Como usar a intertextualidade no texto da Redação Enem

O Enem exite a capacidade de identificar a intertextualidade nos textos motivadores da redação e nas questões de Interpretação de Texto também. Veja no resumo.

Então, estudante, vamos aprender como interpretar e como usar a intertextualidade no texto e imagem?
Você já deve ter visto essa imagem em algum lugar, seja em páginas de humor na internet ou em conversas pelo Whatsapp em forma de figurinha.Meme do Capitão América dizendo "eu entendi a referência" para exemplificar como usar a intertextualidade na produção de textosEntão, essa imagem serve como uma luva para a nossa revisão de hoje sobre como usar a intertextualidade nos textos e imagens. Mas, antes disso…

Precisamos fazer um combinado aqui. Vamos deixar claro que, para esta revisão, devemos aceitar que texto é “toda unidade de produção de linguagem situada, acabada e autossuficiente do ponto de vista da ação ou da comunicação”.

Sendo assim, tudo o que for passível de comunicação, devemos encarar como texto, fechou? Por exemplo, se uma imagem sem palavra nenhuma – linguagem não-verbal – aparecer, deve ser encarada como texto.

Então, o texto é o elemento básico com que devemos trabalhar nessa revisão. Sendo assim, é por meio dele que o usuário da língua aprimora a sua capacidade de organizar o pensamento/conhecimento e de transmitir ideias, informações e opiniões em situações em que precisa se comunicar.

A intertextualidade
intertextualidade nos textos e imagens pode ser entendida como “um fenômeno característico da produção do sentido e pode-se dar entre textos expressos por diferentes linguagens”.

Ou seja, quando você se deparar com uma questão onde há intertextualidade, você deve entender que todo texto é o resultado de outros textos.

Então, isso significa afirmar que os textos não são “puros”, pois a palavra é dialógica, conversa entre si. Ou seja, quando se fala alguma coisa num texto, é dito em resposta a outro algo que já foi dito em outros textos. 

Tenha em mente que um texto é sempre oriundo de outros textos – orais ou escritos. Assim, a intertextualidade no texto e na imagem ocorre em diversos momentos. Vamos analisar alguns exemplos.

Um exemplo de como usar a intertextualidade no texto e nas imagens. A imagem é uma composição de três outras imagens. A última é a clássica fotografia dos Beatles atravessando uma faixa de segurança na rua Abbey Road, em Londres. Já as duas primeiras imagens são sátiras dessa fotografia: a primeira contém personagens do seriado The Simpsons e a segunda contém os personagens dos quadrinhos “Turma da Mônica Jovem”, ambos os grupos atravessam a referida rua de Londres, como na foto da capa do disco Abbey Road, do Beatles.E o disco Abbey Road do The Beatles, já ouviu falar? Esse foi o 12º álbum de estúdio da banda britânica, lançado em 26 de setembro de 1969, e leva o mesmo nome da rua de Londres onde situa-se o estúdio Abbey Road.

Também mundialmente famosos, temos os personagens de The Simpsons e da Turma da Mônica imitando a mesma cena da capa do disco. Note que temos nas cenas que imitam a capa do disco a presença de vários elementos “idênticos”.

Um personagem descalço, imitando Paul Mcartney, um personagem todo de branco, imitando Lennon, a presença do Fusca, ao fundo, até na mesma posição. 

Intertextualidade na Literatura

Agora, leia esses dois poemas clássicos de nossa Literatura e perceba a intertextualidade:

Canção do Exílio

Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá,
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Canto de regresso à pátria

Oswald de Andrade

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

Neste caso, a intertextualidade se deu na linguagem verbal, certo? O tema é parecido nos dois casos, pois o eu-lírico, em cada um deles, sente saudade de sua terra e não quer morrer antes de retornar.

Conceito de intertextualidade

Como tudo o que vimos, podemos afirmar que a intertextualidade no texto é uma forma “de conversa” entre textos, que pode acontecer de forma mais implícita ou mais explícita e em diversos gêneros textuais, que devem ser contextualizados de acordo com a realidade vivida.

Então, o intertexto serve para ilustrar a importância do conhecimento de mundo e como esse interfere no nível de compreensão do texto. Ou seja, ao relacionar um texto com outro, você, estudante, deve compreender que a intertextualidade é uma das estratégias utilizadas para a construção desses textos. Sendo assim, partindo dessa estratégia definida, se cria uma leitura e uma produção, significando que um texto nasce de outro texto por meio da intertextualidade.

