Grécia Antiga e Roma: o legado cultural greco-romano

Neste post você vai começar a estudar os principais assuntos de História que podem aparecer na sua prova de Ciências Humanas do Enem. 

Para começar, vamos revisar a influência cultural das civilizações da Grécia Antiga e de Roma, haja vista que conceitos como democracia, filosofia, teatro e artes em geral, arquitetura, sobremaneira na dita sociedade ocidental, receberam contribuições significativas destas importantes civilizações. Vamos Lá?

Grécia Antiga

O rico legado cultural grego deixou marcas simbólicas e permanentes em toda a história da sociedade ocidental. O ideal de beleza impresso pelos gregos em suas obras artísticas, bem como o grande afinco que dedicaram a suas obras arquitetônicas, científicas e filosóficas consistem em um marco cultural sem precedentes, ainda que milhares de anos tenham se passado desde suas realizações.

Teatro de Heródes, situado na acrópole de Atenas. Fonte: https://bit.ly/2OJ8L1J

Desta forma, nesta oportunidade iremos relembrar algumas das principais contribuições da Grécia Antiga para a cultura geral dos povos, analisando tais contribuições a partir de tópicos específicos.

História

São da Grécia Antiga alguns dos principais estudiosos a tratar a História, independente da tradição mitológica e religiosa, como um campo do conhecimento específico. Ao grande Heródoto de Halicarnasso coube a alcunha de “Pai da História” quando dedicou-se a relatar os acontecimentos das Guerras Médicas, conflito entre gregos e persas pelo domínio de áreas comerciais do Mar Egeu.

Autores como Xenofonte, soldado e discípulo de Sócrates e Tucídides, general das hostes atenienses, por sua vez relataram o que presenciaram durante a Guerra do Peloponeso. Tucídides, por sua conta, buscou imprimir imparcialidade, confrontando informações e cruzando dados distintos em seus escritos e ainda hoje é considerado um clássico entre os historiadores mais antigos.

Filosofia

Em se tratando de filosofia é impossível conceber o conceito acerca do tema sem considerar a primazia grega para o desenvolvimento deste campo do conhecimento.

O forte espírito crítico grego os levou a questionar absolutamente tudo, desde a transformação do caos em cosmo até a conduta humana dentro da sociedade. Suas correntes filosóficas e personalidades influenciam até os dias atuais as concepções filosóficas em geral.

Os primeiros filósofos gregos teriam surgido por volta do século VI a.C e buscaram compreender como e porque os fenômenos naturais ocorriam. Desta maneira passaram pela história como filósofos da natureza ou pré-socráticos, e de certa maneira buscavam compreender a origem de tudo e todos a partir de uma substância material específica.

Nomes como Tales de Mileto, Anaxágoras, Anaximandro, Pitágoras, Filolau, Xenófanes, Parmênides, Zenão, Leucipo, Demócrito, entre outros, tornaram-se bastante famosos e são classificados em escolas filosóficas específicas, a exemplo: Escola Jônica, Pitagórica, Eleata e Atomista.

Posteriormente, Sócrates de Atenas inauguraria uma nova forma de conhecimento filosófico, destinada a compreender e inserir o homem no contexto social e político das polis gregas fazendo frente a chamada escola sofista, que em suma negava a existência de qualquer verdade absoluta e centrava-se na capacidade de buscar conhecimentos práticos para a vida, utilizando-se de muita retórica.

Sócrates, assim como seus discípulos e sucessores, era partidário do desenvolvimento da virtude e reflexão, e ao longo de sua vida buscou transformar a sociedade a partir da atuação ética dos seus respectivos cidadãos. Seu método baseava-se no diálogo constante com os indivíduos, buscando mostrar o quanto somos ignorantes a respeito dos mais variados temas a partir de nossas próprias contradições. Foi condenado à morte por ingestão de cicuta por perverter a juventude ateniense.

Seu discípulo mais famoso foi Platão, também ateniense e fundador da Academia, uma instituição de ensino para formação de filósofos. Haja vista que Sócrates não tenha deixado nada escrito, coube a Platão registrar os ensinamentos do mestre.

Todavia, Platão possuía um entendimento de mundo próprio e dividia o conhecimento em duas áreas distintas, o mundo das ideias e o mundo dos sentidos, dando ênfase e importância muito maior ao mundo das ideias, uma vez que segundo seus argumentos o mundo dos sentidos tende a nos enganar. Suas obras mais conhecidas são: A República, Apologia de Sócrates, O Banquete, Mênon, e o Mito da Caverna.

