Interpretação de textos em espanhol: gramática e vocabulário

O Enem se aproxima, e com ele, surgem inúmeras dúvidas na cabeça do estudante: será que estudei o suficiente? Será que os temas que estudei irão mesmo me ajudar a ter um bom desempenho? Será que sei interpretar um texto em língua estrangeira?

Pensando nisso, começamos a preparar uma série de aulas que irão esclarecer dúvidas a respeito da interpretação de textos em espanhol. Vem com a gente explorar o primeiro assunto: a importância de conhecer gramática e ter um vasto vocabulário.

Como é sabido por todos, a prova de espanhol do Enem é constituída basicamente de textos para serem interpretados. A gramática não é cobrada diretamente, com questões específicas como acontecem em alguns vestibulares. Porém, para conhecer uma língua e interpretar um texto, é necessário dominar minimamente a gramática e o vocabulário desta língua.

Em um próximo texto, vamos perceber que a aquisição de vocabulário ocorre naturalmente em contato com a língua escrita. Ou seja, leitura é fundamental. No momento da interpretação de textos em espanhol, não é recomendado que o estudante se atenha a palavras soltas, pois esta atitude atrasa e compromete a resolução da prova. É sugerido que se faça uma leitura da frase completa, atentando para o global e assim, geralmente, é possível entender o significado da palavra que estava causando preocupação.

No entanto, em se tratando de questões gramaticais, é importante estudar um pouquinho as regras. Em textos anteriores, tratamos a fundo de várias regras gramaticais que são bastante importantes para o entendimento da língua espanhola e, consequentemente, de grande valia para o estudante que sonha com uma nota alta no Enem. A seguir, serão relembradas algumas destas questões gramaticais. São dicas simples, mas que podem ser decisivas na compreensão de um texto.

Heterossemânticos

O primeiro item que vamos relembrar são os heterossemânticos. Falsos amigos, falsos cognatos, como preferir chamar. O certo é que estas palavras que “parecem, mas não são” atrapalham e muito a vida dos brasileiros, em especial na leitura de textos em espanhol. Veja alguns exemplos na figura abaixo:

interpretação de textos em espanhol
Figura 2: Exemplos de falsos cognatos.

Esses são apenas alguns exemplos do quanto podem ocorrer enganos entre as línguas portuguesa e espanhola. Fique atento!

Artigos EL e LO

Outro ponto gramatical importante de se destacar é a diferença entre EL e LO. EL é o artigo masculino singular, nosso artigo definido O, que deve ser usado sempre diante de substantivos. Já LO é um artigo neutro, invariável, usado diante de adjetivos, advérbios, do pronome relativo QUE, e acompanhado de preposição. Lembrando que EL é o singular de LOS (os), algo que costuma gerar confusão.

Advérbios

As formações verbais, as conjunções e contrações, e os pronomes também são de suma importância para a boa compreensão da língua. Assim como os advérbios, que aparecem nos textos para indicar uma circunstância (de tempo, lugar, modo…). Podemos destacar ainda o advérbio MIENTRAS (enquanto) e a locução adverbial SIN EMBARGO (no entanto), termos bastante comuns em provas e que merecem sua atenção.

Para compreender melhor a importância dessas dicas para a interpretação de textos em Espanhol, veja as videoaulas no nosso canal no YouTube:

Quer dicas de leituras em espanhol? Tem também 😉

 

Seguindo estas dicas em relação ao estudo de gramática, seu repertório fica mais completo e a chance de entender e interpretar bem um texto cresce muito! Portanto, mãos à obra! Se restam dúvidas sobre algum dos itens acima citados, leia nossos textos específicos que lá é possível encontrar mais informação e detalhes sobre o conteúdo. Sucesso!

Agora, para testar seus conhecimentos, tente fazer os exercícios que selecionei para você! Bons estudos!

