As diferentes zonas climáticas da Terra

Você sabia que existem diferentes zonas climáticas da Terra? Por que será que em Belém do Pará faz calor durante o ano todo e na Antártida sempre faz frio? Veja nesta aula!

As diferentes zonas climáticas da Terra

Primeiramente, você sabia que há diferentes zonas climáticas da Terra devido à esfericidade do nosso planeta? Em síntese, os raios solares atingem a superfície terrestre com distintas inclinações e intensidades. Sendo assim, nas regiões equatoriais, os raios solares incidem perpendicularmente sobre a superfície. Por outro lado, quanto mais nos afastamos da linha do Equador, mais inclinada se torna essa incidência. 

Deste modo, a mesma quantidade de energia se distribui por uma área cada vez maior, o que faz diminuir a sua intensidade. Em suma, é por isso que as temperaturas vão ficando cada vez mais baixas conforme nos aproximamos dos polos. 

Portanto, nas baixas latitudes situam-se as regiões com temperaturas mais elevadas, que recebem maior incidência de radiação solar. Assim, essas regiões são parte da zona tropical, localizada entre o trópico de Capricórnio e o trópico de Câncer. 

Em síntese, é apenas nessa faixa latitudinal que, ao longo do ano, os raios solares chegam a incidir perpendicularmente em algum momento, com o passar das quatro estações. 

Da mesma forma, nas zonas temperadas (entre os trópicos e círculos polares), o Sol nunca fica a pino, já que seus raios incidem de forma oblíqua durante o ano todo. Por fim, as zonas polares ou glaciais são as que recebem menor intensidade dos raios solares durante o ano, abrangendo todas as regiões ao norte do Círculo Polar Ártico e ao sul do Círculo Polar Antártico.

figura mostrando as zonas climáticas da terra
Figura 1 – Representação das diferentes zonas climáticas da Terra

Fonte: Zênite. Disponível em: <https://www.zenite.nu/solsticio-de-inverno>. Acesso em: 05/04/2020.

A relação entre as zonas climáticas da Terra e as estações do ano

Primeiramente, como o eixo da Terra é inclinado em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol (movimento de translação), temos a ocorrência das estações do ano. 

Sendo assim, em 21 ou 22 de dezembro, é quando o hemisfério sul recebe os raios solares perpendicularmente ao trópico de Capricórnio, iniciando o verão nesse hemisfério. Como resultado, a esse evento chamamos de solstício de verão – a palavra solstício é derivada do latim, solstitium, ou seja, ‘Sol estacionário’. 

Sendo assim, nesse exato dia temos o momento do ano em que o Sol incide com a máxima inclinação no hemisfério norte, posicionando-se na sua maior distância possível em relação ao trópico de Câncer. Dessa forma, esse evento é conhecido como solstício de inverno, e demarca o início do inverno naquele hemisfério. 

Por outro lado, quando o Sol atinge perpendicularmente o trópico de Câncer, seis meses depois (em 20 ou 21 de junho), temos uma inversão, isto é, o início das estações opostas nos dois hemisférios. Sendo assim, confira a Figura 2 para compreender melhor:

figura mostrando o solstício de verão no hemisfério norte
Figura 2 – Representação do que ocorre no solstício de verão do hemisfério Norte
(solstício de inverno no Hemisfério Sul)

Fonte: Zênite. Disponível em: <https://www.zenite.nu/solsticio-de-inverno>. Acesso em: 05/04/2020.

Equinócios

Por outro lado, o que será que ocorre para que se iniciem outono e primavera? A lógica é um pouco parecida! Porém, essas duas estações começam com os chamados equinócios – do latim aequinoctium, ‘igualdade dos dias e das noites’. 

Sim! Dessa forma, no dia de equinócio, o período de claridade e escuridão em quase todo o planeta é igual, 12 horas para cada – exceto nos polos, que têm 24 horas de crepúsculo. 

