Pensamento liberal: desenvolvimento na sociedade capitalista

O pensamento liberal – também chamado Liberalismo – é uma doutrina política e econômica que tem por princípio a limitação do alcance do controle e regras do Estado.

Aprenda mais sobre o que representa o pensamento liberal e quais os principais desdobramentos e contestações deste pensamento. Arrase no vestibular e no Enem!

O que é o pensamento liberal?

Diversos termos como pensamento liberal, liberalismo, neoliberalismo, por exemplo, são recorrentes no palavreado sobre política e também sobre economia. O pensamento liberal, bem como suas influências e consequências, está presente em nosso dia a dia e, muitas vezes, sequer nos damos conta disso…

Você sabe, afinal, de onde vem estes termos e qual a influência destas ideias na sociedade em que vivemos e no nossa vida em geral?

Não é raro ouvir em nossas conversas cotidianas alguém se posicionando e se apresentando como liberal em relação a um determinado assunto ou tema, como a descriminalização do uso de drogas, por exemplo.

O termo liberal, quando usado na linguagem coloquial, geralmente é entendido como o oposto daquele/a que mantém uma posição/visão mais conservadora sobre aquele assunto em questão.

Ou seja, o senso comum acerca deste termo parte de seu entendimento como sinônimo/ representação de “mais liberdade” em relação a algo.

Conceito de Liberalismo

De fato, esta interpretação diz muito a respeito da própria perspectiva teórica que está por trás do pensamento liberal, já que este parte de reflexões específicas em torno da liberdade e da igualdade.

Nesse sentido, o pensamento liberal – também chamado liberalismo – é uma doutrina política e econômica que tem por princípio a limitação do alcance do controle e regras do Estado. Tendo, assim, como consequência direta desta limitação o aumento das liberdades individuais e econômicas, principalmente.

Importante destacar que o desenvolvimento do pensamento liberal coincide com o próprio desenvolvimento da sociedade capitalista. Este pensamento surgiu e se desenvolveu a partir dos interesses da classe burguesa que, por sua vez, ascendeu com o capitalismo.

Surgimento do Liberalismo

Este foi um processo longo. Seu início ocorre a partir das Revoluções Inglesas do século XVII e também a Revolução Industrial do século XVII na Inglaterra, e se assenta principalmente com a Revolução Francesa do século XVIII.

Tendo em vista que estes marcos históricos estabelecem importantes mudanças na forma de entender e organizar a política e a economia da sociedade. Os ideais da Revolução Francesa: “liberdade, igualdade e fraternidade”, por exemplo, serviram de grande inspiração para o surgimento do chamado Estado Liberal.

O Estado Liberal, também conhecido como Estado Burguês, surge como a primeira manifestação do Estado-nação moderno e foi criado como alternativa ao absolutismo crescente na Europa durante os séculos XVII e XVIII.

Um exemplo desta contestação é a divisão dos poderes/ funções do Estado (em três: Executivo, Legislativo e Judiciário – ideia foi elaborada por Montesquieu) com o objetivo de romper com o poder soberano característico do absolutismo.

3 poderes estado moderno
Imagem 1: Desenho representando os três poderes: legislativo, judicário e executivo.
Liberalismo político

Quando falamos de liberalismo podemos dividi-lo em duas vertentes principais: o liberalismo político e o liberalismo econômico. No entanto, é importante ter em vista que estas duas perspectivas estão diretamente relacionadas e não opõem-se entre si.

Um dos principais pensadores do pensamento liberal é o autor inglês John Locke, conhecido como “pai” do liberalismo político. O liberalismo político parte da ideia de que os seres humanos têm direitos naturais tais como a vida, a liberdade e a propriedade, por exemplo. Sendo assim, a principal função do Estado é garantir que os direitos e liberdades individuais sejam preservados.

Liberalismo econômico

Outro nome de destaque no que diz respeito ao pensamento liberal é Adam Smith, considerado o “pai” do liberalismo econômico. O liberalismo econômico parte da ideia de não interferência do Estado na esfera econômica, por considerar que existe uma mão invisível que regula a economia.

Ou seja, as atividades econômicas se autorregulariam, sobretudo a partir da lei da oferta e demanda (lema: laissez-faire, laissez-passer).

a mao invisivel liberalismo
Imagem 3: Charge representando a mão invisível do mercado, equilibrando a oferta e a demanda de produtos e serviços.

