Ícone, Índice e Símbolo

Na tela de seu computador, existem imagens que chamamos de ícones. Ícones e Símbolos são a mesma coisa? O que é um Índice? Nesta revisão, vamos compreender a diferença de cada um deles. Quer gabaritar no Enem? Então, vem com a gente para entender melhor esse tópico dentro da Língua Portuguesa.

Ao se falar de ícone e símbolo também estamos falando sobre comunicação, e isso tem tudo a ver com esta disciplina. Para começarmos a refletir sobre o assunto, pense em seu editor de texto. É bem provável que a imagem de um disquete represente a ação de salvar o seu texto, certo?

Mas quem usa disquete hoje? Nos anos 80 e 90, o disquete era muito utilizado para salvar arquivos e compartilhá-los. Porém, no final dos anos 90, caiu em desuso. Contundo, o seu símbolo continua sendo usado. Sendo assim, podemos dizer que o disquete era um ícone e passou a ser um símbolo.

Diferenças entre símbolo e ícone

Provavelmente, você deve estar se perguntando se há diferença entre símbolo e ícone. Já podemos adiantar que sim. Porém, para isso, precisamos dar uma olhadinha, de modo básico, numa ciência chamada semiótica.

Semiótica é o estudo que se faz sobre praticamente todos os fenômenos por trás de um signo, ou seja, de um significado. Imagine se você, no seu novo emprego, precisasse criar uma imagem – vamos chamar assim, por enquanto – com uma mensagem em particular.

A imagem será usada para identificar que, em determinado recipiente, só é possível o descarte de aparelhos eletrônicos. Que imagem você usaria? Talvez o desenho de um aparelho eletrônico, mas será que só isso daria conta?

A semiótica ajudaria você a fazer a melhor escolha dessa imagem, pois pensar em qual ambiente vivem as pessoas que seriam atingidas por essa nova imagem, perceber quais fenômenos culturais essas pessoas vivenciaram também é importante para a criação ou escolha dessa figura.

É aí que entra a semiótica. E para facilitar a compreensão sobre signo, precisamos entender os três itens que são o motivo dessa revisão: índice, ícone e símbolo.

Um exemplo clássico e muito prático:

ícone, índice e símbolo
Fonte: Google Imagens.

Você já deve ter visto uma placa parecida com essa, certo? Temos a linguagem verbal “Cuidado cão bravo” e “O gato também não é confiável” que nos alerta sobre a presença desses “animais ferozes”.

Para explicar a diferença entre ícone, índice e símbolo, vamos utilizar a palavra cão e a imagem do animal ali representada, tudo bem?

Ícone

Das imagens que representam os animais, posso apostar que a da esquerda é que representa o cão. Isso, porque, já vimos muitos cães antes de ver esta placa e fica fácil identificar qual animal representa o cão.

Pois bem, ao desenho do cão chamamos de ícone, já que o desenho do corpo de um cão, lembra-nos de um cão. Nós já vimos um cão antes, então fica fácil a assimilação.

Lembra do exemplo do disquete? Quem nunca vi um disquete de maneira convencional, física mesmo, precisará de algumas explicações para entender a imagem.

A função do disquete precisa ser explicada para, só aí, fazer sentindo para quem vê a imagem, diferente do cachorro que, provavelmente, quem já viu um antes, facilmente entende o ícone.

Para citar outros exemplos: uma placa indicando a preferência do assento para idosos ou gestantes. Sem trazer qualquer imagem aqui, tenho certeza de que alguns ícones surgiram na sua cabeça.

Índice

Voltando à placa. Imagine que depois de lê-la, você escute alguns sons de latidos. Não há necessidade de explicar mais nada, não é? Esses latidos indicam a presença do animal.

Sendo assim, podemos chamar de índice o som desses latidos. Mesmo que não seja possível ver o cão, podemos afirmar que o animal está próximo de quem lê a placa. É um indício da presença do cão.

Outra expressão que pode denominar índice é signo natural, pois é algo produzido casualmente, mas está diretamente ligado àquilo que se refere.

Mais uma situação. Você está lendo seu novo livro, e um dos seus personagens preferidos entra, sem querer, numa floresta escura. Essa situação pode ser um índice de uma situação perigosa.