Sendo assim, os equinócios ocorrem em 20 ou 21 de março (início do outono no hemisfério sul e primavera no hemisfério norte) e se invertem em 22 ou 23 de setembro. Dessa forma, esses eventos se caracterizam pelo momento em que os raios solares incidem perpendicularmente na linha do Equador, e ocorrem exatamente no meio do período entre um solstício e outro. Logo, a Figura 3 demonstra como acontecem solstícios e equinócios ao durante um ano:

Figura 3 – Representação dos solstícios e equinócios ao longo do ano
Figura 3 – Representação dos solstícios e equinócios ao longo do ano

Fonte: UFPR. Disponível em: < http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo/cap2/cap2-1.html>. 

Acesso em: 05/04/2020.

Tipos de clima

A princípio, dentre as classificações de clima mais adotadas, está a do geógrafo e climatologista dos EUA, Arthur Strahler (1918-2002). Em síntese, nessa classificação são considerados como critérios a dinâmica das massas de ar, os processos de formação de frentes e as características das precipitações. 

Com base neles, classifica-se o clima em três grandes grupos: das baixas latitudes – sob influência das massas equatoriais e tropicais; das médias latitudes – sob influência das massas tropicais e polares; e das altas latitudes – sob influência das massas polares. 

Sendo assim, os diferentes climas e coberturas vegetais são quase como reflexos uns dos outros. Por isso, quando estudamos clima, é sempre bom considerar a vegetação de cada região e, quando estudamos a vegetação, considerar o clima. As representações cartográficas das Figuras 4 e 5 nos auxiliam a perceber como há uma forte interrelação entre clima e vegetação. Sendo assim, repare na semelhança entre os desenhos:

Figura 4 – Representação cartográfica dos climas em diferentes zonas climáticas da Terra
Figura 4 – Representação cartográfica dos climas da Terra

Fonte: Globo Educação. Disponível em: < http://educacao.globo.com/geografia/assunto/geografia-fisica/climas-e-formacoes-vegetais.html>.Acesso em: 05/04/2020.

 Figura 5 – Representação cartográfica da distribuição da cobertura vegetal na Terra
Figura 5 – Representação cartográfica da distribuição da cobertura vegetal na Terra

Fonte: Globo Educação. Disponível em: < http://educacao.globo.com/geografia/assunto/geografia-fisica/climas-e-formacoes-vegetais.html>.Acesso em: 05/04/2020.

Clima equatorial

Em primeiro lugar, essa região climática apresenta elevadas temperaturas e grande umidade durante todo o ano e localiza-se sempre nas proximidades do Equador.

Sendo assim, caracteriza-se pela baixa amplitude térmica (variação de temperatura) e pelas chuvas de convecção. Nesse sentido, as altas temperaturas dessas regiões causam um processo contínuo de evapotranspiração, ascensão do ar úmido, resfriamento em partes mais elevadas da atmosfera, condensação e precipitação. Enfim, os tipos de vegetação predominantes nessas áreas são florestas densas, como é o caso da floresta Amazônica.

Clima tropical

Em primeiro lugar, nas regiões de clima tropical são predominantes as temperaturas elevadas. Além disso, sua principal característica é a alternância entre estações secas (inverno) e úmidas (verão). 

Juntamente com as temperaturas elevadas, esse clima apresenta algumas variantes por conta dos fatores geográficos: o clima tropical continental ou semiúmido, o clima tropical de altitude e o clima de monções (denominação que o clima tropical recebe no sul e sudeste da Ásia, por influência dos ventos de monções nos períodos de seca e de chuvas). 

Além disso, as coberturas vegetais predominantes nas regiões de clima tropical são as savanas e as florestas tropicais, como são os casos do cerrado brasileiro e da mata atlântica, respectivamente.

Clima temperado

Esse clima ocupa amplos trechos de regiões do hemisfério Norte: América do Norte, Europa e uma faixa alongada na parte central asiática, que se estende até a parte mais ocidental do continente.

No hemisfério Sul, há pouca ocorrência. Tem como característica o inverno frio, alta amplitude térmica e quatro estações bem definidas, percebidas inclusive na alteração das paisagens apresentadas pela vegetação ao longo do ano. 