Questão 01 – (ENEM MEC/2017)    

El eclipse

Cuando Fray Bartolomé Arrazola se sentió perdido aceptó que ya nada podría salvarlo. La selva poderosa de Guatemala lo había apresado, implacable y definitiva. Ante su ignorancia topográfica se sentó con tranquilidad a esperar la muerte. Al despertar se encontró rodeado por un grupo de indígenas de rostro impasible que se disponía a sacrificarlo ante un altar, un altar que a Bartolomé le pareció como el lecho en que descansaría, al fin, de sus temores, de su destino, de sí mismo. Tres años en el país le habían conferido un mediano dominio de las lenguas nativas. Intentó algo. Dijo algunas palabras que fueron comprendidas. Entonces floreció en él una idea que tuvo por digna de su talento y de su cultura universal y de su arduo conocimiento de Aristóteles. Recordó que para ese día se esperaba un eclipse total de sol. Y dispuso, en lo más íntimo, valerse de aquel conocimiento para engañar a sus opresores y salvar la vida. – Si me matáis – les dijo – puedo hacer que el sol se oscurezca en su altura. Los indígenas lo miraron fijamente y Bartolomé sorprendió la incredulidad en sus ojos. Vio que se produjo un pequeño consejo, y esperó confiado, no sin cierto desdén. Dos horas después el corazón de Fray Bartolomé Arrazola chorreaba su sangre vehemente sobre la piedra de los sacrifícios (brillante bajo la opaca luz de un sol eclipsado), mientras uno de los indígenas recitaba sin ninguna inflexión de voz, sin prisa, una por una las infinitas fechas en que se producirían eclipses solares y lunares, que los atrónomos de la comunidad maya habían previsto y anotado en sus códices sin la valiosa ayuda de Aristóteles.

MONTERROSO, A. Obras completas y otros
cuentos
. Bogotá: Norma, 1994 (adaptado)

No texto, confrontam-se duas visões de mundo: a da cultura ocidental, representada por Frei Bartolomé Arrazola, e a da mítica pré-hispânica, representada pela comunidade indígena maia. Segundo a narrativa,

a) os catequizadores espanhóis avalizam os saberes produzidos pelas comunidades indígenas hispanoamericanas.

b) os indígenas da comunidade maia, mostram-se perplexos diante da superioridade do conhecimento aristotélico do frei espanhol.

c) o catequizador espanhol Arrazola apresenta-se adaptado às culturas autóctones, ao promover a interlocução entre os conhecimentos aristotélicos e indígena.

d) o episódio representa, de forma neutra, o significado do conhecimento ancestral indígena, quando comparado ao conhecimento ocidental.

e) os conhecimentos acadêmicos de Arrazola são insuficientes para salvá-lo da morte, ante a sabedoria astronômica da cultura maia.

 

Questão 02 – (ENEM MEC/2016)    

La Sala II de la Cámara de Casación Penal ordenó que Marcela y Felipe Noble Herrera, los hijos adoptivos de la dueña de Clarín, se sometan “a la extracción directa, con o sin consentimiento, de mínimas muestras de sangre, saliva, piel, cabello u otras muestras bioógicas” que les pertenezcan de “manera indubitable” para poder determinar si son hijos de desaparecidos. El tribunal, así, hizo lugar a un reclamo de las Abuelas de Plaza de Mayo y movió un casillero una causa judicial que ya lleva diez años de indefinición. Sin embargo, simultáneamente, fijó un límite y sólo habilitó la comparación de los perfiles genéticos de los jóvenes con el ADN de las familias de personas “detenidas o desaparecidas con certeza” hasta el 13 de mayo de 1976, en el caso de Marcela, y hasta el 7 de julio del mismo año en el de Felipe. La obtención del material genético no será inmediata, ya que algunas de las partes apelarán y el tema inevitablemente desembocará a la Corte Suprema, que tendrá la palabra final sobre la discusión de fondo.

“Es una de cal y otra de arena, es querer quedar bien con Dios y con el diablo”, resumió la presidenta deAbuelas, Estela Carlotto, su primera impresión de la resolución que firmaron Guillermo Yacobucci, Luis García y Raúl Madueño. Aun así la evaluó como “un paso importante” porque determina que “sí o sí la extracción de sangre o de elementos que contengan ADN debe proceder’. “Lo que nos cayó mal”, acotó, es “la limitación” temporal que permitirá que la comparación se haga sólo con un grupo de familias. “Seguimos con la historia de que acá hay de primera y de segunda. ¿Por qué todos los demás casos siempre se han comparado con el Banco (de Datos Genéticos) completo y en éste no?”, se preguntó.

