Taxonomia: Aprenda sua definição e aplicação na biologia

Você sabe o que é Taxonomia? Compreende a importância desse ramo da ciência para os estudos em evolução? Não? Então acompanhe esta aula de Biologia para mandar bem no Enem e nos vestibulares!

Taxonomia é a ciência que nomeia e classifica os seres vivos. Para isso, são observadas as semelhanças entre as diferentes características entre eles. Por esse motivo ela é a ciência que tem caráter universal, pois realiza o papel de organizar o estudo dos seres vivos em todo o mundo. Mesmo com séculos e séculos de pesquisas, até hoje os cientistas ainda encontram novas espécies de seres vivos! E, para conseguir estudá-las, é preciso estabelecer uma organização, uma classificação e essa ação é a Taxonomia.

Além disso, estudar as relações entre os seres vivos e seus antepassados ajuda a estudar a grande variedade de vida no mundo. A biodiversidade do Planeta Terra é extraordinária. Apesar da destruição acelerada dos ecossistemas, todos os dias novas espécies de seres vivos são descobertas e descritas. Portanto na aula de hoje vamos aprender um pouco mais sobre o que é a taxonomia e como ela se relaciona com a biologia atual.

O que é taxonomia?

Como você pode perceber, a diversidade de seres vivos conhecidos em nosso planeta é gigantesca. E, você pode supor, que não é fácil estudar todos os seres vivos e estabelecer as relações entre eles. Para “facilitar” esse processo, os biólogos agrupam os seres vivos de acordo com suas características e os nomeiam seguindo determinados padrões. A ciência que se propõe a este trabalho é chamada de taxonomia (do grego antigo τάξιςtáxis, “arranjo” e νομίαnomia, “método”).

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Digamos que neste momento você pare de acompanhar esta aula e comece a escrever o nome de todos os seres vivos que você conhece, fazendo uma lista. Essa lista seria pequena ou muito grande? É muito provável que você escreveria várias páginas com nomes de seres vivos, mesmo que você não seja um(uma) grande amante da natureza.

Para você ter uma ideia da biodiversidade conhecida, já foram descritas mais de 2 milhões de espécies de seres vivos. E estima-se que existam muitos mais ainda não descritos (as estimativas variam entre 10 e 100 milhões de espécies).

O nascimento da Taxonomia

Uma das primeiras tentativas de classificar os seres vivos foi feita pelo filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.). Ele usou algumas características de animais para separá-los em grupos e classificá-los, como a cor de seu “sangue”. A maioria das características utilizadas por Aristóteles é bastante arbitrária. Outras são usadas até hoje, como a classificação em vertebrados e invertebrados.

Um dos alunos de Aristóteles, Teofrasto (370-285 a.C.), continuou o trabalho de seu mestre, escrevendo um livro onde classificava 480 espécies de plantas. Séculos mais tarde, um general romano conhecido como Plínio, o velho (23-79d.C) retomou os estudos de classificação dos seres vivos. Plínio escreveu dezenas de volumes intitulados de Naturalis Historia, onde descreveu muitos seres vivos e os nomeou com nomes latinos em um sistema de nomenclatura binomial.

Mais de 1500 anos se passaram antes que novos estudos na área da taxonomia fossem suficientemente relevantes para substituírem os textos dos antigos gregos e romanos.

A Taxonomia, tal como conhecemos, foi fundada pelo médico e botânico sueco Carl von Linné (Lineu, para os brazucas). Lineu (1707-1778) publicou duas obras de grande importância: Systema Nature e Species Plantarum. Nessas obras Lineu propõe um sistema de nomenclatura binomial padronizado para todos os seres vivos e para todos os países. Através do sistema proposto por Lineu, a caótica e desorganizada literatura que descrevia os seres vivos começou a tomar forma.

Carl pai da taxonomia
Imagem 1: Carl von Linné, o cientista sueco considerado o pai da Taxonomia.

 

O que são os Táxons e sua ligação com a taxonomia

Atualmente os seres vivos são classificados em táxons ou categorias taxonômicas. Os táxons são conjuntos de seres vivos agrupados por características em comum. Lineu criou diferentes táxons, sendo que o agrupamento de espécies começa a partir de uma categoria mais abrangente que vai se subdividindo em categorias cada vez mais específicas.

Para você entender melhor a lógica das categorias taxonômicas, pense na organização de pastas de documentos de um computador. No meu computador, por exemplo, tenho uma pasta enorme e bem generalista, chamada de diretório “F”. Dentro da pasta “F”, tenho duas outras pastas: “Juliana” e “Fotos”.

