Os movimentos de 1968 – A luta contra o conservadorismo no ano que não terminou

Saiba como os movimentos de maio de 1968 na França impactaram a política local e as expressões culturais no resto do mundo neste post de história!

É possível afirmar que a gênese da cadeia de movimentos de 1968 iniciou-se com a organização dos estudantes da Universidade de Nanterre. Em maio, eles reinvidicavam que os alojamentos na instituição não fossem separados por gênero.

A inicial afronta à separação de dormitórios entre homens e mulheres, logo espalhou-se. Isso motivou estudantes e membros da classe operária a se organizarem em diversas instâncias. Houve uma tentativa de fechar a universidade, devido os conflitos, o que agravou ainda mais a mobilização.

movimentos de 1968
Estudantes franceses protestam contra o fechamento da Universidade de Nanterre. Retirado de: https://goo.gl/ChSk7h Marcadores: Estudantes, manifestação, França.

 

Os movimentos de 1968

A violência policial e institucional aplicada aos estudantes de Nanterre inspirou estudantes de outras universidades e operários a organizarem movimentos em apoio e defendendo outras demandas. Os vários estudantes agora exigiam não somente equidade em âmbito micro, nas universidades, mas também requisitavam a renúncia do então presidente Charles de Gaulle, de espectro político conservador, e convocavam também novas eleições gerais.

Na metade do mês de maio, entre os dias 16 e 21, aproximadamente dez milhões de trabalhadores aderiram às manifestações, exigindo melhorias de condições de trabalho, engrossando os gritos de “Adeus, de Gaulle”. A decisão do presidente foi de se exilar em uma base militar alemã, afugentado, e conceder um abono de 35% no salário destes trabalhadores, além de convocar novas eleições para o setor legislativo.

Embora expressivo, os movimentos de 1968 não alcançaram algo em específico, pois as eleições acarretaram em figuras próximas de Gaulle ocupando o poder novamente. Entretanto, afetado pelas mobilizações e com a figura política abalada, o general renunciou um ano após e o movimento se dissipou lentamente.

movimentos de 1968 e protestos
Protestos contra Charles de Gaulle. Retirado de: https://goo.gl/9YACGV Marcadores: Manifestação, Maio de 68, Charles de Gaulle.

 

Aprofunde seus conhecimentos sobre os movimentos de 1968 através do canal ProjetoX:

As influências dos movimentos de 1968

Mesmo não alcançando grandes objetivos, as organizações francesas de 68 influenciaram e reaqueceram diversos movimentos ao longo do mundo, muitos deles ligados a estudantes. Nos Estados Unidos as grandes manifestações de contracultura, ligadas ao antimilitarismo inflamado pela Guerra do Vietnã, também foram influenciadas por 68. Não somente nas exigências do fim da Guerra, mas por meio do movimento Hippie, que pregava, além da paz, o amor livre, autoconhecimento físico e filosófico e a quebra com o conservadorismo.

No Brasil o movimento chegou com outras formas, por meio da resistência à ditadura militar. Artistas como Caetano Veloso, Rita Lee, Gilberto Gil, Raul Seixas, Os Mutantes entre outros artistas que carregavam suas falas em favor da liberdade individual, política e sexual. Caetano chegou a compor uma música chamada “É proibido proibir”, uma das palavras de ordem mais conhecidas dos movimentos franceses. Estes e outros artistas compunham a Tropicália, movimento artístico que juntava diversas manifestações artísticas em forma de protesto, principalmente contra o regime militar.

Saiba mais sobre a Tropicália com esta videoaula do nosso canal!

Ouça a música “É proibido proibir” gravada por Caetano Veloso:

https://www.youtube.com/watch?v=-xkxIpeGVMc

Em diversos lugares do mundo, ícones culturais conhecidos passaram a ser ressignificados para comporem o movimento de contracultura. Duas dessas produções culturais foram a saga do Senhor dos Anéis e o livro O Hobbit, respectivamente adaptados para o cinema em duas trilogias em 2001, 2002 e 2003 e posteriormente em 2012, 2013 e 2014.

O escritor britânico J. R. R. Tolkien, tendo experiência em guerra, tratou de transformar os horrores vivenciados na Segunda Guerra Mundial em uma simbólica aventura pela Terra Média protagonizada por pequenos e indefesos seres, os hobbits, os quais fariam os papéis dos jovens soldados mandados ao conflito. Além disto, tudo, o autor sempre permeou suas obras com a valorização da vida e da conciliação, e seus ensinamentos não ficaram apenas na literatura.

Muitos movimentos contraculturais criavam palavras de ordem como “Frodo vive” ou “Galdalf para presidente”, inspirados não só pela mensagem amorosa presente nas obras de Tolkien, mas também pelas ervas consumidas de forma naturalizada pelos vários personagens, o que combinava com o discurso permissivo do movimento hippie sobre o uso de psicotrópicos como forma de elevação existencial.

Ainda na música, bandas mundialmente famosas também falavam em nome da liberdade física e de pensamento. A banda londrina Pink Floyd, sempre inspirada no psicodelismo característico da década de 1960, também usou suas canções para protestar.

Uma das canções mais famosas chama-se “Another brick in the Wall”, em tradução livre “Mais um tijolo no Muro”, que, em primeira impressão, poderia ser interpretada como uma crítica ao Muro de Berlim, em pé na época da composição da música, em 1979. Entretanto, a canção também fala sobre a configuração rígida dos currículos escolares e de como esta rigidez, e referente à abordagem pedagógica, cria seres humanos formatados e incapazes de pensamento crítico.

É possível citar centenas de compositores, músicos, diretores de cinema e artistas em infinitas categorias que foram influenciados pelas ideias levantadas nos movimentos de 1968. Um movimento que reascendeu organizações estudantis e, melhor, reascendeu a afronta às injustiças.

another brick pink floyd
Trecho do clip da música “Another brick in the Wall” da banda Pink Floyd. Retirado de: https://goo.gl/WVSdh2 Marcadores: The Wall, Pink Floyd, Música.
Ouça e veja o clip da canção “Another brick in the Wall”

Questões para fixar o conteúdo de movimentos de 1968

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Sobre o(a) autor(a):

Guilherme Silva é formado em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de História em escolas da Grande Florianópolis desde 2016.

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