Dissertação e argumentação: definição e funcionalidade

Como é de nosso conhecimento, a prova de Redação do Enem solicita a produção de um texto dissertativo-argumentativo. Como o próprio nome desse gênero já revela, trata-se de um texto onde as tarefas de dissertar e argumentar são imprescindíveis. Mas qual o real sentido de dissertar e argumentar? Você encontrará as respostas nesse post.

Nesta aula de Redação vamos definir e explicar a funcionalidade do texto dissertativo-argumentativo. Trata-se do gênero textual solicitado na prova de redação do Enem e de outros importantes vestibulares brasileiros. Para tanto, começaremos explicando o que é dissertar/dissertação e o que é argumentar/argumentação, a relação existente entre essas duas palavras e como elas se associam em uma produção textual, resultando em um texto dissertativo-argumentativo.

Dissertar

De modo geral, dissertar significa falar, discutir, debater, refletir, informar alguém a respeito de um assunto. A dissertação é um tipo de texto verbal em prosa, ou seja, é estruturado por períodos e por parágrafos (diferentemente de um poema ou de uma música, por exemplo, os quais são estruturados em versos e estrofes).

A estrutura da dissertação deve apresentar, no mínimo, três parágrafos: introdução, desenvolvimento e conclusão. Com relação aos aspectos qualitativos, a dissertação pressupõe a capacidade do autor em expor, refletir, analisar e interpretar fatos, informações e opiniões a respeito de um determinado tema.

dissertação

A dissertação é a base estrutural de vários gêneros discursivos que têm, entre outras finalidades, refletir e informar alguém a respeito de um assunto.

O objetivo da dissertação é informar o leitor a respeito de um assunto, expor dados, pesquisas e opiniões de profissionais que possam esclarecer os leitores sobre o tema na sociedade. O autor da dissertação tem condições de analisar o eixo temático, expondo pontos positivos e negativos a respeito do assunto para que, assim, o leitor informe-se e posicione-se individualmente.

Isso significa que não há opinião pessoal do autor na dissertação, mas sim elementos que possam contribuir para que o leitor reflita criticamente e formule seus pontos de vista.

Argumentar

Argumentar é uma ação verbal na qual se utiliza a palavra oral ou escrita para defender uma tese, ou seja, uma opinião, uma posição, um ponto de vista particular a respeito de determinado fato. Um debate político entre sujeitos em que suas linhas político-ideológicas são divergentes será uma ação verbal que utiliza a palavra oral. Cada qual defenderá seu ponto de vista na modalidade oral da língua, sustentando esse ponto de vista por meio da argumentação.

Já sabe tudo a respeito da tese? Sua função, a melhor maneira de elaborá-la, o que evitar? Vale a pena espiar a nossa videoaula para tirar todas as suas dúvidas.

Na esfera política, a argumentação é determinante para o êxito do sujeito envolvido no debate. Ganha visibilidade positiva e “vence” o debate o indivíduo que defender sua tese com os argumentos mais consistentes e melhor elaborados.

Na redação do Enem o fundamento é praticamente o mesmo do debate, porém com algumas diferenças:

  • A argumentação é escrita, e não oral;
  • A linguagem deve ser na modalidade formal da língua portuguesa;
  • Deve respeitar o princípio de impessoalidade (isto é, evitar o uso de construções verbais que utilizem a primeira pessoa do singular ou plural, como “Eu acredito que tais medidas resultarão em uma mudança de comportamento” ou “Nós podemos fazer a diferença praticando o consumo consciente”);
  • Deve seguir a estrutura de um texto dissertativo-argumentativo, com introdução (a apresentação do tema e da tese), desenvolvimento (a defesa da tese por meio da argumentação) e conclusão;
  • Especificamente no caso da redação do Enem, a conclusão deve apresentar uma proposta de intervenção ao problema apresentado.

Já sabe como fazer a introdução de um texto dissertativo-argumentativo? A Prof. Dani explica tudinho! Confira a videoaula e torne-se um craque na redação do Enem!

