Formas nominais dos verbos

Você sabe como usar e quais as funções do infinitivo, particípio e do gerúndio? Aprenda com exemplos nesta aula de Português para o Enem e use direitinho os verbos nas suas formas nominais!

Nesta aula vamos estudar as formas nominais dos verbos. Essas formas são também chamadas de verbos não finitos. As formas nominais dos verbos são chamadas deste modo porque desempenham papel semelhante aos dos substantivos, adjetivos ou dos advérbios. Nesta forma, os verbos não apresentam flexão de tempo e modo e, assim, perdem algumas das suas principais características.

As formas nominais do verbo são três: infinitivo, gerúndio e particípio. Preste atenção para não errar nas questões das formas nominais dos verbos nos vestibulares, concursos e no Enem.

Infinitivo

Todo verbo é reconhecido por meio do infinitivo quando está terminado em AR (1º conjugação), ER (2º conjugação) ou IR (terceira conjugação). Para compreender melhor, observe os exemplos:

  1. Ela amou a surpresa do professor!

O verbo “amou” tem como infinitivo o verbo “AMAR” (1º conjugação).

2. A candidata tinha certeza da aprovação.

O verbo “tinha” tem como infinitivo o verbo “TER”  (2º conjugação).

3. João havia ido até o cursinho ontem.

Verbo “havia” é conjugado como “HAVER” (1º conjugação) e “ido” como verbo “IR” (3º conjugação).

Classificação do infinitivo

Os verbos do infinitivo podem ser classificados em infinitivo pessoal (flexionado) e infinitivo impessoal (não flexionado). Essas formas verbais são utilizadas em situações distintas. Vamos ver?

Infinitivo pessoal:

O infinitivo pessoal é utilizado principalmente em situações em que temos um sujeito definido ou em que pretendemos definir esse sujeito. As terminações do infinitivo pessoal são iguais às do futuro do subjuntivo nos verbos regulares. Veja alguns exemplos de flexão do infinitivo pessoal:

  • Verbo julgar: julgar, julgares, julgar, julgarmos, julgardes, julgarem
  • Verbo correr: correr, correres, correr, corrermos, correrdes, correrem.
  • Verbo sorrir: sorrir, sorrires, rir, rirmos, rirdes, rirem.

Agora, observe alguns exemplos de uso desse modo verbal:

A banca parou para eles julgarem o quadro.

Foi essencial correrem atrás das provas.

A professora pediu para os alunos sorrirem para a foto.

Infinitivo impessoal

O infinitivo impessoal é comumente utilizado em locuções verbais. Também podemos observar seu uso em verbos preposicionados, assim como quando não há um sujeito definido.

Veja alguns exemplos de uso do infinitivo impessoal:

Nós queremos entender o uso das formas nominais do verbo.

Meus filhos gostam de ouvir histórias antes de dormir.

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.

Gerúndio

A forma verbal do gerúndio expressa o processo que ocorre a ação. O gerúndio caracteriza-se pela terminação “ndo”. Veja alguns exemplos:

Julgando – correndo – sorrindo

Esta forma verbal não se flexiona e pode exercer tanto o papel de advérbio quanto o de adjetivo.

Observe algumas orações com verbos no gerúndio:

Estavam julgando todos os candidatos naquele momento de prova.

Disse “adeus” correndo.

Todos estavam sorrindo com o resultado da aprovação.

formas nominais
Figura 1 – exemplo de uso de gerúndio

Particípio

A forma verbal do particípio expressa o resultado da ação. Veja os exemplos, comparando o seu sentido com o dos verbos que acabamos de ver no gerúndio.

Julgado – corrido – sorrido

A forma verbal do particípio pode ser regular ou irregular.

Particípio regular

O particípio regular se caracteriza pela terminação -ado, -ido. Observe os exemplos a seguir:

Tinha julgado o candidato pela aparência.

O professor tem aceitado todas as provas atrasadas.

A água tinha sido benzida para o momento da avaliação.

Particípio irregular

O particípio irregular pode exercer o papel de adjetivo. Veja os exemplos:

Ele adora batata frita!

Os aprovados foram aceitos com louvor!

Todos beberam a água benta.

 

Agora que você revisou as principais características das formas nominais dos verbos, leia e analise criticamente a crônica “A matutar” de Luis Fernando Veríssimo sobre o uso do gerúndio.

A matutar

No dia 22 de Abril de 1500, Pedro Álvares Cabral não estava descobrindo o Brasil, estava a descobrir o Brasil. Um dos grandes mistérios da nossa história e da história da nossa língua em comum é: porque é que o gerúndio (forma nominal do verbo caracterizada pelo sufixo “ndo”), que quase não é usado em Portugal, é tão usado no Brasil? Já se disse que a diferença entre o português brasileiro e o português português é uma questão de tempo e de espaço. Os portugueses falariam como falam, correndo (ou a correr), comendo (ou a comer) sílabas, trocando o gordo “o” pelo menos expansivo “u”, porque lhes falta o espaço e o tempo, que encontraram nas colônias, para palavras inteiras e dicção pausada. Seria uma língua apertada. Mas isto não esclarece o mistério do gerúndio. 

