Funções da linguagem

Compreenda as funções da linguagem sob a visão de um dos autores mais renomados da área de estudos linguísticos: Roman Jakobson. Vem com a gente! Essa aula vai te ajudar a resolver as questões de interpretação de Português no Enem!

O que é considerado linguagem? Palavra, enunciado, texto, som, comunicação, pensamento? Qual é a fronteira entre o linguístico e o extra – linguístico? Como o Enem trabalha esse conceito em suas questões? Vem descobrir!

Acompanhe esta aula de português para gabaritar as questões de Linguagens do Enem!

A linguagem possui várias formas. E, a ementa de Linguagens do Enem aborda a linguagem sob vários aspectos.

Portanto, para você conseguir resolver a prova com tranquilidade, é essencial que você compreenda esse importante aspecto da comunicação. O linguista Roman Jakobson comenta no livro “Linguística e Comunicação”:

“A linguagem deve ser estudada em toda a variedade de suas funções. (…) Para se ter uma ideia geral dessas funções, é mister uma perspectiva sumária dos fatores constitutivos de todo processo linguístico, de todo ato de comunicação verbal, O REMETENTE envia uma MENSAGEM ao DESTINATÁRIO.

Para ser eficaz, a mensagem requer um CONTEXTO a que se refere (Ou “referente”, em outra nomenclatura algo ambígua), apreensível pelo destinatário, e que seja verbal ou suscetível de verbalização; um CÓDIGO total ou parcialmente comum ao remetente e ao destinatário (ou, em outras palavras, ao codificador e ao decodificador da mensagem); e, finalmente, um CONTATO, um canal físico e uma conexão psicológica entre o remetente e o destinatário, que os capacite a ambos a entrarem e permanecerem em comunicação. (…) A diversidade reside não no monopólio de alguma dessas diversas funções, mas numa diferente ordem hierárquica de funções. A estrutura verbal de uma mensagem depende basicamente da função predominante.” (JAKOBSON, 1976)

Jakobson foi um proeminente linguista fundador do Círculo Linguístico de Moscou (1915) e do Círculo Linguístico de Praga (1928), ambos responsáveis por avanços importantes que afirmaram a Linguística como ciência e influenciaram outras áreas de conhecimento, como a Antropologia.

No século VXIII, a Linguística apoiava-se na História, descrição e tradução das Línguas, mas ainda não contava com um sistema de análise próprio. Isso muda quando as ideias do linguista suíço Ferdinand Saussure são divulgadas de forma póstuma pelos seus alunos, incentivando o desenvolvimento de teorias com base em ideias estruturalistas, como o conceito de signo e significante. Para o suíço, o significante faz parte das relações semânticas (de significado) do homem com o mundo. Já o signo é o símbolo escolhido de forma aleatória para nomear o mundo e estabelecer raciocínios.

Desse modo, o conceito de “boi” faz parte da relação do ser humano com o mundo. Já a palavra escolhida para nomeá-lo, seja ela boi, ox, bouef, ochse, vol é aleatória em relação ao que nomeia, resultante do sistema linguístico que estabelece variações em cada língua. Logo, sons de palavras não possuem relação direta com o que é nomeado: o animal boi não tem relação direta com os fonemas (sons) da palavra que o nomeia.
Isso faz com que o signo se insira no sistema linguístico gerado por fonemas em relação de comutação. O que isso quer dizer?

Todo som produzido pelo homem pode ser considerado um fone, ou seja, uma unidade mínima de som. Quando esse fone gera relações de distinção, gerando palavras diferentes, ele é considerado um fonema. Por exemplo, os fones “f” e “v”, ao serem substituídos um pelo outro podem gerar as palavras “faca” e “vaca”.

Isto é, a mudança de um pelo outro estabelece diferentes significados dentro da língua. Já a diferença de pronúncia do “erre” por paulistas e cariocas na palavra “poRta” não estabelece significados diferentes, fazendo com que a mudança de som nesse caso não seja uma mudança de fonema, mas uma variação livre de fones. Logo, cada língua apresenta os seus fonemas em relação de comutação – baseado na noção de sistema linguístico e comportamento dos signos.

Jakobson incorpora a estrutura sugerida por Saussure – o qual considerava que na estrutura linguística existe a Langue (Língua Escrita) e a Parole (Língua Falada) da mesma forma que há signos e significantes. Logo, Jakobson pretendia explicar de que maneira o contexto linguístico insere-se na situação de uso.

Para tanto, estabelece que para haver comunicação, é necessário: uma mensagem, um emissor, um destinatário, um código, um canal de comunicação e um referente (conteúdo). Todos esses fatores relacionam o que é linguístico (próprio da língua) com o extra-linguístico (contexto comunicativo), formando a linguagem.

No processo de comunicação, todas os elementos são importantes ao exercer sua função, mas sempre um será proeminente. Por exemplo:

Função da Linguagem Referencial: no caso de uma bula de remédio, o mais importante é transmitir informação.

Logo, o foco é o referente (conteúdo). Isso não quer dizer que a estrutura seja irrelevante, já que ela gera um gênero específico – o manual. Mas ainda assim, o referencial é o mais relevante.

Função da Linguagem Poética: como o nome já diz, a estrutura da mensagem passa a ser mais importante que a mensagem em si. Isso ocorre muito em letras de canções. Muitas músicas falam de amor, mas nem todas mexem com você, pois não dizem da mesma maneira.

Função da Linguagem Emotiva: é aquela focada no emissor, ou seja, naquele que emite a mensagem. Um ótimo exemplo é o diário, o qual apresenta as visões de mundo de seu narrador.

Função da Linguagem Conativa ou Apelativa: é aquele em que o foco é o destinatário, isto é, convencer quem ouve a mensagem de algo – o que ocorre muito na publicidade.

Função da Linguagem Metalinguística: ocorre quando o foco da mensagem é refletir sobre sua própria estrutura – uma crônica em que o autor reflete sobre como é fazer uma crônica, um filme sobre fazer um filme, um livro em que o protagonista está escrevendo um livro.

Função da Linguagem Fática: a função fática é uma das mais presentes no nosso dia a dia. Sabe quando você está tendo uma longa conversa com um amigo e apenas responde “aham” para ele saber que você está ouvindo? A sua intenção foi apenas manter o canal de comunicação aberto. Ou quando, em um email ou mensagem, você escreve “Bom dia, tudo bem?” apenas para introduzir um assunto, não para realmente saber como uma pessoa está. Isso é a função fática, pois você apenas abriu ou tentou manter aberto o canal de comunicação.

Para fixar bem o conteúdo e entender um pouco mais sobre as funções da linguagem, veja agora essa videoaula com o professor Noslen:
E também essa outra:
Para praticar, tente fazer esse exercício sobre funções da linguagem:

1. (ENEM 2012)

Desabafo

Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma
cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica manhã de segundafeira. A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado.

CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento).

Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de várias funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função da linguagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois

a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código.
b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.
c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem.
d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos demais.
e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da comunicação.

RESPOSTA B