Sendo assim, esse tipo de clima é subdividido em: temperado continental (maior amplitude térmica e invernos rigorosos) e temperado oceânico (com amplitude térmica menor). Além disso, as coberturas vegetais mais comuns dessas regiões são as florestas temperadas e estepes ou pradarias.

Clima mediterrâneo

Primeiramente, esse tipo de clima restringe-se a pequenas áreas, normalmente próximas a desertos, como na região central do Chile, no extremo norte e extremo sul do continente africano, no sul europeu e na Califórnia (EUA). 

Assim, caracteriza-se por verões quentes e secos – por conta da expansão das massas de ar seco dos desertos vizinhos – e por invernos brandos e úmidos – quando as massas de ar recuam e ficam estacionárias nos desertos. 

Dessa forma, a vegetação mediterrânea tem uma grande variedade de plantas que se adaptam à pouca umidade, como as oliveiras, amendoeiras e os ciprestes. Por exemplo, as principais formações são os maquis e os garrigues.

Clima desértico

Primeiramente, caracteriza-se pela aridez (escassez de água), apresentando uma quantidade de chuvas geralmente inferior a 250 milímetros por ano. Sendo assim, nessas regiões há pouca vegetação, mas entre o que há, temos as plantas rasteiras (estepes secas), arbustos espinhosos e cactos. Juntas, essas espécies são conhecidas como xerófitas.

Clima frio

A princípio, característico das altas latitudes, esse clima está presente no extremo norte da Europa e na Sibéria (Rússia), além de estar presente na maior parte do território do Canadá. 

Ao mesmo tempo, as precipitações maiores ocorrem no verão e as temperaturas médias mensais no inverno são sempre inferiores a 0°C, inclusive em alguns meses da primavera e do outono. 

Sendo assim, é nesse clima que se desenvolve a floresta boreal (taiga), vegetação de grande porte, espaçada e homogênea, com predomínio de altos pinheiros e abetos (outra árvore conífera).

Clima polar

Primeiramente, nas mais altas latitudes do nosso planeta o clima é polar. Sendo assim, nessas regiões registram-se as mais baixas temperaturas da Terra e a maior parte do solo mantém uma cobertura de gelo permanente, sem vegetação. Além disso, em alguns locais há degelo no verão, brotando no solo exposto uma vegetação simples, conhecida como tundra (musgos e líquens).  

Clima de montanha

Primeiramente, esse tipo de clima é condicionado pela variação de altitude. Sendo assim, a temperatura e a umidade mudam à medida que subimos ou descemos uma montanha, por exemplo. A vegetação do sopé vai diminuindo de baixo para cima, podendo variar, até que, no topo, já não haja mais cobertura vegetal devido à presença de neves eternas sobre o solo (até mesmo em montanhas localizadas na zona tropical).

Enfim, para finalizar sua revisão, veja esta aula da professora Beatriz, do canal Instituto Panorama, sobre as zonas climáticas da Terra: 

 

Antes de mais nada: quer entrar ainda mais no clima do Enem? Então teste seus conhecimentos fazendo os exercícios a seguir sobre as zonas climáticas da Terra:

Questão 01 – (FUVEST SP/2020)

Um vídeo do astrônomo Carl Sagan em seu programa dos anos 1980, Cosmos, conta a história de Eratóstenes, demonstrando como os gregos antigos já haviam descoberto que a Terra é uma esfera (geoide). Para fazer isso, Eratóstenes observou a sombra de duas colunas no solstício de verão; uma coluna foi colocada em Alexandria e outra em Siena (atualmente Assuan), ambas no Egito. Ele notou que em Siena, ao meio dia, o Sol ficava em seu ponto mais alto e a coluna lá instalada projetava uma sombra com ângulo diferente daquela projetada em Alexandria. Sagan explica então que, se a Terra fosse plana, ambas as estruturas produziriam sombras iguais, mas como o planeta é esférico, o sombreamento varia.

