Violência física e simbólica, marginalidade, massificação das drogas: problemas sociais da contemporaneidade

Aprofunde seus conhecimentos sobre os problemas sociais da sociedade contemporânea a partir do fenômeno da globalização e arrase no vestibular e no Enem! 

Com a globalização, a sociedade contemporânea passou a vivenciar novas relações sociais. Essas relações são permeadas pela desigualdade social e pela violência, não apenas a física, mas também a simbólica, que age num patamar moral e psicológico. Nesta aula de Sociologia, estudaremos esses assuntos, além questões como marginalidade e a massificação do uso de drogas.

O processo de ​globalização é um fenômeno vivenciado por quase todas​ as ​sociedades contemporâneas​. Com a ​globalização ​e, consequentemente, com o crescimento do capitalismo e da tecnologia, observamos questões como o forte aumento dos conglomerados urbanos. Esse crescimento influencia diretamente em questões sobre a mudança da interação e das relações estabelecidas entre os indivíduos.

Há até mesmo quem afirme que a sociedade atual, o comportamento e relações sociais que ela suscita têm, cada vez mais, propiciado o adoecimento dos indivíduos. Isso traz implicações diretas nas ações e nas relações estabelecidas entre os sujeitos.

O crescimento da criminalidade, o aumento da ​violência ​e a veiculação em larga escala das mesmas, por exemplo, favorecem a disseminação da cultura do medo. Como consequência, temos uma configuração de sociedade cada vez mais individualizada. Soma-se a isso a questão do dinheiro que, há muito tempo, tornou-se peça elementar nas e para as relações entre as pessoas. Pode-se dizer que o protagonismo do dinheiro e da acumulação é o principal caldos dos ​problemas ​citados.

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Fonte: https://www.pinterest.es/pin/597360338044916536/

Violência física e simbólica

A falta do dinheiro nas ​sociedades contemporâneas ​impossibilita o acesso às condições básicas da vida, como alimentação, educação, saúde, moradia, lazer, dentre outros. Isso gera não apenas um forte quadro de desigualdade social, mas também a exclusão de diversas pessoas, que acabam por viver às margens da sociedade. É impossível dissociar tal exclusão e, portanto, a marginalidade​, ao crescimento da​ criminalidade e da ​violência. ​

Pensar no problema da ​marginalidade, no entanto, traz à tona não somente questões acerca da ​violência física​, como também sobre a ​violência simbólica. A ​violência física​ é aquela que, geralmente, associamos primeiro ao falar​ apenas “violência​” e envolve o uso da força com o objetivo de ferir. Ou seja, um ato que envolva coação física ao nosso corpo como, por exemplo, tapas, socos, chutes, pontapés. Ou até mesmo através do uso de objetos, como no caso de assaltos.

Já na ​violência simbólica​, podemos dizer que a coação é moral, pois não envolve a ​violência física, mas gera danos morais e psicológicos. O conceito de​ violência simbólica​ foi elaborado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu. Ele considerava que existe um patamar de ​violência​ que age no campo simbólico, que constitui nossas maneiras de ver e pensar e envolve questões como honra, prestígio e reconhecimento social.

O autor parte da ideia de que o Estado possui um poder que envolve o controle das estruturas objetivas e das estruturas mentais, o que possibilita seu monopólio não apenas da ​violência física​, como também da ​violência simbólica​. A violência simbólica​ está, sobretudo, na ideia de que, em seu papel de administrador da vida pública, o Estado deveria gerar empregos, educação, saúde e moradia.

Isso possibilitaria a oferta de condições e oportunidades para que todos os indivíduos possam estar inseridos na sociedade, e não à margem da mesma. Por outro lado, ele acaba por governar em prol de uma minoria através de suas regras e leis que, geralmente, legitimam um ponto de vista que coincide com as ideias e ideais da classe dominante.

