O uso de relações de causa e consequência na redação

Na redação do Enem, uma boa forma de melhorar sua argumentação e o equilíbrio entre as ideias é estabelecendo relações de causa e consequência!

Uma das maiores dificuldades dos candidatos do Enem é a elaboração dos parágrafos de desenvolvimento da redação. Como encaixar tantas ideias em apenas dois ou três parágrafos? Como demonstrar domínio do tema? Como apresentar seus argumentos de maneira objetiva? Como convencer o leitor do seu ponto de vista?

No desenvolvimento da sua redação no Enem, uma das formas de melhorar a sua argumentação é utilizando relações de causa e consequência. Com elas, é possível relacionar críticas com maior facilidade, garantindo a coerência e coesão textuais.

Neste post, você verá exemplos de como as relações de causa e consequência podem ser usadas na redação para enriquecer suas técnicas argumentativas. Além disso, vamos apresentar também a técnica da bilateralidade, utilizada para abordar análises mais complexas!

Como funciona?

Vamos analisar o emprego da relação de causa e consequência em uma redação cujo tema é “O que forma um atleta olímpico”.

“Embora seja essencial à formação do representante olímpico, no Brasil, amparo financeiro não faz parte do cotidiano dos nossos atletas. A exemplo disso, muitos dos nossos atletas, ao longo de suas carreiras, precisam apelar para ‘vaquinhas online’ e ajuda de amigos e familiares para se manterem no esporte. Essa falta de estabilidade reflete no desempenho do atletas nas suas competições, o nadador César Cielo, por exemplo, não conquistou sua vaga olímpica justamente por estar enfrentando uma má fase fruto da inconstância na sua carreira devido às dificuldades financeiras. Dessa maneira, vê-se que, muito mais que apenas conquistar medalhas, um atleta olímpico merece ser reconhecido como um profissional cujas necessidades financeiras devem ser supridas por um salário mensal muito superior ao ‘bolsa – atleta’ atual, que desmerece o esforço do representante”

Observe que, inicialmente, a autora estabelece o contexto dos esportistas brasileiros por meio do tópico frasal: “Embora seja essencial à formação do representante olímpico, no Brasil, amparo financeiro não faz parte do cotidiano dos nossos atletas.”

Já na argumentação, ela utiliza a técnica de causa (1) e consequência (2) para comprovar a sua crítica e tornar o exemplo (3) mais claro:

“(1) A exemplo disso, muitos dos nossos atletas, ao longo de suas carreiras, precisam apelar para ‘vaquinhas online’ e ajuda de amigos e familiares para se manterem no esporte. (2) Essa falta de estabilidade reflete no desempenho do atletas nas suas competições. (3) O nadador César Cielo, por exemplo, não conquistou sua vaga olímpica justamente por estar enfrentando uma má fase fruto da inconstância na sua carreira devido às dificuldades financeiras.”

No último período, a autora reitera sua crítica por meio da interpretação do fato apresentado, finalizando o parágrafo:

“Dessa maneira, vê-se que, muito mais que apenas conquistar medalhas, um atleta olímpico merece ser reconhecido como um profissional cujas necessidades financeiras devem ser supridas por um salário mensal muito superior ao ‘bolsa – atleta’ atual, que desmerece o esforço do representante”.

As relações de causa e consequência podem ser utilizadas em apenas um parágrafo (como no exemplo acima) ou nos dois parágrafos do desenvolvimento. Neste caso, um dos parágrafos apresentaria a causa e o outro, a consequência.

A técnica da bilateralidade

A técnica de bilateralidade é utilizada, geralmente, em temas complexos que exigem não apenas um posicionamento contra ou a favor de alguma prática, mas uma análise de prós e contras que levará a uma valorização de atitudes positivas e crítica das negativas.

Observe um exemplo em que o autor enaltece a importância dos limites da liberdade de expressão quando se trata de estigmatizar minorias, em relação ao tema: “Liberdade de expressão – limites do humor e a intolerância”.

“Por um lado, a satirização e ironia de certos indivíduos, grupos ou situações não deve ser feita quando o propósito é apenas a estigmatização de certos “alvos” para a obtenção de “vantagens” pelo emissor desse humor. Esse tipo de circunstância acontece provavelmente entre alguns humoristas, que com o propósito único de divertir várias plateias e, com isso, ganhar notoriedade e melhorar financeiramente, ofendem, xingam e criam estereótipos de, principalmente, certos grupos minoritários.”

Posteriormente, ele faz a relação de causa e consequência, comprovando de que maneira a ausência de limites no humor gera danos, comprovando a reflexão anterior:

“Essa atitude é extremamente negativa para essas minorias, pois com esse tipo de humor inferiorizador cria-se, na sociedade, visões pejorativas e fixas sobre os alvos dessas piadas, fazendo com que se sintam ofendidos e segregados da coletividade geral. Um exemplo de como isso é presente atualmente é o caso do humorista Rafinha Bastos, que mesmo sendo processado inúmeras vezes por suas piadas ofensivas, nega os danos causados e alega “animus jocandi”, ou seja, segundo ele – e muitos outros humoristas, suas intenções eram apenas de divertir seu público.”

No parágrafo seguinte, em contrapartida, o autor demonstra de que maneira a liberdade de expressão pode ser usufruída para a reflexão por meio do humor:

“Já por outro lado, o humor mostra-se como uma ferramenta viável para o entretenimento quando seus propósitos vão além das fáceis piadas discriminatórias. Nesse sentido, muitos artistas tentam promover, através da comicidade, uma visão crítica de aspectos negativos de nosso cotidiano, utilizando-se do humor como um meio de, sobretudo, fazer os indivíduos pensarem.”

Logo, partindo do humor como meio de reflexão, o vestibulando justifica o seu posicionamento por meio de um exemplo:

“Dessa forma, esse tipo de “humor reflexivo”, além de proporcionar o divertimento, também motiva os cidadãos a buscarem por mudanças em fatos adversos à vida em coletividade. Por conta desses tantos pontos positivos, essa maneira de se fazer o humor tem se tornado preferência de muitos públicos, como o exemplo do canal humorístico ‘Porta dos Fundos’, que é o que possui mais inscritos no Youtube no país dos brasileiros.”

Assim, o autor abordou tanto a necessidade de limites para a liberdade de expressão quanto o uso benéfico do livre discurso para o humor, mostrando que ambas as práticas coexistem em sociedade.

Para terminar, aprenda mais sobre as técnicas de argumentação com os vídeos abaixo:

 

Sobre o(a) autor(a):

Renato Luís de Castro é graduado em Letras/Francês pela Unesp-Araraquara, e mestrado em Estudos Literários também na Unesp, atualmente concluindo Licenciatura pela UFSC.