Texto injuntivo

“Faça, fuce e force”, cantou Raul Seixas, como se nos desse uma ordem. Pois é, alguns tipos de textos fazem isso. Vamos revisar nesta aula a importância do texto injuntivo, suas características e finalidades. Pode vir, Enem!

Em várias situações dentro de nossas rotinas, temos contato com muitos tipos de gêneros discursivos que funcionam como um “passo a passo” para procedimentos que devemos obedecer para algum objetivo: esse tipo de texto se chama texto injuntivo.

Certa vez, aqui na sede do Curso Enem Gratuito, eu tentei montar um cubo mágico e busquei instruções no Google. Dentre todos os sites que me surgiram, fiquei com este em que tentei aprender, em oito passos, como montar o cubo mágico. Veja as instruções abaixo:

  • Então, o primeiro passo deste método é solucionar uma cruz com os 4 meios brancos ao redor do centro amarelo, ou seja, ignore as quinas brancas e outras peças semelhantes.
  • É um passo extremamente intuitivo e servirá para que você conheça melhor o cubo, seus movimentos e suas possibilidades.
  • Dica: Evite fazer movimentos aleatórios sem saber exatamente qual o real objetivo de cada um.
  • Concentração e paciência serão condições básicas para que você tenha sucesso na solução do Cubo Mágico. Leia e releia cada passo, acompanhe as dicas e preste muita atenção no sentido dos movimentos e na posição correta do cubo.
  • Boa sorte!

Acontece que eu desisti, me deu fome e eu resolvi pesquisar como fazer um bolo. Olha essa receita de bolo de cenoura logo abaixo! Aliás, se você, estudante, resolver fazê-lo, mande um pedaço para nós, tá?

MODO DE PREPARO

Massa:

  • Retire a casca das cenouras, corte-as em pedaços, lave-as e cozinhe-as cobertas com água.
  • Escorra a água, e deixe que as cenouras esfriem um pouco.
  • Em um liquidificador, bata as cenouras cozidas, os ovos e o óleo.
  • Despeje a mistura em um recipiente e misture o açúcar e a farinha de trigo peneirada com o fermento.
  • Coloque em uma fôrma retangular (20 x 30 cm) untada, e leve ao forno médio (180°C), preaquecido, por 40 minutos. Enquanto isso, prepare a cobertura de brigadeiro.

Cobertura:

  • Em uma panela coloque o leite condensado, o Chocolate em pó e a manteiga e leve ao fogo baixo, mexendo sempre, até começar a desprender da panela.
  • Despeje ainda quente sobre o bolo, distribua o chocolate granulado e deixe esfriar.

Então, não montei o cubo (ainda), mas o bolo ficou uma delícia. Mas, afinal, o que os segredos do cubo mágico e do bolo de cenoura têm em comum com nossa revisão? Um texto instrucional, também conhecido como texto injuntivo.

O que é e para que serve um texto injuntivo

Então, como se instala um novo aparelho de som no carro? Como se faz para criar uma planilha de gastos? Quais os passos para a troca de um produto que veio com defeito? Essas perguntas fazem referência a situações completamente diferentes. Porém, caro/a estudante, a resposta para cada uma delas será encontrada em textos instrucionais.

Os textos instrucionais incluem gêneros discursivos que se caracterizam pela apresentação de uma série de procedimentos – passo a passo – para serem seguidos em uma determinada circunstância. Então, sendo assim, estabelecem sempre uma interlocução direta com o leitor. Aqui, alguns exemplos dessa estrutura: receitas, manuais, regras de jogo, guias de uso entre outros.

Portanto, a característica mais importante do texto injuntivo é nos levar a agir de uma certa maneira, seguindo passos previamente estipulados, para resolver situações bem específicas.

A injunção é o ato de ordenar expressamente, de mandar fazer alguma coisa. Portanto, texto injuntivo é aquele cuja finalidade é levar as pessoas a agirem de determinado jeito. Então, isso é uma forma de ordenar ações que nos façam atingir um resultado: instalar ou configurar um aparelho, preparar uma comida, montar um móvel, entre outras coisas.

Onde se encontra texto injuntivo

Os textos instrucionais podem ser encontrados em contextos diferentes, mas claro que isso depende do gênero discursivo que for considerado. Por exemplo, um manual que ensine um consumidor a instalar um chuveiro terá uma circulação muito restrita, porque estará disponível somente às pessoas que precisam instalar o chuveiro.

Os leitores dos textos injuntivos

Os leitores de textos instrucionais possuem uma característica em comum: procuram esses textos, pois precisam de informações específicas a respeito de como agir para atingir um fim também específico.

Por esse motivo, caro/a estudante, é muito difícil traçar um perfil único que represente todos os usuários que leem um texto instrucional. A diversidade de contextos em que circulam os gêneros injuntivos aumenta ainda mais essa dificuldade.