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Fonte: https://chargesbruno.blogspot.com/

Nos dias atuais, a ​globalização​, a tecnologia e o crescimento do capitalismo não geraram mais empregos e acesso a bens básicos para a maioria da população. Ao contrário, têm favorecido o lucro e o acúmulo por parte de poucos, aumentando cada vez mais a desigualdade social e o número de pessoas em situação de pobreza, marginalizados pela sociedade. Importante ressaltar, ainda, que as classificações – e, por extensão, hierarquizações – sociais não se dão apenas do ponto de vista da classe social, mas também a partir de recortes de ​raça, gênero e etnia​.

Partindo de uma não adequação à sociedade e/ou às expectativas e padrões sociais existentes, a ​violência simbólica​ traz à tona um sentimento de desconforto pessoal, social e emocional. Os meios de comunicação em massa também possuem um importante papel na veiculação e propagação das ideias e visão de mundo da camada dominante e, portanto, no estabelecimento de padrões. Na medida em que uma determinada pessoa se distancia do padrão social vigente, aumenta as possibilidade de sentimento de não pertencimento, de deslocamento, de disforia.

Violência, hiperconsumo e uso de drogas

Somando-se a tudo isso, o hiperconsumo que cresce a cada dia, aumentando e explicitando a desigualdade social. Esse sentimento de disforia tem sido cada vez mais constante, gerando pessoas angustiadas, frustradas e deprimidas. Dentre as muitas reações aos ​problemas sociais​ impostos aos indivíduos na ​sociedade contemporânea, observa-se um aumento significativo no ​consumo de drogas​. Para além do uso recreativo, esse consumo pode ser entendido como uma forma de fuga da realidade ou uma tentativa de aliviar os ​problemas ​vivenciados.

No Brasil, conforme relatório da ONU sobre ​drogas ​publicado em 2017 (Relatório da UNDOC – ​United Nations Office on Drugs and Crimes​), o consumo de algumas substâncias ilícitas aumentou quando comparado aos índices mundiais, cujos números seguem a tendência da estabilização. No caso do consumo do álcool, por exemplo, a droga lícita mais difundida socialmente, o uso da população em geral caiu, mas aumentou o consumo entre jovens e idosos.

É importante destacar, por fim, que o ​uso abusivo de drogas​ também é utilizado como critério de exclusão e marginalização dos indivíduos na ​sociedade contemporânea​. Além disso, o tráfico de drogas​ também é um dos fatores associados ao aumento da criminalidade.

Agora veja essa videoaula e aprenda mais sobre os problemas sociais da violência e criminalidade:

Exercícios

 

01 – (PUC RS/2018) A violência urbana atinge milhares de pessoas em muitos países do mundo. A cidade tem sido palco desse fenômeno de maneira indistinta. Podemos mencionar a cidade de Porto Alegre (RS), que tem mostrado índices muito elevados de insegurança social, demandando, inclusive, a intervenção da Força Nacional de Segurança.

Nesse contexto, analise as afirmativas a seguir.

I. A pobreza é a causa da violência urbana. Esse fato se concretiza em países com IDH baixo como Paraguai e Nicarágua, por exemplo, que apresentam índices maiores de insegurança nas cidades quando comparados aos índices do Brasil.

II. Os EUA apresentam índices de violência mais baixos do que a média dos países considerados            desenvolvidos,         mesmo          mantendo      uma    cultura armamentista.

III. Dentro de um país, qualquer que seja, a violência atinge os diferentes segmentos da sociedade de forma desigual. No Brasil, por exemplo, atinge mais os jovens de 15 a 24 anos.

IV. O índice de violência varia de cidade para cidade. Porto Alegre, uma metrópole regional, tem índices de violência superiores aos de São Paulo, uma metrópole nacional.

Estão corretas apenas as afirmativas

a) I e II.

b) III e IV.

c) I, II e III.

d) II, III e IV.

 

02 – (UFRGS/2018) 

Observe a charge abaixo.

Fonte: <http://carlincaturas.blogspot.com.br>. Acesso em: 18 set. 2017.

