Fenícios

Conheça os povos da fenícia e entenda por que os fenícios e cananeus têm tanto em comum neste post de história para o Enem e vestibulares.

A região do atual Oriente Médio foi berço e caldeirão para diversas culturas, ou seja, nesta localidade originaram-se povos ascendentes de etnias muito conhecidas na atualidade.

A região de Canaã, por exemplo, localizada no atual Líbano, começou a ser ocupada pelos cananeus por volta de 3000 a.C. O povo cananeu é de origem semita, uma denominação que tem origem na Bíblia, a qual designa um povo descendente de Sem, um dos filhos de Noé, tal como os hebreus e árabes.

Este povo se acomodou próximo às margens do Mar Mediterrâneo, local que propiciou aos cananeus uma boa relação comercial e a formação de diversas cidades portuárias.

regiao dos fenícios
Figura 1: Região da fenícia atualmente. Retirado de: https://goo.gl/sxkAaW Marcadores: Fenícia, Mapa, Oriente Médio.

 

As regiões cananeias se configuravam na organização de cidade-Estado, ou seja, embora possuíssem os mesmos hábitos, cultura e idioma, não eram unificadas sob um único governo, mas sim de forma autônoma em cada cidade.

Os líderes eram monarcas, aos quais orbitavam uma aristocracia composta por mercadores, latifundiários e sacerdotes religiosos. Embora conhecida como Canaã, a região também era chamada pelos gregos de Phoenícia, traduzido como púrpura, referente à intensa produção de corantes e tintas de tecido. Os povos da região costumavam extrair um líquido cor púrpura de pequenos moluscos, material que era utilizada no tingimento.

A comunicação entre as cidades ocorria principalmente por meio marítimo, as navegações pela região também possibilitaram os cananeus estreitarem suas relações com outras cidades mercantis do Mediterrâneo. Por volta de 2500 a.C., as Cidades-Estado fenícias haviam crescido tanto que se tornaram pontos de encontro pelos quais passavam mercadores vindos de várias regiões.

A Religião dos Fenícios

Os fenícios eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses distintos. As cidades possuíam uma espécie de deus padroeiro, frequentemente uma figura feminina e ligada aos elementos da natureza, como terra, ar, sol, as estações do ano ou mesmo fertilidade.

Como forma de veneração, praticavam sacrifícios de animais, algumas vezes estendendo os rituais aos humanos. Os eventos de sacrifícios eram vistos como uma forma de aplacar as incursões divinas.

É possível destacar algumas divindades, como o deus El, criador do mundo, frequentemente representado como um ancião que observa a vida mundana de longe. As oferendas eram geralmente direcionadas à sua esposa Asherah, considerada a deusa mãe de tudo, muito ligada à produção agrícola.

Por fim, Baal, filho de El e Asherah, que é atribuído aos fenômenos naturais tempestuosos e às montanhas, também muito associado a qualidades guerreiras.

Comércio e expansão

Os fenícios eram predominantemente comerciantes. Na busca de expansão, optaram pelo trajeto marítimo, já que possuíam um conhecimento náutico bastante desenvolvido. O conhecimento sobre fluxo de correntes marítimas, o comportamento de aves da região, correntes migratórias de peixes e as movimentações eólicas auxiliavam os fenícios a fazerem longas viagens afastadas da costa e retornar em segurança.

rotas comerciais dos fenicios
Figura 2: Mapa das rotas comerciais fenícias. Retirado de: https://goo.gl/G95Vit Marcadores: Fenícios, Rotas comerciais, Mediterrâneo.

Por conta da constante movimentação marítima, motivada pelo comércio, diversas cidades ao longo do Mediterrâneo passaram a responder pela alcunha fenícia também.

A presença fenícia em regiões como Lepsis, Cirene e Cartago, por exemplo, acabava se manifestando muito mais intensamente por conta do fluxo mercantil. Além da predominância geográfica, os fenícios passavam por vários processos de miscigenação cultural por conta do contato constante com povos e culturas diferentes, ou seja, acabavam assimilando diversos aspectos étnico-culturais, religiosos e artísticos de outros povos para si

Por volta do século IX a.C, a região da fenícia entrou em declínio. As constantes invasões por outros povos acabaram por minar o crescimento fenício fomentado por conta da expansão marítima e comercial. Por volta do século V a.C. a região já havia sido invadida por assírios, babilônios e gregos, sendo anexada ao Império Romano somente em 64 a.C, quando Roma incorporou as cidades em seu território.

