Parnasianismo e Simbolismo

Nesse post você estudará o parnasianismo e o simbolismo, movimentos literários de suma importância, sobretudo para a poesia. Do preciosismo e descritivismo do parnasianismo aos temas místicos e obscuros, ritmos e experimentalismo do simbolismo.

Apesar de serem menos conhecidas, as escolas literárias Parnasianimo e Simbolismo também são super cobradas no Enem. Por isso, é importante conhecer as particularidades de cada uma e os principais autores. Vamos lá?

Parnasianismo

Ao contrário da escola anterior, o realismo, que careceu de poetas em seu movimento, mas legou grandes romancistas e dramaturgos, no parnasianismo e simbolismo a poesia foi a principal forma.

No parnasianismo há um retorno aos temas clássicos da literatura, à forma exata dos sonetos alexandrinos, a música do Párnaso.  O Párnaso, para quem não sabe, é uma região da Grécia antiga chamada Fócida, morada do deus Apolo e de todas as Musas, e era um lugar buscado por poetas e músicos para obter inspiração.

Inspirados por Apolo, portanto, no parnasianismo assume-se uma postura anti-romântica e cultua-se a perfeição formal, o gosto por expressões objetivas (em contraponto ao subjetivismo do Romantismo), pela detalhamento das cenas e dos objetos. Por conta dessa objetividade, o parnasianismo poderia ser visto como uma vertente poética do realismo. Contudo, ao contrário do realismo, no parnasianismo haverá uma recusa aos temas sociais, os poetas apregoaram o culto da arte pela arte, ou seja, a poesia deveria valer por si mesma, por sua beleza, sem nenhum tipo de compromisso social.

Os poetas brasileiros desse movimento são Olavo Bilac, Raimundo Corrêa, Alberto de Oliveira e Francisco Júlia da Silva.  Alcançaram os parnasianos muito sucesso popular em seu tempo, especialmente, Olavo Bilac, poeta de renome e um dos responsáveis por fundar a Academia Brasileira de Letras.

Em sua poesia vemos um linguajar rebuscado, cobertos de ornamentos, com muitas palavras raras e preciosismos, além de uma rígida metrificação, com versos com dez e doze sílabas poéticas. São comuns os temas históricos e referências à Antiguidade Clássica.

Vejamos agora esse exercício do Enem de 2015 sobre o Parnasianismo, baseada num poema de Raimundo Correa:

(Enem-2013)

Mal secreto

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’aIma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse, o espirito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

(CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasilia: Alhambra, 1995.)

Coerente com a proposta parnasiana de cuidado formal e racionalidade na condução temática, o soneto de Raimundo Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduo são julgadas em sociedade. Na concepção do eu lírico, esse julgamento revela que:

a) a necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a agir de forma dissimulada.
b) o sofrimento intimo torna-se mais ameno quando compartilhado por um grupo social.

c) a capacidade de perdoar e aceitar as diferenças neutraliza o sentimento de inveja.
d) o instinto de solidariedade conduz o indivíduo a apiedar-se do próximo.
e) a transfiguração da angústia em alegria é um artificio nocivo ao convívio social.

Resposta: A Resposta é a letra “a”, o soneto apresenta uma temática que de cunho social, apresentando um posicionamento mais reflexivo sobre os indivíduos e o mascaramento de suas relações. Percebam que as letras B, C e D estão incorretas porque o eu lírico não sugere o compartilhamento de emoções e sim, a transparência dos sentimentos.A letra E também está errada porque  o eu lírico mostra que as pessoas escondem sentimentos e não os revelam, se escondendo atrás de máscaras, a fim de não revelarem sua essência.

Estude agora um pouco sobre o movimento Simbolista:

Simbolismo

Para fazer frente ao preciosismo clássico dos parnasianos, o simbolismo assume uma postura subjetivista e mística, de tonalidade pessimista e obscura. No simbolismo, o experimentalismo poético também sairá revigorado. Há ousadia na mistura de sensações (sinestesias), técnicas, associações imprevistas. Nascido na França no fim do século XIX, tendo o termo aparecido pela primeira vez no “Manifesto do Simbolismo”(1886) de Jean Moréas, o simbolismo teve em seus cânones literários os poetas Arthur Rimbaud, Stéphane Mallarmé, Paul Verlaine e Charles Baudelaire.