Por exemplo, o perfil dos leitores de manuais de RPG, é muito diferente do das pessoas que se interessam por eletrônica. Porém, nas duas situações, essas pessoas têm em comum o fato de precisarem de uma orientação mais específica sobre como agir para construir uma personagem ou para consertar um amplificador.

A estrutura do texto injuntivo

A quantidade de gêneros discursivos que podem servir de exemplos para textos instrucionais também dificulta a definição de uma estrutura mais precisa. Contudo, é possível identificar alguns elementos estruturais que se assemelham à maioria deles.

Além disso, um efeito bem interessante que o texto injuntivo pode causar é quando é usando dentro de outros gêneros como a música.

Aliás, você já ouviu esta música abaixo? Ela se chama Os Anjos, da banda Legião Urbana. Veja se encontra a parte que “brinca” com um texto injuntivo.

Pegue duas medidas de estupidez

Junte trinta e quatro partes de mentira

Coloque tudo numa forma untada previamente

Com promessas não cumpridas

Adicione a seguir o ódio e a inveja

As dez colheres cheias de burrice

Mexa tudo e misture bem

E não se esqueça antes de levar ao forno

Temperar com essência de espírito de porco

Duas xícaras de indiferença

E um tablete e meio de preguiça

Reinaldo Ferreira (1922-1959), poeta português, também usou características do texto injuntivo para criar este poema. Chama-se Receita para fazer um herói. Banda brasileira IRA! fez deste poema uma canção.

Toma-se um homem,

Feito de nada como nós,

E em tamanho natural.

Embeba-se-lhe a carne,

Lentamente,

Duma certeza aguda, irracional,

Intensa como o ódio ou como a fome,

Depois, perto do fim,

Agite-se um pendão

E toque-se um clarim. 

Serve-se morto.

Linguagem

Então, estudante, você já deve ter notado que do ponto de vista da linguagem, a característica mais marcante do texto injuntivo são os verbos flexionados no modo imperativo.  

Finalmente, esta revisão acaba aqui. Enquanto eu tento – de novo – montar o cubo mágico seguindo o passo a passo, você pode testar o que revisou resolvendo os exercícios abaixo, beleza? Aliás, tem uma videoaula para te ajudar:

 

Até mais, estudante!

TEXTO: 1 – Comum à questão: 1    

Dicas para evitar a disseminação de boatos e notícias falsas

  1. Saiba quando uma mensagem é encaminhada

Mensagens com a etiqueta “Encaminhada” ajudam a determinar se seu amigo ou parente escreveu aquela mensagem ou se ela veio originalmente de outra pessoa.

  1. Verifique fotos e mídia com cuidado

Fotos, áudios e vídeos podem ser editados para enganar você. Procure por fontes de notícias confiáveis para ver se a história está sendo reportada também em outros veículos. Quando uma notícia é reportada em vários canais confiáveis, é mais provável que ela seja verdadeira.

  1. Fique atento a mensagens que parecem estranhas

Muitas mensagens ou links para sites que contêm boatos ou notícias falsas apresentam erros de português. Procure por esses sinais para verificar se a informação é confiável.

  1. Esteja atento a preconceitos e influências

Histórias que parecem difíceis de acreditar são, em sua maioria, realmente falsas.

  1. Notícias falsas frequentemente viralizam

Não encaminhe uma mensagem só porque o remetente está lhe pedindo para fazer isso.

  1. Verifique outras fontes

Se você ainda não tem certeza de que uma mensagem é verdadeira, faça uma busca online por fatos e verifique em sites de notícias confiáveis para ver de onde a história veio.

  1. Ajude a parar a disseminação

Não compartilhe uma mensagem só porque alguém lhe pediu. Se algum contato ou grupo está enviando notícias falsas constantemente, denuncie-os.

Importante: Se você sentir que você ou alguém está em perigo emocional ou físico, por favor, contate as autoridades locais de cumprimento da lei. Essas autoridades são preparadas e equipadas para oferecer assistência nesses casos.

(https://faq.whatsapp.com/pt. Adaptado)

Questão 01)    

As informações apresentadas permitem afirmar que o texto consiste em

  1. a) um guia que permite às pessoas tanto a identificação de notícias falsas quanto a sua produção, o que, algumas vezes, poderá estar em desacordo com a lei.
  2. b) um manual rápido e simplificado para que os usuários das redes sociais saibam se comportar adequadamente ao lerem as mensagens recebidas.
  3. c) um relatório pormenorizado das ações mais comuns identificadas na produção e veiculação de informações falsas pelas redes sociais.
  4. d) uma síntese de procedimentos que permitem entender melhor o funcionamento das redes sociais e a relação emocional que os usuários têm com elas.
  5. e) um roteiro com orientações para a identificação de notícias falsas em redes sociais, o qual ajudará os usuários a parar de disseminá-las.