Atribui-se a proliferação do gerúndio no português brasileiro à influência do inglês, que teria provocado o gerundismo, ou o hábito de empregar o gerúndio, mesmo quando não cabe ou não se deve. Existe até um nome para o uso excessivo do gerúndio: endorreia. Uma palavra suficientemente horrível para fazer os portugueses se sentirem vingados por tudo o que fizemos com a língua do Cabral. Digam o que disserem, de endorreia eles nunca sofreram. (…)

Texto publicado originalmente em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/luis-fernando-verissimo/noticia/2016/05/matutando-5806374.html

Para finalizar sua revisão, assista também a videoaula do profº. Noslen sobre as formas nominais do verbo:

Exercícios

  

Questão 1 – (PUC GO/2014/Janeiro)

Talhado para as grandezas,

P’ra crescer, criar, subir,

O Novo Mundo nos músculos

Sente a seiva do porvir.

– Estatuário de colossos –

Cansado doutros esboços

Disse um dia Jeová:

“Vai, Colombo, abre a cortina

“Da minha eterna oficina…

“Tira a América de lá.”

 

Molhado inda do dilúvio,

Qual Tritão descomunal,

O continente desperta

No concerto universal.

Dos oceanos em tropa

Um – traz-lhe as artes da Europa,

Outro – as bagas de Ceilão…

E os Andes petrificados,

Como braços levantados,

Lhe apontam para a amplidão.

 

Olhando em torno então brada:

“Tudo marcha!… Ó grande Deus!

As cataratas – p’ra terra,

As estrelas – para os céus

Lá, do pólo sobre as plagas,

O seu rebanho de vagas

Vai o mar apascentar…

Eu quero marchar com os ventos,

Com os mundos… co’os firmamentos!!!”

E Deus responde – “Marchar!”

[…]

(ALVES, Castro. Melhores poemas de Castro Alves.
São Paulo: Global, 2003. p. 15-16.)

O gerúndio, o infinitivo e o particípio, por não apresentarem flexão de tempo e modo e por serem tomados como nomes – substantivos, adjetivos e advérbios −, são conhecidos como as formas nominais do verbo. Sobre o uso dessas formas nominais no texto, considere as seguintes proposições:

I. As formas crescer, criar, subir indicam as ações que Colombo estava predestinado a realizar num futuro próximo.

II. As formas talhado e cansado, que fazem referência, respectivamente, a Novo Mundo e a Jeová, têm semelhança com o adjetivo por qualificarem seus referentes.

III. A forma olhando, que manifesta a atitude do grande Deus em contemplar a sua própria criação, indica a concomitância entre as ações de olhar e marchar.

IV. A forma petrificados, cujo referente é Andes, associa-se por analogia a braços levantados, o que contribui para a construção personificada da América.

Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa que apresenta todas as corretas:

a) I e III

b) I e IV

c) II e III

d) II e IV

 

Questão 2 – (Mackenzie SP/2004/Julho)

“Na memorável regência da princesa Isabel, sua caneta de ouro assinalou fatos marcantes na história do país, como é do conhecimento geral. Um episódio, porém, viria a criar um certo embaraço ao uso de tão celebrado instrumento: é que a Câmara Municipal resolvera criar uns novos “mijadouros públicos”, palavras consideradas impróprias para figurar em documento a ser levado ao conhecimento público subscrito por sua alteza imperial.

Seria, porém, um contra-senso privar a população dessa comodidade e a cidade desse valioso equipamento por um problema de lexicografia. Criou-se, então, um novo vocábulo, como vai registrado no Dicionário etimológico da língua portuguesa, de Antenor Nascentes: “Mictório. Neologismo criado quando a princesa imperial regente, D. Isabel, teve de sancionar uma postura da Ilustríssima Câmara Municipal acerca de mijadouros públicos. Figueiredo tira do lat. mictoriu, que aliás é um adjetivo com o sentido de diurético”.

Benedito Lima de Toledo, O Estado de São Paulo

No trecho palavras consideradas impróprias para figurar em documento a ser levado ao conhecimento público subscrito por sua alteza imperial, as expressões destacadas:

a) expressam ações contínuas, uma vez que correspondem a gerúndios.

b) são formas nominais de verbos e, no texto, qualificam substantivos.

c) têm valor apenas verbal e são independentes dos substantivos próximos.

d) qualificam os substantivos imediatamente anteriores: palavras e conhecimento.

e) omitem a desinência de gênero, por serem empregadas como verbos.

Gab:

1 – D

2 – B 

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Andressa da Costa Farias para o Blog do Enem. Andressa é formada em Letras Português e Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Maria. E atualmente cursa Doutorado em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina. Colabora eventualmente escrevendo crônicas para o jornal Diário de Santa Maria (RS) das quais posta no blog pessoal: www.andressacf.blogspot.com Facebook: https://www.facebook.com/andressa.dacostafarias