Pensamento liberal atualmente

A principal função do Estado no pensamento liberal, portanto, é em relação à segurança e manutenção da propriedade privada, além de garantir a ordem para que todas e todos possam desenvolver livremente as próprias atividades.

Um importante exemplo da forte influência do pensamento liberal na nossa vida atual é a separação entre as esferas pública (ou seja, aquelas de interesse comum e, logo, há a possibilidade de interferência do Estado) e a privada (que é a que diz respeito aos indivíduos), inaugurada com esta corrente de pensamento.

Dentre as principais críticas ao pensamento e ao Estado liberal estão a acirrada competição entre as empresas que este modelo promoveu, dificultando o desenvolvimento de pequenos empreendimentos e concentrando capital nas mãos de poucos. Assim, acabou por intensificar o surgimento de crises econômicas, além de aprofundar as desigualdades sociais.

Sendo assim, foi questionado, repensado, reestruturado, dando origem a diversos outros modelos de pensamento político e econômico.

Oposição ao Liberalismo

O principal pensamento de oposição ao liberalismo é o pensamento socialista. O socialismo parte-se de questionamentos acerca da propriedade privada e dos meios de produção, tendo em vista romper com a desigualdade social consequente da sociedade capitalista.

No pensamento socialista, a transformação das condições de produção era necessária para que houvesse apropriação da riqueza por toda a sociedade e, assim, o fim das diferenças entre as classes sociais, gerando uma sociedade mais igualitária e justa.

Uma das maiores referências do socialismo é o autor alemão Karl Marx, mas é importante ter-se em mente que, apesar de marxismo e socialismo serem muitas vezes tratados como sinônimos, existem outras concepções sobre o socialismo para além da teoria marxista.

Social-democracia

Outra importante corrente de pensamento que se opõe ao liberalismo é a social-democracia, vista por muitos como uma variação do socialismo que, no entanto, não rompe com o capitalismo mas procura diminuir e/ou minimizar os efeitos desse sistema através de ações políticas.

Nesse sentido, propõem a intervenção do Estado no plano econômico visando à garantia de empregos plenos e o estímulo da produção e do consumo. Além disso, ao Estado caberia a mediação das relações trabalhistas e a ampliação de políticas assistencialistas.

A representação do pensamento social-democrata é o Estado de bem-estar social, também conhecido como Welfare State, cuja prioridade é a garantia e a manutenção dos direitos sociais básicos através de investimentos e distribuição de renda e serviços que garantam o bem-estar da população, o que consequentemente garantiria o acesso ao mercado de consumo.

Esse modelo foi adotado pelas principais economias liberais do começo do século XX e sofreu diversas críticas em relação aos altos gastos públicas e sobre sua real efetividade em diminuir a pobreza e melhorar a renda da população.

Pensamento neoliberal

O pensamento neoliberal, por sua vez, como o próprio termo já indica, tem forte proximidade com o pensamento liberal. Dessa maneira, é considerado uma reformulação do mesmo, quando este voltou a predominar a política e a economia internacional por volta dos anos 1980 – após um período em que perdeu o cenário para o Estado de bem-estar social.

A política neoliberal, portanto, retorna à ideia de uma menor intervenção do Estado na economia, além de ter como pauta a redução dos gastos públicos. O consumo e o estabelecimento da riqueza são o principal objetivo uma vez que têm por base ideias como o livre mercado e a livre iniciativa.

Nos países em que o pensamento neoliberal orienta as ações do Estado, há a diminuição de investimentos em áreas sociais como a educação, a saúde, a previdência social e a habitação.

Por exemplo, além da flexibilização das leis trabalhistas e privatização de empresas estatais. O objetivo é a diminuição progressiva da participação do Estado nas questões econômicas, até o estabelecimento do chamado Estado mínimo.

Críticas ao Neoliberalismo

Uma das principais críticas em relação ao modelo neoliberal indica que, nesta perspectiva, é a economia que conduz e orienta as diretrizes políticas. Fazendo com que as decisões políticas fiquem à mercê do poder das grandes corporações econômicas e dos grandes empresários, ampliando cada vez mais as desigualdades econômicas e sociais existentes.

desigualdade do pensamento liberal
Imagem 4: Charge representando neoliberalismo e sua desigualdade econômica.

