A Primavera de Praga – Conflitos em meio a um mundo polarizado

Conheça um pouco mais sobre a Primavera de Praga, conflito característico do período da Guerra Fria nesta aula. Revise história para o Enem e para os vestibulares!

Ao fim da Segunda Guerra Mundial começou a formar-se uma nova configuração política no globo. Após 1945, os Estados Unidos e União Soviética disputavam a hegemonia política mundial e, para isto, espalhavam seus ideais por outras nações, as chamadas áreas de influência. A Primavera de Praga foi um dos momentos de tensão do período.

Embora se contrapusessem, os blocos dos EUA e União Soviética nunca se enfrentaram diretamente, mas sim organizaram embates nos quais eram representados por outros países. Neste contexto, a Tchecoslováquia, que estava sob domínio soviético, procurou reformular as estruturas socialistas empregadas no país. A mobilização popular e política acabou provocando a intervenção soviética em 1968.

O Contexto da Primavera de Praga

Após o fim da Segunda Guerra, o dito Bloco Capitalista formou-se com Estados Unidos, Américas e países da Oceania, já o Bloco Socialista foi composto pela União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS). Havia também alguns aliados localizados no leste europeu, como Polônia, Alemanha Oriental, Romênia entre outros. Com isto a Tchecoslováquia, atual Eslováquia e República Tchéquia, passou a ser domínio da União Soviética. Dessa maneira, os partidos foram banidos, uma economia planificada foi implementada, entre outras medidas clássicas soviéticas.

mapa da aula primavera de praga
Figura 1: Mapa da divisão entre países dos países socialistas e capitalistas. Retirado de: https://goo.gl/VtsM76 Marcadores: Cortina de ferro, Guerra Fria, Mapa.

Diferentemente do que ocorria nos outros países do bloco socialista da Guerra Fria, o sistema socialista foi instalado na Tchecoslováquia por demanda popular, como uma alternativa de projeto de sociedade. Por outro lado, os movimentos de insatisfação em relação aos moldes stalinistas iniciaram principalmente após a morte de Joseph Stalin, em 1953, e não demoraram a chegar no país.

O movimento

O grande nome da Primavera de Praga foi Alexander Dubcek, primeiro secretário do Partido Comunista (organização amplamente aceita nas eleições das décadas anteriores). Mesmo comunista e tendo inclinações às ideias socialistas de Moscou, Alexander e um grupo de intelectuais que representava começaram a implementar reformas no sistema socialista que antes possuía um caráter muito mais stalinista.

A intenção era dar uma roupagem mais humanizada ao regime, através da ampliação da liberdade individual e da gama de direitos civis. Não parando por aí, o grupo ainda intencionava restabelecer a liberdade de expressão da imprensa, alargar a participação e estimular o surgimento de novos partidos, tal como incentivar a liberdade ao culto religioso.

Alexander Primavera de Praga
Figura 2: Alexander Dubcek, considerado o líder da Primavera de Praga. Retirado de: https://goo.gl/zFqVBN Marcadores: Alexander Dubcek, Primavera de Praga, Líder.

Temendo que as ideias reformistas se espalhassem pelas outras áreas de influência, o olhar conservador de Moscou agiu. Auxiliada pelo Pacto de Varsóvia (tratado militar de autodefesa entre os países do leste europeu e a URSS), em 1968 a União Soviética enviou tropas militares para que a efervescência reformista fosse contida. Desmantelando, assim, qualquer ação popular contrária à intervenção soviética.

Dubcek e seus apoiadores foram detidos rapidamente e, no ano seguinte assumiu o poder Gustav Husák, enviado de confiança do regime soviético. As reformas antes propostas foram revogadas e, principalmente, a determinação do partido único foi reaplicada. O evento desencadeou ainda um controle mais pragmático e rígido por parte soviética dos outros países ao lado socialista da Cortina de Ferro.

Embora tenha sido estancado rapidamente, o movimento reformista expôs algumas fragilidades do regime soviético autoritário. Principalmente o fato de que a forma e o método do projeto de sociedade proposto pela URSS não era unânime.

O movimento não tinha a intenção de uma mudança completa do projeto socialista para o capitalista (mas sim uma reformulação do antigo sistema soviético mais integrado, progressista e democrático). Ainda assim, as reverberações da Primavera de Praga contribuíram, a longo prazo, para gradual deterioração do Bloco Socialista.

Um exemplo disso foi o interesse da parcela jovem da população tchecoslovaca, principalmente ligada ao movimento estudantil. Esse grupo passou a pressionar o governo tchecoslovaco com mais constância após a Primavera, defendendo principalmente mudanças democráticas e libertárias.

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Figura 3: Morador da Tchecoslováquia segura uma bandeira do país em cima de um tanque soviético, no momento da intervenção militar. Retirado de: https://goo.gl/dH55WX Marcadores: Invasão militar, união soviética, Tchecoslováquia.

 

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Questões para fixar

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Sobre o(a) autor(a):

Guilherme Silva é formado em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de História em escolas da Grande Florianópolis desde 2016.

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