Primeira Revolução Industrial – O início do mundo industrializado

Você já se perguntou como todos os objetos à sua volta são produzidos? E como era antes de eles existirem? Descubra como começou o processo de industrialização com nossa aula de História para o Enem!

Quando dizemos que tudo possui uma história, precisamos pensar em como construímos tudo o que nos cerca e que um dia tudo isso ainda não era uma realidade. Na aula de hoje você vai ver como começou essa caminhada rumo à sociedade de consumo em que vivemos. Para entender como aconteceu a Revolução Industrial, precisaremos voltar à Inglaterra do século XVIII, mais especificamente em 1750.

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Ilustração de uma máquina de tecelagem movida a vapor na Inglaterra de 1835.
Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Industrial_Revolution#/media/File:Powerloom_weaving_in_1835.jpg

 

Da trabalho artesanal ao industrial

Desde o surgimento dos mais antigos hominídeos no continente Africano, nossos ancestrais vem modificando o meio ao seu redor e sempre de formas cada vez mais complexas. Desde lascar pedras umas nas outras até o desenvolvimento da nanotecnologia. O que importa para os historiadores da economia é entender o que possibilitou e de que forma ocorreu a caminhada entre estes dois extremos.

Se formos analisar a trajetória humana de forma rápida, logo constataríamos que há um momento de maior ruptura em relação aos modos de produção: este momento é a Revolução Industrial.

De forma geral, antes dela a realidade material das sociedades se devia ao trabalho artesanal. Este tipo de trabalho tinha características próprias de seu tempo, espaço e cultura. O artesão pode ser entendido como o indivíduo que detinha conhecimento para transformar matéria-prima em objetos úteis para o seu uso ou para vender para seus semelhantes. São exemplos de artesãos o pedreiro, o marceneiro, o ferreiro, o ourives, o tecelão, entre outros.

O artesão também costumava exercer controle sobre quase todas as etapas da produção de bens: selecionava a matéria-prima – isso quando ele mesmo não a extraia da natureza –, trabalhava todos os pontos do utensílio e vendia o produto final. Desta maneira, seus ganhos também estavam atrelados à sua produtividade, o que poderia fazer com que ele pudesse trabalhar mais ou menos e mais rápido ou mais devagar, obedecendo suas necessidades ou interesses.

A Revolução Industrial rompe profundamente com esta lógica. As pessoas passaram a ser empregadas na produção de bens através da divisão do trabalho. A transformação foi tão grande que no presente o trabalho artesanal é visto como resistência das transformações e símbolo de culturas em desaparecimento.

Na dinâmica inaugurada pela industrialização, para fazer um utensílio como um sapato, por exemplo, existe uma pessoa para selecionar o material, outra para curtir o couro, outra para fazer o corte, outra para costurar e pregar, e tantas outras pessoas para vender o produto final.

Essa transformação ocorrida no século XVIII foi responsável por dispensar o conhecimento amplo do indivíduo por detrás da produção dos utensílios, agilizar a fabricação e padronizar o resultado final. A razão final para isto? Maximização de lucros.

Porém, as transformações mencionadas no parágrafo anterior dizem respeito apenas a aspectos econômicos. A Revolução Industrial também modificou profundamente a vida das pessoas em termos culturais e sociais, fossem elas trabalhadoras ou apenas consumidoras.

Primeiramente, ocorreu um êxodo rural na Inglaterra motivado pelo cercamento de antigas terras comunais e pela busca por trabalho na cidade. Isso criou uma grande massa de pessoas pobres e desempregadas.

Como toda essa mudança se configurou primeiramente para ampliação de lucros, os direitos dos trabalhadores ainda não eram garantidos. Os pagamentos eram realizados diariamente nas fábricas ao término do serviço, que podia chegar à 16 horas por dia. Além disso, mulheres e crianças eram recrutadas para o trabalho nas fábricas, onde tinham remuneração inferior à dos homens por justificativa de produtividade, mesmo que isso não fosse sempre uma realidade.

Acidentes de trabalhos eram frequentes, pois além das jornadas exaustivas também não havia a preocupação com segurança do trabalho, transformando diversas pessoas em mutilados que logo eram substituídos por outros desempregados.

Não era raro o caso de mulheres grávidas darem à luz no chão de fábrica porque a ideia de que as pessoas precisariam se ausentar de suas funções para cuidar de sua saúde e dos recém-nascidos ia contra a lógica produtivista.

A ampliação dos lucros, da produção e do consumo tinha um custo humano muito alto. Ele só passou a ser freado com movimentos de trabalhadores como foi o caso dos ludistas, cartistas e dos sindicalistas. O anarquismo e o socialismo também foram doutrinas sociais que contestavam o pensamento liberal do livre contrato entre indivíduos.

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Figura 2 – Trabalhadores das indústrias inglesas.

Primeira Revolução Industrial

Todo processo histórico tem etapas, e a Revolução Industrial foi tão extensa que muitos intelectuais afirmam que ainda vivemos novas ondas deste movimento. Isso porque a tecnologia que atende o mercado está sempre em desenvolvimento, “fazendo mais com menos”.

Porém, tradicionalmente, dividimos este processo em três fases: a Primeira Revolução Industrial (1750-1850), Segunda Revolução Industrial (1850-1950), e Terceira Revolução Industrial, que dura até os dias de hoje. Cada uma delas se diferencia pela tecnologia aplicada na produção, transporte e comunicação. Na primeira, ganham destaque os motores à vapor, na segunda a utilização de eletricidade e de motores de explosão, e na terceira a aplicação da informática, robótica, eletrônica e biotecnologia.

O início de todo o processo da Primeira Revolução Industrial ocorreu graças aos investimentos de abastados comerciantes britânicos em novos estudos e tecnologias, sobretudo aqueles que lucravam com indústria têxtil.

Dessa forma, a industrialização está diretamente ligada à economia da lã e do algodão. Este segundo era proveniente, principalmente, das colônias inglesas do sul na América do Norte, onde era produzido e colhido com mão de obra escravizada.

Neste contexto, Thomas Newcomen desenvolve o que foi chamado de motor à vapor, que depois foi aperfeiçoado por James Watt. Essa tecnologia passou a ser aplicada em teares e outras máquinas da indústria têxtil, agilizando a produção e garantindo mais vendas. Depois, ela passou a ser aplicada também em outros setores da economia, inclusive nos transportes, fazendo surgir os barcos e as locomotivas à vapor. Assim, o carvão passou a ser um recurso natural valioso, já que ele era utilizado para vaporizar a água que ativava os motores.

Mas, para o capitalismo industrial, tão importante quanto produzir é poder escoar a sua produção. O fato de a industrialização ter começado na Inglaterra tinha a vantagem de o país deter o monopólio maquinário, mas eles ainda precisavam de mercados consumidores no exterior.

O contexto colonial na América prejudicava as vendas, já que o pacto colonial impedia aqueles territórios de comercializarem com outras nações que não suas metrópoles. Por conta disso, o Estado inglês apoiou o movimento de independência nas diferentes regiões do continente americano.

Com o Brasil não foi diferente. Quando a família real portuguesa fugiu das invasões napoleônicas e vieram para o Brasil em 1807, os ingleses escoltaram os navios durante a viagem. Em troca, exigiram a abertura dos portos e privilégios tarifários para seus produtos. Isso foi possível porque a burguesia industrial inglesa ganhou mais influência no meio político e até ocupando cargos no próprio parlamento inglês.

Para aprofundar os seus conhecimentos, assista o vídeo do professor Bruno sobre Revolução Industrial:

Exercícios

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Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.