O conceito de intertextualidade no texto colabora bastante com a coerência textual e tem importância fundamental ao relacionar os enunciados envolvidos entre si. Ou seja, a intertextualidade é mais do apenas um critério de textualidade.
É também um princípio constitutivo que trata o texto como uma união de discursos e não algo isolado, sem conexão aparente, dando margem para que se façam interconexões dos mais variados tipos.

Então, podemos ressaltar que, hoje em dia, existe, sim, um consenso quanto ao fato de se concordar com a ideia de que todos os textos “dialogam” com outros textos. Ou seja, não existem textos que não mantenham algum aspecto intertextual, pois nenhum texto se acha isolado e solitário.

Estudante, para te ajudar a entender melhor o conceito de intertextualidade, veja essa videoaula que a professora Camila gravou para o nosso canal no YouTube:

Intertextualidade na música

Agora, vamos ver como a intertextualidade pode ocorrer na música.

Estudante, ouça essa música do Frejat, Amor pra recomeçar:

 

Como usar a intertextualidade na Redação?

Para começar, o uso da intertextualidade na sua Redação é uma boa forma de mostrar ao corretor seu repertório cultural e sua capacidade de fazer correlações entre o tema proposto e situações cotidianas ou atuais.

Sendo assim, como você viu até aqui, a intertextualidade pode ser feita de maneira explícita ou implícita. Por exemplo, na primeira opção, você pode citar frases de autores e pensadores que corroborem com seus argumentos. Além disso, você também pode citar frases que façam um contraponto com a discussão que você está elaborando.

Referenciação

Essa referenciação pode ser direta ou indireta. Por exemplo, em uma referenciação direta, você deve colocar a frase do autor/a entre aspas, demonstrando que aquela é uma citação. Em contrapartida, em uma referenciação indireta, você pode explicar “com as suas palavras” uma citação famosa, corroborando com seus argumentos.

Já a intertextualidade implícita é um pouco mais difícil de ser executada em uma redação de concurso. Para realizá-la, você precisa escrever algo de maneira que lembre um outro texto conhecido, sem necessariamente citá-lo, como no exemplo acima da canção do exílio. Sendo assim, você precisa ter um amplo repertório e também contar com a sorte: ter em mãos um tema que combine direitinho com algum texto muito popular que você conheça.

Então, estudante, se eu fosse você, aproveitava e assistia à aula que o professor Alan gravou dando dicas de frases célebres de filósofos que você pode utilizar na sua Redação:

Muito boa esta aula do canal do Curso Enem Gratuito no Youtube. E tem muitomais lá para você.

Então, entendeu o conceito de intertextualidade? Eu tenho certeza de que sim! Agora, vamos treinar com um exercício:

Cantiga para não morrer

Quando você for se embora,

moça branca como a neve,

me leve.

Se acaso você não possa

me carregar pela mão,

menina branca de neve,

me leve no coração.

Se no coração não possa

por acaso me levar,

moça de sonho e de neve,

me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa

por tanta coisa que leve

já viva em seu pensamento,

menina branca de neve,

me leve no esquecimento.

(Ferreira Gullar. In: Dentro da noite veloz: poemas por Ferreira Gullar.
2 ed. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 1979).

Sobre o poema acima e sua intertextualidade com o Trovadorismo português, podemos afirmar corretamente que:

a) O poeta inspira-se nas cantigas de roda para produzir seu texto.

b) O texto de Ferreira Gullar é claramente inspirado nas cantigas de amor.

c) O autor utiliza-se de ironia ao longo de todo o poema ao se referir à suposta amada que, para ele, não é digna de amor por ser dada a relacionamentos fortuitos. Posto isso, só pode ser uma cantiga de escárnio.

d) A referência utilizada pelo autor só pode ser de uma cantiga de amigo, já que ele aceita a amada nem que seja como amigo.

e) No poema, o eu-lírico sensibiliza-se com a amada que irá morrer e, por isso, produziu uma canção de amigo para ela, e o primeiro verso, da primeira estrofe, “Quando você for embora”, é um eufemismo.

Gabarito: B

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

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