O que foi a Revolução Francesa e suas características

Nesse texto veremos um breve resumo sobre os principais acontecimentos da Revolução Francesa, marco de mudanças políticas importantes para a História Contemporânea muito cobrado no Enem e vestibulares.

A Revolução Francesa é o marco para o início da Idade Contemporânea e compreende o período entre 1789 e 1799 na França. Veja o Contexto da França pré-revolução:

A França do final do século XVIII passava por uma crise econômica e política. Administrado por uma monarquia absolutista, o Estado francês gastava o dinheiro dos impostos com exageros da corte e com guerras em território internacional, o que gerou grande insatisfação da população.

Além disso, os privilégios do clero e da nobreza, definidas como 1º e 2º Estados, eram os principais elementos que expunham a desigualdade social do que foi chamado pelos revolucionários de Antigo Regime.

O Antigo Regime é caracterizado pelo poder absoluto do rei, que podia, por exemplo, condenar qualquer cidadão sem julgamento adequado para os padrões atuais. A outra característica desse regime era a divisão da sociedade civil em 3 estados ou estamentos: Clero (1º Estado); Nobreza (2º Estado) e Plebe (3º Estado).

Sendo que os dois primeiros estamentos ( o Clero e a Nobreza),  tinham privilégios políticos, não precisavam pagar impostos e eram sustentados pelos impostos pagos pela plebe, que compreendia o resto da população, sem qualquer distinção de classe.

Veja na imagem: Revolução francesa; Ferdinand Delacroix; Marianne. Figura 1: “Liberdade nas barricadas”, pintura de Ferdinand DelacroixRevolução Francesa para o EnemFonte da imagem: http://historiadomundo.uol.com.br/idade-moderna/revolucao-francesa.htm

Influenciados pelos ideais iluministas de liberdade e igualdade, o povo passou a questionar o poder absoluto e a divisão estamental.

A burguesia, que fazia parte do 3º Estado, via a monarquia absolutista como um empecilho para o desenvolvimento do capitalismo no país e almejavam conseguir maior participação política para interferir no processo de adecisão das políticas econômicas na França.

Primeira Fase da Revolução Francesa

O rei Luís XVI para tentar resolver a crise na França convoca a Assembleia dos Estados Gerais, em 5 de maio de 1789, com representantes dos três Estados. No entanto, a votação não era por cabeça, o que daria vantagens para as reformas defendidas pela maioria da população. Ao invés disso, o voto era por Estado, o que beneficiou a aliança entre clero e nobreza.

Revoltados com a forma como a votação era conduzida, os representantes do 3º Estado se reuniram na sala de jogos do palácio para exigir a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Os membros reunidos ali juraram terminar a reunião só quando tivessem aprovado a nova Constituição. Eles criaram uma Guarda Nacional para proteger a assembleia das tropas reais e aprovaram a “Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão”.

Nas ruas a população também demonstrou sua insatisfação com a monarquia absolutista, invadiram a fortaleza da Bastilha, em 14 de julho daquele ano, libertaram presos políticos que se mantinham ali e tomaram as armas de seu estoque. Esse acontecimento se tornou símbolo da queda do absolutismo na França e é comemorado até hoje como a “Festa da Federação”.

A constituinte aprovou o estabelecimento de uma Monarquia Parlamentar que diminuía os poderes do rei, determinava o fim dos privilégios de nascimento e a igualdade de todos perante a lei.

Amplie o esquema abaixo e  veja o resumo das principais causas da Revolução FrancesaEsquema sobre a Revolução FrancesaCausas da Revolução Francesa; Rei Luís XVI; Antigo Regime. Fonte da imagem: https://blogdoenem.com.br/filosofia-iluminista-filosofia-enem/

Segunda fase da Revolução Francesa

Em setembro de 1792 é proclamada a República na França, transferindo o governo do rei à burguesia. O rei Luís XVI, tentando restabelecer seus poderes se aliou à Áustria para invadir a França. A Áustria era uma monarquia absolutista e via a Revolução Francesa como inimiga, temendo que algo semelhante pudesse ocorrer em seu território.

Os revolucionários descobriram os planos do rei, prenderam Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta, acusaram eles de traição e os sentenciaram à morte na guilhotina.

O movimento revolucionário crescia cada vez mais, criando uma tensão interna, entre os principais grupos revolucionários: os Girondinos (com membros da burguesia) e os Jacobinos (com membros dos grupos mais populares da França).

Os girondinos governaram os primeiros anos pós queda da Bastilha, porém a situação social e econômica precária continuou, o que levou os jacobinos a liderarem a derrubada dos girondinos do poder em 1793.

O governo Jacobino aprovou nova Constituição, entre as principais mudanças estavam: o fim da escravidão nas colônias; a criação do Tribunal Revolucionário, para julgar os acusados de traição da causa; a criação do Comitê da Salvação Pública, que comandava o exército; o confisco de terras do clero e da nobreza, para início da reforma agrária; a Lei do Preço Máximo, para controle da inflação; e o sufrágio universal masculino, que determinava que todos cidadãos homens poderiam votar.

Em 1791 a girondina Marie Gouze propôs a aprovação na Assembleia Nacional a “Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã” para igualar os direitos das mulheres ao dos homens. Marie Gouze foi acusada de ser contra revolucionária pelo governo Jacobino e condenada à guilhotina em 1793. O documento proposto por ela pode ser lido aqui.

O governo Jacobino, que tinha como principal liderança Maximilien Robespierre foi marcado pelo autoritarismo e pelas inúmeras condenações à guilhotina. Por isso, a segunda fase da Revolução Francesa é chamada de Era do Terror.

Os girondinos em resposta à repressão articularam novo golpe de estado terminando a segunda fase da revolução.

Terceira fase da Revolução Francesa

O novo governo girondino, condenou Robespierre e outros líderes jacobinos à guilhotina em 27 de julho de 1794, ou “9 de Termidor” segundo o calendário revolucionário criado em 1792 com objetivo de romper com as referências religiosas de marcação de tempo.

Os girondinos promulgaram nova Constituição e criaram o Diretório para governar o país, com cinco membros escolhidos do poder legislativo, que voltava a ser eleito pelo voto censitário.

Os conflitos internos continuaram, os girondinos haviam cancelado diversas conquistas das camadas populares e defendiam o interesse da burguesia francesa. Temendo a queda do Diretório por forças internas ou externas, os girondinos apoiaram o general francês Napoleão Bonaparte a dissolver o Diretório e instaurar o Consulado. O que ocorreu em 9 de novembro de 1799, ou “18 de Brumário”, dando início a Era Napoleônica.

Assista ao vídeo e à paródia sobre a Revolução Francesa gravados pelo Prof. Felipe:

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Sobre o(a) autor(a):

Pedro Cristiano de Azevedo é formadoa em História pela Universidade Federal de Santa Catarina e Mestrado pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Atua como professor de História em escolas da Grande Florianópolis desde 2010.

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