Funções da linguagem: conceito, tipos, exemplos e exercícios

Compreenda as seis funções da linguagem para dominar as questões de Interpretação de Textos nas provas do Enem.

O que é considerado linguagem? Palavra, enunciado, texto, som, comunicação, pensamento? Qual é a fronteira entre o linguístico e o extra – linguístico? Como o Enem trabalha esse conceito em suas questões? Vem descobrir!

As funções da linguagem

No processo de comunicação, todas os elementos são importantes ao exercer sua função, mas sempre uma destas funções da linguagem será proeminente. Conheça a seguir as seis funções da linguagem.

1. Função da linguagem referencial

Por exemplo: no caso de uma bula de remédio, o mais importante é transmitir informação.

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Logo, o foco é o referente (conteúdo). Isso não quer dizer que a estrutura seja irrelevante, já que ela gera um gênero específico – o manual. Mas ainda assim, o referencial é o mais relevante.

2. Função da linguagem poética

Como o nome já diz, a estrutura da mensagem passa a ser mais importante que a mensagem em si. Isso ocorre muito em letras de canções. Muitas músicas falam de amor, mas nem todas mexem com você, pois não dizem da mesma maneira.

3. Função da linguagem emotiva

A função emotiva é aquela focada no emissor, ou seja, naquele que emite a mensagem. Um ótimo exemplo é o diário, o qual apresenta as visões de mundo de seu narrador.

4. Função da linguagem conativa ou apelativa

Na função conativa ou apelativa, o foco é o destinatário. Ou seja, o objetivo da mensagem é convencer quem ouve a mensagem de algo – o que ocorre muito na publicidade.

5. Função da linguagem metalinguística

A função metalinguística ocorre quando o foco da mensagem é refletir sobre sua própria estrutura. Por exemplo, ocorre metalinguagem quando uma crônica em que o autor reflete sobre como é fazer uma crônica, um filme sobre fazer um filme, um livro em que o protagonista está escrevendo um livro.

6. Função da linguagem fática

A função da linguagem fática é uma das mais presentes no nosso dia a dia. Sabe quando você está tendo uma longa conversa com um amigo e apenas responde “aham” para ele saber que você está ouvindo? A sua intenção foi apenas manter o canal de comunicação aberto.

Ou quando, em um email ou mensagem, você escreve “Bom dia, tudo bem?” apenas para introduzir um assunto, não para realmente saber como uma pessoa está. Isso é a função fática, pois você apenas abriu ou tentou manter aberto o canal de comunicação.

Comunicação e linguagem

Para você conseguir resolver questões sobre as funções da linguagem com tranquilidade, é essencial que você compreenda esse importante aspecto da comunicação. O linguista Roman Jakobson comenta no livro “Linguística e Comunicação”:

“A linguagem deve ser estudada em toda a variedade de suas funções. (…) Para se ter uma ideia geral dessas funções, é mister uma perspectiva sumária dos fatores constitutivos de todo processo linguístico, de todo ato de comunicação verbal, O REMETENTE envia uma MENSAGEM ao DESTINATÁRIO. Para ser eficaz, a mensagem requer:

  • Um CONTEXTO a que se refere (Ou “referente”, em outra nomenclatura algo ambígua), apreensível pelo destinatário, e que seja verbal ou suscetível de verbalização;
  • Um CÓDIGO total ou parcialmente comum ao remetente e ao destinatário (ou, em outras palavras, ao codificador e ao decodificador da mensagem); e, finalmente,
  • Um CONTATO, um canal físico e uma conexão psicológica entre o remetente e o destinatário, que os capacite a ambos a entrarem e permanecerem em comunicação. (…)

A diversidade reside não no monopólio de alguma dessas diversas funções, mas numa diferente ordem hierárquica de funções. A estrutura verbal de uma mensagem depende basicamente da função predominante.” (JAKOBSON, 1976)

Jakobson foi um proeminente linguista fundador do Círculo Linguístico de Moscou (1915) e do Círculo Linguístico de Praga (1928), ambos responsáveis por avanços importantes que afirmaram a Linguística como ciência e influenciaram outras áreas de conhecimento, como a Antropologia.

Linguagem e linguística

No século VXIII, a Linguística apoiava-se na História, descrição e tradução das Línguas, mas ainda não contava com um sistema de análise próprio. Isso muda quando as ideias do linguista suíço Ferdinand Saussure são divulgadas de forma póstuma pelos seus alunos, incentivando o desenvolvimento de teorias com base em ideias estruturalistas, como o conceito de signo e significante.

Para o suíço, o significante faz parte das relações semânticas (de significado) do homem com o mundo. Já o signo é o símbolo escolhido de forma aleatória para nomear o mundo e estabelecer raciocínios.

Desse modo, o conceito de “boi” faz parte da relação do ser humano com o mundo. Já a palavra escolhida para nomeá-lo, seja ela boi, ox, bouef, ochse, vol é aleatória em relação ao que nomeia, resultante do sistema linguístico que estabelece variações em cada língua.

Logo, sons de palavras não possuem relação direta com o que é nomeado: o animal boi não tem relação direta com os fonemas (sons) da palavra que o nomeia.
Isso faz com que o signo se insira no sistema linguístico gerado por fonemas em relação de comutação. O que isso quer dizer?

Todo som produzido pelo homem pode ser considerado um fone, ou seja, uma unidade mínima de som. Quando esse fone gera relações de distinção, gerando palavras diferentes, ele é considerado um fonema. Por exemplo, os fones “f” e “v”, ao serem substituídos um pelo outro podem gerar as palavras “faca” e “vaca”.

Isto é, a mudança de um pelo outro estabelece diferentes significados dentro da língua. Já a diferença de pronúncia do “erre” por paulistas e cariocas na palavra “poRta” não estabelece significados diferentes, fazendo com que a mudança de som nesse caso não seja uma mudança de fonema, mas uma variação livre de fones.

Logo, cada língua apresenta os seus fonemas em relação de comutação – baseado na noção de sistema linguístico e comportamento dos signos.

Jakobson incorpora a estrutura sugerida por Saussure – o qual considerava que na estrutura linguística existe a Langue (Língua Escrita) e a Parole (Língua Falada) da mesma forma que há signos e significantes. Logo, Jakobson pretendia explicar de que maneira o contexto linguístico insere-se na situação de uso.

Para tanto, estabelece que para haver comunicação, é necessário: uma mensagem, um emissor, um destinatário, um código, um canal de comunicação e um referente (conteúdo). Todos esses fatores relacionam o que é linguístico (próprio da língua) com o extra-linguístico (contexto comunicativo), formando a linguagem.

Resumo sobre as Funções da Linguagem

Confira agora um resumo sobre funções da linguagem gravado pela professora Jéssica para você fechar bem esta aula de revisão antes de fazer os exercícios.

Exercícios sobre as funções da linguagem

Para praticar, tente fazer esse exercício sobre funções da linguagem:

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