Por fim, é necessário ter-se em mente que, assim como o pensamento liberal, todas estas correntes de pensamento político e econômico supracitadas representam, também, o modelo de sociedade que se almeja alcançar.

Pois servem de referência para as decisões e ações dos governos – e seus representantes – para/com seus cidadãos e a sociedade em geral. Isto é, o modelo estatal implementado interfere diretamente nas diferentes configurações de sociedade.

Resumo sobre o pensamento liberal

Exercícios
Questão 01 – (UEPG PR/2019)

O liberalismo econômico é uma corrente de pensamento ou uma doutrina formulada entre os séculos XVII e XIX a partir de teóricos como Adam Smith, Jeremy Bentham, David Ricardo, entre outros. A respeito desse tema, assinale o que for correto.

01) Livre mercado, direito à propriedade privada e liberdade individual são princípios que estão presentes no arcabouço teórico no qual se fundamenta o liberalismo.

02) A defesa do livre mercado foi o principal argumento do liberalismo para conseguir a adesão das classes trabalhadoras. A premissa que garante ao trabalhador escolher onde trabalhar e discutir diretamente com seus patrões o valor dos salários foi decisiva para tanto.

04) A defesa do trabalho livre e assalariado tornou a ideologia liberal um dos grandes adversários do pensamento escravocrata, ainda em voga nos séculos XVIII e XIX.

08) Uma das teses centrais do liberalismo é a divisão parcimoniosa da riqueza produzida. Uma máxima liberal é a de que uma nação somente consegue desenvolvimento pleno na medida em que as distâncias sociais são menores. Nesse sentido, o Estado como agente regulador é aceito pelos liberais.

16) François Quesnay foi um dos teóricos precursores do pensamento liberal. Ele defendia a ideia de que o centro da economia era a atividade agrícola e afirmava que os agricultores deveriam dispor de um capital acumulado para poder iniciar uma produção.

Gab: 21

Questão 02 – (IFRS/2018)

Entre as principais contribuições para a teoria liberal clássica, encontra-se

a) a defesa do interesse social acima do individual na obra O Capital, de Karl Marx.

b) o modelo de governo desenvolvido por Nicolau Maquiavel.

c) o conceito de Estado Absoluto presente no pensamento de Thomas Hobbes.

d) a defesa da propriedade privada e da cidadania conforme visto em John Locke na obra Segundo Tratado sobre o Governo.

e) a noção de organização social desenvolvida por Aristóteles em seu livro A Política.

Gab: D

Questão 03 – (Unicentro PR/2018)

São considerados expoentes do pensamento liberal, exceto:

a) Adam Smith

b) John Locke

c) Friedrich Engels

d) Jean-Jacques Rousseau

e) François Quesnay

Gab: C

Questão 04 – (UNIPÊ PB/2018)

A violação deliberada da propriedade (vida, liberdade, bens) e o uso contínuo da força […] colocam o governo em estado de guerra contra a sociedade e os governantes em rebelião contra os governados, conferindo assim o legítimo direito ao povo de resistência à opressão…

A VIOLAÇÃO DELIBERADA DA propriedade (vida, liberdade, bens) e o uso contínuo da força.

Ao longo do desenvolvimento histórico, diversos pensadores refletiram e manifestaram-se sobre a origem da sociedade civil, da organização política e do Estado, sendo que o fragmento de texto ilustra o pensamento

01) liberal, que acredita na existência da propriedade, na sociedade capitalista, como um direito natural e inviolável.

02) socialista utópico, que defende a revolução armada, através de um partido centralizado, para o estabelecimento de uma sociedade igualitária.

03) marxista, que considera o Estado como o elemento opressor que deve ser extinto, imediatamente após a tomada do poder pelo proletariado.

04) anarquista, que defende a formação de uma aliança entre camponeses e operários para o estabelecimento de um Estado socialista.

05) católico social, que concebe o Estado como a instituição causadora das guerras e conflitos, defendendo a sua supressão pela Igreja católica.

Gab: 01

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi escrito por Natália Lima para o Curso Enem Gratuito. Natália é formada em Ciência Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina, e mestre em Sociologia Política pela mesma instituição. Atualmente, trabalha como professora de Sociologia na rede estadual de educação.

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