Filosofia alemã: a questão da Razão e principais filósofos

A filosofia germânica influenciou o mundo, tendo filósofos muito importantes, como Marx. Esse influenciou a Revolução Russa, a Revolução Cubana, a Chinesa, entre outras.

Qual a influência da filosofia alemã em nossas vidas? Venha ficar por dentro dos principais pensadores cobrados pelo Enem quando o assunto é Razão e Revolução.

Filosofia alemã

Umas das grandes influências do pensamento moderno certamente foi a filosofia alemã. Nomes como Immanuel Kant, Karl Marx, Arthur Schopenhauer, Georg Hegel, Friedrich Nietzsche entre outros, serviram como alicerce das diversas Revoluções, tanto sociais quando intelectuais, que se conflagraram ao longo dos séculos.

bandeira do império germânico
Figura 1. Bandeira do antigo Império Germânico. A bandeira é amarela, com um brasão e uma coroa em cima. * O termo germânico se refere as diversas nações que existiram, como por exemplo a Alemanha, em determinada região da Europa.

A ascensão da Razão

Embora a ideia da Razão enquanto forma de enxergar o mundo seja o que originou a Filosofia, sua popularidade sofreu altos e baixos com passar das eras. O conceito de Razão surgiu e se expandiu na Grécia, contrariando o discurso mitológico utilizado para explicar os fenômenos do mundo.

No Ocidente, durante o período que ficou conhecido como Idade Média, o uso da Razão foi paulatinamente substituído pela fé. Isso gerou uma nova mistificação dos fenômenos do mundo, dando origem a diversas interpretações equivocadas da realidade a nossa volta, como o Geocentrismo ou a inquisição.

Com o início do Renascimento essa relação se inverteu e foi possível observar uma forte oposição ao dogmatismo da igreja bem como uma expansão dos discursos racionais.

O Ápice dessa onda se deu no século XVIII, durante um movimento que ficou conhecido como Iluminismo.

A razão na filosofia alemã

Esse movimento trazia novamente a Razão para o centro do debate intelectual da Época. Ora, essa guinada ao racional chegou a tal ponto que um jornal germânico chamado Berlinische Monatschrift estampou em uma de suas edições uma famosa pergunta acerca do Iluminismo: O que é esclarecimento/Iluminismo?

Foram várias as respostas enviadas ao jornal. Todavia, uma em particular ganhou muito destaque. Tratava-se da resposta de Immanuel Kant, em seu famoso opúsculo Resposta à Pergunta, O que é o Esclarecimento? (Beantwortung der Frage: Was ist Aufklärung).

Nesse texto, Kant discorre acerca dos ideais iluministas e a libertação das pessoas de um certo aprisionamento intelectual em que se encontravam. Ele discorre sobre o uso da Razão como principal agente libertador da humanidade.

 kant e a filosofia alemã
Figura 2. Retrato de Immanuel Kant. * A mudança de paradigmas que se deu a partir de Kant foi tamanha que seu pensamento ficou conhecido como a Revolução copernicana da Filosofia.

Talvez essa obra seja a maior representação do movimento iluminista, bem como a maior herança que temos da centralização do conhecimento em torno daquilo que é racional em detrimento dos discursos fantasiosos e das mazelas causadas pelo mito.

Da Razão prática à pratica da Razão

Após a publicação das obras de Kant, seguiu-se uma série de outros filósofos que se inspiraram em suas ideias, no que ficou conhecido como Idealismo Alemão. Dentre eles, Georg Hegel, um alemão bastante crítico a teoria kantiana.

Hegel elaborou diversas teorias acerca do mundo e de como compreendê-lo, das quais destacou-se a ideia do Materialismo Dialético.

O Materialismo Dialético é um conceito que explica a influência do meio em que nós estamos inseridos e a nossa influência no meio ao qual estamos circunscritos. Em outras palavras, a “parada” diz respeito a capacidade do ambiente de nos moldar e ao mesmo tempo a nossa capacidade de moldar esse ambiente, uma via de mão dupla, daí a ideia de dialética.

Inspirado na dialética hegeliana – que por sua vez é uma resposta as ideias kantianas – Marx juntamente com Friedrich Engels, desenvolveram um conceito que trazia uma práxis, isto é, uma aplicabilidade cotidiana para as ideias hegelianas.

Marx e Engels

Marx era muito empolgado pela teoria de Hegel. Entretanto, ele percebia nela uma certa imobilidade. Hegel afirmava a existência de um espírito da época, ou seja, uma vontade metafísica coletiva que geria a maneira com que as pessoas viviam.

