Grécia Antiga e Roma: legado cultural grego e romano

Neste post você vai começar a estudar os principais assuntos de História que podem aparecer na sua prova de Ciências Humanas do Enem. 

Para começar, vamos revisar a influência cultural das civilizações da Grécia Antiga e de Roma, haja vista que conceitos como democracia, filosofia, teatro e artes em geral, arquitetura, sobremaneira na dita sociedade ocidental, receberam contribuições significativas destas importantes civilizações. Vamos Lá?

Grécia Antiga

Na imagem encontramos uma fotografia do famoso Teatro de Heródes, situado na acrópole de Atenas. Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/teatro-grego.htm

O rico legado cultural grego deixou marcas simbólicas e permanentes em toda a história da sociedade ocidental. O ideal de beleza impresso pelos gregos em suas obras artísticas, bem como o grande afinco que dedicaram a suas obras arquitetônicas, científicas e filosóficas consistem em um marco cultural sem precedentes, ainda que milhares de anos tenham se passado desde suas realizações.

Desta forma, nesta oportunidade iremos relembrar algumas das principais contribuições da Grécia Antiga para a cultura geral dos povos, analisando tais contribuições a partir de tópicos específicos.

História

São da Grécia Antiga alguns dos principais estudiosos a tratar a História, independente da tradição mitológica e religiosa, como um campo do conhecimento específico. Ao grande Heródoto de Halicarnasso coube a alcunha de “Pai da História” quando dedicou-se a relatar os acontecimentos das Guerras Médicas, conflito entre gregos e persas pelo domínio de áreas comerciais do Mar Egeu. Autores como Xenofonte, soldado e discípulo de Sócrates e Tucídides, general das hostes atenienses, por sua vez relataram o que presenciaram durante a Guerra do Peloponeso. Tucídides, por sua conta, buscou imprimir imparcialidade, confrontando informações e cruzando dados distintos em seus escritos e ainda hoje é considerado um clássico entre os historiadores mais antigos.

Filosofia

Em se tratando de filosofia é impossível conceber o conceito acerca do tema sem considerar a primazia grega para o desenvolvimento deste campo do conhecimento. O forte espírito crítico grego os levou a questionar absolutamente tudo, desde a transformação do caos em cosmo até a conduta humana dentro da sociedade. Suas correntes filosóficas e personalidades influenciam até os dias atuais as concepções filosóficas em geral.

Os primeiros filósofos gregos teriam surgido por volta do século VI a.C e buscaram compreender como e porque os fenômenos naturais ocorriam. Desta maneira passaram pela história como filósofos da natureza ou pré-socráticos, e de certa maneira buscavam compreender a origem de tudo e todos a partir de uma substância material específica. Nomes como Tales de Mileto, Anaxágoras, Anaximandro, Pitágoras, Filolau, Xenófanes, Parmênides, Zenão, Leucipo, Demócrito, entre outros, tornaram-se bastante famosos e são classificados em escolas filosóficas específicas, a exemplo: Escola Jônica, Pitagórica, Eleata e Atomista.

Posteriormente, Sócrates de Atenas inauguraria uma nova forma de conhecimento filosófico, destinada a compreender e inserir o homem no contexto social e político das póleis gregas fazendo frente a chamada escola sofista, que em suma negava a existência de qualquer verdade absoluta e centrava-se na capacidade de buscar conhecimentos práticos para a vida, utilizando-se de muita retórica.

Sócrates, assim como seus discípulos e sucessores, era partidário do desenvolvimento da virtude e reflexão, e ao longo de sua vida buscou transformar a sociedade a partir da atuação ética dos seus respectivos cidadãos. Seu método baseava-se no diálogo constante com os indivíduos, buscando mostrar o quanto somos ignorantes a respeito dos mais variados temas a partir de nossas próprias contradições. Foi condenado à morte por ingestão de cicuta por perverter a juventude ateniense.