Considere as afirmações sobre as desigualdades materializadas na paisagem urbana e representadas na charge.

I. O intenso crescimento urbano permite a maior integração entre as pessoas, gerando espaços comuns a todos onde é possível usufruir de serviços eficientes, como segurança e saúde.

II. As desigualdades entre diferentes grupos e classes sociais geram maiores disparidades de moradia, de acesso aos serviços públicos, de qualidade de vida e de segregação social.

III. O medo da violência urbana impulsionou a criação de condomínios fechados, acentuando a exclusão social e reduzindo espaços urbanos públicos, o que propiciou o crescimento de espaços privados e de circulação restrita.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas III.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

 

03 – (FCM MG/2017) Resultados do Atlas da Violência 2016 mostram que o Brasil tem o maior número absoluto de homicídios no mundo. Uma em cada dez vítimas de violência letal reside no Brasil. As informações mais recentes são de 2014, ano em que o país bateu seu recorde histórico de homicídios – 59.627 registros – o que equivale a uma taxa de homicídios de 29,1 (a taxa é calculada por 100 mil habitantes). O índice é considerado epidêmico pela Organização das Nações Unidas (ONU). Além de outras consequências, tal tragédia traz implicações na saúde, na dinâmica demográfica e, por conseguinte, no processo de desenvolvimento econômico e social.

Com relação a essa gravíssima constatação e ao problema da violência na sociedade brasileira, é correto afirmar, ​EXCETO​:

a) A letalidade policial é uma das fontes de mortes violentas e o controle do uso da força deveria ser a essência de qualquer Estado que se pretenda democrático e de direito, mas no Brasil esse ainda é um tema cercado de tensões.

b) A questão das armas de fogo é apenas um dos muitos elementos que concorrem para condicionar o crime e, em particular, os homicídios, mas o desarmamento da população é o fator que mais propicia o aumento da violência.

c) As chances de um indivíduo com até sete anos de estudo sofrer homicídio no Brasil são muitas vezes maiores do que as de alguém que ingressou no ensino superior, o que demonstra que a educação é um verdadeiro escudo contra os homicídios.

d) A violência é um fenômeno social complexo, influenciado pelas desigualdades econômicas e sociais estruturais, pela criminalidade associada ao tráfico de drogas, a existência de grupos de extermínio e pelas práticas repressivas em detrimento das ações preventivas e de investigação.

 

04 – (Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública/2016) 

O termo desigualdades sociais se refere a disparidades existentes entre indivíduos nas chances de acesso a bens e recursos sociais escassos e disputados. Tais bens e recursos podem ser de vários tipos e variam historicamente.

BERTONCELO, Edison Ricardo E. A teoria do capital de Bourdieu. Grandes  temas do conhecimento Sociologia.São Paulo: Mythos, a. 1, n.1, p. 42-46. Adaptado.

A observação da charge, associada ao texto, permite afirmar:

01. Nas últimas décadas, as transformações ocorridas no sistema capitalista asseguraram grande mobilidade na sociedade global, gerando uma nova ordem social no espaço geográfico.

02. As diferenças entre as classes sociais no mundo periférico só são visíveis pelo padrão de consumo.

03. Os marcadores das diferenças sociais aparecem isolados e não estão articulados com as experiências dos indivíduos e nem com o espaço onde eles vivem.

04. As diferenças e as desigualdades entre os homens são construídas socialmente e precisam ser contextualizadas no tempo e no espaço.

05. Os mecanismos de legitimação das desigualdades sociais no sistema capitalista facilitam a percepção de que são indevidas.

 

01 – Gab​: B

02 – Gab​: D

03 – Gab​: B

04 – Gab​: 04

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi escrito por Natália Lima para o Curso Enem Gratuito. Natália é formada em Ciência Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina, e mestre em Sociologia Política pela mesma instituição. Atualmente, trabalha como professora de Sociologia na rede estadual de educação.