matéria orgânica. Esse excesso de matéria orgânica juntamente com os minerais que as rochas liberam (em decorrência da reação química provocada por substâncias liberadas pelos seres vivos que ali tentam se fixar, como o ácido liquênico liberado pelos líquens) irão formar o início do solo.

Uma outra característica das plantas e outros organismos pioneiros é a grande produção de sementes e esporos. Isso ocorre porque uma vez que sobrevivem em um ambiente de condições muito desfavoráveis, a maior parte do seu suprimento de energia será gasto na sua reprodução.

Isso segue a premissa básica da vida: quanto mais descendentes, maiores são as chances de sobrevivência de uma espécie (principalmente em um ambiente desfavorável).

Briófitas e líquens sucessão ecológica
Briófitas (em cima) e líquens (embaixo) sobre rochas. São organismos comuns no início de sucessões.
Organismos intermediários ou séries

Os organismos intermediários de uma sucessão ecológica são aqueles que começam a se instalar após os seres vivos pioneiros terem “preparado o ambiente”.

Mais complexos que os pioneiros, exigem maior quantidade de recursos. Porém, como os recursos ainda continuam muito limitados (como solo raso e com poucos nutrientes), os organismos que ali se estabelecem são de pequeno porte, como plantas herbáceas e pequenos arbustos.

Ainda assim, o porte um pouco maior em relação aos pioneiros promove um maior sombreamento do solo, o que permite a manutenção de uma maior umidade, melhorando as condições de vida. Como estas plantas são maiores que os organismos pioneiros elas terão menor produção líquida, uma vez que usarão boa parte da sua energia na manutenção de seu metabolismo.

Comunidade clímax

A comunidade clímax corresponde à etapa mais complexa da sucessão ecológica. Esta é a etapa mais desenvolvida e biodiversa que um ambiente pode suportar, uma vez que o grupo de seres vivos que compõe essa comunidade explora todos os recursos e potencialidades do ambiente.

No clímax de uma sucessão encontramos relações ecológicas intrincadas, grande diversidade de nichos ecológicos e a comunidade possui grande biomassa. Sendo assim, a produtividade líquida de um ambiente em clímax é baixa, já que o consumo energético é proporcional ao seu tamanho.

Sucessão ecológica primária e secundária

Podemos ainda fazer uma última classificação dos diferentes tipos de relações ecológicas levando em consideração as características do ambiente em que a sucessão ecológica se inicia:

  • Sucessão ecológica primária: Ocorre em ambientes onde nunca houve qualquer ser vivo antes, como no exemplo da ilha rochosa recém-formada.
  • Sucessão ecológica secundária: Ocorre em ambientes onde antes havia uma comunidade clímax que foi destruída por algum motivo (como uma atividade humana).

Como este assunto pode ser cobrado?

Você sabe bem que o Enem gosta de relacionar conteúdos com situações cotidianas, certo? As sucessões ecológicas são um assunto excelente para fazer esta relação. Com este tema o Enem pode discutir como as ações humanas podem influenciar nos ecossistemas e como os seres vivos irão responder à estas alterações.

É importante que você lembre sempre que, mesmo que haja uma sucessão secundária e volte a se formar uma comunidade clímax em uma região anteriormente devastada, a perda de um ecossistema já estabelecido e todas as suas inter-relações é inestimável. Além disso, para que uma comunidade em sucessão ecológica atinja seu clímax serão necessários muitos anos.

Para finalizar sua revisão, assista à videoaula da professora Juliana, que também é autora deste post:
Questões sobre sucessão ecológica

Resolva os exercícios abaixo, selecionados pela professora Juliana, e depois responda ao simulado com 10 questões!

Questão 01 – (Enem/2016)

Os ecossistemas degradados por intensa atividade agrícola apresentam, geralmente, diminuição de sua diversidade e perda de sua estabilidade. Nesse contexto, o uso integrado de árvores aos sistemas agrícolas (sistemas agroflorestais) pode cumprir um papel inovador ao buscar a aceleração do processo sucessional e, ao mesmo tempo, uma produção escalonada e diversificada.

Disponível em: saf.cnpgc.embrapa.br.
Acesso em: 21 jan. 2012 (adaptado).

Essa é uma estratégia de conciliação entre recuperação ambiental e produção agrícola, pois

a) substitui gradativamente as espécies cultiváveis por espécies arbóreas.

b) intensifica a fertilização do solo com o uso de técnicas apropriadas e biocidas.

c) promove maior diversidade de vida no solo com o aumento da matéria orgânica.

d) favorece a dispersão das sementes cultivadas pela fauna residente nas áreas florestais.

e) cria condições para o estabelecimento de espécies pioneiras com a diminuição da insolação sobre o solo.

Questão 02 – (Enem/2014)

Surtsey é uma ilha vulcânica situada perto da costa sul da Islândia. A erupção vulcânica que lhe deu origem ocorreu na década de 1960, o que faz dela, seguramente, a ilha mais nova do Oceano Atlântico. As primeiras espécies que aí se fixaram musgos e liquens. À medida que as aves foram fixando-se na ilha, as condições do solo foram melhorando e espécies vegetais mais complexas puderam iniciar a colonização do território. Em 1988 foi observada a presença do primeiro arbusto.

Disponível em: www.nacopadasarvores.blogspot.com.br.
Acesso em: 25 maio 2012 (fragmento).

O conjunto das alterações ocorridas no ambiente descrito é exemplo de

a) nicho ecológico.

b) eficiência ecológica.

c) sucessão ecológica.

d) irradiação adaptativa.

e) resistência ambiental.

GABARITO:

1) Gab: C

2) Gab: C

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.