Último dos três grandes clássicos gregos da filosofia pós Sócrates, Aristóteles de Estagira foi discípulo de Platão e é considerado o “Pai da Lógica”.

Ao contrário do mestre, deu maior importância ao mundo dos sentidos e a partir de seu conhecimento podemos conceber o método científico baseado no empirismo (doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismo).

Todavia, ao longo de toda a sua história, a Grécia concebeu estudiosos das mais diversas áreas do conhecimento, especialmente na medicina, matemática e ciências da natureza. Afinal, devido a gregos como Pitágoras todos nós sabemos que “em qualquer triângulo retângulo, o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos”.

Ou Hipócrates, famoso pelo juramento proferido por todo médico, que por sua vez foi um dos primeiros estudiosos a buscar compreender a natureza das doenças a partir de seus sintomas, evitando o misticismo marcante dos primeiros tempos ao se tratar enfermidades em geral.

Por sua vez, durante o período helenístico, novas concepções filosóficas surgiriam, haja vista a decadência das grandes polis e o domínio estrangeiro. Neste período, correntes como o Ceticismo, Cinismo, Epicurismo e Estoicismo inauguraram um período onde filósofos destinavam-se a compreender a busca da felicidade a partir de valores individualistas.Pintura A Escola de Atenas - Grécia AntigaVeja o quadro A Escola de Atenas, de Rafael Sanzio. Encontra-se no Vaticano e celebra o auge do Renascimento, ao expor vários sábios do ocidente (de diversas épocas) contrapondo suas idéias e sistemas. Os personagens do centro da imagem representam Platão e Aristóteles. Fonte: https://bit.ly/2SEbbQh

Arte

A concepção de teatro na Grécia antiga baseou-se em duas ideias: tragédia e comédia e as peças em geral surgiram como homenagem ao deus Dionísio. Seu apogeu ocorreu por volta de 550 a.C, com destaque para Atenas, mas terminou espalhando-se por toda a Hélade.

Entre os principais dramaturgos e obras figuram os nomes de Ésquilo (Prometeu Acorrentado), Sófocles (Édipo Rei), Eurípedes (As Troianas)  e Aristófanes, considerado o maior autor do gênero comédia.

Pode-se dizer que a tragédia surgiu antes da comédia, mas em si, todas as peças serviam tanto como forma de entretenimento como forma de critica à sociedade, abordando temáticas variadas.

Em verdade, podemos dizer que os gregos obtiveram desenvolvimento bastante eficiente nas mais variadas formas de arte, caracterizada por valores humanistas e voltadas para suas crenças, desejos e paixões, buscando ordem e harmonia.

Escultores buscavam retratar o corpo humano a perfeição, característica que mais tarde será resgatada pelos renascentistas. A música, a pintura e a literatura legaram valores igualmente humanos e harmoniosos, sempre embasadas em equilíbrio. Seu conhecimento arquitetônico foi ímpar e podem ainda hoje ser visto de perto a partir das ruínas de seus grandes templos, erigidos em homenagem aos seus Deuses.

Ainda hoje suas colunas e ordens (Jônica, Dórica e Corintia) são admiradas e estudadas, além de refletirem as grandes transformações pelas quais sua sociedade passou ao longo de séculos de história. Sua mitologia é encontrada nas mais diversas obras, o que mostra a importância de seus valores religiosos para a sua cultura em si.

Além disso, o desenvolvimento da democracia é herança direta da cultura grega. Este sistema de representação política que consiste em transferir ao cidadão o papel de decidir os rumos políticos, sociais e econômicos dos locais onde vivem é criação Ateniense. Atenas viveu ao longo de sua história reformas e sucessivas formas de poder que por fim resultariam na transferência do poder ao próprio povo.

É preciso levar em conta que muitos habitantes das cidades gregas não eram considerados cidadãos, ao contrário de hoje em dia. Todavia, se a democracia ateniense não era perfeita, atualmente, com uma diferença de pelo menos dois milênios de história, nós homens ainda não conseguimos encontrar formas de garantir representatividade para todos os cidadãos e minorias. Entretanto, não fossem os gregos, quem sabe onde estaríamos hoje?

Abaixo, você confere as aulas do prof. Felipe sobre  a Grécia Antiga:

Muito boa esta primeira aula. Confira agora o resumo sobre os períodos Pré-Homérico, Homérico, e Arcaico.

Gostou dos resumos sobre a Grécia? Veja agora os textos e as aulas sobre Roma.