O alfabeto dos fenícios

Tendo em vista a grande constância no comércio, uma necessidade de registrar os produtos que entravam e saíam da economia surgiu. Por volta de 1500 a.C., começou a se desenvolver um formato de escrita para que fosse utilizado para estes fins.

O alfabeto era composto por 29 símbolos, que eram individualmente atribuídos a um fonema, ou seja, uma sonoridade, tal qual o alfabeto ocidental. Assim como no português, o alfabeto fenício permitia a combinação dos caracteres para que palavras fossem formadas.

alfabeto dos fenícios
Figura 3: Escrita fenícia gravada em pedra. Retirada de: https://goo.gl/vxNzbA Marcadores: Escrita, Fenícia, Alfabeto

Posteriormente o alfabeto foi ainda mais simplificado, sendo reduzido em 22 caracteres, os quais referiam-se apenas às consoantes, pois as vogais não eram escritas, cabendo ao leitor completar as lacunas, dando sentido às consoantes. Bastante parecido com a linguagem que usamos na internet, como “vc”, “tbm”, “sdds” e outras abreviações do mundo conectado.

Este processo todo era cunhado em placas de argila, através das cunhas. Posteriormente a argila deu lugar aos papiros, muito mais leves, fáceis de carregar e guardar. Com o tempo outros segmentos da população, para além dos escribas, aprenderem o ofício da escrita e leitura, tornando a atividade mais difundida e menos restrita.

Não é absurdo dizer que a maior contribuição dos fenícios foi o desenvolvimento do alfabeto. Além de ter possibilitado o registro mais eficiente das mercadorias, este processo influenciou na produção do formato escrito de outros povos. Os gregos, por exemplo, adaptaram o alfabeto fenício, por volta do século IX a.C., resgatando as vogais, tal como os romanos, posteriormente, adaptaram a combinação grega e fenícia para dar origem ao alfabeto latino, utilizado largamente no dito mundo ocidental.

Para finalizar sua revisão, complemente seu conhecimento sobre os Fenícios com a videoaula do canal:

Questões para fixar

(FGV-SP) Das alternativas abaixo, a que melhor caracteriza a sociedade fenícia é:

a) A existência de um Estado centralizado e o monoteísmo;

b) O monoteísmo e a agricultura;

c) O comércio e o politeísmo;

d) As cidades-Estados e o monoteísmo;

e) A agricultura e a forma de Estado centralizado.

Resposta: C

Os fenícios, que desenvolveram sua civilização na região onde hoje se encontra o Estado do Líbano, destacaram-se como grandes comerciantes marítimos. Entretanto, outro importante legado foi deixado pelos fenícios para as civilizações posteriores. Qual foi este legado?

a) A introdução de técnicas agrícolas eficientes.

b) Introdução do carro de roda nos transportes.

c) Criação de uma escrita e um alfabeto fonético.

d) Uma arquitetura inovadora representada pelas pirâmides.

e) Desenvolvimento da organização política democrática.

Resposta: C

(Unesp 2003) Na região onde atualmente se encontra o Líbano, instalou-se, no III milênio a. C., um povo semita, que passou a ocupar a estrita faixa de terra, com cerca de 200 quilômetros de comprimento, apertada entre o mar e as montanhas. Várias razões os levaram ao comércio marítimo, merecendo destaque sua proximidade geográfica com o Egito; a costa, que oferecia lugares para bons portos; e os cedros, principal riqueza, usados na construção de navios.

O contido nesse parágrafo refere-se ao povo:

a) fenício.

b) hebreu.

c) sumério.

d) hitita.

e) assírio.

Resposta: A

Sobre o(a) autor(a):

Guilherme Silva é formado em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de História em escolas da Grande Florianópolis desde 2016.