Seu discípulo mais famoso foi Platão, também ateniense e fundador da Academia, uma instituição de ensino para formação de filósofos. Haja vista que Sócrates não tenha deixado nada escrito, coube a Platão registrar os ensinamentos do mestre. Todavia, Platão possuía um entendimento de mundo próprio e dividia o conhecimento em duas áreas distintas, o mundo das ideias e o mundo dos sentidos, dando ênfase e importância muito maior ao mundo das ideias, uma vez que segundo seus argumentos o mundo dos sentidos tende a nos enganar. Suas obras mais conhecidas são: A República, Apologia de Sócrates, O Banquete, Mênon, e o Mito da Caverna.

Último dos três grandes clássicos gregos da filosofia pós Sócrates, Aristóteles de Estagira foi discípulo de Platão e é considerado o “Pai da Lógica”. Ao contrário do mestre, deu maior importância ao mundo dos sentidos e a partir de seu conhecimento podemos conceber o método científico baseado no empirismo (doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismo).

Todavia, ao longo de toda a sua história, a Grécia concebeu estudiosos das mais diversas áreas do conhecimento, especialmente na medicina, matemática e ciências da natureza. Afinal, devido a gregos como Pitágoras todos nós sabemos que “em qualquer triângulo retângulo, o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos”, ou Hipócrates, famoso pelo juramento proferido por todo médico, que por sua vez foi um dos primeiros estudiosos a buscar compreender a natureza das doenças a partir de seus sintomas, evitando o misticismo marcante dos primeiros tempos ao se tratar enfermidades em geral.

Por sua vez, durante o período helenístico, novas concepções filosóficas surgiriam, haja vista a decadência das grandes póleis e o domínio estrangeiro. Neste período, correntes como o Ceticismo, Cinismo, Epicurismo e Estoicismo inauguraram um período onde filósofos destinavam-se a compreender a busca da felicidade a partir de valores individualistas.

O quadro acima é um afresco conhecido como A Escola de Atenas. Mede 5,77m x 8,14m e foi pintado pelo grande pintor renascentista Rafael Sanzio . Encontra-se no Vaticano e celebra o auge do Renascimento, ao expor vários sábios do ocidente (de diversas épocas) contrapondo suas idéias e sistemas. Os personagens do centro da imagem representam Platão e Aristóteles. Fonte: http://www.casadosino.com.br/producao/modulo1/escola_atenas.html

Arte

A concepção grega de teatro baseou-se em duas ideias: tragédia e comédia e as peças em geral surgiram como homenagem ao deus Dionísio. Seu apogeu ocorreu por volta de 550 a.C, com destaque para Atenas, mas terminou espalhando-se por toda a Hélade.

Entre os principais dramaturgos e obras figuram os nomes de Ésquilo (Prometeu Acorrentado), Sófocles (Édipo Rei), Eurípedes (As Troianas)  e Aristófanes, considerado o maior autor do gênero comédia.

Pode-se dizer que a tragédia surgiu antes da comédia, mas em si, todas as peças serviam tanto como forma de entretenimento como forma de critica à sociedade, abordando temáticas variadas.

Em verdade, podemos dizer que os gregos obtiveram desenvolvimento bastante eficiente nas mais variadas formas de arte, caracterizada por valores humanistas e voltadas para suas crenças, desejos e paixões, buscando ordem e harmonia.

Escultores buscavam retratar o corpo humano a perfeição, característica que mais tarde será resgatada pelos renascentistas. A música, a pintura e a literatura legaram valores igualmente humanos e harmoniosos, sempre embasadas em equilíbrio. Seu conhecimento arquitetônico foi ímpar e podem ainda hoje ser visto de perto a partir das ruínas de seus grandes templos, erigidos em homenagem aos seus Deuses.

Ainda hoje suas colunas e ordens (Jônica, Dórica e Corintia) são admiradas e estudadas, além de refletirem as grandes transformações pelas quais sua sociedade passou ao longo de séculos de história. Sua mitologia é encontrada nas mais diversas obras, o que mostra a importância de seus valores religiosos para a sua cultura em si.