Para separar essas duas pastas dentro de “F”, levei em consideração os tipos de arquivos: em uma coloquei apenas fotos, na outra coloquei documentos. Dentro da pasta “Juliana”, há duas outras pastas: “Blog do Enem” e “Cacalhada”. Aqui separei os meus arquivos de trabalho dos arquivos pessoais. Dentro da pasta “Blog do Enem” criei várias outras pastas ainda mais específicas, separando os arquivos de acordo com a disciplina, por exemplo.

exemplo prático de taxonomia

IMAGEM: Print das pastas presentes no meu computador. Elas são organizadas de acordo com as características de seu conteúdo. Nessa organização temos uma pasta generalista e, dentro dela, subpastas cada vez mais específicas. O sistema de classificação de Lineu segue uma linha semelhante.

Veja que para organizar os arquivos no meu computador parti de uma pasta generalista, que guarda todos os meus arquivos (“F”) e dentro dela fui criando pastas mais específicas, agrupando meus arquivos de acordo com semelhanças entre eles.

O mesmo acontece com as categorias taxonômicas. Partimos de uma categoria generalista e vamos subdividindo seus componentes em categorias cada vez mais específicas.

Atualmente temos 8 categorias taxonômicas principais: espécie, gênero, família, ordem, classe, filo, reino e domínio. A mais generalista (e, portanto, a que cabem mais espécies) é a categoria de Domínio, seguida por Reino. Já a categoria mais específica, onde cabe apenas um tipo de ser vivos, é a categoria de espécie.

Como a taxonomia se aplica às espécies

Sendo assim, dizemos que a categoria de espécie é a categoria taxonômica básica. Dentro dela estão seres vivos extremamente semelhantes entre si e que são capazes de se reproduzirem gerando descendentes férteis.

Para exemplificarmos a ideia de espécie vamos pensar em alguns animais bem conhecidos por nós: os cães. Existem cachorros de diferentes colorações e portes. Às vezes são tão diferentes, que parecem até fazer parte de espécies diferentes.

Imagem 3: Pinscher ao lado de um São Bernardo. Apesar das visíveis diferenças em sua anatomia, ambos pertencem a espécie dos cães, Canis familiaris.

Porém, apesar de terem essas diferenças, eles ainda são capazes de realizar reprodução sexuada entre si e produzir descendentes férteis. São, portanto da mesma espécie.

Há espécies de animais muito próximos evolutivamente que são capazes de se reproduzirem entre si. Porém, seus descendentes não são férteis. Sendo assim, não são capazes de se reproduzirem, por isso não constituem uma nova espécie, mas sim indivíduos que chamamos de híbridos.

Esse é o caso, por exemplo, das mulas. As mulas são geradas a partir do cruzamento de uma égua com um jumento. O mesmo acontece com os “ligres” ou “tiões”, gerados a partir do cruzamento entre tigres e leões.

ligre
Imagem 4: Foto do “ligre” chamado Hércules ao lado de sua tratadora.

A hierarquia das categorias taxonômicas

Seres vivos de espécies que são muito semelhantes entre si são reunidas em um grupo um pouco mais abrangente: o gênero. Por sua vez, gêneros com muitas semelhanças entre si são agrupados em uma família.

Seguindo essa lógica, famílias com características em comum são todas colocadas dentro de uma categoria que chamamos de ordens. As ordens são agrupadas dentro de classes e estas, quando compartilham características, irão compor determinada classe.

As classes que compartilham características são agrupadas dentro de um filo. Vários filos juntos formam, por fim, um Reino.

Em alguns grupos de seres vivos há uma variedade e uma complexidade muito grande. Isso faz com que os cientistas precisem criar categorias intermediárias, como supergêneros ou superfamílias.

hierarquias taxonomicas
Imagem 5: Diagrama mostrando a hierarquia das categorias taxonômicas.

Reinos e domínios na taxonomia

Com o passar dos anos e o aprimoramento das técnicas de análises dos seres vivos, foram descritas muitas novas espécies. Além disso, muitos seres vivos foram remanejados e novos grupos foram criados. Sendo assim, a taxonomia sofreu modificações ao longo do tempo.

Para o Ensino Médio no Brasil e em boa parte do mundo, uma das classificações mais utilizadas é a classificação de Whittaker, de 1969. Nessa classificação, o cientista dividiu os seres vivos em cinco grandes Reinos: Monera, Protoctista, Fungi, Plantae e Animalia.