Quem argumenta, como a própria palavra sugere, se vale de argumentos, que nada mais são que razões, verdades, fatos, virtudes e valores (éticos, estéticos, emocionais) tão amplamente reconhecidos que, justamente por isso, servem de alicerce para a tese defendida. A argumentação está presente em diferentes gêneros textuais, tais como artigo de opinião, carta argumentativa, editorial, resenha argumentativa, texto dissertativo-argumentativo, dentre outros.

Assim como num jogo, quem argumenta faz suas “jogadas” para se sair vencedor: entre outras coisas, afirma, nega, contesta, explica, promete, profetiza, critica, dá exemplos, ironiza. E todas essas jogadas estão a serviço da criação de um clima favorável à adesão do público às posições defendidas. A cada “lance”, o argumentador se esforça para comprovar que está indo pelo caminho certo; caso contrário, perderá credibilidade e será vencido.

Um auditório é o conjunto dos que assistem a um debate, acompanham ou se interessam potencialmente pelo assunto em questão. Nos grandes debates, ele é o representante da opinião pública. Por isso mesmo, a função do auditório é frequentemente decisiva para o debate. Quando alguém escreve uma carta a um jornal, por exemplo, argumentando contra uma posição defendida em determinada matéria, está querendo convencer, antes de tudo, o conjunto dos leitores, ou seja, o auditório.

Na redação do Enem, o candidato deve escrever seu texto de maneira impessoal. Obviamente que os principais interlocutores do texto serão os corretores da redação. Entretanto, o candidato deve superar essa visão e escrever como se seu texto fosse destinado a convencer um grande público, com indivíduos os mais diversos, acerca do problema em questão.

Ainda utilizando o exemplo do jogo, todo jogador desenvolve estratégias, isto é, um plano e um estilo próprios de ação verbal para, por meio deles, vencer o adversário. No jogo argumentativo, entretanto, é preciso convencer, ou seja, vencer com a ajuda de todos, que precisam aderir à tese, graças à eficiência das estratégias e à força dos argumentos. Daí o valor social da argumentação, na medida em que se trata de uma vitória coletiva.

Na redação do Enem, soma-se os atos de dissertar e de argumentar:

Dissertação + Argumentação = Texto dissertativo-argumentativo

Todo e qualquer texto dissertativo-argumentativo visa ao convencimento de seu leitor. Como dito anteriormente, ele sempre se baseia em uma tese (o ponto de vista central que se pretende veicular e a respeito do qual se pretende convencer esse interlocutor). Em uma redação dissertativa-argumentativa, convém que essa tese seja apresentada, de maneira clara, logo de início e que, depois, através de uma argumentação objetiva e de diversidade lexical, seja sustentada/defendida com vistas ao mencionado convencimento.

A estrutura geral de um texto dissertativo-argumentativo consiste de introdução, desenvolvimento e conclusão, nesta ordem. Cada uma dessas partes, por sua vez tem função distinta dentro da composição do texto:

  • Introdução: é a parte do texto em que apresentamos o tema de que trataremos e a tese a ser desenvolvida a respeito desse assunto.
  • Desenvolvimento: é a argumentação propriamente dita, correspondendo aos desdobramentos da tese apresentada. Esse é o coração do texto, por isso, comumente se desdobra em mais de um parágrafo. De modo geral, cada argumentação em defesa da tese geral do texto corresponde a um parágrafo.
  • Conclusão: a parte final do texto em que retomamos a tese, agora já respaldada pelos argumentos desenvolvidos ao longo do texto. No caso da redação do Enem, a conclusão deve contemplar uma proposta de intervenção (que respeite aos direitos humanos) ao problema apresentado.
Vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre dissertação e argumentação? Então se liga nessa videoaula do nosso curso e tire a tão sonhada nota 1000 na sua redação Enem

https://youtu.be/ZtccVo9zYn8

Sobre o(a) autor(a):

Texto produzido pelo Professor João Paulo Prilla para o Curso Enem Gratuito. JP é licenciado em Letras- Português, Inglês e respectivas Literaturas (2010) pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões e mestrando em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina. Ministra aulas de Literatura, Língua Portuguesa e Redação em escolas da Grande Florianópolis desde 2011.