Símbolo

Ainda usando nosso exemplo da placa que avisa sobre o cão bravo. Observe a palavra “cão”. Ela não nos lembra um cão, tampouco se parece com um e nem soa com um.

É por isso que a palavra “cão” é um símbolo. Aos falantes de Língua Portuguesa essa palavra tem um significado, mas para quem fala outro idioma sem ser o nosso, não.

Um símbolo, que também pode ser chamado de “signo convencional”, está no campo das palavras escritas. Sua forma – cão – não tem nada que nos remeta à imagem ou som do animal cão.

Se eu escrever aqui chávena ou caleche, que imagem você terá na sua cabeça? Provavelmente nenhuma, não é? Isso ocorre porque as palavras não estão diretamente ligadas às formas das coisas.

O que isso tem a ver com nosso estudo?

Ora, isso tem muito a ver com nossos estudos, com algumas questões de vestibulares também. Nosso foco aqui é mais estreito, não é? Devemos pensar na linguagem.

De uma maneira mais básica, a semiótica trata da interpretação de mundo, como vimos. Pense numa questão em que temos uma charge. Ali, quantas coisas devem ser lidas e interpretadas?

Trazemos esse exemplo, pois, quem pensa em criar uma charge, tem em mente que as imagens retratadas vão atingir os objetivos propostos. Uma crítica social, uma reflexão a um comportamento contemporâneo, por exemplo.

Quantas questões de vestibulares e do Enem trazem charges ou cartum? Até a própria proposta de redação tem símbolos e ícones quando traz algum gráfico ou propaganda.

A interpretação destes símbolos, ícones e índice nos ajudam a interpretar nossa realidade e externá-la de modo mais claro. Uma leitura – de uma obra para um vestibular – exige nosso poder de interpretação.

Entender as entrelinhas de uma obra passa por essa compreensão de mundo. As figuras e funções das linguagens aliadas à criatividade de quem criar um texto pode tornar tudo ainda mais polissêmico.

Interpretação de texto, perceber a ironia de uma charge, compreender um diálogo metafórico em uma cena da obra de um livro, tudo isso passa por nossa vivência e experiência.

Exercícios

1- (Unicamp 2020)

Texto I

 Os idiomas e suas regras são coisas vivas, que vão se modificando de maneira dinâmica, de acordo com o momento em que a sociedade vive. Um exemplo disso é a adoção do termo “maratonar”, quando os telespectadores podem assistir a vários ou a todos os episódios de uma série de uma só vez. Contudo, ao que parece, a plataforma Netflix não quer mais estar associada “maratona” de séries. A maior razão seria a tendência atual que as gigantes da tecnologia têm seguido para evitar o consumo excessivo e melhorar a saúde dos usuários.

(Adaptado de Claudio Yuge, “Você notou? Netflix parece estar evitando o termo ‘maratonar’.” Disponível em https://www.tecmundo.com.br/ internet/133690-voce-notou-net flix-pareceevitando-termo-maratonar.htm. Acessado em 01/06/2019.)

 

Texto II

exercício - ícone, índice e símbolo

Embora os dois textos tratem do termo “maratonar” a partir de perspectivas distintas, é possível afirmar que o Texto II retoma aspectos apresentados no Texto I porque

a) esclarece o significado do neologismo “maratonar” como esforço físico exaustivo, derivado de “maratona”.

b) deprecia a definição de “maratona” como ação contínua de superação de dificuldades e melhoria da saúde.

c) reflete sobre o impacto que a falta de exercícios físicos e a permanência em casa provocam na saúde.

d) menospreza o uso do termo “maratonar” relacionado a um estilo de vida sedentário, antagônico a maratona.

2- (Unesp 2020)

uestão sobre icone, simbolo e indice

Na tira, a morte é caracterizada como

a) frívola.

b) compassiva.

c) solitária.

d) incorruptível.

e) materialista.

3- (G1 – cp2 2020)

exercício - ícone, índice e símbolo

Os braços cruzados e a testa franzida do menino, personagem da charge, indicam que ele está

a) decepcionado, pois esperava por outro tipo de presente.

b) preocupado, porque o presente chegou muito tarde.

c) alegre, por ser presenteado com algo inesperado.

d) entusiasmado, por ter ganhado algo muito útil.

Gabarito: 

1- D

2- D

3- A

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.