HAUSER, I. Disponível em: www.pagina12.com.ar.
Acesso em: 30 maio 2016.

Nessa notícia, publicada no jornal argentino Página 12, citam-se comentários de Estela Carlotto, presidente da associação Abuelas de Plaza de Mayo, com relação a uma decisão do tribunal argentino. No contexto da fala, a expressão “una de cal y otra de arena” é utilizada para

a) referir-se ao fato de a decisão judicial não implicar a sua imediata aplicação.

b) destacar a inevitável execução da sentença.

c) ironizar a parcialidade da Justiça nessa ação.

d) criticar a coleta compulsória do material genético.

e) enfatizar a determinação judicial como algo consolidado.

 

Questão 03 – (ENEM MEC/2018)    

Con una chacra de Portezuelo como escenario, algunos dirigentes frentistas se reunieron para evaluar el estado de la coalición de gobierno y discutir estrategias para las elecciones del año próximo. Ministros de Estado, legisladores y sindicalistas departieron allí sobre alineamientos electorales dentro del Frente Amplio. Los acompañó en la ocasión el rector de la Universidad de la República, Rodrigo Arocena, un funcionario que por su investidura debería mostrar menos la hilacha y cuidarse de aparecer vinculado a confabulaciones y maniobras de política partidaria.

Disponível em: http://historico.
elpais.com.uy. Acesso em:
20 nov. 2013.

No texto do jornal uruguaio, o autor utiliza a expressão idiomática mostrar menos la hilacha para sugerir que o reitor da universidade deve

a) ser menos ingênuo.

b) evitar se perder em ilações.

c) agir de modo menos prepotente.

d) ter mais zelo com os arranjos políticos.

e) privar-se de expor suas tendências ideológicas.

 

Questão 04 – (ENEM MEC/2018)    

Eduardo Galeano

1976

Libertad

Pájaros prohibidos

Los presos políticos uruguayos no pueden hablar sin permiso, silbar, sonreír, cantar, caminar rápido ni saludar a otro preso. Tampoco pueden dibujar ni recibir dibujos de mujeres embarazadas, parejas, mariposas, estrellas ni pájaros.

Didaskó Pérez, maestro de escuela, torturado y preso por tener ideas ideológicas, recibe un domingo la visita de su hija Milay, de cinco años. La hija le trae un dibujo de pájaros. Los censores se lo rompen en la entrada a la cárcel.

El domingo siguiente, Milay le trae un dibujo de árboles. Los árboles no están prohibidos, y el domingo pasa. Didashkó le elogia la obra y le pregunta por los circulitos de colores que aparecen en la copa de los árboles, muchos pequeños círculos entre las ramas:

— ¿Son naranjas? ¿qué frutas son?

La niña lo hace callar:

— Ssssshhhh.

Y en secreto le explica:

— Bobo, ¿no ves que son ojos? Los ojos de los pájaros que te traje a escondidas.

GALEANO, E. Memoria del fuego III.
El siglo del viento. Madrid: Siglo Vein-
tiuno de España, 1986.

A narrativa desse conto, que tem como pano de fundo a ditadura militar uruguaia, revela a

a) desvinculação social dos presos políticos.

b) condição precária dos presídios uruguaios.

c) perspicácia da criança ao burlar a censura.

d) falta de sensibilidade no trato com as crianças.

e) dificuldade de comunicação entre os presos políticos.

 

GABARITO: 

1) Gab: E

2) Gab: C

3) Gab: E

4) Gab: C

Sobre o(a) autor(a):

Marcia é formada em Língua e Literatura Espanhola pela Universidade Federal de Santa Catarina e Especialista em Estudos Linguísticos e Literários Aplicados ao Ensino da Língua Portuguesa pela Unisul. Dá aulas de espanhol em escolas da grande Florianópolis desde 2003. Facebook: https://www.facebook.com/mcardosocanto