Além disso, o desenvolvimento da democracia é herança direta da cultura grega. Este sistema de representação política que consiste em transferir ao cidadão o papel de decidir os rumos políticos, sociais e econômicos dos locais onde vivem é criação Ateniense. Atenas viveu ao longo de sua história reformas e sucessivas formas de poder que por fim resultariam na transferência do poder ao próprio povo.

É preciso levar em conta que muitos habitantes das cidades gregas não eram considerados cidadãos, ao contrário de hoje em dia. Todavia, se a democracia ateniense não era perfeita, atualmente, com uma diferença de pelo menos dois milênios de história, nós homens ainda não conseguimos encontrar formas de garantir representatividade para todos os cidadãos e minorias. Entretanto, não fossem os gregos, quem sabe onde estaríamos hoje?

Abaixo, você confere as aulas do prof. Felipe sobre o assunto:

Roma Antiga

Do ponto de vista cultural pode-se dizer que os romanos não foram muito originais, embora tenham desenvolvido tradições próprias e baseadas em elementos etruscos ou latinos, como por exemplo, o idioma. Todavia, grosso modo o que se verifica é apropriação romana da cultura grega em geral, já que existe a proximidade e suas relações no mediterrâneo.

No campo religioso foram politeístas até a ascensão cristã, ao fim do império. Suas divindades eram ligadas ao cotidiano geral da civilização e suas cerimônias estavam inseridas em assuntos militares, agrícolas, artes e até mesmo o comércio. Desta maneira, as divindades se assemelhavam ou assimilavam as divindades gregas com outros nomes e/ou representações (Júpiter é Zeus/ Minerva é Atenas, entre outros).

O Panteão Romano – Templo Romano construído por ordem de Otávio Augusto. Recebeu reforma durante o governo de Adriano. Atualmente é utilizado pela igreja católica e como mausoléu. Os restos mortais de Rafael Sanzio estão no prédio desde o renascimento. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pante%C3%A3o

A aproximação à Grécia Antiga ocorreu também nas artes. O teatro foi intensamente explorado pelas romanos, tanto que as obras de Homero e outros grandes autores gregos foram traduzidas para o latim.

Nomes como Políbio, Tito Lívio e Plutarco figuram como grandes historiadores, algumas das principais obras biográficas de governantes, generais, entre outros próceres da antiguidade são de autoria de Plutarco. Tito Lívio escreveu a obra História de Roma, composta por 142 volumes.

Durante o governo de Otávio Augusto, Roma viveu o período de ouro de sua cultura. Por todo o império, principalmente a capital, recebeu um grande número de obras arquitetônicas com influências variadas, como por exemplo, o arco e a abóboda. No esquema abaixo você pode conferir elementos do arco romano e suas diversas partes e funções da mesma.

Fonte: http://image.slidesharecdn.com/aula10arteearquiteturaromanarevisadoem180514-160308123616/95/aula-10-arte-e-arquitetura-romana-revisado-em-180514-29-638.jpg?cb=1457440604

Cabe ressaltar que muitos edifícios tinham em suas paredes diversas esculturas que, na maioria das vezes, apresentavam conquistas militares e grandes feitos.

Em se tratando de entretenimento, considerando o grande número de escravos, grande parte da população livre possuía muito tempo de ócio, elemento perigoso para a manutenção da paz. Assim sendo, diversas formas de entretenimento foram criadas, entre elas as arenas de gladiadores.

O Coliseu, certamente a mais famosa, era palco de confrontos, muitas vezes até a morte entre gladiadores e mesmo homens contra animais ferozes capturados em todas as partes do império. A política do pão e circo foi justamente criada e aplicada para evitar que o grande número de homens livres se revolta-se contra o Estado.

A filosofia latina foi profundamente marcada pela filosofia grega e correntes filosóficas como estoicismo, epicurismo, ceticismo e cinismo marcaram o período de hegemonia romana. O imperador Marco Aurélio foi considerado um grande filósofo estóico.