Sendo assim, as coisas no mundo eram da maneira que eram por conta desse espirito da época. Todavia, Marx enxergava um contrassenso nessa ideia, pois havia uma certa imobilidade das classes sociais dentro da teoria hegeliana que o deixava inquieto.

Daí, juntamente com Engels, Marx desenvolveu então o que posteriormente foi chamado de Materialismo Histórico, que visou sair do plano teórico e passou para o plano prático. Para tanto, foi necessário a análise das mudanças que ocorreram na sociedade através das relações de trabalho existentes.

processos de produção
Figura 3. Ilustração das mudanças nos processos de produção. * Seguindo a ideia de Hegel, a história avança de maneira dialética. Na visão de Marx, há uma tese ou modo de produção, que é confrontado por uma antítese, isto é, a negação da tese e que por sua vez produz uma síntese. Podemos interpretar essa síntese como um novo meio de produção.

Da Revolução da Razão

A filosofia alemã dos séculos XVIII e XIX causou um tremendo impacto na história do ocidente. Ora, a partir da revolução deflagrada por Kant, que deu origem ao idealismo alemão, foi possível a elaboração de novas maneiras de pensar, como foi o caso do pensamento hegeliano.

Hegel por sua vez, serviu de base para estruturação da teoria marxista, responsável por dar um direcionamento prático a produção filosófica germânica. As ideias de Marx se espalharam pelo mundo a fora e provocaram grandes inquietações sociais, atingindo seu ápice com as revoluções socialistas do século XX.

Quer saber mais da filosofia alemã e a influência germânica na história da humanidade, se liga nesse vídeo sobre a Revolução Soviética:

As ideias de Marx, serviram de base para Revolução Russa, bem como, para a Revolução Cubana, a Revolução Chinesa, a Comuna de Paris e até a Intentona Comunista aqui no Brasil. Sua influência foi tão grande que dividiu o mundo e particularmente a Alemanha, em dois blocos políticos/econômicos.

Por fim, o legado germânico é composto de uma série de complexas teorias acerca do mundo e das relações entre seus habitantes. De um ponto de vista mais cosmopolita, é possível divagar que a Revolução kantiana desencadeou uma série de pós Revoluções que nem mesmo Kant poderia imaginar.

Exercícios
1) (Uece 2010)

Leia com atenção o texto a seguir. “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”.

MARX, Karl. O Dezoito Brumário de Louis Bonaparte. São Paulo: Centauro, 2006.

Baseado no texto, assinale a afirmação verdadeira.

(A) A história não é construída pelos homens porque ela é predefinida pelo destino.

(B) A história permite perceber que a realidade depende unicamente das escolhas dos homens.

(C) A história é feita pelos homens dentro de condicionamentos herdados do passado.

(D) A história não é feita pelo passado, e sim pelas circunstâncias das escolhas.

2) (Uem 2010)

Hegel criticou o inatismo, o empirismo e o kantismo. Endereçou a todos a mesma crítica, a de não terem compreendido o que há de mais fundamental e essencial à razão: o fato de ela ser histórica. Com base nessa afirmação, assinale o que for correto.

(01) Ao afirmar que a razão é histórica, Hegel considera a razão como sendo relativa, isto é, não possui um caráter universal e não pode alcançar a verdade.

(02) Não há para Hegel nenhuma relação entre a razão e a realidade. Submetida às circunstâncias dos eventos históricos, a razão está condenada ao ceticismo, isto é, “ao duvidar sempre”.

(04) A identificação entre razão e história conduz Hegel a desenvolver uma concepção materialista da história e da realidade, negando entre ambas a possibilidade de uma relação dialética.

(08) No sistema hegeliano, a racionalidade não é mais um modelo a ser aplicado, mas é o próprio tecido do real e do pensamento. O mundo é a manifestação da ideia, o real é racional, e o racional é o real.

(16) Karl Marx, ao afirmar, na Ideologia alemã, que não é a história que anda com as pernas das ideias, mas as ideias é que andam com as pernas da história, critica, ao mesmo tempo, o idealismo e a concepção da história de Hegel e dos neo-hegelianos.

3) (ENEM 2012)

Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado menores durante toda a vida.

KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado).

Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão do contexto filosófico da Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por Kant, representa:

(A) a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade.

(B) o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas.

(C) a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma.

(D) a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento.

(E) a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão.

Gabarito

  1. C, 2. 8 e 16, 3. A.

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pelo professor Ernani Silva para o Blog do Enem. Ernani é formado em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista. Ministra aulas de Filosofia em escolas da Grande Florianópolis. Facebook: https://www.facebook.com/ErnaniJrSilva

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