No texto simbolista destaca–se a musicalidade, o rompimento da ordem sintática, uso de sinestesias (figura de linguagem de consiste no uso de um sensorial por outro, exemplos: “gosto verde”; “cheiro áspero”), de expressões vagas e sugestivas. Esses poetas buscariam nas palavras as ‘correspondência” com outros mundos e realidades, enfrentando um desregramento radical dos sentidos convencionais da linguagem. Outro tipo de obra especial no simbolismo é o poema em prosa.

Dois livros marcam o Simbolismo no Brasil: Missal (poemas em prosa) e Broquéis, ambos publicados em 1893, e de autoria do catarinense João da Cruz e Souza. O poeta, nascido em 1861, de pai escravo e mãe alforriada, foi tutelado pelo Marechal Guilherme Xavier de Souza e sua esposa, Clarinda da Cruz e Souza, os quais o educaram até a adolescência.

De notável talento e mérito estudantil, Cruz e Souza contudo sofria com o preconceito racial, que por vezes o fez perder cargos para os quais havia sido nomeado, como no caso onde seria promotor de Justiça em Laguna, Santa-Catarina. A questão racial estaria visceralmente presente em sua poesia.

Os seus versos possuem incrível rigor musical, sendo dotados de métrica rigorosa, aliterações e assonâncias, em boa parte sonetos, além dos poemas em prosa – entre os primeiros feito no Brasil -. Destacam-se as suas imagens luminosas e o contraste com tons escuros (com certa obsessão pela cor branca). Seus poemas abordam o pessimismo, o individualismo, o sensualismo, a espiritualidade e o satanismo (típico no Simbolismo). A morbidez e o sofrimento do poeta são os temas centrais.

Outro poeta digo de nota desse movimento é Alphonsus de Guimarães, mas a sua influência será notada em poetas modernos como Gilka Machado, Cecília Meirelles, Augusto dos Anjos, Manoel Bandeira e outros.

Vejamos agora alguns esse exercício do Enem sobre esses movimentos literários:

(ENEM- 2014)   

Vida obscura

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,

ó ser humilde entre os humildes seres,

embriagado, tonto de prazeres,

o mundo para ti foi negro e duro.

 

Atravessaste no silêncio escuro,

a vida presa a trágicos deveres

e chegaste ao saber de altos saberes

tornando–te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,

magoado, oculto e aterrador, secreto,

que o coração te apunhalou no mundo,

Mas eu que sempre te segui os passos

sei que cruz infernal prendeu–te os braços

e o teu suspiro como foi profundo!

 

Souza, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1961.

 

Com uma obra densa e expressiva no Simbolismo brasileiro, Cruz e Souza transpôs para seu lirismo uma sensibilidade em conflito com a realidade vivenciada. No soneto, essa percepção traduz–se em:

 

a) sofrimento tácito diante dos limites impostos pela discriminação.

b) tendência latente ao vício como resposta ao isolamento social.

c) extenuação condicionada a uma rotina de tarefas degradantes.

d) frustração amorosa canalizada para as atividades intelectuais.

e) vocação religiosa manifesta na aproximação com a fé cristã.

Resposta: Para bem responder a essa questão, veja que é importante conhecer o contexto do poeta. Percebam na escolha das palavras os temas de sua poesia: “mundo foi  negro”, “silêncio escuro”, “vida obscura”.  A subjetividade é uma das principais características do Simbolismo, os poetas desse movimento se expressavam muito por meio da sugestão. A resposta certa é a letra “a”.

(Enem- 2009)

Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993.

Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são

a) a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.

b) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.

c) o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.

d) a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.

e) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.

Resposta: A resposta certa é a letra “c”, percebam que o poema aborda a “dor da existência”, ou seja, um tema comum a todos e, portanto, universal, além de subjetivo, e por isso “metafísico”. Lembrem-se que esses temas são fundamentais na obra e Cruz e Souza.

Para saber mais sobre Parnasianismo, assista a videoaula do prof. Rolo e arrase no Enem!

E também tem aula de Simbolismo! Confere os vídeos:

https://youtu.be/KQu0HHOoyY4