Outra grande contribuição cultural romana foi o direito romano. Para se ter uma ideia, o direito praticado hoje em nosso país deriva de tradições e códigos de leis romanos. O direito em Roma era dividido em três áreas distintas, privado, estrangeiro e público. As leis romanas, a partir do período republicano seriam compiladas no “Jus Civile” (código civil). Além disso, algumas expressões comuns no mundo jurídico provem de Roma e seu idioma, o Latim. (ex: Habeas Corpus, Habeas Data, stricto sensu). Além disso, o português, o francês, o italiano e o espanhol, entre outros idiomas, derivam diretamente do latim.

Por fim, desde o início do império, a partir do governo dos primeiros imperadores, o cristianismo, doutrina baseada nas pregações e vida de cristo foi proibida e perseguida pelo Estado romano. No entanto, já no ocaso do grande império, Constantino (imperador) liberou e ajudou a organizar a religião, e por fim, de proibido, o cristianismo viria a se tornar um dos maiores legados da cultura e período de dominação romana para as civilizações ocidentais. Basta observar que a própria hierarquia católica segue o padrão do império, sendo o papa (dentro da doutrina católica) comparado à figura do imperador.

Agora revise Roma com outra superaula do prof. Felipe:

Para finalizar sua revisão, faça os exercícios que selecionamos para você. Bons estudos!

Exercícios sobre Grécia Antiga e Roma:

1- Qual das alternativas abaixo aponta uma importante característica da cultura na Grécia Antiga?

A – As artes plásticas na Grécia Antiga não apresentou grande valor artístico, pois as esculturas e pinturas não eram realistas.

B – A arquitetura grega foi a principal manifestação cultura da Grécia Antiga, pois recebeu muita influência dos egípcios e mesopotâmicos.

C – O teatro foi uma importante manifestação cultural na Grécia Antiga. Nos anfiteatros, os atores gregos representavam comédias e dramas.

D – No campo cultural, os gregos se dedicaram quase que exclusivamente às danças e festas musicais.

Resposta: C

2- Atenas foi uma importante cidade-estado grega na antiguidade. Qual das alternativas abaixo aponta características importantes da sociedade ateniense.

A – Atenas foi uma cidade exclusivamente voltada para a guerra.

B – Em Atenas todas as pessoas podiam participar da democracia, inclusive escravos, mulheres e crianças.

C – Os atenienses valorizavam muito a democracia, as manifestações artísticas e a Filosofia.

D – Atenas possuía uma sociedade igualitária, ou seja, não havia classes sociais e todos viviam com o mesmo padrão de renda.

Resposta: C

3- (Fuvest) – Várias razões explicam as perseguições sofridas pelos cristãos no Império Romano, entre elas:

a) a oposição à religião do Estado Romano e a negação da origem divina do Imperador, pelos cristãos.

b) a publicação do Edito de Milão que impediu a legalização do Cristianismo e alimentou a repressão.

c) a formação de heresias como a do Arianismo, de autoria do bispo Ário, que negava a natureza divina de Cristo.

d) a organização dos Concílios Ecumênicos, que visavam promover a definição da doutrina cristã.

e) o fortalecimento do Paganismo sob o Imperador Teodósio, que mandou martirizar milhares de cristãos.

Resposta: A

4- (USP) – Sobre o Direito Romano, NÃO podemos afirmar que:

a) foi o mais importante legado cultural de Roma;

b) estabeleceu o conceito de jurisprudência;

c) a lei de Roma e de seus cidadãos estava incluída no “Jus Civile”;

d) o “Jus Civile” somente foi estabelecido durante o Império;

e) dividia o Direito em três grandes ramos.

Resposta: d.

5- (Ufal 2007) Durante muitos séculos, os antigos romanos divertiram-se com a atuação dos gladiadores nos chamados espetáculos públicos, que utilizavam diferentes tipos de armas, permitidas pelas autoridades de Roma, como as que podem ser observadas na ilustração. Esses gladiadores eram recrutados, principalmente, entre

a) homens poderosos da plebe.

b) cidadãos da nobreza romana.

c) servos dos latifúndios estatais.

d) escravos das áreas dominadas.

e) heróis das conquistas romanas.

Resposta: D

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Sobre o(a) autor(a):

Bruno é historiador formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de história em escolas da Grande Florianópolis desde 2012.