Na classificação de Whittaker, são levados em consideração três quesitos principais:

  • Nível de organização celular: eucariontes e procariontes;
  • Modo de nutrição: autótrofos ou heterótrofos;
  • Interações nos ecossistemas: Consumidores ou produtores ou decompositores.

Mas, além da categoria de Reino, você pode encontrar também em alguns vestibulares e no Enem uma categoria ainda mais abrangente: os Super-Reinos ou Domínios. Essa classificação, de 1990, proposta Carl Woese, Otto Kandler e Mark Wheelli leva em consideração outras características, tais como:

  • Ultraestruturas microscópicas de organelas celulares;
  • Comparação de sequências nucleotídicas de RNA e DNA que ajudam a entender as características evolutivas de determinados grupos.

Sendo assim, teríamos três domínios:

  • Archaea: São os procariontes que vivem em condições extremas. Na classificação de Whittaker, esses seres vivos se encontram dentro do Reino Monera.
  • Eubacteria: Procariontes mais comuns na natureza. Seriam os demais Moneras que não se encaixam dentro do Domínio Archaea.
  • Eukarya: Todos os procariontes estariam dentro desse domínio. Sendo assim, fazem parte do Domínio Eukarya os Reinos Protoctista, Fungi, Plantae e Animalia.

Compreendendo os caracteres taxonômicos

Até agora você viu que a taxonomia nos ajuda a classificar os seres vivos, permitindo uma maior organização no estudo da biodiversidade. Mas, que caracteres são levados em consideração para agrupar os seres vivos dentro dos táxons?

Assim como outros pontos dentro da taxonomia, os avanços nos métodos de análise das características dos seres vivos modificaram-se muito ao longo dos anos. Na época de Lineu os caracteres mais observados eram a anatomia dos seres vivos e suas relações ecológicas. Hoje, com as técnicas de análise gênica e com microscópios mais potentes, outras características são também observadas

Veja a seguir algumas características que são utilizadas para classificar um ser vivo:

  • Características morfológicas: corresponde à análise das estruturas anatômicas do ser vivo. São observados os formatos e tamanhos das estruturas presentes interna e externamente no ser vivo ao longo do seu desenvolvimento. Neste carácter, observa-se inclusive, as características celulares do ser vivo.
  • Características fisiológicas: corresponde à análise do funcionamento do metabolismo do ser vivo, como as reações químicas que ocorrem em suas células para a produção de energia ou até mesmo suas secreções e excretas.
  • Características moleculares: essas características englobam a análise das questões imunológicas, sequenciamento de proteínas e ácidos nucleicos (RNA e DNA).
  • Características comportamentais: levam em consideração características específicas do comportamento do ser vivo.
  • Características ecológicas: analisa as interações de um ser vivo com o meio em que se encontra inserido, bem como sua alimentação, hospedeiros, parasitas etc.
  • Aspectos geográficos: analisa as regiões onde são encontradas as populações dos seres vivos estudados.
classificação taxonômica
Imagem 6: Diagrama representando a classificação taxonômica de uma espécie de urso.

Como se aplica a sistemática ou filogenia à taxonomia

A Sistemática, ou Filogenia, é um ramo complementar da taxonomia. Nesse ramo das ciências biológicas, além do estudo da taxonomia, estabelece-se relações evolutivas entre os diferentes grupos de seres vivos.

É importante que você lembre que na época de Lineu a maior parte dos cientistas era adepta da teoria fixista. Essa ideia dizia que os seres vivos não se modificaram ao longo do tempo e se mantêm iguais desde o momento em que surgiram na Terra.

Sendo assim, o uso da taxonomia como método para estabelecer parentesco evolutivo entre os seres vivos só veio a acontecer muitos anos mais tarde. Mais precisamente, quase 100 anos após as publicações de Lineu, quando Charles Darwin publicou “A Origem das Espécies”.

Como você provavelmente já sabe, a obra de Darwin é um marco nas ciências biológicas e descreve a evolução dos seres vivos através do processo da seleção natural. Entre as várias ideias descritas por essa teoria, há a noção de ancestralidade e parentesco evolutivo entre grupos com características comuns.

Videoula

E aí? Conseguiu aprender um pouco mais sobre taxonomia? Para não restar nenhuma dúvida sobre o assunto, veja a minha videoaula no nosso canal no Youtube, o Curso Enem Gratuito:

Exercícios

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Sobre o(a) autor(a):

Juliana Evelyn dos Santos é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito.

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