Padrões de beleza

Saiba mais sobre o corponormatismo e os padrões de beleza nesta revisão que vai te ajudar em Atualidades e em Linguagens no Enem.

Você sabia que até noções tão comuns como “saudável” ou “bonito” possuem efeitos políticos? Nos vídeos publicitários, um corpo saudável geralmente é associado a um corpo de biotipo magro, bem definido, branco, jovem e não deficiente.

Numa pesquisa em imagens do Google com as palavras chave “corpo saudável”, a imagem abaixo é uma das mais recorrentes.

padrões de beleza - cintura
Fonte: https://bit.ly/2OLHFom

É interessante notar que, culturalmente, tanto o “belo” quanto o “saudável” parecem seguir os mesmos critérios: o corpo com as medidas certas (?) é socialmente admirado e sinônimo de autocuidado.

Mas haveria “medidas certas” equivalentes a todos os biotipos? O corpo da mulher negra seria o mesmo da branca? Todas as mulheres brancas poderiam ter o mesmo biotipo para serem aceitáveis?

No ano passado, a Dove passou vergonha ao veicular a propaganda abaixo:

padrões de beleza - propaganda
Fonte: https://bit.ly/2vOYYxM

Na imagem, o produto é associado à limpeza e beleza, que transforma o corpo da mulher negra no da mulher branca. Ainda assim, por mais gritante que seja o racismo veiculado pela empresa, ele foi naturalizado por muitas pessoas que assistiram à campanha. Um dos motivos para que isso ocorra é conceito de corponormatismo inerente às nossas práticas sociais. Nesse viés, apenas alguns corpos seriam considerados saudáveis, belos, produtivos e sexualmente coerentes – o que abre espaço para diversas práticas e discursos discriminatórios.

Supostamente pautados em saberes médicos, os discursos do corponormatismo apresentam corpos fora do biotipo magro como desleixados, corpos deficientes como improdutivos, corpos negros como sujos, corpos gays e trans como anormais, corpos femininos como instáveis – o que interfere diretamente nas produções midiáticas, acesso ao mercado de trabalho e políticas públicas, além de naturalização de transtornos alimentares como a anorexia e a bulimia.

É incoerente pensar que na diversidade de fenótipos humanos, todo corpo saudável teria a mesma aparência. Além disso, o fato de associarmos o saudável ao belo – e a um único tipo de belo, leva a pensar que passamos por uma crise de representatividade. Mesmo nas iniciativas que tentam fugir à regra, é fácil perceber que o padrão do corponormatismo ainda está ali:

padrões de beleza - mulheres
Fonte: https://bit.ly/2weurIK
padrões de beleza - pessoas
Fonte: https://bit.ly/2BmuHva

Quer um exemplo? Quando pensamos em deficiência, geralmente a associamos à anormalidade. Temos até medo de usar o termo deficiente, pois o consideramos pejorativo. Assim, raramente concebemos a deficiência como o que ela realmente é: parte da condição humana – já que 1 bilhão de humanos no mundo possuem algum tipo de deficiência, sendo 45 milhões e 600 mil no Brasil (dados da World Health Organization de 2011 e do IBGE de 2010).

Logo, se o número de pessoas com deficiência no Brasil supera a população de algumas capitais brasileiras, já está mais do que na hora de perceber a deficiência como uma das performances humanas, tornando-a culturalmente viável e abrindo espaços para que sujeitos com deficiência possam exercer papéis importantes referentes a sua formação como sujeito – tais como o direito à matrimônio, família e adoção.

Eu sei, parece incômoda a ideia de uma pessoa com Síndrome de Down adotando uma criança, não é mesmo? Isso acontece porque não possuímos uma estrutura educacional e profissional inclusiva que capacita o sujeito com Síndrome de Down a exercer esses papéis. Oferecer menos do que isso é desumanização. O mesmo ocorre com outras categorias sociais, como a adoção de crianças por casais gays ou o acesso ao mercado de trabalho formal por pessoas transexuais. Percebe como o conceito de corponormatismo é amplo? Nossa beleza ainda é política.

Para te atualizar ainda mais sobre o assunto, recomendo a leitura de textos dos sites:

Think Olga
Geledes
Transfeminismo

Veja também o vídeo do grupo de stand up comedy indiano AIB “É sua culpa”:
O curta francês de Éléonore Pourriat, “Maioria Oprimida”:
E o curta brasileiro “Kbela” de Yasmin Thayná:
Ou o curta também brasileiro “O dia de Jerusa”, de Viviane Ferreira e Elcimar Dias Pereira:
Para praticar, tente fazer esses exercícios:

1. Com base nos dados apresentados acima, assinale a alternativa correta.

 

a) A maior parte dos homofóbicos é do sexo masculino, jovem, branco e desconhecido da vítima.
b) Os dados apontam a correlação entre homofobia, faixa etária e questões raciais.
c) Os casos de homofobia são predominantemente vinculados ao tipo de vida dos próprios homossexuais, uma vez que se relacionam com pessoas contatadas em chats ou em locais de pouca segurança, como parques e boates gays.
d) A maior parte dos suspeitos prefere não informar sua orientação sexual, o que também se aplica ao perfil das vítimas.
e) Embora porcentagem considerável de mulheres tenham sido vítimas de violência, não se constata índice relevante de mulheres suspeitas de homofobia.

Resposta: b

2. Leia o texto e analise a figura a seguir.

Em 1991, a renda média das brasileiras correspondia a 63% do rendimento masculino. Em 2000, chegou a 71%. As conquistas comprovam dedicação, mas também necessidade. As pesquisas revelam que quase 30% delas apresentam em seus currículos mais de dez anos de escolaridade, contra 20% dos profissionais masculinos.
PROBST, Elisiana Renata. “A evolução da mulher no mercado de trabalho”. Revista do Instituto Catarinense de Pós Graduação.

Disponível em: . Acesso em: 4 abr. 2014

Tendo em vista o texto e o implícito no discurso iconográfico, percebe-se

a) as diferenças na valorização da força de trabalho entre os gêneros e a ampliação das demandas das mulheres na luta pelo reconhecimento social.
b) a queda da taxa de fecundidade, elevando a renda feminina, e os tabus da adequação a padrões de beleza vigentes.
c) a alteração do perfil das trabalhadoras que se tornam mais velhas, casadas e mães e a participação das mulheres no movimento feminista.
d) a classificação do trabalho doméstico contabilizado como atividade econômica e a continuidade de modelos familiares tradicionais.
e) as diferenças da jornada de trabalho entre os gêneros e a influência da mídia estabelecendo um padrão de corpo feminino.

Resposta: a