Gabarito: E

TEXTO: 2 – Comum à questão: 2    
A leitura como tratamento para diversas doenças
(1) Imagine chegar ao consultório ou ao hospital com um incômodo qualquer e sair de lá com a prescrição de uma terapia intensiva de George Orwell, seguida de pílulas de Fernando Pessoa, emplastros de Victor Hugo e doses generosas de Monteiro Lobato. Você não leu errado: uma boa história ajuda a aliviar depressão, ansiedade e outros problemas que atingem a cabeça e o resto do organismo.
(2) Quem garante esse poder medicamentoso das ficções são as inglesas Ella Berthoud e Susan Elderkin, que acabam de publicar no Brasil Farmácia Literária (Versus). Redigida no estilo de manual médico, a obra reúne cerca de 200 males divididos em ordem alfabética. Para cada um, há dicas de leituras.
(3) As autoras se conheceram enquanto estudavam literatura na Universidade de Cambridge. Entre um debate sobre um romance e outro, criaram um serviço de biblioterapia, em que apontam exemplares para indivíduos que procuram assistência.
(4) O método é tão sério que virou política de saúde pública no Reino Unido. Desde 2013, pacientes com doenças psiquiátricas recebem indicações do que devem ler diretamente do especialista. Da mesma maneira que vão à drogaria comprar remédios, eles levam o receituário à biblioteca e tomam emprestados os volumes aconselhados.
(5) A iniciativa britânica foi implementada com base numa série de pesquisas recentes, cujos resultados mostraram que pessoas com o hábito de reservar um tempo às letras costumam ter maior empatia, ou seja, uma capacidade ampliada de entender e se colocar no lugar do próximo. “É difícil lembrar-se de uma condição que não tenha sido retratada em alguma narrativa”, esclarece Susan.
(6) As autoras acreditam que é possível tirar lições valiosas do que fazer e do que evitar a partir da trajetória de heróis e vilões. “Ler sobre personagens que experimentaram as mesmas coisas que vivencio agora auxilia, inspira e apresenta perspectivas distintas”, completam. As sugestões de leituras percorrem praticamente todas as épocas e movimentos literários da humanidade.
(7) Disponível em 20 países, cada edição de Farmácia Literária é adaptada para a cultura local, com a inclusão de verbetes e de literatos nacionais. No caso do Brasil, foram inseridos os principais textos de Machado de Assis, Guimarães Rosa e Milton Hatoum, que fazem companhia aos portugueses, Eça de Queirós e José Saramago.

André Biernath. Disponível em: http//saude.abril.com.br/mente-saudavel/a-
leitura-como-tratamento-para-diversas-doencas. Acessado em 21/09/2017.
(Adaptado).

Questão 02)    

Uma afirmação que pode servir de fundamento para a proposta expressa no texto está na alternativa:

  1. a) “Redigida no estilo de manual médico, a obra reúne cerca de 200 males divididos em ordem alfabética.” (2º parágrafo)
  2. b) “As autoras acreditam que é possível tirar lições valiosas do que fazer e do que evitar a partir da trajetória de heróis e vilões.” (3º parágrafo)
  3. c) “Entre um debate sobre um romance e outro, criaram um serviço de biblioterapia, em que apontam exemplares para indivíduos que procuram assistência.” (3º parágrafo)
  4. d) “As sugestões de leituras percorrem praticamente todas as épocas e movimentos literários da humanidade.” (6º parágrafo)
  5. e) “Disponível em 20 países, cada edição de Farmácia Literária é adaptada para a cultura local, com a inclusão de verbetes e de literatos nacionais.” (7º parágrafo)

Gabarito: C

Questão 03)    

O slackline é considerado uma atividade esportiva que envolve deslocamento em equilíbrio sobre uma fita de nylon, estreita flexível, esticada na horizontal e fixada em dois pontos diferentes, a uma altura de pelo menos 30 centímetros do solo. Pode ser praticada em diferentes ambientes, os quais caracterizam suas variações, tais como: waterline, highline, trickline, longline, entre outros. Ao poder ser realizado em diferentes ambientes, conforme suas particularidades, especialmente pelo risco controlado, o slackline pode ser entendido como uma atividade de aventura. Sendo realizadas no meio natural, urbano ou artificial, consideram-se as atividades de aventura como possibilidades férteis de vivência no lazer. O lazer pode também oportunizar a manifestação de diferentes formas de convívio com o ambiente natural, por meio da vivência do jogos, esporte, desafios, entre outros elementos, neste caso, especialmente por meio de atividades de aventura como o slackline.

SANTOS, P. M.; MARINHO, A. Slackline e educação física: experiências do projeto de extensão Lazer e Recreação. Licere, n. 4, 2014 (adaptado)

A prática esportiva do slackline é considerada uma atividade de aventura e de lazer. Essa atividade vincula-se, prioritariamente, ao seguinte interesse do lazer:

  1. a)
  2. b) Artístico.
  3. c)
  4. d)
  5. e) Físico.

Gabarito: E

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

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