Roma Antiga

Do ponto de vista cultural pode-se dizer que os romanos não foram muito originais, embora tenham desenvolvido tradições próprias e baseadas em elementos etruscos ou latinos, como por exemplo, o idioma. Todavia, grosso modo o que se verifica é apropriação romana da cultura grega em geral, já que existe a proximidade e suas relações no mediterrâneo.

No campo religioso foram politeístas até a ascensão cristã, ao fim do império. Suas divindades eram ligadas ao cotidiano geral da civilização e suas cerimônias estavam inseridas em assuntos militares, agrícolas, artes e até mesmo o comércio.

Desta maneira, as divindades se assemelhavam ou assimilavam as divindades gregas com outros nomes e/ou representações (Júpiter é Zeus/ Minerva é Atenas, entre outros).

O Panteão Romano – Templo Romano construído por ordem de Otávio Augusto. Recebeu reforma durante o governo de Adriano. Atualmente é utilizado pela igreja católica e como mausoléu. Os restos mortais de Rafael Sanzio estão no prédio desde o Renascimento. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pante%C3%A3o

A aproximação à Grécia Antiga ocorreu também nas artes. O teatro foi intensamente explorado pelas romanos, tanto que as obras de Homero e outros grandes autores gregos foram traduzidas para o latim.

Nomes como Políbio, Tito Lívio e Plutarco figuram como grandes historiadores, algumas das principais obras biográficas de governantes, generais, entre outros próceres da antiguidade são de autoria de Plutarco. Tito Lívio escreveu a obra História de Roma, composta por 142 volumes.

Durante o governo de Otávio Augusto, Roma viveu o período de ouro de sua cultura. Por todo o império, principalmente a capital, recebeu um grande número de obras arquitetônicas com influências variadas, como por exemplo, o arco e a abóboda. No esquema abaixo você pode conferir elementos do arco romano e suas diversas partes e funções da mesma.

arquitetura romana
Fonte: https://bit.ly/2uwlNc7

Cabe ressaltar que muitos edifícios tinham em suas paredes diversas esculturas que, na maioria das vezes, apresentavam conquistas militares e grandes feitos.

Em se tratando de entretenimento, considerando o grande número de escravos, grande parte da população livre possuía muito tempo de ócio, elemento perigoso para a manutenção da paz. Assim sendo, diversas formas de entretenimento foram criadas, entre elas as arenas de gladiadores.

O Coliseu, certamente a mais famosa, era palco de confrontos, muitas vezes até a morte entre gladiadores e mesmo homens contra animais ferozes capturados em todas as partes do império. A política do pão e circo foi justamente criada e aplicada para evitar que o grande número de homens livres se revolta-se contra o Estado.

A filosofia latina foi profundamente marcada pela filosofia grega e correntes filosóficas como estoicismo, epicurismo, ceticismo e cinismo marcaram o período de hegemonia romana. O imperador Marco Aurélio foi considerado um grande filósofo estóico.

Outra grande contribuição cultural romana foi o direito romano. Para se ter uma ideia, o direito praticado hoje em nosso país deriva de tradições e códigos de leis romanos. O direito em Roma era dividido em três áreas distintas, privado, estrangeiro e público. As leis romanas, a partir do período republicano seriam compiladas no “Jus Civile” (código civil).

Além disso, algumas expressões comuns no mundo jurídico provem de Roma e seu idioma, o Latim. (ex: Habeas Corpus, Habeas Data, stricto sensu). Além disso, o português, o francês, o italiano e o espanhol, entre outros idiomas, derivam diretamente do latim.

Por fim, desde o início do império, a partir do governo dos primeiros imperadores, o cristianismo, doutrina baseada nas pregações e vida de cristo foi proibida e perseguida pelo Estado romano.

No entanto, já no ocaso do grande império, Constantino (imperador) liberou e ajudou a organizar a religião, e por fim, de proibido, o cristianismo viria a se tornar um dos maiores legados da cultura e período de dominação romana para as civilizações ocidentais. Basta observar que a própria hierarquia católica segue o padrão do império, sendo o papa (dentro da doutrina católica) comparado à figura do imperador.

Agora revise Roma com outra super aula do prof. Felipe:

Excelente as dicas do professor Felipe. Agora, hora do Simulado!

Exercícios sobre Grécia Antiga e Roma:

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Sobre o(a) autor(a):

Bruno é historiador formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de história em escolas da Grande Florianópolis desde 2012.