Disponível em https://revistagalileu.globo.com/. Adaptado. 2019.

imagem questão fuvest meme sobre as zonas climáticas da terra

A esfericidade do Planeta Terra demonstrada por Eratóstenes e relembrada por Carl Sagan explica, em conjunto com outros fatores,

a) a ocorrência de dias mais longos e com maior insolação no Hemisfério em que está ocorrendo o inverno e de dias mais curtos e com menor insolação no Hemisfério em que está ocorrendo o verão.

b) a ocorrência das estações do ano, sendo que, no Hemisfério Norte, há o solstício de verão em dezembro e, no Hemisfério Sul, o solstício de inverno em junho.

c) a existência de zonas climáticas, em razão das variações de altitude que intensificam a radiação solar nos polos Norte e Sul.

d) a ocorrência das estações do ano, que caracterizam o Equinócio de primavera no Hemisfério Sul em março e o Equinócio de outono no Hemisfério Norte em setembro.

e) a existência de zonas climáticas, em função da maior intensidade da radiação solar na região equatorial quando comparada à incidência nos polos.

TEXTO: 1 – Comum à questão: 2

Primeiramente, observe o esquema.

A tabela associa formação vegetal e um aspecto chave das condições climáticas, em uma dada zona climática da Terra.

a) em todas as zonas climáticas a ocorrência e a sequência de formações vegetais são quase as mesmas, variando a incidência de desertos, que é maior na zona temperada.

b) na zona intertropical há ocorrência de desertos, como a tabela mostra, mas eles são pequenos, pois a condição de umidade é bem generalizada nessa parte do planeta.

c) a sequência da tabela não se relaciona a nenhuma lógica localizacional nas terras emersas, pois essas formações e climas tanto podem ser litorâneos como interioranos.

d) a proximidade com os oceanos vincula-se aos climas úmidos e às florestas pluviais e úmidas na zona intertropical, embora possam ocorrer perturbações nessa lógica.

Questão 03 – (UDESC SC/2016)

Primeramente, analise as proposições em relação às zonas polares. 

I. Uma das razões do continente antártico ser mais frio, que as áreas polares do norte (Groenlândia, Alasca, etc.), é o fato de apresentar altitudes superiores às dessas áreas. 

II. Sobre o continente antártico existem permanentes camadas de gelo, que chegam a atingir até 2 km de espessura. 

III. Na zona polar ártica existem algumas áreas habitadas por povos de tecnologia rudimentar como os esquimós e os lapões. 

IV. O inverno, nos dois polos, pode durar até seis meses sem sol (noite polar). 

V. Na Antártida os rios permanecem congelados a maior parte do ano e suas águas correm apenas em alguns meses. 

Sendo assim, assinale a alternativa correta

a) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. 

b) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras. 

c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. 

d) Somente a afirmativa V é verdadeira. 

e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 

Questão 04 – (UFRGS/2016)

Primeiramente, observe a figura abaixo:

figura mostrando temperatura média anual das zonas climáticas da terra

Fonte:<http://www.geografiaparatodos.com.br/capitulo_2_a_
localizacao_no_espaco_e_os_sistemas_de_informacoes_
geograficas_files/image046.gif>. Acesso em: 26 ago. 2015.

Considere as afirmações sobre a posição geográfica de Natal (Brasil) e Murmansk (Rússia) e suas médias anuais de temperatura.

I. Murmansk localiza-se em altas latitudes (zona glacial), onde os raios solares atingem a superfície de forma muito inclinada, registrando baixas temperaturas ao longo do ano.

II. Natal localiza-se na zona temperada, onde os raios solares atingem a superfície verticalmente, elevando as temperaturas.

III. A curvatura da superfície da Terra e a inclinação do eixo de rotação em relação aos raios solares são fatores que, combinados, explicam a diferença nas médias anuais de temperatura entre Natal e Murmansk.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas III.

d) Apenas I e III.

e) I, II e III.

GABARITO

1) Gab: E

2) Gab: D

3) Gab: E

4) Gab: D

Afinal de contas, gostou de aprender sobre as zonas climáticas da Terra? Um grande abraço e bons estudos!

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi preparado pelo professor João Marcelo Vela para o Curso Enem Gratuito. João é licenciado e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dá aulas de Geografia e Filosofia em escolas da Grande Florianópolis desde 2015, além de atuar como articulador de Ciências Humanas. E-mail para contato: [email protected]